A construção civil é responsável por cerca de 38% das emissões globais de gases de efeito estufa (GEE), sendo a fração incorporada frequentemente negligenciada, apesar de poder alcançar até 50% do total do setor até 2050. Sua quantificação enfrenta entraves metodológicos, principalmente pela escassez de dados e pela dificuldade de extrapolar estimativas detalhadas para escalas maiores. Modelos baseados em arquétipos construtivos oferecem uma alternativa importante para superar este desafio informacional. Este estudo propõe uma metodologia híbrida para estimar emissões de GEE incorporadas em estoques urbanos, focando contextos sem caracterizações abrangentes. A abordagem combina arquétipos volumétricos compostos a partir de dados de legislação urbana (top-down) com arquétipos de materialidade gerados através de informações geométricas e materiais de edificações reais (bottom-up). Informações de emissões de GEE operacionais são adicionadas aos arquétipos, extrapolados à escala urbana para compor dados de vida inteira do estoque edificado. Aplicada à cidade de São Paulo, a abordagem demonstrou precisão satisfatória e consistência com benchmarks internacionais, mesmo com número reduzido de variáveis de entrada. O modelo é replicável e escalável, oferecendo suporte robusto à formulação e ao monitoramento de políticas públicas de descarbonização do ambiente construído e contribuindo para avançar o conhecimento e ação em sustentabilidade urbana.
Palavras-chave:
Estoque construído; Arquétipos; Modelagem híbrida; Avaliação do ciclo de vida; Carbono de vida inteira
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Fonte: Autores (2025).
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