Resumo
O presente trabalho aborda o tratamento temático da informação pela via teórico-conceitual. Tem como objetivo apresentar os princípios fundamentais do tratamento temático da informação e reivindicar o conceito como uma corrente brasileira que pode ser explicada em seus próprios termos. Trata-se de uma pesquisa descritiva, de abordagem qualitativa. Utiliza revisão de literatura brasileira sobre tratamento temático da informação e temática relacionada, estabelecida prioritariamente sobre artigos de periódicos e trabalhos apresentados em eventos de Biblioteconomia e Ciência da Informação. Apresenta indícios do estabelecimento de uma corrente brasileira sobre tratamento temático da informação, a partir do histórico de seu desenvolvimento no país, tecendo considerações sobre as características essenciais do conceito no que se refere à conjuntura de processos, produtos e instrumentos a ele concernentes.
Palavras-chave
Descrição temática da informação; Organização do conhecimento; Tratamento da informação; Tratamento temático da informação
Abstract
This study analyzes the subject representation from a theoretical and conceptual perspective. The study aims to present the fundamental principles of the Brazilian current of subject representation and to explain it in its own terms. It is based on descriptive and qualitative research. The research draws on a review of the Brazilian literature on subject representation and related topics, primarily from articles published in Library and Information Science journals and conference proceedings. The study provides evidence of the emergence of a Brazilian current of subject representation, grounded in the historical development of the concept in the country, and discusses its essential characteristics with regard to the processes, products, and tools associated with it.
Keywords
Thematic description; Knowledge organization; Information processing; Subject representation
Introdução
A organização do conhecimento é um dos conceitos basilares da Biblioteconomia e Ciência da Informação (Library and Information Science), sendo considerado por alguns autores como Hjørland (2016, 2018a, 2018b), um subcampo dessa área. O discurso internacional da organização do conhecimento (Knowledge Organization – KO) tal como é conhecida internacionalmente em inglês) abrange pesquisa, ensino e prática institucionalizada por:
Professores em universidades de todo o mundo, em programas de ensino e pesquisa em instituições de pesquisa e instituições de ensino superior, em revistas acadêmicas (por exemplo, Knowledge Organization, 1993− ), em congressos nacionais e internacionais, em organizações nacionais e internacionais (por exemplo, a International Society for Knowledge Organization, ISKO, cf. Dahlberg, 2010)
(Hjørland, 2016, p. 475, tradução nossa)5.
A organização do conhecimento no Brasil, no contexto da International Society for Knowledge Organization (ISKO), tem apresentado, nos últimos dez anos, um movimento muito forte e de grande relevância e participação internacional (Smiraglia, 2011, 2013, 2014, 2017, 2018, 2020, 2022). De fato, na edição de 2020 do congresso internacional da ISKO, 24% do total das afiliações de todos os autores eram brasileiras (o país com maior porcentagem de afiliações) e, além disso, autores brasileiros contribuíram com 12% dos trabalhos submetidos (o segundo país com mais submissões) (Smiraglia, 2020). Na edição de 2022 do congresso, o Brasil também foi o país com maior número de textos completos publicados.
No entanto, a organização do conhecimento não é ensinada nem denominada da mesma forma globalmente, e, obviamente, o conceito nem sempre é designado com esse termo em inglês nas práticas profissionais, de ensino e pesquisa do Brasil. De fato, a denominação de KO no contexto da ISKO e sua revista, tem somente mais de 30 anos (Szostak; Ohly, 2020). A expressão Organization of Knowledge foi utilizada por Bliss (1929) há mais de noventa anos, mas a prática e o conceito contam com séculos de construção histórica.
Antes da consolidação da corrente alemã criada por Ingetraut Dahlberg no contexto da ISKO, denominada wissensordnung (tradução literal de ordem do conhecimento), existiam no contexto acadêmico diversas denominações com sutis diferenças, o que nos permite chamá-las de correntes ou conceitos próprios. Segundo Ohly (2020), Dahlberg (2010) e os outros cofundadores da ISKO criaram o termo knowledge organization sob influência de Bliss, e ele foi adotado pela comunidade científica para identificar uma área que anteriormente era chamada de teoria da ordenação (theory of ordering/Ordnungslehre) ou classificação (classification). Segundo comunicação pública, mas não publicada, de Peter Ohly no Congresso Ibersid de 2015, na Espanha, Ingetraut Dahlberg, ao final de sua trajetória, lamentou não ter escolhido o termo classification em vez de knowledge organization.
A organização do conhecimento é um conceito relativamente amplo que, principalmente no século passado, quando surgiu, incluía diferentes tradições e comunidades discursivas. Dahlberg (2014), por exemplo, listou nove subáreas da organização do conhecimento. Guimarães (2008), por outro lado, identifica três ramos distintos com três localizações geográficas que influenciaram o tratamento temático da informação (inclusive teoricamente) no Brasil: a catalogação de assunto (subject cataloging, de origem norte-americana), a indexação (indexing, de origem inglesa), e a análise documental (analyse documentaire, de origem francesa).
