Open-access Sonhos brancos para feitos negros: cinema, épico e hierarquização racial durante a Primeira República

Sueños blancos para hazañas negras: cine, épico y jerarquización racial durante la Primera República

Este artigo pretende analisar a conexão entre os elementos narrativos, o sucesso comercial alcançado pelo filme Spartaco (Giovanni Enrico Vidali, Pasquale Film, Itália, 1913), a cobertura midiática da Revolta da Chibata, o enquadramento de um senso comum por parte do público quanto a esses eventos e, de modo mais geral, quanto ao passado recente da escravidão e ao papel da população afro-brasileira na conquista de direitos no momento imediato pós-Abolição. Em se tratando de uma leitura racialmente dirigida à obra, nosso argumento principal é o de que o consumo de Spartaco por parte dos espectadores brasileiros atuou no apagamento do referente negro de heroísmo e de rebelião a partir de episódios temporalmente muito próximos à exibição do filme – a Revolta da Chibata e o julgamento de João Cândido – e conectados à herança do período escravocrata. Como metodologia para análise das fontes escritas, adotamos o paradigma indiciário, tal como preconizado por Carlo Ginzburg (2007).

Palavras-chave:
cinema; Primeira República; Revolta da Chibata; épico; pós-abolição

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