Longe de ser linear e regular, o tempo da dívida é caracterizado por sequências alternadas e ritmos de pagamento contrastantes. Este artigo analisa o conceito de “governo por dívida” (Lazzarato, 2012) com base em uma etnografia do feirão de dívidas organizadas em várias cidades do território nacional. Esses eventos reúnem agentes de cobrança dos bancos, das financeiras e grandes empresas de serviços (eletricidade, telefone, água, etc.) e seus clientes devedores. A etnografia foca nas negociações de dívidas que ocorrem no estande de uma financeira durante o feirão de Vitória (Espírito Santo). Ele mostra que, embora os devedores não consigam cancelar suas dívidas, eles conseguem obter de seus credores um suspiro e um prazo maior para pagar.
Palavras-chave:
Crédito; superendividamento; tempo; feirão das dívidas