RESUMO
Objetivo: mapear os possíveis fatores de risco para dor aguda relacionados aos cuidados de enfermagem em adultos e idosos nos serviços de saúde.
Método: revisão de escopo utilizando a metodologia do JBI e apresentação estruturada conforme o checklist Preferred Reporting Items for Systematic reviews and Meta-Analyses extension for Scoping Reviews. O protocolo de revisão foi registrado no Open Science Framework: DOI 10.17605/OSF.IO/JCA9P. Foram incluídos estudos com adultos e idosos que exploravam os fatores de risco para dor aguda no contexto de cuidados de enfermagem em todos os idiomas e sem restrição temporal. Os estudos foram selecionados por dois revisores, de forma independente, entre novembro de 2023 e fevereiro de 2024.
Resultados: foram incluídos 48 artigos e organizados os fatores de risco em oito categorias: manejo de dispositivos invasivos; mobilização e posicionamento do paciente; manejo de cuidados com feridas; administração de soluções ou medicamentos; cuidados com higiene corporal; aspiração traqueal; imobilização e infiltração/extravasamento de soluções ou medicamentos.
Conclusão: as evidências encontradas na presente revisão indicam os principais fatores de risco para dor aguda relacionados aos cuidados de enfermagem em adultos e idosos. Reconhecer o diagnóstico de enfermagem de risco de dor aguda é fundamental para o desenvolvimento e implementação de intervenções de enfermagem que visem prevenir, minimizar ou eliminar a dor aguda.
DESCRITORES:
Enfermagem; Diagnósticos de enfermagem; Dor aguda; Fatores de risco; Cuidados de enfermagem
ABSTRACT
Objective: to map the possible risk factors for acute pain related to nursing care in adults and the elderly in health services.
Method: scoping review using the JBI methodology and structured presentation according to the Preferred Reporting Items for Systematic reviews and Meta-Analyses extension for Scoping Reviews checklist. The review protocol was registered in the Open Science Framework: DOI 10.17605/OSF. IO/JCA9P. Studies with adults and older adults that explored risk factors for acute pain in the context of nursing care in all languages and without time constraint were included. The studies were independently selected by two reviewers between November 2023 and February 2024.
Results: 48 articles were included, and risk factors were organized into eight categories: management of invasive devices; patient mobilization and positioning; wound care management; administration of solutions or medications; body hygiene care; tracheal aspiration; immobilization; and infiltration/extravasation of solutions or medications.
Conclusion: the evidence found in the present review indicates the main risk factors for acute pain related to nursing care in adults and the elderly. Recognizing the nursing diagnosis of acute pain risk is fundamental for the development and implementation of nursing interventions aimed at preventing, minimizing or eliminating acute pain.
DESCRIPTORS:
Nursing; Nursing diagnoses; Acute pain; Risk factors; Nursing care
RESUMEN
Objetivo: mapear posibles factores de riesgo de dolor agudo relacionado con la atención de enfermería en adultos y ancianos en los servicios de salud.
Método: revisión de alcance utilizando la metodología JBI y presentación estructurada según la lista de verificación Preferred Reporting Items for Systematic reviews and Meta-Analyses extension for Scoping Reviews. El protocolo de revisión fue registrado en el Open Science Framework: DOI 10.17605/OSF.IO/JCA9P. Se incluyeron estudios con adultos y adultos mayores que exploraron los factores de riesgo del dolor agudo en el contexto de la atención de enfermería en todos los idiomas y sin restricciones de tiempo. Los estudios fueron seleccionados de forma independiente por dos revisores entre noviembre de 2023 y febrero de 2024.
Resultados: se incluyeron 48 artículos, con factores de riesgo organizados en ocho categorías: manejo de dispositivos invasivos; movilización y posicionamiento del paciente; manejo del cuidado de heridas; administración de soluciones o medicamentos; cuidado de la higiene corporal; aspiración traqueal; inmovilización; y infiltración/extravasación de soluciones o medicamentos.