O termo Tratamento Temático da Informação (TTI), utilizado no Brasil, não possui tradução certa para o inglês (Martínez-Ávila; Gracioso, 2020) e, ao mesmo tempo, engloba aspectos teóricos dessas outras correntes estrangeiras (Guimarães; Sales, 2012).
Pesquisas anteriores sobre o conceito do tratamento temático da informação (Oliveira, 2021; Oliveira, 2023; Oliveira; Grácio; Martínez-Ávila, 2020a, 2020b; Oliveira; Grácio; Martínez-Ávila, 2022; Oliveira; Martínez-Ávila, 2019) sugerem que o conceito denominado por este termo possui características essenciais e distintivas. No entanto, para descrever e explicar o termo, ainda se utilizam referentes estrangeiros de difícil tradução literal, tanto terminológica quanto inclusive teórica. Portanto, a presente pesquisa pretende responder à seguinte questão de pesquisa: quais são as características essenciais do conceito denominado tratamento temático da informação no Brasil que permitem reivindicar uma independência teórica e pedagógica na prática brasileira da organização do conhecimento?
O presente trabalho tem como objetivo apresentar os princípios fundamentais do TTI e reivindicar o conceito como uma corrente brasileira que pode ser explicada em seus próprios termos.
Procedimentos Metodológicos
Trata-se de uma pesquisa descritiva, de natureza qualitativa, envolvendo procedimentos conceituais e teóricos na abordagem do tema “tratamento temático da informação”. Considerando os conceitos em uma visão social, “como significados socialmente negociados que devem ser identificados através do estudo dos discursos e não através do estudo de utilizadores individuais ou de princípios a priori” (Hjørland, 2009, p. 1530, tradução nossa)6, o TTI pode ser considerado um conceito fundamentado a partir dos discursos da comunidade brasileira da ISKO e de pesquisadores da área, revelando um núcleo de características aceitas e uma terminologia relacionada reconhecível. Por isso, considera-se fundamental a investigação da literatura especializada em Biblioteconomia e Ciência da Informação acerca do conceito, em busca de aprofundamento teórico e historicização dessa importante vertente de trato documental no Brasil.
Para tanto, foi empregada uma revisão de literatura produzida e publicada no Brasil a respeito do TTI. A pesquisa baseou-se prioritariamente em artigos de periódicos e trabalhos apresentados em eventos brasileiros de Biblioteconomia e Ciência da Informação, embora também tenha incluído relatórios de pesquisa e capítulos de livros com sólidas abordagens sobre o conceito, seu panorama histórico de desenvolvimento e sua consolidação no cenário brasileiro, provenientes de bases de dados estrangeiras.
Nesse sentido, a ênfase inicial das buscas bibliográficas recaiu sobre a Base de Dados em Ciência da Informação (BRAPCI), utilizando-se a expressão de busca “tratamento temático da informação”. Para além dessa estratégia, também foram contemplados materiais seminais sobre a temática da organização do conhecimento, dedicados à explanação dessa vertente temática de trato documental, especialmente na base Dialnet e no periódico Knowledge Organization.
A pesquisa foi, assim, cuidadosamente conduzida na BRAPCI, tendo em vista o objetivo de apreender o discurso brasileiro sobre TTI. Apesar dessa delimitação, também considerados, em seu desenvolvimento, levantamentos bibliométricos anteriormente realizados (Oliveira; Grácio; Martínez-Ávila, 2020a, 2020b), os quais forneceram um recorte bibliográfico de artigos e trabalhos apresentados em eventos sobre o TTI. Em consonância com a abordagem qualitativa adotada, buscou-se agregar fontes da base Dialnet e do periódico Knowledge Organization, conforme mencionado, de modo a articular a perspectiva do tratamento temático da informação à organização do conhecimento.
Tratamento temático da informação
O tratamento temático da informação configura-se como uma dimensão fundamental da organização da informação (Oliveira; Grácio; Martínez-Ávila, 2020a), voltada ao conteúdo ou teor documental e atuando como mediadora entre acervos informacionais (Redigolo; Silva, 2017), buscando evidenciar o conteúdo dos documentos. Ao contrário dos conceitos de organização do conhecimento (Hjørland, 2016) e de organização da informação (Joudrey; Taylor, 2018), o TTI não inclui entre seus conteúdos a catalogação ou a descrição formal. Curiosamente, na concepção original de Dahlberg, a catalogação também não era considerada parte da organização do conhecimento, nem era incluída nas listas de literatura ou publicações da área no periódico Knowledge Organization (na seção “Knowledge Organization Literature”), inclusive quando o periódico ainda se chamava International Classification até 1993. Essa situação mudou posteriormente, em 1999, quando Gerhard Riesthuis assumiu a seção (Ohly, 2020).
No intento de extrair e representar conceitos significativos de um documento (Braz; Carvalho, 2017), o TTI pode, portanto, ser compreendido em sua perspectiva aplicada, como processo.
