RESUMO
Objetivo: determinar o conteúdo a ser contemplado no processo de modelagem de estratégias educativas para prevenção de quedas em pessoas idosas hospitalizadas.
Método: estudo metodológico, desenvolvido em três etapas: 1) revisão integrativa sobre elementos-chave desencadeadores de quedas em pessoas idosas hospitalizadas; 2) grupos focais com enfermeiros, pessoas idosas hospitalizadas e acompanhantes; 3) determinação do conteúdo a ser abordado na prevenção de quedas em pessoas idosas hospitalizadas por meio da junção dos elementos-chave identificados em etapas anteriores, representados em um mapa conceitual.
Resultados: foram incluídas 14 publicações, e os participantes das sessões de grupo focal foram 15 enfermeiros, nove pessoas idosas e 11 acompanhantes. As publicações apontaram 24 elementos-chave desencadeadores de quedas, e as sessões de grupo focal, um total de 27 elementos-chave. A junção dos resultados foi representada em um mapa conceitual com categorias temáticas relativas a limitações do paciente e características do ambiente, cada qual com subcategorias.
Conclusão: a construção compartilhada do conteúdo a ser contemplado na modelagem de estratégias de educação em saúde para prevenção de quedas em pessoas idosas hospitalizadas possibilitou considerar aspectos da literatura científica e da realidade na qual a estratégia poderá ser desenvolvida.
DESCRITORES:
Segurança do paciente; Acidentes por quedas; Idoso; Hospitalização; Fatores de risco; Educação em saúde
ABSTRACT
Objective: to determine the content to be included in the process of modeling educational strategies for preventing falls in hospitalized older adults.
Method: this is a methodological study developed in three stages: 1) integrative review on key elements that trigger falls in hospitalized older adults; 2) focus groups with nurses, hospitalized older adults and companions; 3) determination of the content to be addressed in preventing falls in hospitalized older adults by combining the key elements identified in previous stages, represented in a conceptual map.
Results: a total of 14 publications were included, and the participants in the focus group sessions were 15 nurses, nine older adults and 11 companions. The publications indicated 24 key elements that trigger falls, and the focus group sessions indicated a total of 27 key elements. The results were represented in a conceptual map with thematic categories related to patient limitations and characteristics of the environment, each with subcategories.
Conclusion: shared construction of the content to be considered in modeling health education strategies for preventing falls in hospitalized older adults made it possible to consider aspects of the scientific literature and the reality in which the strategy could be developed.
DESCRIPTORS:
Patient safety; Accidents due to falls; Older adults; Hospitalization; Risk factors; Health education
RESUMEN
Objetivo: determinar los contenidos a incluir en el proceso de modelado de estrategias educativas para la prevención de caídas en adultos mayores hospitalizados.
Método: estudio metodológico, desarrollado en tres etapas: 1) revisión integradora sobre elementos clave que desencadenan caídas en ancianos hospitalizados; 2) grupos focales con enfermeras, ancianos hospitalizados y acompañantes; 3) determinación del contenido a abordar en la prevención de caídas en ancianos hospitalizados mediante la combinación de los elementos clave identificados en etapas anteriores, representados en un mapa conceptual.
Resultados: Se incluyeron 14 publicaciones y los participantes en las sesiones de grupo focal fueron 15 enfermeras, nueve personas mayores y 11 acompañantes. Las publicaciones identificaron 24 elementos clave que desencadenan caídas y las sesiones de grupos focales identificaron un total de 27 elementos clave. Los resultados se combinaron en un mapa conceptual con categorías temáticas relacionadas con las limitaciones de los pacientes y las características del entorno, cada una con subcategorías.
Conclusión: la construcción compartida de los contenidos a considerar en el modelado de estrategias de educación en salud para la prevención de caídas en ancianos hospitalizados posibilitó considerar aspectos de la literatura científica y de la realidad en que la estrategia podría ser desarrollada.
DESCRIPTORES:
Seguridad del paciente; Accidentes por caídas; Anciano; Hospitalización; Factores de riesgo; Educación para la salud
INTRODUÇÃO
As pessoas idosas apresentam alterações fisiológicas e funcionais relacionadas ao processo de envelhecimento que propiciam a ocorrência de eventos adversos, tais como as quedas. As quedas representam a segunda principal causa de morte por lesão não intencional no mundo, e estão relacionadas a maior frequência de desfechos fatais em pessoas de idade avançada1-3.