Conclusión: la evidencia encontrada en esta revisión indica los principales factores de riesgo de dolor agudo relacionados con la atención de enfermería en adultos y ancianos. Reconocer el diagnóstico de enfermería de riesgo de dolor agudo es fundamental para el desarrollo e implementación de intervenciones de enfermería que tengan como objetivo prevenir, minimizar o eliminar el dolor agudo.
DESCRIPTORES:
Enfermería; Diagnóstico de Enfermería; Dolor Agudo; Factores de Riesgo; Atención de Enfermería
INTRODUÇÃO
A dor é considerada, pela Sociedade Americana da Dor, como quinto sinal vital. Devido à sua alta prevalência e constante motivação para procura dos serviços de saúde, ela deve ser avaliada pelos profissionais de saúde junto aos demais sinais vitais, para que a avaliação e o registro possam subsidiar a tomada de decisão do enfermeiro e demais profissionais de saúde, para uma intervenção eficaz no controle da dor1.
A percepção dolorosa é individual e influenciada por fatores biológicos, psicológicos e sociais. Fisiologicamente, ela surge em resposta a estímulo dos nociceptores periféricos e interpretada no sistema nervoso central2. Aspectos psicossociais, como a presença de ansiedade, depressão e inclinação à catastrofização, desempenham um papel significativo na modulação da percepção da dor3.
Diferentes métodos são utilizados para avaliação da sensação dolorosa, tais como escalas uni e multidimensionais. A exemplo de escalas unidimensionais, a escala numérica é aquela na qual o paciente deve expressar em números a intensidade da dor de 0 a 10 (sendo 0 “ausência de dor”, e 10, “dor máxima”). As escalas nominais são bem utilizadas, empregando adjetivos como “leve”, “moderada” e “severa”. A escala de faces é outro exemplo de escala unidimensional, sendo utilizada para o paciente identificar, através dos desenhos de faces, aquele que mais se aproxima de sua experiência dolorosa4. A aplicabilidade de tais escalas foi testada em alguns estudos no Brasil 5-7.
Diferentemente das escalas unidimensionais, as multidimensionais avaliam a dor em sua complexidade, contemplando características psíquicas, sociais, espirituais e físicas4,6. Algumas escalas multidimensionais foram adaptadas à língua portuguesa e validadas em estudos no Brasil. As mais populares são: McGill Pain Questionnaire8-9; Short-Form McGill Pain Questionnaire10; Brief Pain Inventory11; e Chronic Pain Self-efficacy Scale12.
O critério de tempo usado para diferenciar o tipo de dor não é consistente, podendo variar de acordo com diferentes especialistas e referências bibliográficas. Para o presente estudo, o padrão de tempo adotado para definir a dor como aguda foi da taxonomia da NANDA-IⓇ, que conceitua a dor aguda como “uma experiência sensorial e emocional desagradável associada a lesão tissular real ou potencial (...), de início súbito ou lento, de intensidade leve a intensa, com término antecipado ou previsível e com duração menor que três meses”13.
As escalas captam as evidências de dor, ou seja, os sinais/sintomas que caracterizam a presença de um problema real, ocorrendo no momento. Em outras palavras, a partir da evidência documentada na utilização da escala, o enfermeiro seleciona o diagnóstico de enfermagem que mais precisamente reflete o estado de saúde do paciente e elabora planos de cuidados seguros e eficazes14, implementando as intervenções de enfermagem apropriadas15.
Além das intervenções de enfermagem para resolução do diagnóstico de dor aguda16, as evidências apontam a utilização de diversas intervenções para a sua prevenção, quando há presença de fatores de risco, como antes da administração de vacinas17, de punções venosas18 e de procedimentos invasivos19-20. Ou seja, o problema de enfermagem ainda não existe, mas há presença apenas de fatores de risco; portanto, estamos diante de um possível diagnóstico de enfermagem de risco de dor aguda.
A Classificação Internacional de Intervenções de Enfermagem descreve algumas intervenções não farmacológicas para o controle da dor, como a musicoterapia, a distração, a aplicação de calor/frio e as massagens, sendo indicadas para antes, durante e depois de procedimentos considerados dolorosos16. Dessa forma, existem intervenções que podem ser aplicadas antes da experiência dolorosa, quando ainda temos o “risco de dor aguda”.