Desse modo, embora ainda demandem aprimoramento teórico-metodológico (Dal’Evedove; Fujita, 2013) e ampla discussão das questões nele envolvidas (Redigolo; Silva, 2017), as pesquisas sobre o TTI têm se fortalecido no campo do universo aplicado na Biblioteconomia, como parte do subconjunto dicotômico descritivo-temático, que envolve o uso de técnicas para tratamento da informação (Gracioso; Martínez-Ávila; Simões, 2019; Redigolo; Silva, 2017).
No Brasil, o tratamento temático da informação ganhou repercussão a partir da tradução da obra de Antony Charles Foskett, The subject approach to information, em 1973 (Café; Sales, 2010). Esse verdadeiro marco para a valorização da dimensão temática compreender mais profundamente o caráter expressivo e dinâmico do assunto documental.
Nesse sentido, a difusão da expressão “tratamento temático da informação”, de forma sistemática, pode ser considerada um tanto quanto recente (Pando, 2018). Ao longo dos anos, esforços significativos foram realizados por pesquisadores para conceder maior clareza, completude e objetividade ao termo (Gracioso; Martínez-Ávila; Simões, 2019).
Todavia, a compreensão do tratamento temático da informação como uma das dimensões da organização da informação ainda não é consenso absoluto, tendo em vista a diversidade de concepções e correntes que marcam o desenvolvimento da Biblioteconomia. Inclui-se aqui a perspectiva supracitada (ver introdução), explicitada por Guimarães (2008).
É possível considerar, ainda, que a indexação e a classificação fazem parte da catalogação, enquanto operações de análise documental, diferindo nas formas de representação dos resultados dessa análise (Frías Montoya, 1995).
Não obstante, o tratamento temático da informação configura-se como um processo permeado pela subjetividade (Dal’Evedove; Fujita, 2013), cujos esforços de investigação se mostram extremamente relevantes − questão já destacada por teóricos clássicos como Hutchins (1977), segundo o qual a compreensão da atividade de análise do conteúdo documental representa uma possibilidade concreta de avanço teórico para a Ciência da Informação.
Discussões em torno do surgimento do termo no Brasil e no Mercosul
Em que pese haver grande instabilidade na expressão “tratamento temático da informação” (Gracioso; Martínez-Ávila; Simões, 2019), um importante traço evolutivo no uso do termo pode ser delimitado, considerando especialmente sua abordagem no âmbito das produções científicas e do entorno formativo que a configura.
Em artigo intitulado “Recuperação Temática da Informação”, publicado em 1990 na Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação de São Paulo, o professor José Augusto Chaves Guimarães começou a dar contorno a um conceito que, posteriormente, ainda na década de 1990, daria origem ao termo Tratamento Temático da Informação. Este tema já vinha sendo trabalhado pelo mesmo professor desde sua dissertação de mestrado, defendida em 1989 na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. Guimarães (1990) abordou o assunto em um espaço específico de encontro entre a análise documental e a recuperação da informação, localizando-o especificamente no universo da documentação. Segundo o autor, a documentação poderia ser compreendida como uma atividade responsável pela seleção, tratamento e disseminação da informação, formando, assim, uma corrente de elos indissociáveis, ou, um fluxo informacional. O tratamento da informação, em sua perspectiva mais geral (ainda não especificamente temático), seria a etapa que envolvia dois procedimentos interdependentes: a análise documental, preocupada com os aspectos metodológicos e com as formas de linguagens documentárias, e a recuperação da informação. A recuperação da informação, considerada na concepção internacional da organização do conhecimento como o fim último e parte indivisível e implícita desta (Martínez-Ávila; San Segundo; Zurian, 2014), segundo Guimarães (1990, p. 112):
[...] deve ser entendida em seu aspecto mais dinâmico, como “elo de uma corrente”, ou ainda, etapa de um fluxo: o fluxo da informação. [...] Para tanto, necessário se torna fazer referência a seu macro universo: a Documentação, como área do conhecimento que visa a reunir e organizar a informação para disseminá-la ao usuário.
Observa-se, portanto, que, para Guimarães (1990), era fundamental abordar a questão do tratamento da informação como um processo dinâmico operando dentro do universo dos fluxos informacionais a fim de unir análise documental e recuperação da informação.
Subsidiado teoricamente por Maria Augusta da Nóbrega Cesarino, Jacques Chaumier, Roberto Coll-Vinent e Cordélia Robalinho Cavalcanti, Guimarães (1990) avançou na discussão acerca do tratamento da informação, visto sempre na simbiose entre a análise documental e a recuperação da informação, chamando a atenção para o fato de que a análise documental se configurava como um fazer composto por duas dimensões: uma dimensão descritiva e uma dimensão temática. A dimensão descritiva voltada para a identificação e registro dos aspectos formais do documento, tais como autoria, editora, data e local de publicação, formatos e dimensões etc. e, a dimensão temática destinada a métodos e técnicas que envolviam desde a extração de conceitos representativos do conteúdo temático, até a tradução de tais conceitos a uma linguagem documentária ou de indexação, visando ao controle do vocabulário e à padronização da linguagem no processo de recuperação da informação. Os graus de especificidade e de expressividade da recuperação da informação dependiam diretamente desta dimensão temática da análise documental.
