Open-access Dois fatores de força do catolicismo brasileiro

Resumo

Embora venha se reduzindo progressivamente, em face do grande avanço evangélico, o catolicismo ainda constitui o maior segmento religioso nacional, conforme demonstra m os dados do Censo de 2022. Assim, em vez de abordar a fragilidade católica diante de tal concorrência, o artigo se volta para o contrário, ou seja, a análise de determinada resistência desse segmento religioso. Nesse sentido, são abordados dois fatores que contribuem para que o catolicismo não seja, hoje, ainda menor do que já se tornou. O primeiro e mais importante deles é o culto mariano, especificamente à Nossa Senhora Aparecida; já o segundo é a devoção juvenil observada, sobremaneira, por ocasião da Jornada Mundial da Juventude. Constatamos, dessa forma, que esses dois fatores mantêm a efervescência do catolicismo brasileiro no mercado de bens de salvação e contribuem para certa estabilização do contínuo processo de descatolização das últimas décadas.

Palavras-chave:
Catolicismo; Culto Mariano; Nossa Senhora Aparecida; Devoção juvenil; Jornada Mundial da Juventude

Abstract

Despite a steady decline, primarily driven by the significant rise of Evangelicalism, Catholicism has remained the largest religious tradition in Brazil, as evidenced by data from the 2022 Census. Rather than focusing on the vulnerability of Catholicism in an increasingly pluralistic religious landscape, this article examines specific mechanisms of resilience within this religious tradition. Thus, two factors are analyzed that have mitigated a more pronounced decline in Catholicism. The first, and most significant, is Marian devotion, specifically toward Our Lady of Aparecida; the second is youth devotion, especially as observed during World Youth Day. These two elements, we argue, reinforce the vitality of Brazilian Catholicism within the competitive landscape of salvific goods and contribute to the relative stabilization of the ongoing process of de-Catholicization over recent decades.

Keywords:
Catholicism; Marian devotion; Our Lady of Aparecida; Youth devotion; World Youth Day

Introdução

Este artigo trata do catolicismo no Brasil contemporâneo. A proposta é a análise de determinada resistência desse segmento no mercado religioso, ou seja, são abordados dois fatores que contribuem para que o catolicismo não seja, hoje, ainda menor do que ele já se tornou. O primeiro e mais importante deles é o culto mariano, especificamente à Nossa Senhora Aparecida; já o segundo é a devoção juvenil observada, sobremaneira, por ocasião da Jornada Mundial da Juventude.

O catolicismo ainda constitui o maior segmento religioso brasileiro, mas a cada censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aparece com tamanho menor. Os dados do recenseamento de 1970 indicavam que 91,8% da população era católica. Em 1980, o percentual passou para 88,7%. Já em 1990, para 83,3% e em 2000 a cifra era de 74,9%. E no Censo de 2010, era de 65,1%. Em contrapartida, em 1970, havia cerca de 5,2% de evangélicos no país; em 1980, em torno de 6,5%; em 1990, 9,0%; em 2000, 15,4% e em 2010 era 21,6% a população evangélica brasileira. No Censo de 2022, a cifra católica passou para 56,75%, enquanto a dos evangélicos – em condição exatamente oposta, de expansão constante – é de 26,85% (IBGE, 2025).

Tabela 1
Católicos e evangélicos nos censos do IBGE

Muito já se discutiu no âmbito das ciências sociais da religião sobre os motivos do encolhimento católico em face do crescimento evangélico (Oro, 1996, 2020; Pierucci, 2004; Pierucci e Prandi, 1996), mas um questionamento possível e relevante deste artigo é a respeito de quais são os fatores que levam o contingente dos católicos a não ser, hoje, ainda menor. Isto é, procuramos analisar determinados aspectos da resistência do segmento católico no país, e em diálogo com autores que enfatizam seus estudos em seu declínio, procuramos, sobretudo, entender os fatores de manutenção da maioria católica no cenário nacional contemporâneo.

