A Guerra da Cisplatina, também chamada Guerra do Brasil, ocupa lugar constante nas historiografias brasileira e uruguaia. Frequentemente analisada sob enfoques militar, diplomático ou político tradicional, teve o nacionalismo como eixo central dessas narrativas. Tal perspectiva, contudo, revela uma tensão: trata-se de um território de fronteiras móveis e de uma cronologia difícil de inscrever em discursos fundacionais. Este dossiê propõe, no marco dos 200 anos do conflito, situá-lo em dinâmicas mais amplas, tanto no tempo quanto no espaço. O processo envolveu diferentes províncias, identidades plurais e disputas que atravessaram o Prata, projetando futuros políticos diversos. Compreender o episódio significa reconhecê-lo como marco da história sul-americana, cujos efeitos se estenderam ao longo do século XIX, moldando a vida política de Brasil, Argentina e Uruguai, bem como as disputas em torno de suas memórias nacionais.
Palavras-chave:
Guerra da Cisplatina; Historiografia; Nacionalismo