Open-access Entre a eficiência de mercado e o familismo moralizante: o Unicef e a primeira infância pobre

Between market efficiency and moralizing familism: Unicef and poor early childhood

Resumo:

Este artigo demonstra que, ao recentrar a primeira infância no combate à pobreza, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) sutura eficiência neoliberal a um familismo moralizante. Trata de pesquisa documental envolvendo 104 documentos produzidos pelo Unicef entre 1972 e 2023, ancorada no materialismo histórico-dialético e na análise temática. Os resultados evidenciam a centralidade do léxico de investimento e sua tradução em dispositivos que familizam a proteção na primeira infância.

Palavras-chave:
Primeira infância; Unicef; Neoconservadorismo; Pobreza

Abstract:

This article demonstrates that, by refocusing early childhood on combating poverty, the United Nations Children’s Fund (Unicef) combines neoliberal efficiency with moralizing familism. It is a documentary study involving 104 documents produced by Unicef between 1972 and 2023, anchored in historical-dialectical materialism and thematic analysis. The results highlight the centrality of the investment lexicon and its translation into devices that familiarize early childhood protection.

Keywords:
Early childhood; Unicef; Neoconservatism; Poverty

Introdução

A primeira infância - etapa do ciclo vital do nascimento aos oito anos,1 em diálogo com a definição adotada pela Organização das Nações Unidas (ONU) (ONU, 2006) - tornou-se, nas últimas décadas, eixo privilegiado das agendas globais de combate à pobreza, frequentemente justificadas por um discurso tecnocrático de janela de oportunidade e alto retorno, reposicionando crianças e famílias como objetos de investimento e de adequação comportamental. Tendo esse terreno como pano de fundo, o objetivo deste artigo é demonstrar que, ao recolocar a primeira infância no centro do combate à pobreza, o Unicef costurou em seu discurso a racionalidade neoliberal (eficiência, focalização, cálculo de retorno) a um familismo moralizante típico do neoconservadorismo - com recentralização da autoridade doméstica, reforço de papéis de gênero e responsabilização materna. O resultado é um arranjo de gestão que administra consequências sem enfrentar determinações estruturais da pobreza. Analiticamente, entendemos que a elevação da primeira infância à condição de alto retorno opera como estratégia do governo, combinando métricas econômico-comportamentais, dispositivos de monitoramento e padronização de condutas parentais. A relevância científica do objeto está em tornar visível, com base em corpus amplo, a simbiose neoliberal-neoconservadora e suas variações contextuais de prescrição, ao mesmo tempo que tensiona o consenso do alto retorno a partir de uma crítica de classe e de gênero - debate ainda incipiente na literatura nacional.

Para sustentar nosso argumento, realizamos pesquisa documental, tendo como corpus a documentação de circulação global do Unicef produzida entre 1972 e 2023, composta por três séries oficiais e de acesso público: relatórios anuais (Annual Reports), The State of the World’s ­Children (SOWC) e guias normativos. Os critérios de inclusão foram: (i) menção direta à primeira infância; (ii) presença de diretrizes programáticas e/ou marcos e instrumentos de monitoramento; e (iii) regularidade editorial das séries (cadência de publicação e padrão relativamente estável de conteúdo/indicadores), o que viabiliza comparação histórica. Excluímos peças de campanha e notas à imprensa; materiais subnacionais ou de escritórios-país; versões duplicadas; e itens sem aderência temática. A periodicidade e o padrão dessas séries permitem acompanhar, de modo diacrônico, a consolidação do léxico de alto retorno e a recentralização da família como unidade de intervenção.

Para o estudo, recorremos à análise de conteúdo temática (Bardin, 1979). O procedimento analítico articulou: (i) pré-análise e organização do acervo; (ii) leitura sistemática com rastreamento de recorrências lexicais (por exemplo, “janela de oportunidade”, “primeiros mil dias”, “alto retorno”) e registro por década; e (iii) codificação/recodificação temática, convertendo prescrições em unidades analíticas rastreáveis no tempo. As categorias - léxico institucional, estratégias discursivas e silêncios (dito/não dito) - foram definidas na pré-análise e refinadas na codificação, permitindo apreender conteúdos manifestos e efeitos de sentido do discurso do Unicef sobre a primeira infância. Ao longo do processo, mantivemos o princípio de suficiência teórica e o vínculo com a perspectiva materialista histórico-dialética, de modo a evidenciar continuidades, inflexões e deslocamentos do discurso analisado.

A leitura dos documentos institucionais identificou a expansão, por décadas, do vocabulário de investimento e métricas, articulado à recentralização da família como unidade de intervenção. Essa reconstrução histórica iluminou não apenas o conteúdo manifesto, mas também os efeitos de sentido que deslocam o foco do enfrentamento das determinações estruturais da pobreza para a administração de suas consequências. É a partir desse enquadramento que analisamos os marcos políticos e institucionais que conferem centralidade à agenda de pobreza no sistema ONU e reposicionam a primeira infância como via estratégica de legitimação, movimento que ganha densidade decisiva na década de 1990.