Dessa forma, o presente artigo, elaborado a partir de sistemática consulta bibliográfica e pesquisa de campo, aborda dois fatores de força do catolicismo no contexto de grande concorrência religiosa com o segmento dos evangélicos, e que contribuem para que seu encolhimento não seja ainda maior. Tais fatores são abordados em sequência.

O primeiro e mais importante deles é o culto mariano, especificamente à Nossa Senhora Aparecida, reverenciada sobremaneira no feriado nacional. Para a análise desse importante trunfo católico brasileiro foram levantadas as teses e dissertações a seu respeito e selecionadas as mais relevantes produzidas nas duas últimas décadas. Tais trabalhos foram devidamente analisados, bem como importantes fontes neles registradas, além de livros e artigos de periódicos, tendo havido também trabalho de observação de campo no santuário nacional dedicado à Aparecida.

O outro fator de força católica contemplado neste artigo, mas menos evidente que o anterior, é a devoção juvenil, algo alimentado, em certa medida, através do evento internacional denominado Jornada Mundial da Juventude (JMJ), iniciado em 1986 por João Paulo II, já em sua 15ª edição, tendo sido uma delas no Rio de Janeiro, em 2013, conduzida pelo então recém-eleito Papa Francisco (Gonzalez et al., 2017). Os jovens adeptos do catolicismo constituem diversificadas formas de organização no interior das tendências orgânicas (Löwy, 2019) do campo católico, entendidas na sua pluralidade por meio das suas culturas juvenis (Pais, 2003). Estão presentes no segmento tradicional e carismático, mas também no âmbito do cristianismo da libertação1, além de trabalharem ativamente na articulação dentre as congregações que atuam com a educação formal. Para a análise das juventudes católicas consideramos a pesquisa sobre a Jornada Mundial da Juventude ocorrida no Brasil, principalmente os resultados de trabalho de campo presentes no dossiê publicado a respeito do tema na revista Interseções, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), além de um balanço bibliográfico sobre a juventude católica das duas últimas décadas.

Aparecida: o maior trunfo católico brasileiro

O culto a Aparecida é efetivamente o maior fator de força do catolicismo nacional, algo cuja trajetória histórica merece ser pontualmente recapitulada em benefício da compreensão sociológica do fenômeno. De início, somos remetidos à referência bíblica da miraculosa pescaria abundante narrada em Lucas 5:1-11, que se repete simbolicamente em 12 de outubro de 1717 no Rio Paraíba do Sul, após três pescadores encontrarem a cabeça e, na sequência, o corpo de uma imagem escura de Nossa Senhora da Conceição, padroeira de Portugal e suas colônias, sendo eles por isso, de algum modo, comparados aos discípulos de Jesus Cristo.

Aparecida recebeu em 1743 de dom João da Cruz, bispo do Rio de Janeiro, a aprovação formal de seu culto, passando a ser chamada de Imaculada Conceição Aparecida (Alvarez, 2014, p. 10). Por volta de 1790, o milagre do escravo que, supostamente teve suas correntes rompidas após ser apanhado em fuga e rezar em frente à então nova capela da devoção (Tonetti, 2019), marcaria bastante a relação da santa preta com a causa negra naquele contexto histórico e posteriormente. Mais de meio século depois, em 1868, já muito reconhecida, ela recebeu da Princesa Isabel, junto com o marido francês Gastão de Orleans, uma visita em súplica pelo engravidamento daquela que era a herdeira do trono imperial2. Isabel retornaria vinte anos depois para presenteá-la em agradecimento, levando uma coroa de ouro como forma de pagamento pela graça recebida (Alvarez, 2014, p. 177; Brustoloni, 1998, p. 334).