Os contextos nos quais as quedas podem ser desencadeadas são diversos, variando desde ambientes domésticos até aqueles desconhecidos, como vias públicas e instituições. Desse modo, cada tipo de ambiente apresenta elementos específicos que propiciam a sua ocorrência2-3.
No hospital, existem peculiaridades, devido a aspectos ambientais e situacionais, representadas por ambiente desconhecido associado a queixas ou desconfortos causados por enfermidades, procedimentos terapêuticos e diagnósticos.2 As pessoas idosas são mais vulneráveis a eventos adversos e permanecem hospitalizadas por maior tempo, quando comparadas a pessoas das demais faixas etárias. As ações de identificação do risco para quedas e prevenção de sua ocorrência devem ser enfatizadas4.
A prevenção de quedas em pessoas idosas hospitalizadas pode ser auxiliada por meio da implementação de estratégias de educação destinadas à equipe, pessoa hospitalizada e familiares sobre precauções universais, além de cuidados adicionais para pessoas classificadas como alto risco. Tais medidas não necessitam da aquisição de equipamentos especializados ou mudanças significativas na infraestrutura hospitalar e, portanto, são de baixo custo para a instituição2-3,5.
Portanto, a educação em saúde para prevenção de quedas é uma medida a ser adotada na admissão e durante a permanência no hospital. Nesse sentido, sugere-se a orientação sobre o risco de ocorrência do evento, danos associados e medidas preventivas5. Entretanto, enfatiza-se a necessidade de detalhar o processo de construção e avaliação de estratégias de educação em saúde, visando identificar possibilidades de implementação e considerando as particularidades inerentes aos cenários e público-alvo6-7.
Nesse contexto, a técnica de grupo focal é uma aliada na definição do conteúdo a ser abordado, devido à possibilidade de apreender as percepções e atitudes dos participantes em relação ao objeto de estudo a partir do debate grupal8-9.
Desse modo, o objetivo deste estudo foi determinar o conteúdo a ser contemplado no processo de modelagem de estratégias educativas para prevenção de quedas em pessoas idosas hospitalizadas.
MÉTODO
Trata-se de estudo metodológico, realizado em três etapas: 1) revisão integrativa de literatura, com objetivo de identificar elementos-chave para queda, com respaldo em publicações nacionais e internacionais sobre o tema em estudo; 2) estudo qualitativo descritivo, realizado por meio de grupos focais, com enfermeiros, pessoas idosas hospitalizadas e acompanhantes, que buscou investigar vivências envolvendo quedas em pessoas idosas hospitalizadas, bem como identificar os elementos que desencadeiam as referidas quedas; 3) elaboração de um mapa conceitual com o conteúdo a ser abordado na estratégia educativa a partir da consolidação dos resultados das etapas anteriores. O mapa conceitual referido na etapa 3 será validado por juízes especialistas na próxima etapa do estudo, com previsão de execução no segundo semestre de 2025.
A questão norteadora da revisão integrativa da literatura foi a seguinte: quais os elementos-chave desencadeadores de quedas em pessoas idosas hospitalizadas? A coleta de dados foi realizada por meio de busca online nas seguintes bases de dados primárias de produções científicas: Cummulative Index to Nursing and Alied Health Literature (CINAHL); Scopus Elsevier (Scopus); Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (MEDLINE); e Web of Science. Os Medical Subject Headings (MeSH) foram combinados com operadores booleanos de modo a representar a seguinte chave de busca: (“accidental falls” OR “falls” OR “falling”) AND ("risk factors") AND (“hospitalization” OR “inpatient”) AND (“aged” OR “elderly”). A busca foi realizada no período de janeiro de 2025.
Os resultados foram exportados para o EndNote, para detecção de duplicações, e, em seguida, para o Rayyan, a fim de prosseguir nas etapas de seleção dos estudos e avaliação por dois revisores independentes. Incluíram-se publicações em periódicos acadêmicos do período de 2020 a 2024. Excluíram-se estudos em unidades pediátricas e psiquiátricas, revisões, capítulos de livros, teses, dissertações, editoriais, e cartas ao editor. As publicações incluídas tiveram suas informações registradas em planilha eletrônica contendo os seguintes itens: título; autor principal; idioma; ano da publicação; periódico; objetivo; delineamento do estudo; nível de evidência; resultados; e conclusão.