Foi nos anos 1990 que a agenda de combate à pobreza ganhou centralidade no sistema ONU: a Cúpula de Copenhague (1995) cristalizou compromissos sociais; 1996 foi declarado Ano Internacional para a Erradicação da Pobreza; e 1997-2006 instituiu o Primeiro Decênio das Nações Unidas para a Eliminação da Pobreza. Difundiu-se, no pós-Guerra Fria, a percepção de que “[...] o custo da pobreza tornou-se insuportavelmente alto tanto nos países ricos quanto nos pobres” (Unicef, 1996, p. 7, tradução nossa), reposicionando a primeira infância como via estratégica de intervenção e legitimação em torno desse combate. Tal centralidade emergiu no rastro dos ajustes estruturais: em vez de enfrentar determinações da pobreza (reestruturação produtiva, desemprego, informalidade), a agenda deslocou o foco para a administração de suas consequências, naturalizando o ajuste como imperativo da globalização (Ugá, 2008). Nesse contexto, o Unicef consagra a primeira infância como investimento social mensurável, sustentado por metas e indicadores (Fonseca, 2025).

No século XXI, com a institucionalização de metas e sistemas de avaliação em agendas globais (Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, Objetivos de Desenvolvimento Sustentável [ODS], Educação para Todos), consolidaram-se imperativos de eficiência e promessas de inclusão que atualizavam a combinação entre investimento social e austeridade e, simultaneamente, preservavam a administração da pobreza sem enfrentá-la em suas determinações (Ugá, 2008; Fonseca, 2025). Esse enquadramento assenta-se em racionalidades políticas específicas que conferem inteligibilidade e direção às recomendações do Unicef. De um lado, a gramática neoliberal, forjada na crise dos anos 1970, converte mercados e métricas em tecnologia de governo, convoca à autorresponsabilização e reconfigura o Estado como fiador técnico da ordem competitiva (Harvey, 2008; Brown, 2006). De outro, o neoconservadorismo restaura consensos sob as bandeiras da família e da autoridade; em simbiose com o neoliberalismo, produz efeitos desdemocratizantes (Brown, 2006; Pereira, 2016).

Lidas em conjunto, essas racionalidades sustentam o discurso programático do Unicef: a primeira infância surge como investimento mensurável, a corresponsabilização parental ganha centralidade e difundem-se modelos seletivos - serviços básicos, visitas domiciliares, programas parentais - que condicionam acesso a direitos ao desempenho familiar. Na prática, cristalizam-se instrumentos de gestão que prometem eficiência fiscal futura via formação de capital humano, enquanto deslocam custos ao domicílio e reatualizam assimetrias na provisão de direitos (Fonseca, 2025).

À luz deste enquadramento, o artigo está organizado em duas seções, além desta introdução e das considerações finais. A primeira examina a governança da primeira infância e o léxico do retorno sobre investimento, que trata a primeira infância como “ativo” e a política social como ­portfólio custo-benefício, explicitando sua tensão com direitos. A segunda analisa o familismo moralizante (como definido adiante), evidenciando a simbiose neoliberal-neoconservadora que recentraliza a família como tecnologia de governo (Brown, 2006; Cooper, 2017). Nas considerações finais, sintetizamos aportes e implicações. Mostramos, assim, como termos aparentemente neutros nos documentos do Unicef reconfiguram orçamentos, rotinas e vidas.

1. Do cálculo à moralização doméstica: governança por ROI e familismo na primeira infância

Partimos do pressuposto de que neoliberalismo e neoconservadorismo, embora distintos, operam em simbiose e, quando acionados, produzem uma gramática que molda o discurso sobre a pobreza na primeira infância (Brown, 2006). Na racionalidade neoliberal, enraíza-se a economização ampliada da vida social, sustentando a generalização da concorrência, reconfigurando o Estado como gestor de riscos e reescrevendo direitos como investimentos com retorno mensurável (Harvey, 2008; Brown, 2006). É essa base que sustenta o discurso do capital humano, do retorno sobre investimento (ROI) - indicador que promete “alto retorno” na primeira infância (Heckman, 2006; 2012; Unicef, 2017) - e da focalização, redefinindo políticas para a primeira infância como instrumentos de alto retorno e modelando sujeitos empreendedores de si (Fonseca, 2025).

Evitamos a oposição simplista entre mercado e proteção. Entendemos que moralização doméstica e economização do social são coconstitutivas da acumulação contemporânea (Cooper, 2017). As restaurações normativas da família não compensam o mercado, elas o viabilizam, funcionando como tecnologia de baixo custo para o capital, focalização e deslocamento de riscos ao lar (Brown, 2006; Cooper, 2017). Em vez de nostalgia fordista - ancorada no salário familiar heteronormativo e racializado -, observamos a família reprogramada como infraestrutura de governo, articulando eficiência e disciplina (Fraser, 2016).

