Este texto constrói reflexões em torno do Sistema de Apoio ao Processo Legislativo (SAPL), utilizado para armazenar e disponibilizar documentos legislativos para consulta. Os documentos encontrados para fins deste trabalho, tramitaram na Câmara Municipal de João Pessoa/Paraíba e pretendiam legislar acerca da proibição do uso da linguagem inclusiva em instituições e documentos públicos. Com base neste campo, afirmamos que o SAPL atua como dispositivo e mediador técnico, pois a coinfluência existente entre este sistema, parlamentares e documentos reconfiguram o cotidiano do trabalho realizado nesta instituição. Mostramos também que apesar da enunciação da sua fixidez, o uso deste sistema permite manobras políticas para qualquer parlamentar, sendo expostas, neste caso, aquelas feitas para propagar ideais e projetos políticos alinhados à extrema direita, devido à composição da Casa Legislativa e os recortes etnográficos analisados na pesquisa.
Palavras-chave:
SAPL; Documentos legislativos; Ofensivas Antigênero; Linguagem Inclusiva; Câmara Municipal de João Pessoa