Não obstante, para além do âmbito teórico-científico, a abordagem sobre TTI encontrou respaldo também no contexto didático-formativo. O tratamento da informação em sua dimensão temática seria pauta de acaloradas discussões ocorridas em encontros de professores e pesquisadores da área da organização da informação em Biblioteconomia no contexto da América Latina em anos que se seguiram. O Encontro ocorrido em Buenos Aires, em 1997, merece um destaque central no que concerne ao debate em torno da denominação da área de tratamento da informação. Os resultados destas discussões podem ser encontrados no Relatório de Produtividade em Pesquisa apresentado ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) pelo professor José Augusto Chaves Guimarães, datado de 2001.
Já lançando mão do termo “Tratamento Temático da Informação”, a referida pesquisa tinha como objetivo geral delinear propostas teórico-metodológicas com vistas a um core curriculum para a área de Tratamento Temático da Informação nas escolas de Biblioteconomia do Mercado Comum do Sul (Mercosul). Para tanto, desenvolveram-se duas partes centrais: uma dedicada às propostas de conteúdos disciplinares e outra às características preponderantes para o profissional.
Apresentando comparativamente as Diretrizes Curriculares MEC/SESU de 2000 com a Proposta Curricular do Mercosul, Guimarães (2001) constatou que em ambos os documentos o termo adotado para nomear a área em questão, na virada do século XX para o século XXI, era “Organização e Tratamento da Informação”. Mas, para se chegar ao consenso sobre esta denominação da área, o II Encuentro de Directores y I de Docentes de Cursos Superiores de Bibliotecología del Mercosur, realizado em Buenos Aires, entre 27 e 29 de novembro de 1997, foi um fórum de debates que oscilaram entre convergências e divergências e, assim, diferentes termos foram empregados e defendidos.
Na ocasião deste Encontro de Buenos Aires (Encuentro de Directores [...], 1997), grupos de trabalhos foram definidos para discutir e representar cada área do currículo de Biblioteconomia e, nesta feita, a Área 2 ganhou o nome de “Processamento da Informação”. A esse respeito, Barité (2000a, p. 56) afirmou:
A então denominada “Área curricular 2: Processamento da Informação” não foi, naquele Encontro de Buenos Aires, das mais pacíficas com respeito ao processo e aos resultados de sua auto-reflexão. Tanto assim que inclusive se resolveu, após uma negociação em que ninguém saiu inteiramente satisfeito, sugerir que a área se denomine a partir de então Organização e Tratamento da Informação.
No entanto, os debates não se esgotaram em uma mera questão de “etiquetas” ou “rótulos”, mas se enfatizou, por parte de alguns docentes que ali estivemos presentes, a necessidade de visualizar a docência e a pesquisa a partir de pontos distintos dos tradicionais, tentando contextualizá-las dentro de correntes de pensamento vigentes e de alguns marcos conceituais novos ou em clara evolução. Essa discussão deu margem (junto a outras verificadas no mesmo sentido em outros grupos) para que no próximo Encontro de Docentes do Mercosul, a realizar-se em Montevidéu, em maio deste ano, a temática central seja “Bases teórico-metodológicas do ensino de Biblioteconomia” (Barité, 2000a, p. 56).
Segundo Guimarães (2001), no contexto específico deste grupo de trabalho do Encontro de Buenos Aires (Encuentro de Directores [...], 1997), algumas questões fundamentais foram flagrantes:
A dificuldade de se trabalhar em um grupo tão amplo, questões de conteúdo que abarquem o tratamento da informação como um todo, em suas vertentes descritiva e temática, aspecto que leva a uma dificuldade de aprofundamento de discussões; e b) a detecção de distintas correntes teóricas a influenciar o ensino da área – mormente a área temática no âmbito do Mercosul
(Guimarães, 2001, p. 40).
A proposta de alteração da denominação da área curricular para Organização e Tratamento da Informação foi sustentada por Mário Barité do Uruguai, Gustavo Liberatore da Argentina, e José Augusto Chaves Guimarães do Brasil, sob o argumento de que:
A área pudesse contemplar com mais clareza sua própria dimensão teórica, com especial contribuição dos estudos de Organização do Conhecimento (inclusive com inclusão explícita desse termo na ementa), desvencilhando-se de uma concepção demasiado centrada em produtos, a que poderia levar a simples denominação tratamento [processamento] da informação
(Guimarães, 2001, p. 40).
Na ocasião, Barité, Liberatore e Guimarães argumentaram também que, para escapar de um ensino meramente instrumental, era necessário se preocupar com a dimensão pedagógica, proporcionando aos estudantes a capacidade de planejamento e construção de instrumentos de organização do conhecimento com uma base teórica sólida.