Vivenciar a dor durante procedimentos assistenciais pode ter efeitos adversos, como a manifestação de ansiedade intensa em procedimentos subsequentes e reações fisiológicas extremas durante o procedimento atual. Se a dor não for gerenciada corretamente, o paciente pode evitar determinados tratamentos e procedimentos18,21-22, como a recusa de vacinação devido ao medo de agulha22-23.
Nesse contexto, conhecer os fatores de risco para dor aguda é primordial para implementar intervenções de enfermagem com foco na prevenção ou minimização da experiência dolorosa. Dessa forma, a equipe de enfermagem deve estar atenta aos possíveis fatores de risco de dor aguda que podem estar presentes durante procedimentos invasivos, sejam eles agentes lesivos físicos, químicos ou biológicos17-18,20,24.
Compreendemos, desse modo, que o risco de dor aguda é considerado um desafio potencial na área da enfermagem, sujeito a intervenções que podem resultar em um novo diagnóstico de enfermagem de risco. No entanto, é crucial que os profissionais estejam cientes dos possíveis fatores de risco para dor aguda, a fim de implementar intervenções que previnam-na ou reduzam-na.
Nesse sentido, o presente estudo teve como objetivo mapear os possíveis fatores de risco para dor aguda relacionados aos cuidados de enfermagem em adultos e idosos nos serviços de saúde. Nesse sentido, questiona-se: quais são os fatores de risco para dor aguda relacionados aos cuidados de enfermagem em adultos e idosos nos serviços de saúde?
Espera-se que os resultados aqui encontrados possam contribuir para identificação dos fatores de risco para dor aguda.
MÉTODOS
Esta scoping review foi conduzida de acordo com as recomendações do JBI25, seguindo cinco passos: (1) elaboração da questão de pesquisa; (2) definição dos estudos relevantes de acordo com os critérios de inclusão/exclusão; (3) seleção das fontes de informação e formulação de estratégia de pesquisa para cada base de dados; (4) seleção e extração de estudos; (5) compilação, síntese e apresentação dos resultados.
A apresentação da revisão foi estruturada conforme o checklist Preferred Reporting Items for Systematic reviews and Meta-Analyses extension for Scoping Reviews (PRISMA-ScR)26. O protocolo de revisão foi registrado no Open Science Framework: DOI 10.17605/OSF.IO/JCA9P e publicado na revista Online Brazilian Journal of Nursing27. O período de coleta de dados foi entre novembro de 2023 e fevereiro de 2024.
Para a formulação da questão de pesquisa, adotou-se o mnemônico PCC (Participantes, Conceito e Contexto), sendo incluídos os estudos realizados com adultos maiores de 18 anos e idosos, que exploravam os fatores de risco para dor aguda, no contexto dos cuidados de enfermagem.
Na seleção das fontes de informação considerou-se todos os tipos de estudos, como observacionais, experimentais, quase-experimentais, teses ou dissertações, revisões da literatura, relatórios, entre outros, considerados relevantes para a questão de revisão.
Foram excluídos os estudos realizados em contextos diferentes dos cuidados de enfermagem, aqueles que não apresentavam resultados, não disponíveis na íntegra e estudos com animais.
A estratégia de busca foi realizada de acordo com as recomendações do JBI25. Na primeira etapa, realizou-se pesquisa nas bases de dados PubMed e Cumulative Index to Nursing and Allied Health Literature (CINAHL) com a finalidade de detectar os principais termos de indexação associados aos artigos de interesse. A partir dessas palavras-chave, foram elaboradas, com o auxílio de um bibliotecário, as estratégias de busca para as demais bases de dados, conforme o Quadro 1. As bases de dados selecionadas, por serem de maior relevância na área da pesquisa, foram as seguintes: Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (MEDLINE) via PubMed; Excerpta Medica dataBASE (EMBASE); Cumulative Index to Nursing and Allied Health Literature (CINAHL); Scopus; Web of Science; Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS); Cochrane Database of Systematic Reviews.