Enquanto o casal já estava no exílio em Paris, em 1904, ocorreu a coroação oficial de Aparecida, marcando os cinquenta anos do dogma da Imaculada Conceição de Maria, tendo ela recebido do Papa Pio X o título de Rainha do Brasil. A cerimônia, porém, não ocorreu no designado dia do calendário litúrgico (8 de dezembro), mas, sim, em 8 de setembro, logo após a comemoração da Independência, data importante para a República Velha que passava a conviver com a “verdadeira regente do povo brasileiro” (Carvalho, 1990; Godoy, 2020, p. 108; Moreno, 2016, p. 90).

Já o pontífice seguinte, Pio XI, proclamou Aparecida como padroeira nacional – substituindo São Pedro de Alcântara – em 1930, dois anos depois de o município dela ter sido fundado. A celebração de oficialização ocorreu no Rio de Janeiro em 31 de maio de 1931, mediante o deslocamento solene, feito de trem, da imagem entre as duas cidades (Moreno, 2016, p. 92). Em 12 de outubro do mesmo ano, foi inaugurado o Cristo Redentor, que tem em sua base uma capela dedicada à santa. Tais eventos presididos por dom Sebastião Leme, então cardeal do Rio, marcaram a aliança da igreja com Getúlio Vargas e seu governo (Moreno, 2016, p. 93; Tonetti, 2019). Vargas, recém-tornado presidente após a Revolução de 1930, e Leme aproveitaram a consagração de Aparecida como padroeira nacional em discursos em prol da pacificação do país e da grande aliança entre a igreja e o nascente Estado Novo[^3].

Retrocedendo um pouco, cabe lembrar outro fato relevante da trajetória de Aparecida, ocorrido em 1894 – sete anos após a instalação da estação ferroviária de sua cidade – quando os membros da Congregação do Santíssimo Redentor chegaram àquela vila para exercerem sua expertise de administração de santuários (Chaves, 2012; Pasin, 2015). Nos anos 1940, os redentoristas decidiram construir um templo bem maior para receber o crescente contingente de romeiros. Os religiosos alemães obtiveram do então arcebispo de São Paulo dom José Silva, falecido logo em seguida, e de seu sucessor, dom Carlos Vasconcellos, o compromisso formal e o decorrente auxílio para tal construção, de modo que a obra teve início em 1955 com grande apoio governamental3.

Três anos depois, o Papa Pio XII criou a Arquidiocese de Aparecida como desmembramento da Diocese de Taubaté e da Arquidiocese de São Paulo. E em 1967, a basílica ficou pronta, abrangendo 143 mil m² de área construída, de modo a se tornar o segundo maior templo católico, atrás apenas da Basílica de São Pedro no Vaticano (Alvarez, 2014). O sucessor eleito de Vargas, Juscelino Kubitschek, havia propiciado a doação governamental do material para a construção da torre do templo. Já os generais e chefes de Estado Artur da Costa e Silva e Emílio Garrastazu Médici, por sua vez, patrocinaram com seus governos a construção da passarela ligando as duas basílicas da cidade, obra inaugurada em 1971 e que denota ainda mais os laços entre governantes e a “Rainha do Brasil” (Moreno, 2016).

Reconhecida como Santuário Nacional em 1980 pelo Papa João Paulo II, primeiro pontífice a visitar Aparecida (Chaves, 2012), a basílica se localiza às margens da Rodovia Dutra, que foi inaugurada em 1951 e liga as duas maiores cidades do país, estando situada no polo turístico-católico do Vale do Paraíba, recebendo mais de 12 milhões de pessoas por ano (Alvarez, 2014; Moreno, 2016). Evidentemente, o fluxo maior se dá em 12 de outubro, feriado nacional dedicado a ela, que foi instituído naquele mesmo ano. O desenvolvimento do chamado Shopping dos Romeiros e a instalação de bondinhos junto a uma grande estátua da padroeira, bem como outros atrativos turísticos, tais quais os mosaicos que narram passagens bíblicas no templo, só fazem aumentar o fluxo de visitantes.