Produção e reprodução compõem um mesmo metabolismo social (Bhattacharya, 2017). Sob austeridade e focalização, o que se economiza no fundo público converte-se em sobretrabalho de cuidado no domicílio - majoritariamente feminino e racializado (Fraser, 2016; Bhattacharya, 2017; Federici, 1974). Essa conversão de gasto social em tempo materno é condição de políticas baratas e de alto retorno, que padronizam e auditam o trabalho reprodutivo não pago.

Delimitamos o léxico do ROI como o conjunto que reposiciona a primeira infância como ativo, traduzindo direitos em metas comparáveis, transportando o cálculo e o monitoramento para o domicílio. Essa gramática não apenas nomeia prioridades; ela também opera, simultaneamente, três movimentos de governo: temporaliza a intervenção (a “janela” fabrica urgência e focaliza públicos); reconfigura a gestão de direitos como portfólio comparável por custo-benefício; e normatiza a vida doméstica por protocolos padronizados que conectam orçamento público e condutas parentais. A janela ganha sentido fiscal: intervenções precoces e de baixo custo “podem economizar milhões de dólares em custos posteriores” (Unicef, 2001, p. 36, tradução nossa), linguagem que dialoga diretamente com o cálculo intertemporal difundido por Heckman (2006; 2012).

Daí deriva a tensão analítica que atravessa o texto: de um lado, marcos jurídicos que afirmam universalidade e indivisibilidade dos direitos da primeira infância; de outro, sua tradução gerencial em investimentos mensuráveis e condutas parentais auditáveis. A Convenção sobre os Direitos da Criança (CDC) (1989) e o Comentário Geral n. 7 (CG-7) (2005) são inequívocas quanto aos direitos (ONU, 1989; 2006); o problema não está neles, mas no modo como, nos documentos do Unicef, convertem-se em metas de alto retorno. É essa fricção que orienta nossa leitura.

Essa tensão aparece com nitidez quando enunciados jurídicos de vocação universal - a não discriminação (CDC, artigo 2) e o interesse superior da criança (CDC, artigo 3; CG-7) - são reescritos como metas e protocolos: alcançar o quintil mais pobre e cumprir um roteiro doméstico auditável (aleitamento exclusivo de 0 a 6 meses, calendário vacinal, matrícula na pré-escola, visitas domiciliares, estimulação precoce). O que era direito converte-se em desempenho familiar mensurável e comparável. É aqui que a linguagem do retorno encosta no familismo: a proteção vira tarefa e a mãe, infraestrutura moral e operacional do êxito.

Tal gramática não incide de forma homogênea: em alguns contextos, acopla-se a redes universais como módulo de eficiência; em outros, sob austeridade e baixa cobertura, favorece a familização da proteção, com maior responsabilização doméstica (Mioto et al., 2018; Horst; Mioto, 2021). Trata-se de familização racializada e classista: mulheres negras e indígenas concentram trabalho reprodutivo não pago e vínculos mais precários; sobre essa base, programas parentais ampliam perdas de tempo, renda e autonomia (Fraser, 2016; Bhattacharya, 2017).

No domicílio, a simbiose entre racionalidades se materializa: o neoliberalismo internaliza custos e riscos por métricas e condicionalidades; o neoconservadorismo fornece a pedagogia moral - papéis de gênero, autoridade doméstica -, que naturaliza a transferência como “responsável”. A primeira infância converte-se em vetor de intervenções de baixo custo e largo alcance, com convergência para a familização da proteção (Harvey, 2008; Brown, 2006; Cooper, 2017; Pereira, 2016; Fonseca, 2025).

Esse léxico só se efetiva quando encontra a infraestrutura capaz de transformar cálculo em rotina: a família - sobretudo as mães. Como afirma o próprio Unicef, “[...] quase sem exceção, estratégias de baixo custo para promover saúde e crescimento exigem mais das mães” (Unicef, 1985, p. 27, tradução nossa). E, ao declarar que “desde a concepção até os seis meses, o ambiente da criança é a mãe. Cuide da mãe […] e ela cuidará do resto” (Unicef, 1989, p. 6, tradução nossa), a agência explicita a maternidade como infraestrutura de execução. É aqui que a economização do social se dobra em moralização doméstica ou familismo moralizante. Por familismo moralizante entendemos a racionalidade que, sob focalização e condicionalidades, recentra a família como infraestrutura moral não remunerada do investimento na primeira infância, traduzindo o ROI em deveres domésticos (Cooper, 2017; Corrêa; Prado, 2024; Fonseca, 2025).