Diante disso, chegou-se à seguinte ementa geral:
Organização do conhecimento e tratamento da informação. Tratamento descritivo dos documentos. Tratamento temático: teoria da classificação; análise da informação; teoria da indexação. Práticas, tecnologias e produtos. Geração e organização de instrumentos de recuperação da informação
(Guimarães, 2001, p. 41).
A partir desta ementa geral tocante à Organização e Tratamento da Informação, extraíram-se ementas específicas para a dimensão descritiva e para a dimensão temática do tratamento da informação, sendo a ementa desta última dimensão definida como: “Classificação. Indexação. Resumo. Linguagens documentais (sistemas de classificação, cabeçalhos de assunto e tesauros). Teoria da classificação. Construção de tesauros” (Guimarães, 2001, p. 41).
Nesse sentido, segundo Guimarães (2001, p. 41), ainda no âmbito do Encontro de Buenos Aires (Encuentro de Directores [...], 1997), delinearam-se preliminarmente os conteúdos mínimos da dimensão temática do tratamento da informação:
• Teoria da classificação e da indexação; • Análise e representação de conteúdo (indexação e resumo); • Planejamento, construção, desenvolvimento, uso e avaliação de linguagens documentais (sistemas de classificação, listas de cabeçalhos de assunto e tesauros); • Uso da língua natural; • Controle de autoridades de assunto; • Normalização (normas, diretrizes e formatos); • Planejamento e construção de sistemas de armazenamento e recuperação (planejamento lógico de arquivos de busca)
(Guimarães, 2001, p. 41).
Uma vez contextualizadas as discussões que deram contornos à denominação da área do tratamento da informação no âmbito da Biblioteconomia, que, ao final da década de 1990, ficou firmada como Organização e Tratamento da Informação, é importante sinalizar a utilização e possível consolidação do termo Tratamento Temático da Informação, no século XXI, a partir de uma leitura muito particular realizada pelo professor José Augusto Chaves Guimarães.
Não mais preocupado com denominações e demarcações curriculares no âmbito da Biblioteconomia, mas sim com a identificação de correntes teóricas que ajudavam a compor o arcabouço teórico da organização da informação em sua dimensão temática, Guimarães publicou dois artigos entre 2008 e 2009 que ganharam expressiva repercussão nos estudos de tratamento da informação no Brasil. O primeiro (Guimarães, 2008), intitulado “A dimensão teórica do Tratamento Temático da Informação e suas interlocuções com o universo científico da International Society for Knowledge Organization (ISKO)”, foi publicado em 2008 pela Revista Ibero-Americana de Ciência da Informação. O segundo (Guimarães, 2009), intitulado “Abordagens teóricas de Tratamento Temático da Informação (TTI): catalogação de assunto, indexação e análise documental”, fruto de seu estágio pós-doutoral realizado na Universidad Carlos III de Madrid (2008-2009), foi publicado em 2009 pelos Encuentros Internacionales sobre Sistemas de Información y Documentación.
Em ambos os artigos, percebe-se a preocupação do autor em destacar os alicerces que vinham teoricamente sustentando o desenvolvimento da dimensão temática da organização da informação no âmbito internacional. Se no primeiro artigo Guimarães (2008) articulou tais alicerces com os estudos e pesquisas que vinham sendo desenvolvidos no contexto da agenda internacional da organização do conhecimento, pontualmente no contexto da ISKO, no segundo texto, que está presente em bibliografias de diversas disciplinas de graduação e pós-graduação de Biblioteconomia, Arquivologia e Ciência da Informação no Brasil e, ainda, em inúmeros referenciais bibliográficos de teses, dissertações, artigos e demais publicações científicas das áreas informacionais acima citadas, a ideia de Guimarães (2009), de mapear correntes ou tradições teóricas relacionadas ao tratamento da informação, parece ter alcançado uma repercussão definitivamente nacional.
Destacamos ambos os artigos de Guimarães, o de 2008 e de 2009, justamente pelo uso do termo “Tratamento Temático da Informação” já nos respectivos títulos. Entretanto, entendemos que o texto de 2009 foi, e continua sendo, aquele que maior impacto vem obtendo nas discussões deste tema no Brasil. Vale relembrar que o uso do termo TTI já havia sido empregado pelo próprio Guimarães (2001) quando da feitura de seu Relatório de Pesquisa de Produtividade encaminhado em 2001 ao CNPq. Nesse sentido, é bem possível afirmar que o termo em questão de fato vem sendo utilizado, difundido e consolidado no contexto brasileiro do século XXI, a partir principalmente dos escritos de Guimarães (2001, 2008, 2009).