Ao longo da história de Aparecida, dois acontecimentos envolveram agressão à padroeira nacional. O primeiro, em 16 de maio de 1978, ocorreu no próprio santuário, quando o jovem evangélico Rogério de Oliveira, durante um apagão de dois minutos, apanhou a imagem e a jogou ao chão, fazendo com que ela se estilhaçasse.Após o término da restauração, ela foi devolvida solenemente ao santuário em 19 de agosto do mesmo ano (Chaves, 2012, p. 93). Já a segunda se deu no dia 12 de outubro de 1995, quando o então bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, Sérgio Von Helde, apareceu em dois programas da Rede Record de Televisão tocando com os pés uma réplica da imagem da Santa e ridicularizando-a, algo que foi chamado de “chute na santa” e gerou grande mobilização de católicos indignados (Souza, 2005, p. 25) ).

Em julho de 2013, o Santuário de Aparecida ganharia certo destaque no noticiário internacional devido a uma visita inesperada do, agora falecido, Papa Francisco, que se deslocou de helicóptero para lá por ocasião da Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro, vindo a presidir uma missa com a presença de 15 mil pessoas (Alvarez, 2014, p. 233)4. Jorge Mário Bergoglio, que enquanto cardeal de Buenos Aires tivera bastante destaque na V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, ocorrida no mesmo local em 2007 (Betiato, 2018, pp. 57–60), fez questão de ressaltar sua relação pessoal com Aparecida:

Hoje, eu quis vir aqui para suplicar a Maria, nossa Mãe, o bom êxito da Jornada Mundial da Juventude e colocar aos seus pés a vida do povo latino-americano. Queria dizer-lhes, primeiramente, uma coisa. Nesse Santuário, seis anos atrás, quando aqui se realizou a V Conferência Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe […], aquela Conferência foi um grande momento da vida da Igreja. E, de fato, pode-se dizer que o Documento de Aparecida nasceu justamente desse encontro entre os trabalhos dos Pastores e a fé simples dos romeiros, sob a proteção maternal de Maria (Moreno, 2016, p. 132).

O pontífice argentino se despediu de Aparecida, afirmando publicamente que aceitara o convite do cardeal Raimundo Damasceno, prometendo voltar em 2017 para as comemorações dos 300 anos do encontro da imagem. Entretanto, no referido ano, ele se recusou a regressar, revelando ter remetido uma carta ao então presidente da República Michel Temer – que substituíra Dilma Rousseff em um golpe parlamentar, conforme Jinkings (2016, pp. 11–14) – na qual afirmava que o país vivia um “momento triste”.

De fato, há em torno da padroeira nacional usos e disputas de sentidos em termos políticos. Embora a história do santuário, como visto, esteja bastante ligada ao exercício do poder político central no país e caracterizada por feições elitistas e conservadoras, observa-se também certo caráter contestatório identificado com segmentos do cristianismo da libertação (Löwy, 2019). Destacam-se, neste sentido, a manifestação anual de pastorais sociais e das juventudes junto com movimentos sociais, que ocorre em Aparecida desde 1995 e é chamada Grito dos Excluídos, além das romarias de trabalhadores e militantes da pastoral negra e dos movimentos negros em reivindicações antirracistas, fazendo alusão à cor preta da santa (Moreno, 2016, pp. 105–113).

Ainda quanto a tais embates políticos-ideológicos, verificou-se algo bastante expressivo durante o processo eleitoral de 2018, quando o então candidato extremista de direita Jair Bolsonaro levou à Aparecida, no dia 12 de outubro, seus correligionários trajados de verde e amarelo como ele, em ostensivo ato de campanha, fazendo seu séquito provocações verbais mediante uso de bebida alcoólica, em dissonância com o caráter religioso-cristão do local (Carmelino, 2023, pp. 141–147).

