Objetivo: compreender o comportamento informacional em saúde de pessoas idosas no contexto de uma infodemia.
Método: estudo de casos múltiplos, de abordagem qualitativa, ancorado no modelo conceitual de comportamento informacional e na Teoria do Desenvolvimento ao Longo da Vida.Coleta de dados: entrevistas online com pessoas idosas, que residiam em uma das oito cidades brasileiras escolhidas intencionalmente; em documentos tornados públicos sobre a pandemia de Covid-19 nesses municípios. Os dados foram examinados por meio de Análise de Conteúdo Temático-Categorial.
Resultados: os achados foram organizados em três categorias analíticas. A primeira revelou que pessoas idosas buscaram informações confiáveis, recorrendo a mídias tradicionais (rádio, televisão e jornais impressos), redes de apoio - como familiares - e fontes governamentais. Diante de limitações cognitivas e emocionais e da pouca familiaridade com tecnologias digitais, combinaram buscas ativas e passivas, mostrando-se adaptativas em suas estratégias informacionais. A segunda categoria indicou que idosos analisaram informações com base em experiências, emoções e estratégias cognitivas; as posturas oscilaram entre crítica, seletiva e confusa, influenciadas por sobrecarga emocional, desinformação e politização. Identificaram-se respostas que variaram da validação ativa à evitação informacional. Por fim, a terceira categoria evidenciou que pessoas idosas utilizaram informações para decisões de autocuidado, como isolamento e uso de máscaras, frequentemente orientadas por fontes confiáveis e rotinas já consolidadas; emoções e desejo de segurança também direcionaram o uso, nem sempre acompanhados de análise crítica.
Conclusão: o comportamento informacional de pessoas idosas durante a infodemia foi marcado por vulnerabilidades, adaptações e desigualdades no acesso e no uso da informação.
DESCRITORES:
Infodemia; Pandemias; Idosos; Desinformação; Redes Social