No contexto hispanófono, embora Barité tenha publicado o trabalho em espanhol intitulado Los conceptos y su representación: una perspectiva terminológica para tratamentonto temático de la información (Barité, 2000b), na revista espanhola Scire. Representación y Organización del Conocimiento, e embora a mesma revista tenha publicado diversos trabalhos em português contendo a expressão TTI no título (Gracioso; Martínez-Ávila; Simões, 2019; Oliveira; Grácio; Martínez-Ávila, 2020b), essa expressão não tem sido adotada para expressar o conceito naquela língua, nem a realidade dos países que a falam. Na última edição do prestigioso “Diccionario de Organización del Conocimiento” de Barité et al. (2015), o termo não está incluído, e, na Espanha, entre os autores e cursos espanhóis, o termo nunca foi utilizado, ao contrário do termo análisis documental, de influência francesa (Frías Montoya, 1995), bem como de outros como análisis de contenido, representación del contenido, organización de la información e, mais recentemente na linha de Marió Barité, organización del conocimiento.
Nos anos de 1990, particularmente no contexto do já citado Encontro de Buenos Aires, de 1997, segundo relatos de Barité (2000a) e Guimarães (2001), a preferência pelo termo “Processamento” da Informação no contexto do Mercosul refletia o caráter notadamente instrumental e técnico dos fazeres atinentes à organização da informação, fato que levou, inclusive, à denominação do Grupo de Trabalho formado à época no âmbito dos encontros do Mercosul. O termo “processamento” trazia consigo a ideia de um conjunto procedimental ou de etapas processuais que, quando levadas a cabo, resultariam em produtos de organização da informação, especialmente no universo biblioteconômico. Tal terminologia não parecia traduzir em sua completude, o que, de fato, se tornara este espaço investigativo central e mediador do ciclo informacional, que operava como um elo fluido e dinâmico entre a produção da informação e o uso da informação, especialmente quando se tratava da dimensão temática dos documentos. O que antes, do ponto de vista pragmático, se resolvia eficientemente por meio de um conjunto de procedimentos, para os quais o termo “processamento” parecia adequado, agora, segundo Guimarães (2001), limitava demasiadamente a dimensão temática da informação, que, como sabemos, pressupõe aportes teóricos e interdisciplinares, dada a complexidade de se falar sobre assuntos da informação. Assim, o termo “processamento” já não contemplaria mais a cientificidade que a área demandava na virada do século XX para o XXI.
Nessa ocasião, uma obra que teve importância singular para a discussão foi o citado livro escrito por Antony Charles Foskett intitulado “The Subject Approach to Information, publicado em 1969 pela Library Association Publishing”, no Reino Unido. Nessa obra, Foskett (1969, 1973) adotou o termo Subject Approach to Information como forma de integrar, para o ensino de Biblioteconomia, as mais variadas facetas que envolviam a questão da tematicidade na área da organização da informação, tais como, processos, instrumentos, linguagens, técnicas, teorias e métodos que abordavam a dimensão temática da informação. A obra foi traduzida para o Brasil por Antônio Agenor Briquet de Lemos pela editora Polígono em 1973, sob o título “A Abordagem Temática da Informação”.
Embora, indiscutivelmente, a obra de Foskett tenha servido de inspiração ao professor Guimarães, havia ainda um descontentamento com a potencial dispersão que o termo “abordagem” poderia causar. Se por um lado o termo “processamento” era muito restrito ao mecanicismo procedimental, por outro, o termo “abordagem” parecia demasiadamente generalista, carecendo de exatidão para representar a efetiva dimensão temática da informação. Assim, Guimarães (2001) encontrou no termo “tratamento” um contorno mais abrangente do que em “processamento” e uma denotação menos evasiva do que em “abordagem”, pois, segundo o autor, o termo “tratamento” incluía análise, diagnóstico (identificação), processos, instrumentais e resultados efetivos. A partir dessa decisão terminológica, Guimarães (2001, 2008, 2009) passou a adotar o termo Tratamento Temático da Informação que, como veremos mais adiante, alcançou significativa repercussão e referência no contexto brasileiro.
A variedade designativa sobre o eixo temático
Como acontece com outros termos na área de Biblioteconomia e Ciência da Informação, o tratamento temático da informação comporta uma grande variedade designativa, a ponto de se estabelecer, por vezes, como um tema controverso (Braz; Carvalho, 2017), o que, na concepção de Oliveira, Grácio e Martínez-Ávila (2020a), influencia o modo como esse processo tem sido compreendido. Inicialmente, há que se atentar para a denominação inadequada de certas disciplinas (Frías Montoya, 1995) nesse contexto.
Pode-se destacar, ademais, a conjuntura estabelecida a partir das diversas traduções do termo “tratamento temático da informação”. Começando pela recorrente utilização da forma “thematic treatment of information”, observada especialmente nos títulos dos trabalhos de pesquisadores brasileiros (Gracioso; Martínez-Ávila; Simões, 2019). Outros termos, como “information processing”, também são adotados nessa correlação (Saldanha; Sales; Café, 2020).
De modo geral, algumas concepções na literatura dão conta de que o tratamento temático da informação é um processo (Dal’Evedove; Fujita, 2013), um macroprocesso (Oliveira; Grácio; Martínez-Ávila, 2020b), uma atividade (Braz; Carvalho, 2017), ou mesmo um conjunto de procedimentos (Redigolo; Silva, 2017).