Após a pesquisa nas bases de dados, os arquivos foram transferidos para um gerenciador de referências bibliográficas online (EndNote ® ), pelo qual foram feitas as análises e exclusões de duplicatas, durante a etapa de seleção dos estudos.
Através do aplicativo Rayyan ®, dois revisores analisaram, de forma independente, todos os títulos e resumos para selecionar aqueles estudos prováveis a serem incluídos para a próxima fase. Nessa etapa, utilizaram-se sete critérios de exclusão, sendo eles: 1) Estudos que não abordavam a dor aguda; 2) Estudos que não abordavam os fatores de risco para dor aguda; 3) Estudos realizados com menores de 18 anos; 4) Estudos que não foram realizados no contexto de cuidados de enfermagem; 5) Estudos que não apresentavam resultados; 6) Estudos cujo texto completo não estava disponível na íntegra; e 7) Estudos com animais. Ao final, as divergências de seleção foram resolvidas com o auxílio de um terceiro revisor. Havendo um consenso nas seleções, passou-se a leitura dos estudos na íntegra por cada revisor, de forma independente, com a finalidade de excluir aqueles que não estavam em conformidade com o objetivo do estudo e a questão norteadora desta pesquisa.
Utilizou-se o Microsoft Excel ® para organizar os artigos selecionados para leitura e facilitar a tabulação dos dados para a fase de extração. Tomando como base o modelo recomendado pelo JBI25, os dados extraídos foram base de dados, título, autores, ano da publicação, país, objetivo, palavras-chave, população, contexto da coleta, principais descobertas relacionadas à pergunta da revisão de escopo, possíveis fatores de risco descritos no estudo e considerações finais.
Assim, para síntese e apresentação dos resultados, os estudos encontrados na revisão de escopo foram categorizados por bases de dados com sua estratégia de busca e, na sequência, agruparam-se os estudos de acordo com o ano de publicação, autor, país e contexto do estudo. Em seguida, os fatores de risco para dor aguda foram classificados de acordo com os termos encontrados nos estudos e os termos propostos pela equipe de investigação para posterior validação.
RESULTADOS
Conforme apresentado na Figura 1, foram identificados 9.674 estudos nas bases de dados selecionadas para a pesquisa, conforme estratégias de busca adotada. A exclusão de 1.279 duplicatas foi feita através do gerenciador EndNote ®. A amostra para leitura de títulos e resumos foi de 8.395 estudos. A partir da fase de seleção dos estudos, foram excluídos pelos dois revisores independentes, através do Rayyan ®, 8.290 trabalhos. Após a leitura completa do texto dos artigos, foram excluídos 57 artigos por não responderem à questão da pesquisa, restando 48 artigos para a revisão final (Figura 1).
De acordo com o Quadro 2, quanto ao ano de publicação, 2020 e 2023 obtiveram destaque por representarem juntos 25 % dos estudos selecionados, com seis estudos cada, seguidos do ano de 2014, com 10,2 % (n=5), e do ano de 2012, com 8,3 % da amostra (n=4). Em relação aos países de origem dos estudos, os Estados Unidos da América foi o país mais prevalente (14,6 %; n=8), seguido do Brasil (10,4 %; n=5), França e Inglaterra (8,3 % cada; n=4). Quanto ao contexto de cuidados de enfermagem, a maior parte dos estudos ocorreu no ambiente hospitalar (85,4 %; n=41), seguido da Atenção Primária à Saúde (4,2 %; n=2), em ambos os contextos de Atenção Primária à Saúde e hospitalar (4,2 %; n=2), em lar de idosos (4,2 %; n=2) e universidade (2 %; n=1).
Os tipos de estudo foram descritos no Quadro 2 de acordo com o nível de evidência28, sendo a maior evidência o nível 1. Nenhum estudo foi classificado como nível 1; a maioria dos estudos foi classificada no nível 4 (33,3 %; n=16), nível 6 e nível 2 (29,2 % cada; n=14).