Esse arranjo apoia-se estruturalmente no trabalho reprodutivo não pago, condição de políticas baratas e de alto retorno, atualizando diagnósticos feministas sobre a centralidade do cuidado na acumulação (Fraser, 2016; Federici, 1974). No plano institucional, opera um circuito conciso: (1) cálculo - focalização, ROI e monitoramento reconfiguram direitos em contratos de desempenho (Harvey, 2008; Fonseca, 2025); (2) tradução pedagógica - a gramática neoconservadora converte o cálculo em papéis de gênero e obediência, via programas parentais e protocolos de conduta (Cooper, 2017; Corrêa; Prado, 2024; Horst; Alves, 2024); (3) transferência de custos - metas e rotinas deslocam tempo, energia e recursos do fundo público para o domicílio (Fraser, 2016; ­Federici, 1974); (4) intensificação do trabalho reprodutivo - a sustentação cotidiana recai desproporcionalmente sobre as mães, reatualizando a divisão sexual do trabalho (Fraser, 2016; Bhattacharya, 2017).

Programas parentais padronizados - como o Strengthening Families e o Famílias Fortes - ilustram a convergência entre formação de capital humano, responsabilização intrafamiliar e moralização de papéis (Corrêa; Prado, 2024; Horst; Alves, 2024). Nesse movimento, a reprodução social é privatizada no lar e na comunidade, enquanto a retórica de autonomia legitima a desresponsabilização estatal - com efeitos mais graves sobre mulheres negras e pobres (Fraser, 2016). Em síntese, a simbiose neoliberal-neoconservadora faz da primeira infância objeto simultâneo de cálculo e moralização doméstica, deslocando custos ao lar sob a promessa do alto retorno (Brown, 2006; Harvey, 2008; Cooper, 2017). A seguir, examinamos sua inscrição nos documentos do Unicef (1972-2023), tensionando direitos incondicionais e gestão por investimento.

2. Do “alto retorno” ao dever doméstico: análise histórica do discurso do Unicef (1972-2023)

A crise dos anos 1970, marcada pela derrocada de Bretton Woods e pelos choques do petróleo, desorganizou o compromisso keynesiano-fordista e abriu a reestruturação neoliberal, intensificando o desenvolvimento geográfico desigual e a hierarquização centro-periferia (Harvey, 2008). Nesse contexto, o Unicef defendeu que a primeira infância, em vez de fardo para o desenvolvimento, deveria ser vista como frente prioritária de ação estatal e comunitária, cuja atenção imediata às necessidades das crianças - especialmente as pobres - seria condição para a promoção da paz e do desenvolvimento (Unicef, 1974). No registro da própria agência, o foco desloca-se para “serviços básicos” como via “fiscal e moral” de proteção (Unicef, 1995, p. 5, tradução nossa).

Nos documentos do Unicef da década de 1970, é possível destacarmos três marcas do discurso institucional no período: (1) prioridade às necessidades básicas de crianças pobres; (2) seletividade territorial; e (3) apelo à autoajuda comunitária (Unicef, 1973; 1975). Esse repertório se condensa na agenda de basic services (saneamento/água, nutrição, Atenção Primária à Saúde [APS] e educação básica) dirigida aos pobres e operacionalizada com forte mobilização familiar e comunitária (Unicef, 2006).

Como sintetiza o próprio Unicef ao defender a Iniciativa 20/20, financiar o acesso universal a serviços básicos “faz sentido fiscal e moralmente”, pois “não há maior investimento que uma nação possa fazer do que em seus filhos […] negar-lhes as suas necessidades […] é negar os direitos humanos mais básicos” (Unicef, 1995, p. 5, tradução nossa). Essa gramática do investimento converge com a trilogia do desenvolvimento humano (saúde, nutrição, educação) - apresentada como motor de erradicação da pobreza e alavanca do desenvolvimento -, mas acoplada a uma racionalidade de retorno e a uma arquitetura que toma a maternidade como infraestrutura de sucesso das ações (Unicef, 1981). Aqui, o conceito de familismo nomeia a lógica que recentraliza a família como unidade natural de proteção e transfere custos do Estado ao domicílio (Horst; Castilho; Alves, 2023; Mioto et al., 2018), numa costura entre instrumentos neoliberais e uma pedagogia neoconservadora de papéis de gênero e autoridade doméstica (Cooper, 2017).

A crise da dívida e a ofensiva neoliberal comprimem orçamentos e, logo após Alma-Ata (1978), a APS integral cede lugar à APS seletiva formulada em Bellagio (1979) na Itália (Harvey, 2008; Unicef, 1984). No plano técnico-normativo, o Unicef passava a priorizar intervenções baratas e mensuráveis - o pacote Gobi (crescimento, reidratação oral, aleitamento, imunização) -, e instituiu o que denominou por Revolução da Sobrevivência Infantil como indicador programático (Unicef, 1986; 2006). O êxito foi apresentado em números - 12 milhões de crianças salvas na década de 1980 (Unicef, 2006) - e a própria agência registra: “Unicef fornece sais de reidratação oral [ ] para que possam dar às mães a instrução necessária para tratar crianças doentes em casa” (Unicef, 1982, p. 15, tradução nossa), evidenciando a transferência de protocolos terapêuticos para o domicílio. Assim, a sobrevivência redefine-se como meta clínica domiciliar até os cinco anos (Unicef, 1986).