As sessões de grupo focal sobre prevenção de quedas em pessoas hospitalizadas foram desenvolvidas em Hospital Escola localizado no Nordeste do Brasil no período de junho a novembro de 2019, cujos grupos de participantes foram enfermeiros, pessoas idosas hospitalizadas e acompanhantes. As questões norteadoras foram: quais as vivências envolvendo as quedas em pessoas idosas hospitalizadas? Quais os elementos que desencadeiam quedas em pessoas idosas hospitalizadas?
Os enfermeiros convidados foram aqueles que atuavam no Núcleo de Segurança do Paciente e Unidades de Internação Médico-Cirúrgicas de hospital universitário localizado na região Nordeste do Brasil. Foram excluídos os enfermeiros que atuavam há menos de um ano nos setores supracitados e aqueles afastados das atividades laborais no período de coleta. Em relação às pessoas idosas, foram convidadas aquelas com tempo de permanência mínimo de 24 horas na clínica médica da mesma instituição. Foram excluídos aqueles restritos ao leito, com instabilidade hemodinâmica, com precaução de contato, respiratória ou isolamento reverso. Quanto aos acompanhantes, foram convidados aqueles que estavam junto a pessoas com idade igual ou superior a 60 anos na clínica médica e que permaneceram no hospital há pelo menos 24 horas consecutivas ou não. Foram excluídos aqueles que acompanhavam pacientes com alta dependência e que não poderiam se ausentar da enfermaria no período da coleta. Participaram 15 enfermeiros e as sessões foram realizadas em junho e agosto de 2019. As sessões com nove pessoas idosas e 11 acompanhantes, foram realizadas em outubro e novembro do mesmo ano. Foi realizada uma sessão de grupo focal com cada grupo de participantes.
A técnica de grupo focal foi executada de acordo com critérios de composição, ferramentas e operacionalização. Desse modo, a equipe de coleta de dados foi composta por um moderador e dois observadores, e cada encontro seguiu etapas pré-definidas como: abertura da sessão; apresentação dos participantes/dinâmica de aquecimento; esclarecimento acerca da dinâmica de discussão participativa; estabelecimento das regras; debate; síntese; e encerramento da sessão10-11.
A identificação dos elementos-chave desencadeadores de quedas em pessoas idosas hospitalizadas nas sessões de grupo focal ocorreu por meio da submissão dos documentos com transcrição dos áudios das discussões nas sessões de grupo focal à ferramenta semiautomática para construção de ontologias em português, PorOnto. Todas as transcrições das sessões de grupo focal foram revisadas manualmente por dois pesquisadores independentes, garantindo a fidelidade do conteúdo. A triangulação de dados foi utilizada, comparando os resultados das transcrições com anotações feitas pelos observadores durante os encontros. Além disso, foi conduzida uma validação dos achados preliminares por meio de discussão em equipe, com revisão coletiva das categorias identificadas no software PorOnto. Essa abordagem colaborativa buscou minimizar possíveis vieses interpretativos, assegurando maior validade e confiabilidade às inferências realizadas.
O estudo seguiu os preceitos éticos e legais exigidos pela Resolução nº 466/12, tendo sido submetido e aprovado no Comitê de Ética em Pesquisa.
RESULTADOS
A busca inicial nas bases de dados resultou na identificação de 2.083 publicações. Destas, 639 foram excluídas por duplicidade; em seguida, 1.363 foram excluídas após leitura de títulos e resumos; e, por fim, ao realizar a leitura na íntegra, permaneceram 14. O Quadro 1 apresenta os elementos-chave identificados nos resultados dos estudos incluídos.
Foram identificados 24 elementos-chave desencadeadores de quedas, de modo que efeitos de medicamentos, limitações físicas, queda anterior e comorbidades foram citados por quatro ou mais estudos. Ajuda para atividades diárias, idade avançada, disfunção cognitiva e estado mental alterado foram citados por três estudos. Os demais elementos-chave estiveram presentes nos resultados de dois ou um estudo.
Ressalta-se que 16 (66 %) dos elementos-chave identificados nos estudos estiveram relacionados a características da pessoa hospitalizada, representados por: comorbidades; limitações físicas; queda anterior; ajuda nas atividades diárias; efeito de medicamentos; idade avançada; alterações cognitivas; mentais; sensoriais; alterações emocionais e no equilíbrio; baixo nível de escolaridade; desnutrição; distúrbios hidroeletrolíticos; eliminação urinária alterada; e medo de cair.
Os demais elementos-chave foram relacionados a características ambientais e situacionais, representados por: pós-operatório; uso de dispositivos médicos conectados ao corpo e para mobilidade; ambiente desconhecido; ausência do cuidador; piso escorregadio; grades do leito baixas; e ausência de barras de segurança.
