O artigo investiga a consolidação de um empreendedorismo popular como identidade significativa nas periferias de São Paulo. O texto é produto de etnografia conduzida na zona sul da cidade entre 2017 e 2022. Dois perfis de trabalhadores por conta própria são analisados: um caso de empreendedorismo “fraco”, em que o ethos empreendedor pouco articulado se conjuga com o projeto familiar; e dois casos de empreendedorismo “forte”, em que seus protagonistas expressam o léxico característico do discurso empreendedor, porém com resultados diferentes segundo suas aspirações de distinção social. Para cada um dos três casos são analisadas as experiências em relação ao trabalho, à vizinhança, à educação e às perspectivas de mobilidade social.
Periferias urbanas; Cultura popular; Empreendedorismo; Classes sociais; Mobilidade social