Em razão da aproximação de certas vertentes do construcionismo ao pós-modernismo, o termo tem sido associado a posições idealistas e a um relativismo absoluto na conceituação da realidade social. Estando os objetivos deste artigo vinculados à discussão de três eixos principais - a definição da realidade, a análise da ideologia e a rejeição do relativismo absoluto -, argumenta-se que o construcionismo crítico se distancia de idealismos e de relativismos, ao conceber a realidade social como resultado da ação humana, mediada pela linguagem e pelas práticas sociais. Rejeitando o idealismo, o fisicalismo reducionista e o fatalismo, como expressões do essencialismo, o construcionismo crítico formula uma ontologia da realidade social fundada na contingência e na agência humana, enfatizando o papel do simbólico e do ideológico na sedimentação de arranjos históricos e culturais. Igualmente, recusa o relativismo ontológico e moral, segundo o qual a compreensão da realidade como constructo implicaria a legitimidade irrefutável de qualquer construção. Pelo contrário, afirma o caráter convencional e arbitrário das instituições e evidencia que as ordens sociais podem incorporar formas de dominação, opressão e exclusão que devem ser criticadas e superadas.
Palavras-chave:
Construcionismo crítico; Realismo; Ontologia; Ciência; Ideologia