Foram realizadas três sessões de grupo focal com três públicos diferentes: uma com enfermeiros; uma com pessoas idosas hospitalizadas; e outra com acompanhantes de pessoas idosas hospitalizadas.
Na sessão com enfermeiros, participaram 15 profissionais; destes, três atuavam no Núcleo de Segurança do Paciente, e 12, nas Unidades de Internação Médico-Cirúrgica. Quanto às características dos participantes, 14 (93,3 %) eram do sexo feminino. A idade variou de 28 a 56 anos, com uma média de 39 anos, prevalência nas faixas etárias de 30 a 39 anos (40 %) e 40 a 49 anos (33,3 %). O tempo de conclusão do curso de graduação em enfermagem variou de no mínimo seis anos a 33 anos, com média de 16 anos e maior prevalência entre aqueles com mais de dez anos de formação (13 (86,7 %) participantes). A maior titulação acadêmica foi nos cursos de especialização, com oito (53,3 %) participantes, seguida de mestrado, com seis (40 %) participantes.
Na sessão de grupo focal com pessoas idosas hospitalizadas, estiveram presentes nove participantes, os quais apresentavam semelhança na composição quanto ao sexo, uma vez que cinco (55,6 %) eram do sexo masculino, e quatro (44,4 %), do sexo feminino, com média de idade de 68,8 anos, variação de 60 a 84 anos e maior prevalência nas faixas de 60 a 69 anos e 70 a 79 anos, com quatro (44,4 %) participantes. Em relação à escolaridade, observou-se maior prevalência de um a quatro anos de estudo, com sete (77,7 %) participantes, e renda mensal de um a três salários mínimos, relatada por seis (66,7 %) participantes.
Em relação à sessão de grupo focal com acompanhantes de pessoas idosas hospitalizadas, estiveram presentes 11 participantes. Estes eram de ambos os sexos, sendo seis (54,5 %) do sexo masculino, e cinco (45,5 %), do sexo feminino, com maior prevalência na faixa etária de 40-49 anos, com cinco (45,5 %) participantes. Quanto à escolaridade, renda mensal individual e relação com o paciente, seis (54,5 %) participantes apresentavam um a quatro anos de estudos, renda de um a três salários mínimos, e eram familiares dos pacientes.
A submissão dos áudios das sessões de grupo focal à ferramenta PorOnto permitiu a identificação de termos vinculados a elementos-chave desencadeadores de quedas em pessoas idosas hospitalizadas. Estes foram divididos em categorias e subcategorias de elementos desencadeadores de quedas. As categorias identificadas foram referentes a elementos-chave desencadeadores de quedas relacionados ao indivíduo e ao ambiente, cada uma com suas respectivas subcategorias.
A Tabela 1 apresenta as subcategorias de elementos-chave desencadeadores de quedas distribuídos de acordo com a procedência dos dados e frequência de aparição (f).
Foram identificados 27 elementos-chave desencadeadores de quedas nas sessões de grupo focal. Destes, foram citados pelos três grupos de participantes os seguintes elementos-chave: banheiro inadequado; idade avançada; uso de dispositivos para locomoção; efeitos de medicamentos; grade do leito baixa; enfermaria com pouco espaço; e piso escorregadio.
Houve variação na identificação de elementos-chave entre os grupos de participantes, de modo que, no grupo de enfermeiros, foram identificados 24. Os elementos-chave não citados foram negação dos riscos, estado emocional alterado e eliminação urinária alterada. No grupo das pessoas idosas hospitalizadas, foram identificados 14 elementos-chave, e no grupo dos acompanhantes, 18 elementos-chave.
A junção dos elementos identificados na revisão integrativa da literatura e sessões de grupo focal determinou o conteúdo para compor a modelagem de estratégias de educação em saúde para prevenção de quedas. Desse modo, a conscientização das pessoas hospitalizadas sobre riscos de quedas deve considerar elementos-chave desencadeadores de quedas distribuídos em duas categorias temáticas: limitações do paciente; e características do ambiente.
As limitações da pessoa idosa foram divididas em três subcategorias de elementos-chave: fisiológicos; cognitivos; e comportamentais. A categoria temática intitulada “Características do ambiente” apresentou subcategorias referentes à infraestrutura, configuração de equipamentos e rotina hospitalar. A Figura 1 corresponde a um mapa conceitual que representa o conteúdo da modelagem de estratégias de educação em saúde para prevenção de quedas com suas categorias e subcategorias de elementos-chave desencadeadores de quedas em pessoas idosas hospitalizadas. Os elementos-chave estão categorizados de modo a identificar a fonte: revisão integrativa da literatura; sessões de grupos focais; ou ambos.
