A cadeia da soja no Brasil vem sofrendo, nas últimas décadas, pressões por parte de mercados internacionais e da sociedade civil. Tais críticas e o surgimento de mecanismos de controle de importações têm ensejado a criação de novas formas de governança e produtos que incorporam promessas de maior responsabilidade e transparência em cadeias de fornecimento. Entre eles, destacamos a soja “livre de desmatamento” como uma alegada solução do agronegócio sojicultor que reivindica responder aos principais problemas ambientais enfrentados pelo setor no Brasil. Compreendemos, dialogando com a literatura em STS e estudos agroalimentares, que os modos como as corporações formulam e divulgam suas iniciativas revelam suas perspectivas sobre os problemas ambientais que consideram (e constroem) como objetos de intervenção. Neste sentido, o objetivo deste texto é comparar as experiências de soja “livre de desmatamento” e/ou “responsável” dos principais arranjos corporativos de governança ambiental no Brasil, examinando as normas de avaliação e definições utilizadas, assim como as infraestruturas de mensuração que atestam o não desmatamento. As principais fontes de análise são protocolos públicos, políticas de fornecimento e relatórios ESG das principais traders da soja no Brasil. Argumentamos que a soja “livre de desmatamento” opera como produtora de tecnopoder na cadeia da soja, legitimando reivindicações corporativas de sustentabilidade e promovendo soluções escaláveis que favorecem interesses do agronegócio. Com isso, o artigo contribui para compreender como o agronegócio brasileiro responde às pressões ambientais por meio de soluções tecnopolíticas que reconfiguram as formas de exercício de poder neste setor.
Palavras-chave:
governança corporativa; problemas ambientais; normas e métricas ambientais; cadeias de commodities; mensuração
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Fonte: Adaptado de
Fonte: Reproduzido do Guia 3S Program (
Fonte: Montagem a partir de elementos presentes em relatórios públicos. Elaboração das autoras.