No mesmo movimento, o Adjustment with a Human Face não revogou o ajuste estrutural, estabelecendo mínimos (nutrição, renda familiar, ­saúde infantil, educação básica) e gerindo a pobreza por metas e desempenho familiar, defendendo o cuidado como investimento produtivo (Unicef, 1982; 2006). Na realidade concreta, essa arquitetura ativa o familismo moralizante, ao recentrar a família como infraestrutura de execução e transferir custos do Estado ao domicílio. Mínimos (renda, nutrição, saúde, educação) somados a metas familiares consolidam a gestão da pobreza por desempenho (Unicef, 1982; 2006).

A virada dos anos 1980 para 1990 deslocou o discurso do Unicef da sobrevivência infantil para a gramática dos direitos com base na CDC de 1989, sem romper com a racionalidade de capital humano (Unicef, 1994). Em conjunto, a CDC, a Conferência de Jomtien e a Cúpula Mundial para a Criança (1990) compõem um arcabouço que o Unicef operacionaliza como ponte entre necessidades básicas e direitos, organizando metas em sobrevivência, ambiente seguro, desenvolvimento integral e participação (Unicef, 1994; 1997). Nesse enquadramento, mulheres e meninas são definidas como vetor estratégico: o Unicef vincula metas educacionais e de saúde à agenda de gênero e, no plano micro, iniciativas, como o Hospital Amigo da Criança,2 cristalizam a responsabilização doméstica sob a rubrica do empoderamento para amamentar e cuidar (Unicef, 1992; 1995; 1997). Em conjunto, esses enunciados reconhecem as mulheres como capital humano estratégico para metas globais, mas o fazem reinscrevendo o cuidado - e seus custos - no lar, materializando um familismo moralizante típico do neoconservadorismo.

Com a pobreza erigida como eixo gerencial no discurso do Unicef, a primeira infância é tratada como investimento que “garante um bom começo de vida” e quebra o “ciclo da pobreza” por intervenções no domicílio (Unicef, 1993, p. 4, tradução nossa). Os programas de Desenvolvimento na Primeira Infância (DPI) são defendidos como “[...] intervenções precoces e de baixo custo [que] podem economizar milhões de dólares em custos posteriores” (Unicef, 2001, p. 36, tradução nossa), frequentemente implementados via visitas domiciliares, programas parentais e condicionalidades materno-infantis (Chile Crece Contigo no Chile, De Cero a Siempre na Colômbia, Progresa/Oportunidades no México) (Unicef, 1999; 2000). O efeito é duplo: ao mesmo tempo que produzem uma série de números, reforçam papéis de gênero e responsabilização materna como tecnologia de governo no enfrentamento à pobreza, ou seja, mais gestão e moralidade doméstica do que direitos universalmente garantidos (Quadro 1).

Quadro 1.
Evidências do discurso do Unicef (1974-1996)

Se, nos anos 1990, a gramática dos direitos reconfigurou o léxico do Unicef, a passagem para os anos 2000 a converte em roteiro de metas ao lançar a “Agenda do Milênio para a infância”, com o compromisso de dar “a cada criança um começo de vida saudável” (Unicef, 2000, p. 4, tradução nossa). Esse discurso passa a orientar metas e condutas domésticas mensuráveis (aleitamento, vacinação, matrícula, higiene, estimulação). Nesse arranjo, a “Agenda do Milênio para a infância” combinou metas quantificáveis com um familismo neoconservador que faz da mãe a ­infraestrutura moral e operacional do cumprimento, enquanto a semântica do capital humano confere legitimidade técnica a cuidados privados como política pública.

A crise de 2008 operou, no discurso do Unicef, uma inflexão que reembalou o léxico do capital humano na chave da resiliência e da equidade, reforçando o bom começo de vida como plataforma de mitigação de choques e, sobretudo, como obrigação doméstica mensurável: programas de proteção social focalizada, visitas domiciliares, competências parentais e estimulação precoce são articulados como resultados familiares capazes de sustentar ganhos em saúde, nutrição e aprendizagem, apesar da austeridade (Unicef, 2010; 2012a; 2012b; 2014). Como resultado, “Cada US$ 1 milhão adicional evitou 60% mais mortes” ao priorizar os mais pobres (Unicef, 2010, p. 5-6, tradução nossa). Em síntese, o giro para a resiliência gerencializava a pobreza (metas e monitoramento) e moralizava o cuidado (virtudes maternas como solução pública), atualizando o familismo moralizante que vimos desde os anos 1970: direitos afirmados na superfície, deveres domésticos na infraestrutura de execução (Unicef, 2010; 2012a; WHO; Unicef; World Bank Group, 2018).