Nesse ínterim, pode-se destacar o tratamento temático da informação em relação ao elo com a dimensão de tratamento descritivo, de modo que:
Esta visão de que há um tratamento da informação que se manifesta ora pelo tratamento descritivo, ora pelo tratamento temático, teve início na Biblioteconomia e hoje encontra espaço tanto na Ciência da Informação brasileira, conforme pode ser observado no âmbito da Associação Nacional de Pesquisa e de Pós-Graduação em Ciência da Informação (ANCIB), quanto na knowledge organization internacional, como verificado no âmbito da International Society for Knowledge Organization (ISKO)
(Saldanha; Sales; Café, 2020, p. 33).
Comumente associado ao universo do conteúdo documental, determinadas se fazem mais presentes na evidência do eixo de descrição do assunto, a saber: “Análise documentária (Cunha, 1989), Análise Temática (Cavalcanti, 1978), Análise de Assunto (Dias; Naves, 2007), Descrição de Conteúdo (Guinchat; Menou, 1994) e Tratamento Temático da Informação (Foskett, 1973)” (Café; Sales, 2010, p. 118).
Tal diversidade encontra eco na própria difusão terminológica do elemento “assunto”, cuja definição representa um problema na área de Biblioteconomia e Ciência da Informação, tanto quanto os meios para obtê-lo durante a análise de uma obra (Guedes; Martinho; Moraes, 2009). Afinal, várias são as formas de produzir representações de assunto (Hjørland, 2017).
Assunto é, em bases gerais, visto como um tema ou tópico presente em um documento (Barité et al., 2015), havendo um uso bastante amplo do conceito, a ponto de se pensar que ele não precise ser explorado teoricamente (Hjørland, 2017). Mais do que isso, “o assunto representa o conhecimento humano por meio de um tópico ou tema de um trabalho declarado explicitamente no texto ou título em questão ou implícito em sua mensagem” (Lima, 2020, p. 5).
Assunto é, nesse sentido, um conceito básico com significados distintos, cuja compreensão é fundamental para a área de Biblioteconomia e Ciência da Informação (traduzido do inglês Library & Information Science) (Hjørland, 2017). Principalmente porque, até mesmo a complexidade de se identificar e representar o tema de um documento acaba influenciando a profusão de nomenclaturas e definições a seu respeito (Guedes; Martinho; Moraes, 2009).
Historicamente, autores como Cutter, Kaiser, Ranganathan, Vickery, Metcalfe e Hjørland se empenharam em abordar a instância de “assunto” (Guedes; Martinho; Moraes, 2009). Em Biblioteconomia e Ciência da Informação, o elemento “assunto” tem sido objeto de pesquisa há mais de 100 anos (Hjørland, 2017). Ainda assim, ele precisa ser mais explorado, sobretudo por sua centralidade e relevância na busca e recuperação da informação.
De fato, a localização de informações por assunto é uma abordagem fundamental para quem busca informação (Lima, 2020). Em que pese essa supremacia na pesquisa em bases de dados, a definição do conceito de “assunto” e até mesmo o aparato metodológico necessário à consecução de sua análise permanecem, de certo modo, em segundo plano (Guedes; Martinho; Moraes, 2009), o que gerou uma inconsistência designativa e procedimental sobre o próprio TTI.
Destacadamente, as variações substanciais na definição do tratamento da informação e das ações que o integram promovem um rico conjunto de significações e usos. Entretanto, também resultam em distorções e incompatibilidades comunicativas dentro da comunidade científica dedicada ao estudo do tema (Martínez-Ávila; Gracioso, 2020).
Não obstante, o tratamento temático da informação tem demonstrado um potencial para alcançar uma precisão mais clara (Saldanha; Sales; Café, 2020). Mesmo porque a vertente temática de trato documental tem sido palco de importantes deliberações teóricas, especialmente conduzidas por teóricos brasileiros.
TTI enquanto corrente brasileira
Conforme anteriormente destacado, para além da preocupação com a instância de “assunto” já demarcada na área de Biblioteconomia e Ciência da Informação e, do marco teórico representado pela publicação do livro de Foskett e sua tradução brasileira, o tratamento temático da informação teve aportes na literatura brasileira pelas mãos de teóricos como o supramencionado Guimarães (2008, 2009). Ambos os textos encontram eco nas abordagens de outros pesquisadores, a ponto de surgirem como referentes teóricos de incidência principal e secundária nos artigos científicos publicados no Brasil, sobre o tema TTI, segundo o que foi demonstrado por Oliveira (2021). Isso significa dizer que Guimarães segue sendo citado a partir dessas duas publicações, contribuindo para a fundamentação do assunto por teóricos que o investigam e sobre ele publicam, em periódicos científicos nacionais.
