Este artigo, parte da minha tese de doutorado, investiga as interseccionalidades entre geração, gênero, raça e classe em bailes e forrós voltados à chamada “melhor idade” em Natal (RN). Mais do que espaços de lazer, essas festas constituem arenas de sociabilidade, desejo e distinção, marcadas por hierarquias racializadas, etárias e de gênero. A partir da “observação-dançante”, analiso como os corpos - inclusive o meu, de mulher negra e jovem - são interpretados, disputados e disciplinados nesses ambientes, revelando camadas de curiosidade, fetichização, desejo e desconfiança. A presença não planejada de minha mãe potencializou minha inserção no campo e evidenciou como mulheres negras mais velhas continuam sendo atravessadas por sexualizações racializadas, como indica a frase que dá título ao artigo. Ao iluminar essas dinâmicas, o estudo contribui para os debates sobre envelhecimento, afetividade e pertença, desestabilizando concepções homogêneas da velhice e colocando em foco as interseccionalidades que marcam os circuitos de sociabilidade entre pessoas mais velhas.
Palavras-chave:
envelhecimento; sexualidade; forrós; interseccionalidade; raça
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Fonte: Google Maps (2024).