Para além das questões político-ideológicas, verifica-se que Aparecida tem expressiva penetração cultural no país, sendo entre todos os santos católicos, destacadamente, a de maior popularidade5. Por tais motivos, constitui um significativo objeto de análise das ciências sociais da religião, considerando-se o fato de a religiosidade de seus devotos ser expressa tanto nas paróquias, romarias e demais práticas católicas a ela dedicadas, quanto através da presença de sua imagem em tamanho grande na forma de monumentos públicos, ou em tamanho menor em estabelecimentos de comércio variado, a despeito do grande contingente evangélico no país. Equiparando-se, em boa medida, à bandeira da pátria, ao futebol e ao samba, a padroeira do Brasil é também um grande símbolo nacional (Sanchez, 2018). Tal representação tem componentes peculiares devido à sua cor preta e ao início de sua devoção ter ocorrido durante a escravidão, fomentada também mediante o relato da libertação miraculosa de um cativo, havendo certa conexão entre seu culto e a chamada luta antirracista, reivindicada pelos grupos de pastoral negra e pelo movimento negro (Neves, 1986; Silveira, 2019).

Por fim, para entendermos o significado da força do culto à Nossa Senhora Aparecida no país, faz-se necessário relembrar que o catolicismo santorial (Camargo, 1973; Teixeira, 2009, p. 20), isto é, de culto aos santos, consiste na forma mais tradicional de catolicidade, presente no país desde a colônia. Trata-se de uma religiosidade de caráter predominantemente leigo (estabelecida inicialmente por meio das confrarias e irmandades), um catolicismo das devoções populares que ocorre com relativa autonomia da instituição e que acontece nos oratórios, capelas e santuários. Tal catolicismo pode dispensar a presença do clero, tendo, assim, ampla liberdade e pode ser feito predominantemente por “agentes religiosos populares” (Brandão, 2007), como revela o histórico apresentado acima sobre Nossa Senhora Aparecida.

Conforme destaca Teixeira [(2009), 20[], “O catolicismo brasileiro foi, durante muito tempo, um catolicismo de ‘muita reza e pouca missa, muito santo e pouco padre’”. Além disso, Gracino Júnior (2016) demonstra como a resistência católica está intrinsecamente ligada à força dos lugares de “memória afetiva” como igrejas, festas, romarias e paisagens que forjam uma identidade coletiva e um vínculo emocional dos fiéis. Esta forma de catolicismo tem na história do Brasil impressionante poder de penetração e reprodução nos meios populares, sendo resistente à penetração de outras experiências religiosas, como se observa no caso das regiões do país com presença das romarias: Norte, com o Círio de Nazaré, em Belém-PA; Nordeste, com Juazeiro do Norte-CE, e o culto ao Padre Cícero; Centro-Oeste, com a Romaria do Divino Pai Eterno, em Trindade-GO; Sul, com a Romaria de Nossa Senhora de Caravaggio, em Farroupilha-RS; e Sudeste, com a própria Romaria de Aparecida.

Esse catolicismo popular, de devoção santorial, configura-se em resistência evidente ao crescimento evangélico no país. Em pesquisa do Data folha de 20176, apesar da manchete “Aparecida é a padroeira de um país cada vez menos devoto a santos”, as pessoas entrevistadas responderam à questão “Tem santo de devoção?” e a resposta de 39% foi que sim, e entre estes a maioria ampla era devota de Nossa Senhora Aparecida, com 19% das opções, acima da variedade de opções que somavam 10% e muito à frente das outras alternativas: São Jorge e Santo Ant ônio, com 2% cada; São Francisco, Santo Expedito, São José e Santa Rita Cássia, com 1% cada. Além disso, a pesquisa apontava que 2% da população é devota de Nossa Senhora Fátima e Nossa Senhora de Nazaré, evidenciando as potencialidades do culto à Maria ainda na contemporaneidade. Em confluência com o culto mariano, destacamos a devoção juvenil como segunda força de resiliência da Igreja Católica e seus catolicismos hoje.