Mapa conceitual do conteúdo a ser abordado em estratégias de educação em saúde para prevenção de quedas em pessoas idosas hospitalizadas. João Pessoa, Paraíba, PB, Brasil, 2025
DISCUSSÃO
O conteúdo específico no processo de modelagem de estratégias de educação em saúde é relevante para atender às necessidades da população-alvo no desenvolvimento de estratégias direcionadas e eficazes. Além disso, pode contribuir para atender particularidades culturais e sociais dos indivíduos, promovendo maior engajamento e compreensão das informações6-7.
O planejamento de estratégias de educação em saúde deve considerar as informações relativas ao conteúdo específico a ser abordado associado às particularidades do público-alvo: a pessoa idosa.26 Nesse sentido, a participação do público-alvo na identificação do conteúdo específico pode favorecer a implementação dessa estratégia, por refletir as peculiaridades de forma próxima à realidade.
Desse modo, as discussões interativas e intercâmbio de significados proporcionados pela realização das sessões de grupo focal apresentaram resultados positivos na geração de dados para a pesquisa. Os tópicos de discussão com os devidos aprofundamentos, justificativas e questionamentos permitem que os participantes avaliem os diferentes pontos de vista, a fim gerar consensos ou meios de lidar com discordância9-11.
Para promover a prevenção de quedas, o processo de ensino-aprendizado deve fornecer à pessoa idosa a perspectiva de adquirir novas experiências e reconhecer aquelas já existentes, visando à adesão a comportamentos preventivos2.
Tendo em vista que o mapa conceitual apresentou o tema central “A conscientização de pessoas idosas hospitalizadas sobre o risco de quedas”, apreende-se que o propósito será direcionado para que a pessoa idosa utilize as informações para reconhecer as causas do problema ou buscar possibilidades de minimizá-lo enquanto apreende as particularidades.
Salienta-se que existem elementos relativos ao risco de quedas inerentes às características da pessoa hospitalizada, assim como sua condição de saúde, que, associados a elementos ambientais, estarão presentes no contexto hospitalar. Desse modo, a conscientização da pessoa em risco de quedas é uma estratégia relevante.
As alterações fisiológicas relativas ao processo de envelhecimento foram consideradas. À medida que há a progressão da idade, o risco de quedas identificado por meio de escalas também aumenta1,16,22. Há maior incidência de doenças crônico-degenerativas, limitação da mobilidade, diminuição do equilíbrio e percepção sensorial.13
Os aspectos cognitivos e comportamentais apresentam relevância, devido às limitações no entendimento das orientações preventivas fornecidas, negação do risco de quedas e medo de cair. As alterações cognitivas se relacionam a um risco de quedas repetitivas, de modo que as pessoas hospitalizadas devem ser monitoradas quanto a alterações como confusão mental e delirium, a fim de investigar reações medicamentosas15,17. Além disso, tanto a exposição a situações de risco, pelo não reconhecimento das próprias limitações, quanto a hesitação excessiva em realizar determinadas tarefas, por medo25, são comportamentos que devem ser considerados nas atividades preventivas.
Além disso, aspectos da estrutura física e conservação de equipamentos do hospital, como iluminação adequada, características da enfermaria, barras de segurança em banheiros e corredores, e presença de dispositivos para deambulação em bom estado de conservação, devem ser considerados na abordagem educacional por exercerem influência na ocorrência de quedas27.
Nesse sentido, entende-se que os elementos fisiológicos, ambientais e comportamentais atuam sinergicamente, favorecendo a ocorrência de quedas. Ressalta-se que o processo de hospitalização, além de consistir em uma mudança de ambiente no qual a pessoa idosa estará inserida, apresenta particularidades relativas ao tratamento e à execução de atividades de autocuidado. Tais particularidades causam impacto maior para a pessoa idosa em relação a pessoas de outras faixas etárias, pela limitação do processo de adaptação relacionada à mobilidade e orientação17,20.
Portanto, a conscientização sobre a presença desses elementos desencadeadores de quedas constitui em uma estratégia válida, a fim de emitir sinais de alerta para que as pessoas idosas possam auxiliar na prevenção desse incidente. Esta perspectiva apresenta convergência para a construção de uma consciência crítica sobre os elementos-chave já conhecidos da pessoa idosa hospitalizada, mas que devem ser percebidos para efetivação de comportamentos de prevenção.