Entre 2015 e 2020, o léxico do Unicef se ancorou na arquitetura dos ODS e reordenou a primeira infância como eixo de resultados verificáveis: metas de pobreza, nutrição, mortalidade infantil, aprendizagem e desenvolvimento na primeira infância e trabalho de cuidado não remunerado passaram a operar como painel de controle que justificava investimentos precoces com promessa de retornos econômicos futuros (ONU, 2015; Unicef, 2018; 2020). Essa normatividade ganhou corpo no Nurturing Care Framework - boa saúde, nutrição adequada, cuidado responsivo, segurança e proteção e oportunidades de aprendizagem precoce -, que desloca o domicílio ao centro da execução e torna mães/cuidadoras os principais vetores de sucesso: apoiar aleitamento, rotinas de estimulação, vacinação e ambientes seguros converte-se em entregáveis domiciliares (WHO; Unicef; World Bank Group, 2018; Unicef, 2017). O Unicef defendia que “O papel dos pais é fundamental [...]” na entrega dos cinco componentes do Nurturing Care (Unicef, 2021, p. 69-70, tradução nossa). A agenda se articulava ainda às políticas amigas da família (licenças, salas de amamentação, creches) como habilitadoras do desempenho materno esperado - um enfoque tecnocrático do cuidado que, embora anuncie proteção social, mantém a responsabilização doméstica como infraestrutura de cumprimento das metas (Unicef, 2019b; 2020).

Por fim, a incorporação da linguagem da economia do cuidado não rompia, mas consolidava duas racionalidades: a neoliberal e o familismo moralizante (conforme definido). Ao reconhecer o cuidado como investimento e organizar sua provisão por métricas de performance familiar, o discurso do Unicef externaliza custos para o lar e naturaliza o trabalho reprodutivo não pago como condição do desenvolvimento (Fraser, 2016; Federici, 1974; Cooper, 2017). Em síntese: sob ODS, Nurturing Care e bom começo de vida, a infância é reinscrita como ativo e as famílias - ­sobretudo mulheres - como tecnologia de governo das metas (ONU, 2015; WHO; Unicef; World Bank Group, 2018; Unicef, 2017; 2019a; 2019b; 2020). O Quadro 2 resume essa trajetória, alinhando documentos, enunciados e efeitos, e explicitando a articulação entre racionalidade neoliberal e familismo moralizante.

Em conjunto, as evidências do Quadro 2 demonstram que a racionalidade neoliberal se une a um familismo moralizante, produzindo um regime de baixo custo e alta responsabilização privada que administra consequências sem enfrentar determinações estruturais da pobreza. É esse fechamento que prepara a passagem às considerações teóricas - em que discutimos os mecanismos pelos quais esse arranjo opera como tecnologia de governo - e às implicações políticas que dele derivam.

Quadro 2.
Evidências do discurso do Unicef (2000-2023)

Considerações finais

Mostramos que o léxico do alto retorno opera como tecnologia de governo, uma vez que temporaliza a intervenção, converte direitos em contratos de desempenho e translada custos e riscos para o domicílio. Essa gramática só se efetiva porque encontra a família como infraestrutura moral (como definimos), capaz de traduzir cálculo em rotina e padronizar condutas parentais. Assim, o familismo moralizante funciona como dobradiça entre eficiência neoliberal e pedagogia neoconservadora, estabilizando um regime de baixo custo e alta responsabilização privada.

Três deslocamentos dão consequência política ao diagnóstico: (i) renda de base e transferências universais, para desmercantilizar necessidades e reestatizar riscos de renda; (ii) tempo social de cuidado - licenças universais, jornada reduzida, redes de tempo integral - para remunerar trabalho hoje invisível e devolver horas às mulheres; (iii) infraestrutura pública de cuidado (creches, atenção primária territorial), para recentralizar no fundo público os custos que hoje recaem sobre o lar. Reconhecer ganhos sanitários e educacionais não autoriza trocar política por deveres mensuráveis: o que é direito não cabe inteiro na lista de tarefas da cozinha.

A principal contribuição do artigo foi explicitar o mecanismo em que, do cálculo à moralização doméstica, a infância é reinscrita como ativo de capital humano e a casa, como unidade de execução das metas. Ao iluminar esse circuito - do quarto das crianças ao orçamento do Estado -, oferecemos base teórico-política para deslocar a agenda do resultado para o direito: do portfólio comparável por custo-benefício à garantia pública das condições de vida e de cuidado.