Juventudes católicas: efervescência religiosa diante da descatolização

Os dados do Censo de 2022 demonstram, no que concerne à adesão religiosa de jovens, que a faixa etária de católicos entre 15-29 anos está com um percentual menor que a média geral. Em contrapartida, a juventude evangélica, 15-29 anos, corresponde ao percentual acima da média nacional (Figura 1).

Figura 1
Proporção da população de 10 anos ou mais de idade de religião declarada católica apostólica romana, evangélica e sem religião por grupo de idade – 2002. (IBGE, 2025, p. 12).

Em diálogo com os dados censitários, conforme observado em pesquisa de campo (Mariz, 2006; Sales, 2025), trata-se também do segmento católico cuja efervescência religiosa é a que tem maior destaque, dado o ativismo católico aí presente. Diante da perda de fiéis, a Igreja católica e seus segmentos internos têm promovido estratégias de mobilização de jovens em torno de diferentes modelos de evangelização.

A Jornada Mundial da Juventude, evento internacional organizado pela Igreja e que ocorre periodicamente em diferentes cidades do mundo, configura-se como um lócus de articulação da instituição católica no meio juvenil. Realizada desde a década de 1980, chegou ao Brasil em 2013 e mobilizou uma grande multidão de jovens na cidade do Rio de Janeiro. O recorde de pessoas presentes em um evento na praia de Copacabana é creditado à missa campal de encerramento do evento com o Papa Francisco, que, na ocasião, atraiu cerca de 3,7 milhões de fiéis, conforme informações das autoridades locais7. Diversos shows de figuras midiáticas importantes, como Madonna, em 2024 (1,6 milhões de participantes)8, e Lady Gaga, em 2025 (2,1 milhões de espectadores )9, não conseguiram superar o encontro de jovens católicos com Francisco na Jornada de 2013.

Na ocasião da Jornada no Rio, uma ampla pesquisa foi realizada com aplicação de um survey10 aos jovens católicos participantes do evento (Mariz, Gracino Junior, et al., 2019). Os dados ajudam a entender o perfil plural das juventudes católicas brasileiras e seu papel no contexto de disputas do mercado religioso. Um dado significativo das pesquisas é que os jovens entrevistados possuíam formas diversas de pertencimento institucional ao catolicismo. De acordo com os dados do survey aplicado na JMJ do Rio:

Quando se questionou de quais movimentos ou grupos dentro da Igreja Católica participavam, observou-se um alto grau de dispersão nas respostas. O movimento mais citado entre os brasileiros foi a Renovação Carismática Católica (RCC), mas esse não alcançou um quinto das respostas, foram 19,3% apenas (Mariz, Mesquita, et al., 2019, p. 418).

A pesquisa também demonstra como cada tendência católica aciona elementos da tradição do catolicismo em diálogo com as perspectivas contemporâneas nas estratégias de manutenção do jovem fiel (Sofiati e Carranza, 2019). Mesmo em suas edições fora do Brasil, desde o advento das redes virtuais, o evento tem se configurado como elemento de mobilização de jovens católicos no Brasil contemporâneo.

Obra do Papa João Paulo II, o evento teve início em 1986 com um encontro no próprio Vaticano, em 23 de março (Domingo de Ramos, Dia Mundial da Juventude), com o lema “Estejam sempre preparados para responder a qualquer que lhes pedir a razão da esperança que há em vocês”. No ano seguinte, aconteceu a segunda edição em Buenos Aires, na Argentina, com a palavra de ordem “Assim conhecemos o amor que Deus tem por nós e confiamos nesse amor”. Na ocasião, a presença brasileira foi expressiva. Em 1989, aconteceu na Espanha, em Santiago de Compostela, com o lema “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”. Em 1991, diante dos eventos da queda do Muro de Berlim e o fim do chamado socialismo real, o evento foi realizado em Czestochowa, na Polônia – país do então pontífice, cabe lembrar. Na ocasião, João Paulo II constatou: “Como não reconhecer nisso um grande dom do Espírito Santo?” […]. “Junto com vocês, quero hoje agradecê-lo. Após o longo período de fronteiras praticamente intransponíveis, a Igreja na Europa agora pode respirar livremente com ambos os pulmões” 11. Em 1993, o evento aconteceu na cidade de Denver, Estados Unidos, e como nas outras edições, trouxe o tema “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância”; e em 1995, nas Filipinas, em Manila, com o lema “Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio”. A cidade de Paris, França, foi escolhida para a Jornada de 1997. A divisa foi “Mestre, onde moras? Vinde e vereis”. Em 2000, ano do jubileu da Igreja católica, o evento voltou para a Itália, Roma, com o lema “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós”. E em 2002, com a última participação de João Paulo II, a Jornada aconteceu em Toronto, Canadá. Na edição, o tema foi “Vós sois o sal da terra… Vós sois a luz do mundo”.