O processo de reconhecimento dos elementos de risco para quedas por enfermeiros, pessoas idosas hospitalizadas e seus cuidadores promove o reconhecimento de elementos-chave relativos à realidade que se pretende atuar. Portanto, o conhecimento científico, identificado na revisão integrativa da literatura, foi confirmado e enriquecido pelos participantes do grupo focal, com a finalidade de aproximar o conteúdo ao cotidiano das pessoas envolvidas.
A realização de busca na literatura científica e das sessões de grupo focal foi relevante por incluir as diversas fontes de informação relacionadas ao tema. A relação de abrangência e complementariedade entre os meios de coleta de dados foi explicitada no mapa conceitual.
Neste estudo, a identificação dos elementos desencadeadores de quedas por todos que participam do cuidado, o que inclui a própria pessoa idosa hospitalizada, tem o potencial de colaborar para a prevenção deste evento. Tal abordagem permite que seja dada ênfase às características do processo de envelhecimento e do ambiente, a partir da realidade na qual a estratégia educativa será aplicada.
As possibilidades de abordagem educacional a partir do conteúdo identificado são variadas. A associação entre o conhecimento em saúde e os meios tecnológicos é uma alternativa considerada, devido às características lúdicas e atrativas propiciadas pelos recursos gráficos utilizados no desenvolvimento de estratégias que utilizam essa associação. Nesse contexto, as estratégias de educação em saúde destinadas e projetadas para pessoas idosas são intituladas gerontecnologias. Estas apresentam resultados positivos no que concerne à aquisição de conhecimento, sensibilização em relação a determinados comportamentos e práticas de autocuidado27.
As gerontecnologias podem possibilitar uma reflexão sobre temas em saúde, a partir da realidade na qual a pessoa está inserida em associação com o design adequado à pessoa idosa. Desse modo, têm o potencial de contribuir para maior autonomia e empoderamento, além de prevenir eventos que interferem na saúde e qualidade de vida, como as quedas26,28.
As limitações do estudo se relacionam aos resultados, os quais refletem a realidade local, não sendo passíveis de generalizações, relacionando-se ao uso da técnica de grupo focal, a qual busca apreender as particularidades dos participantes que apresentam vivência em uma determinada realidade.
CONCLUSÃO
O conteúdo a ser abordado na modelagem de estratégias de educação em saúde para prevenção de quedas em pessoas idosas hospitalizadas propiciará a compatibilidade com as necessidades do público-alvo, respeitando suas especificidades.
Os elementos-chave desencadeadores de quedas identificados foram divididos em categorias temáticas: limitações do paciente; e características do ambiente. Cada categoria apresentou desdobramentos em subcategorias de elementos-chave que visaram especificar o risco a ser abordado na futura estratégia educacional.
Destaca-se que o mapa conceitual apresentado neste estudo ofereceu possiblidades que vão além da identificação do conteúdo de estratégias de educação em saúde para prevenção de quedas em pessoas idosas hospitalizadas. Tendo em vista que permite uma visualização objetiva dos elementos-chave, possibilita seu emprego para fins gerenciais, assistenciais e de ensino.
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NOTAS
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ORIGEM DO ARTIGO
Extraído da dissertação - Processo de design de serious game sobre prevenção de quedas em pessoas idosas hospitalizadas: definição de conteúdo., apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Enfermagem, da Universidade Federal da Paraíba, em 2020.
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APROVAÇÃO DE COMITÊ DE ÉTICA EM PESQUISA
Aprovado no Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital Universitário Lauro Wanderley/UFPB, pareceres n.ͦ 2.958.750/2018 e n.ͦ 3.593.827/2019, Certificado de Apresentação para Apreciação Ética 99957018.4.0000.5183.
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DISPONIBILIDADE DE DADOS
Todo o conjunto de dados que dá suporte aos resultados deste estudo está disponível mediante solicitação ao autor correspondente [Rafaella Felix Serafim Veras]. O conjunto de dados não está publicamente disponível devido a fazer parte uma dissertação de mestrado, na qual ainda há parte do material em processo de publicação.
Editado por
Todo o conjunto de dados que dá suporte aos resultados deste estudo está disponível mediante solicitação ao autor correspondente [Rafaella Felix Serafim Veras]. O conjunto de dados não está publicamente disponível devido a fazer parte uma dissertação de mestrado, na qual ainda há parte do material em processo de publicação.


