Open-access A guerra anglo-argentina de 1982. Os desconfortáveis ​​limites autoimpostos de uma antropologia conformista

Este artigo analisa como as reflexividades geradas na pesquisa antropológica são moldadas pelos valores de cada época histórica. Esta análise pode ensinar-nos, investigadores sociais, a compreender as formas como o trabalho analítico académico tende a exotizar as alteridades que desejamos conhecer, mesmo que essas exotizações sejam apoiadas por razões de afinidade política e/ou consciência humanitária. A autora analisa aqui sua própria trajetória entre 1989 e 2022 como pesquisadora do conflito armado de 1982 entre a República Argentina e o Reino Unido, conhecido como Guerra das Malvinas (eng. Falklands), guerra protagonizada, do lado argentino, por soldados profissionais e soldados recrutados. Através de uma caracterização dinâmica de sua própria trajetória, ela nos mostra como os sucessivos climas político-morais do pós-guerra autorizaram formas de conhecimento acadêmico, baseadas em moralidades supostamente a-históricas que desvirtuam a historicidade das experiências dos combatentes argentinos. Para devolver esses climas à sua dinâmica histórica, o autor analisa as reflexividades postas em jogo entre acadêmicos e militares argentinos, ao longo de três décadas de pesquisas antropológicas, atravessadas por processos globais, nacionais e pessoais que forçaram sucessivas reelaborações de um fato social único. todo o século XX para a República Argentina: o envolvimento estatal-nacional como principal concorrente num campo de batalha internacional.

Palavras-chave:
Conhecimento; Guerra das Malvinas; Argentina; Forças Armadas; Etnografia

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