As nove jornadas comandadas por João Paulo II refletem seu papado e o esforço em relação à articulação de estratégias para a diminuição do processo de descatolização, reforço da presença midiática e da luta contra os governos ditos comunistas, principalmente no Leste Europeu. As jornadas mobilizaram milhões de jovens nas Américas, Europa e Ásia. O papa não levou seu evento para a África, sendo que ocorreu apenas uma vez na Ásia. O pontífice priorizou com esta atividade de massa as Américas e, principalmente, a Europa, continente muito marcado pela secularização traduzida em grande afastamento juvenil da Igreja. Sua incidência na tentativa de recuperação da Europa católica foi surpreendente, pelo menos no que diz respeito à Jornada Mundial da Juventude. Por exemplo, na edição de Paris, o pontífice mobilizou uma multidão expressiva e pressionou o governo em prol de uma aproximação com a instituição católica, em um contexto de profunda descatolização e esvaziamento do catolicismo da cultura francesa (Mercier, 2017).

A partir da morte de João Paulo II, as jornadas passam a ser presididas pelo então Papa Bento XVI. A sua primeira participação foi em seu país de origem, Alemanha, na cidade de Colônia, com o lema “Viemos adorá-lo”. Em 2008, aconteceu na Austrália, em Sydney, com o lema “Recebereis a força do Espírito Santo, que virá sobre vós, e sereis minhas testemunhas”, e foi o primeiro evento com cobertura midiática por meio das redes sociais. Em 2011, voltou a ocorrer na Espanha, desta vez em Madri, com a palavra de ordem “Enraizados e edificados n’Ele… firmes na fé”.

As três jornadas mobilizadas por Bento XVI trouxeram no seu bojo sua racionalidade na relação com a religião. Em Madri, afirmou aos jovens presentes: “Não somos fruto do acaso nem da irracionalidade, mas, na origem da nossa existência, há um projeto de amor de Deus”12. A luta contra o processo de descatolização de João Paulo II cedeu lugar à lógica de luta contra a secularização da vida. Bento XVI entendia que os jovens eram mobilizados por uma pluralidade de ideias religiosas para além da católica, mas o que de fato lhe preocupava eram as múltiplas ideias seculares que levavam boa parcela da juventude a ser contabilizada na categoria dos “sem religião”.

A chegada do Papa Francisco à Santa Sé reconfigurou as formas de mobilização da Jornada Mundial da Juventude. Em sua primeira participação, a organização do evento foi remodelada em face da renúncia de Bento XVI e que teve como lema “Ide e fazei discípulos entre as nações!”. Nessa primeira edição sob o comando de Francisco, as mudanças foram nítidas. Na Jornada ocorrida no Rio de Janeiro em 2013, Francisco foi acolhido por uma grande multidão de fiéis, desde sua chegada, findando na missa campal com público recorde em Copacabana. O papa tratou de temas sensíveis aos jovens como, por exemplo, questões relacionadas às pessoas LGBTQIAPN+13 e procurou uma aproximação mais calorosa com os participantes, além da renúncia aos privilégios do cargo, visíveis na forma como se comportava diante do clero brasileiro.