Caracterização dos estudos de acordo com autor, ano de publicação, país, tipo de estudo, nível de evidência e contexto da coleta. Viçosa, MG, Brasil, 2025.
Os fatores de risco para dor aguda identificados na revisão de escopo e as respectivas referências estão descritos no Quadro 3 e foram agrupados com um termo único pelos investigadores, sendo identificados três com maior percentual, como “manejo de dispositivos invasivos”, citado por 54,2 % dos autores (n=26), “mobilização e posicionamento do paciente”, por 31,2 % dos autores (n=15), e “manejo de cuidados com feridas”, por 29,2 % dos autores (n=14).
Fatores de risco para dor aguda identificados na revisão de escopo e agrupamento. Viçosa, MG, Brasil, 2025.
DISCUSSÃO
Segundo Cavalheiro19, 100 % dos pacientes apresentam dor durante a realização de algum procedimento invasivo, e esse é o fator de risco principal para ocorrência de um evento adverso grave associado aos cuidados de enfermagem58.
Em terapia intensiva, os procedimentos invasivos que causam mais dor são aqueles relacionados à remoção de dreno torácico, ao uso de cateter vesical e à inserção de cateter venoso central49. A dor durante a inserção de cateter venoso periférico e durante a inserção da agulha de fístula arteriovenosa também foi evidenciada em mais de 50 % dos pacientes em outros estudos41.
A “mobilização e posicionamento do paciente” foi o segundo fator de risco mais citado pelos autores. A mudança de decúbito do paciente é uma prática essencial que visa assegurar o bem-estar dos indivíduos, mitigar os efeitos adversos da inatividade muscular prolongada, promover a eficaz remoção de secreções das vias aéreas inferiores, otimizar a distribuição de ar e sangue nos pulmões, além de prevenir a ocorrência de lesões por pressão. Porém, é necessária uma vigilância constante dos parâmetros hemodinâmicos, pois o reposicionamento do paciente pode gerar instabilidades hemodinâmicas, alterações cardiorrespiratórias e dor, conforme evidenciado em diversos estudos relacionados à movimentação/reposicionamento do paciente no leito ou durante transporte intra-hospitalar58-59,66,69-70,77.
Por outro lado, a imobilização do paciente também pode causar dor. Aproximadamente 30 % dos pacientes queixaram dor durante a imobilização do membro40. A contenção física no leito, por exemplo, é empregada em alguns serviços de saúde como uma estratégia para gerenciar pacientes que se encontram agitados, confusos ou desorientados, e que apresentam um risco potencial de queda ou tentativa de remover dispositivos de assistência à saúde essenciais para o seu tratamento. Porém, podem resultar em lesões no local da aplicação do dispositivo de contenção, além de hiperemia, contusão, luxação dos membros, lesões isquêmicas nas mãos e braços, diminuição da mobilidade física, entre outras consequências que podem gerar dor no paciente78-80.
Como parte do cuidado de enfermagem, os profissionais devem aplicar estratégias que assegurem a manutenção da higiene corporal dos pacientes em diversas condições, ajustando essas abordagens conforme o grau de dependência e limitações do paciente em relação à autonomia no autocuidado. Os cuidados com a higiene requerem movimentações frequentes, sujeitando pacientes gravemente enfermos a um considerável risco de eventos adversos graves, tais como instabilidade hemodinâmica e dor58,81.
De acordo com Tegegne50 e Firmino33, cerca de 93 % dos pacientes relataram dor no tratamento de feridas. A dor pode estar associada à lesão ou trauma do tecido, podendo também ser influenciada por reações emocionais, como a ansiedade50. No manejo de cuidados com feridas, diversas tecnologias são utilizadas com variadas finalidades, com o objetivo de garantir a melhoria clínica, obter resultados eficientes, reduzir riscos para os usuários e profissionais, além de contribuir para promover uma melhor qualidade de vida para as pessoas afetadas82.