Referências

  • BARDIN, L. Análise de conteúdo Lisboa: Edições 70, 1979.
  • BHATTACHARYA, T. (org.). Social reproduction theory: remapping class, recentering oppression. London: Pluto Press, 2017.
  • BROWN, W. American nightmare: neoliberalism, neoconservatism, and de-democratization. Political Theory, v. 34, n. 6, p. 690-714, 2006.
  • COOPER, M. Family values: between neoliberalism and the new social conservatism. New York: Zone Books, 2017.
  • CORRÊA, S.; PRADO, M. A. M. A ideologia “familista” nas ofensivas contra gênero na educação: conexões conservadoras transnacionais. Educação & Sociedade, Campinas, v. 45, e275372, 2024.
  • FEDERICI, S. Wages against housework Bristol: Power of Women Collective; Falling Wall Press, 1974.
  • FONSECA, A. E. M. L. “Não tem altura o silêncio das pedras”: a primeira infância no discurso do Unicef. 2025. 314 f. Tese (Doutorado em Política Social) - Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas, Universidade Federal do Espírito Santo, Vitória, 2025.
  • FRASER, N. Contradictions of capital and care. New Left Review, n. 100, p. 99-117, 2016.
  • HARVEY, D. O neoliberalismo: história e implicações. São Paulo: Loyola, 2008.
  • HECKMAN, J. J. Investing in disadvantaged young children is an economically efficient policy. Committee for Economic Development, New York, 2006. Disponível em: https://jenni.uchicago.edu/investing/invest-disadv_2005-12-22_247pm_awb.pdf Acesso em: 20 fev. 2025.
    » https://jenni.uchicago.edu/investing/invest-disadv_2005-12-22_247pm_awb.pdf
  • HECKMAN, J. J. Investir no desenvolvimento na primeira infância: reduzir déficits, fortalecer a economia. The Heckman Equation, 2012. Disponível em: https://heckmanequation.org/wp-content/uploads/2017/01/D_Heckman_FMCSV_ReduceDeficit_012215.pdf Acesso em: 20 fev. 2025.
    » https://heckmanequation.org/wp-content/uploads/2017/01/D_Heckman_FMCSV_ReduceDeficit_012215.pdf
  • HORST, C. H. M.; ALVES, L. D. T. Familismo e extrema-direita: desvendando o Programa Famílias Fortes. Argumentum, v. 16, n. 1, p. 71-84, 2024. DOI: 10.47456/argumentum.v16i1.41979.
    » https://doi.org/10.47456/argumentum.v16i1.41979
  • HORST, C. H. M.; CASTILHO, G. S.; ALVES, L. D. T. O familismo no governo Bolsonaro e os impactos na política social. In: ENCONTRO INTERNACINAL E NACIONAL DE POLÍTICA SOCIAL, 2023, Vitória. Anais [...]. Vitória, v. 1, n. 1, 2023.
  • HORST, C. H. M.; MIOTO, R. C. T. Crise, neoconservadorismo e ideologia da família. In: PAIVA, B. A.; SAMPAIO, S. S. (org.). Serviço Social, questão social e direitos humanos Florianópolis: EdUFSC, 2021. v. IV.
  • MIOTO, R. C. T. et al O familismo na política social. In: ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISADORES EM SERVIÇO SOCIAL, 16., 2018, Vitória. Anais […]. Vitória, 2018.
  • ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS (ONU). Assembleia Geral. Convenção sobre os direitos da criança New York, 1989. (A/RES/44/25). Disponível em: https://www.ohchr.org/en/instruments-mechanisms/instruments/convention-rights-child Acesso em: 29 set. 2025.
    » https://www.ohchr.org/en/instruments-mechanisms/instruments/convention-rights-child
  • ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS (ONU). Comitê dos Direitos da Criança. Comentário geral n. 7 (2005): implementação dos direitos da criança na primeira infância. Genebra, 2006. (CRC/C/GC/7/Rev.1.)
  • ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS (ONU). Transformando nosso mundo: a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. New York: ONU, 2015.
  • PEREIRA, C. P. Proteção social no capitalismo: crítica a teorias e ideologias conflitantes. São Paulo: Cortez, 2016.
  • UGÁ, V. D. A questão social como “pobreza”: crítica à conceituação neoliberal. 2008. Tese (Doutorado em Ciências Humanas) - Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro, Universidade Candido Mendes, Rio de Janeiro, 2008.
  • UNITED NATIONS CHILDREN’S FUND (UNICEF). Annual report 1972 New York: Unicef, 1973.
  • UNITED NATIONS CHILDREN’S FUND (UNICEF). Annual report 1974 New York: Unicef, 1975.
  • UNITED NATIONS CHILDREN’S FUND (UNICEF). Annual report 1981 New York: Unicef, 1982.
  • UNITED NATIONS CHILDREN’S FUND (UNICEF). Annual report 1983 New York: Unicef, 1984.
  • UNITED NATIONS CHILDREN’S FUND (UNICEF). Annual report 1984 New York: Unicef, 1985.
  • UNITED NATIONS CHILDREN’S FUND (UNICEF). Annual report 1985 New York: Unicef, 1986.
  • UNITED NATIONS CHILDREN’S FUND (UNICEF). Annual report 1986 New York: Unicef, 1987.