Aliás, acerca dos artigos de periódicos sobre TTI, Oliveira, Grácio e Martínez-Ávila (2020a) demonstram um mapa da ocorrência do termo ao longo do título, do resumo e das palavras-chave de tais textos, abrangendo a linha de publicação de 2005 a 2019, junto a revistas científicas brasileiras de Biblioteconomia e Ciência da Informação. Nesse contexto, constata-se a presença da expressão “tratamento temático da informação” em tais produções científicas, o que reforça um discurso teórico em torno desse assunto em artigos que continuam sendo desenvolvidos a respeito do tema.
Destaque deve ser dado, também, às publicações em forma de dissertação e tese sobre tratamento temático da informação. Em pesquisa publicada no ano de 2022, Oliveira, Grácio e Martínez-Ávila apresentam trabalhos defendidos por mestres e doutores brasileiros, acerca do TTI. Como destacado no estudo, as pesquisas desenvolvidas nos programas de pós-graduação em Ciência da Informação, a respeito do TTI, são de estágio recente, com trabalho inicial em 2005 e final em 2017, dentro do plano amostral considerado, que foi do período de 2001 a 2020. Em que pese essa questão, observa-se uma linha investigativa brasileira acerca do tratamento temático da informação em mestrados e doutorados do país, o que permite inferir que há novas incursões a seu respeito, não restritas apenas a publicações perenes na forma de artigos científicos, mas também na produção científica presente na pós-graduação brasileira.
Nesse ínterim, vale destacar também a margem de discussões estabelecidas sobre TTI junto à dimensão formativa, outrora buscada para a delimitação de temas centrais a serem caracteristicamente contemplados no ensino de Biblioteconomia no Mercosul. Como anteriormente mencionado, a frente temática de trato documental foi alvo de debates por parte de docentes e pesquisadores, no contexto dos trabalhos para delimitação curricular da área de organização e tratamento da informação. Logo, a perspectiva do tratamento descritivo e temático esteve presente.
Nessa mesma dimensão formativa, encontram-se trabalhos publicados que buscam fazer constatações acerca do ensino de tratamento temático da informação. O supramencionado relatório de produtividade em pesquisa apresentado por Guimarães no ano de 2001 corrobora essa conjuntura. Ademais, Oliveira, Martínez-Ávila e Grácio (2022) abordam a questão, ao demonstrarem a frente de conteúdos relativos a instrumentos, processos e produtos do TTI nas graduações brasileiras de Biblioteconomia. Destacadamente, portanto, os centros formadores de bibliotecários refletem a abordagem temática da informação em seus currículos, o que, propriamente, também tem sido objeto de pesquisa e configura uma circunstância abarcadora do assunto.
Avizinha-se, pois, a noção acerca de uma corrente brasileira para o TTI, que se faz presente pelas vias da literatura e do ensino de Biblioteconomia. Em bases gerais, o tema se mostra objeto de abordagens teóricas e formativas, com contornos atrelados à sua permanência em graduações e programas de pós-graduação, haja vista que está contemplado em disciplinas formadoras do bibliotecário brasileiro, assim como em estudos e pesquisas de mestrandos e doutorandos. Não obstante, também pode ser observado em publicações científicas nacionais. Concorre-se, assim, para uma linha integradora do TTI, que é brasileira.
Conclusão
A pesquisa buscou apresentar os princípios fundamentais do TTI e reivindicar o conceito como uma corrente brasileira que pode ser explicada em seus próprios termos. Destacou-se a presença do assunto na literatura científica e nas escolas brasileiras. O contexto histórico de discussão do tratamento temático da informação demonstra o lastro de sua abordagem, que se fez presente nos eventos do MERCOSUL, em estudos junto a projetos de pesquisa, tanto quanto em incursões investigativas da pós-graduação.
O tratamento temático da informação é um assunto que se faz presente na teorização em Biblioteconomia e Ciência da Informação, da mesma forma que no ensino praticado na área. Distingue-se, pois, como corrente consolidada nacionalmente.
Estudos futuros podem se dedicar ao olhar sobre o tratamento temático da informação e sua interlocução nas pesquisas realizadas em países ibero-americanos, o que pode demonstrar o alcance para além da realidade teórica brasileira.
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Como citar este artigo:
Oliveira L.P.; Sales, R.; Martínez-Ávila, D. Tratamento temático da informação: traços de um conceito brasileiro na organização do conhecimento. Transinformação, v. 37, e11777, 2025. https://doi.org/10.1590/2318-0889202537e11777.
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No original: [...] “institutionalized in professorships at universities around the world, in teaching and research programs at research institutions and schools of higher education, in scholarly journals (for example, Knowledge Organization, 1993- ), in national and international conferences, in national and international organizations (for example, the International Society for Knowledge Organization, ISKO, cf., Dahlberg 2010)” (Hjørland, 2016, p. 475).
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No original: [...] “as socially negotiated meanings that should be identified by studying discourses rather than by studying individual users or a priori principles” (Hjørland, 2009, p. 1530).
Disponibilidade dos Dados
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Editora
Luisa Angélica Paraguai Donati