A aspiração endotraqueal foi evidenciada como a segunda causa de dor de maior intensidade durante a realização de procedimentos de estudo em Unidade de Terapia Intensiva66. A aspiração traqueal é uma técnica invasiva, empregada para remoção de secreções em indivíduos que não são capazes de eliminar de maneira eficaz as secreções pulmonares, traqueobrônquicas e/ou orofaríngeas. Entende-se que a aspiração traqueal é um procedimento extremamente irritante e desconfortável para os pacientes, devendo ser realizada quando for absolutamente necessária83.
No contexto da administração de soluções ou medicamentos, como no tratamento quimioterápico, pode ocorrer infiltração ou extravasamento inadvertido do medicamento do vaso sanguíneo para os tecidos circundantes, o que pode induzir lesões teciduais significativas, dor, desconforto, queimação, irritação, inflamação, edema, eritema, enduração, ulceração e necrose84-85.
A dor durante a administração de paracetamol com ácido acético também tem sido documentada por quase metade dos pacientes de um estudo49. Esses medicamentos são compostos por uma combinação de princípio ativo e excipiente, que é um aditivo. Geralmente, são atóxicos e não apresentam efeito farmacológico, porém alguns excipientes podem demonstrar efeitos ou ações reconhecidas em situações específicas, como alergias, intolerâncias e reações cutâneas65,76.
É importante destacar que a sensibilidade à dor apresenta uma tendência de redução com o avançar da idade86-87. Durante o processo de envelhecimento, os neurônios sensoriais periféricos passam por alterações estruturais e funcionais, resultando em uma resposta diminuída aos estímulos nociceptivos86. Dessa forma, a manifestação da dor em pacientes idosos pode ser menos evidente em comparação a adultos jovens, o que requer dos profissionais de saúde uma atenção redobrada para identificação de sinais clínicos sutis e para avaliação adequada da dor nesse grupo etário.
Entre as limitações deste estudo, pode-se mencionar que a exclusão de estudos que não estivessem disponíveis para leitura na íntegra pode ter deixado de fora da revisão artigos relevantes para o estudo. Por se tratar de revisão de escopo, não houve avaliação da qualidade de evidência dos estudos para inclusão.
CONCLUSÕES
As evidências encontradas na presente revisão indicam os principais fatores de risco para dor aguda relacionados aos cuidados de enfermagem em adultos e idosos, tais como “procedimentos invasivos”, “mobilização e posicionamento do paciente”, “manejo de cuidados com feridas”, “aspiração traqueal”, “administração de soluções ou medicamentos”, “cuidados com a higiene corporal”, “imobilização” e “infiltração/extravasamento de soluções ou medicamentos”. As evidências compiladas reforçam a relevância de uma abordagem multidimensional e integrada no manejo do dor.
Estudos futuros serão realizados pela equipe de investigação para validar os fatores de risco encontrados nesta revisão, para que, então, sirvam de subsídio para a tomada de decisão e o planejamento do cuidado para prevenir, minimizar, ou eliminar a dor associada aos cuidados de saúde em adultos e idosos.
Considerando as limitações do estudo de revisão e aumentar as evidências sobre esses fatores de risco para dor aguda, está em curso estudo de validação de conteúdo com especialistas de enfermagem para validar os fatores de risco identificados nesta revisão de escopo e, na sequência, estudo de validação clínica.
Reconhecer o diagnóstico de enfermagem de risco de dor aguda é fundamental para o desenvolvimento e implementação de intervenções de enfermagem que visem prevenir, minimizar, ou eliminar a dor aguda.
Com base nesta revisão, esperamos que as equipes de saúde estejam mais bem preparadas para identificar precocemente os fatores de risco e implementar medidas preventivas, contribuindo, assim, para a excelência no cuidado e redução de eventos adversos associados ao cuidado de enfermagem.
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NOTAS
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ORIGEM DO ARTIGO
Extraído da dissertação - Fatores de risco associados à dor aguda em adultos e idosos: revisão de escopo, a ser apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde, da Universidade Federal de Viçosa, Viçosa, Minas Gerais, Brasil, em 2025.
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FINANCIAMENTO
Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC) do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). PIBIC-CNPQ 2022-23.