  • UNITED NATIONS CHILDREN’S FUND (UNICEF). Annual report 1987 New York: Unicef, 1988.
  • UNITED NATIONS CHILDREN’S FUND (UNICEF). Annual report 1988 New York: Unicef, 1989.
  • UNITED NATIONS CHILDREN’S FUND (UNICEF). Annual report 1991 New York: Unicef, 1992.
  • UNITED NATIONS CHILDREN’S FUND (UNICEF). Annual report 1993 New York: Unicef, 1994.
  • UNITED NATIONS CHILDREN’S FUND (UNICEF). Annual report 1994 New York: Unicef, 1995.
  • UNITED NATIONS CHILDREN’S FUND (UNICEF). Annual report 1995 New York: Unicef, 1996.
  • UNITED NATIONS CHILDREN’S FUND (UNICEF). Annual report 1996 New York: Unicef, 1997.
  • UNITED NATIONS CHILDREN’S FUND (UNICEF). Annual report 1997 New York: Unicef, 1998.
  • UNITED NATIONS CHILDREN’S FUND (UNICEF). Annual report 1999 New York: Unicef, 2000.
  • UNITED NATIONS CHILDREN’S FUND (UNICEF). Annual report 2000 New York: Unicef, 2001.
  • UNITED NATIONS CHILDREN’S FUND (UNICEF). Annual report 2002 New York: Unicef, 2003.
  • UNITED NATIONS CHILDREN’S FUND (UNICEF). Annual report 2007 New York: Unicef, 2008.
  • UNITED NATIONS CHILDREN’S FUND (UNICEF). Annual report 2008 New York: Unicef, 2009.
  • UNITED NATIONS CHILDREN’S FUND (UNICEF). Annual report 2009 New York: Unicef, 2010.
  • UNITED NATIONS CHILDREN’S FUND (UNICEF). Annual report 2010 New York: Unicef, 2011.
  • UNITED NATIONS CHILDREN’S FUND (UNICEF). Annual report 2011 New York: Unicef, 2012a.
  • UNITED NATIONS CHILDREN’S FUND (UNICEF). Annual report 2013 New York: Unicef, 2014.
  • UNITED NATIONS CHILDREN’S FUND (UNICEF). Annual report 2014 New York: Unicef, 2015.
  • UNITED NATIONS CHILDREN’S FUND (UNICEF). Annual report 2015 New York: Unicef, 2016.
  • UNITED NATIONS CHILDREN’S FUND (UNICEF). Annual report 2017 New York: Unicef, 2018.
  • UNITED NATIONS CHILDREN’S FUND (UNICEF). Annual report 2018 New York: Unicef, 2019a.
  • UNITED NATIONS CHILDREN’S FUND (UNICEF). Annual report 2023 New York: Unicef, 2024.
  • UNITED NATIONS CHILDREN’S FUND (UNICEF). Are the world’s richest countries family-friendly? Policy in the OECD and EU Florence: Unicef Innocenti, 2019b.
  • UNITED NATIONS CHILDREN’S FUND (UNICEF). Early moments matter for every child New York: Unicef, 2017.
  • UNITED NATIONS CHILDREN’S FUND (UNICEF).1946-2006 Sixty Years for Children New York: Unicef, 2006.
  • UNITED NATIONS CHILDREN’S FUND (UNICEF). Public finance for early childhood development: guidance note. New York: Unicef, 2020.
  • UNITED NATIONS CHILDREN’S FUND (UNICEF). The state of the world’s children 1985 New York: Unicef, 1985.
  • UNITED NATIONS CHILDREN’S FUND (UNICEF). The state of the world’s children 1988 New York: Unicef, 1988.
  • UNITED NATIONS CHILDREN’S FUND (UNICEF). The state of the world’s children 1993 New York: Unicef, 1993.
  • UNITED NATIONS CHILDREN’S FUND (UNICEF). The state of the world’s children 2000 New York: Unicef, 2001.
  • UNITED NATIONS CHILDREN’S FUND (UNICEF). The state of the world’s children 2012 New York: Unicef, 2012b.
  • UNITED NATIONS CHILDREN’S FUND (UNICEF). The state of the world’s children 2016 New York: Unicef, 2016.
  • UNITED NATIONS CHILDREN’S FUND (UNICEF). The state of the world’s children 2021 New York: Unicef, 2021.
  • WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO); UNITED NATIONS CHILDREN’S FUND (UNICEF); WORLD BANK GROUP. Nurturing care for early childhood development: a framework for helping children survive and thrive to transform health and human potential. Geneva: WHO, 2018.
  • 1
    Essa faixa etária pode sofrer variações entre os países.
  • 2
    “Hospital Amigo da Criança”: selo de certificação criado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pelo Unicef em 1991para reconhecer maternidades/serviços que protegem, promovem e apoiam o aleitamento materno.
  • Declaração de disponibilidade de dados:
    Neste artigo, nenhum dado de pesquisa foi gerado ou utilizado.
  • Editora responsável:
    Priscila Flório Augusto

Disponibilidade de dados

Neste artigo, nenhum dado de pesquisa foi gerado ou utilizado.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    23 Fev 2026
  • Data do Fascículo
    2026

Histórico

  • Recebido
    26 Nov 2025
  • Aceito
    11 Jan 2026
location_on
Cortez Editora Ltda Rua Ministro Godói, 1113 - Perdizes, 05015-001, São Paulo / SP - Brasil, Tel. + 55 11 3864-0111 - São Paulo - SP - Brazil
E-mail: servicosocial@cortezeditora.com.br
rss_feed Acompanhe os números deste periódico no seu leitor de RSS
Ir para o topo Reportar erro