Em 2016, o evento voltou a ocorrer na Polônia, desta vez em Cracóvia, com o lema “Bem-aventurados os misericordiosos, porque encontrarão misericórdia”. Em 2019, aconteceu na América Central, especificamente na República do Panamá, em sua capital, com o tema “Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra”. E em 2023, última participação de Francisco, a Jornada aconteceu em Portugal, Lisboa, com o tema “Maria levantou-se e partiu apressadamente”14.

Diante do exposto, entendemos que o Papa Francisco deu um tom diferenciado ao evento em comparação àqueles presididos por seus dois antecessores. Aproveitou as jornadas para mobilizar os jovens para além da Igreja católica. Fez convocações para tal segmento atuar na sociedade em prol da sua transformação. Em Lisboa provocou a juventude a não ser a “geração do sofá”, mas a se mobilizar no espaço público para a construção de outros modelos de sociabilidade, principalmente outras culturas do fazer econômico para além da oferecida pelo “modelo global”.

Em 2025, ocorreu o Jubileu da Juventude como evento de preparação da próxima jornada em Seul, Coreia do Sul, em 2027, com o lema “Coragem! Eu venci o mundo” e com a presença do novo papa, Leão XIV15. Com esse histórico das jornadas, voltando para aquela realizada no Brasil, faz-se necessário frisar que este evento de massa se configura em uma performance pública em busca da coesão e da visibilidade católica para o segmento juvenil. A Igreja católica coloca em prática o que Mercier (2017) chama de “princípio da visibilidade”, permitindo que os jovens ocupem o espaço público em grandes cidades de países importantes para a recolocação católica.

No Brasil, o segmento juvenil que mais se mobilizou foi o intitulado “juventude católica institucionalizada” (Sofiati e Carranza, 2019), pertencente a diversas tendências e culturas juvenis católicas, mas sobretudo articulado em torno das estruturas formais e clássicas da instituição. O survey aplicado na JMJ do Rio, identificou “[…] altos índices de frequência à igreja e seus movimentos religiosos [...]” (Mariz, Mesquita, et al., 2019, p. 418). Os dados apontam para uma frequência alta das atividades da Igreja católica, sendo que 74,5% declararam que participavam de atividades da instituição mais de uma vez por semana e 19,1% pelo menos uma vez por semana. Mariz, Mesquita e Araújo (2019, p. 428) constatam que “[…] os jovens católicos brasileiros declararam participar mais da Igreja do que os católicos de fora do Brasil, e também mais do que evangélicos brasileiros”.

Na ocasião da JMJ do Rio, por meio da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), houve mobilização a partir das dioceses e arquidioceses, bem como nas paróquias de todo o país. A Igreja católica despendeu um montante considerável de verba e mobilizou um grande exército de mão de obra voluntária para organizar jovens católicos em todas as comunidades e regiões. Nesse sentido, a Jornada do Rio se estendeu para muitas localidades do país e durou mais que a semana que contaria com a presença do Papa Francisco no Rio de Janeiro.

Diferentes estratégias também foram colocadas em prática, muitas delas originárias dos movimentos contemporâneos de juventude como, por exemplo, o Flash Mob16, uma reunião repentina em espaço público de um grupo de pessoas para performance que chama a atenção para um determinado tema. Assim, entendemos que o evento representa a busca de adequação do catolicismo à contemporaneidade, e não um protesto sisudo contra ela, no sentido de mostrar para os jovens seu lado acolhedor, procurando demonstrar que a instituição tem espaço para as novidades representadas pelas novas gerações. Mariz, Gracino Júnior e Mesquita (2019, p. 265) entendem que: “Através desses movimentos, os jovens parecem aprender a integrar um discurso moderno sobre a escolha e autonomia individual com a opção pelo catolicismo e seus valores e suas críticas à sociedade mais ampla”. Não se trata de um momento de imposição dos padrões católicos para os jovens, mas de busca de aproximação com tal público, portanto. Entendemos que a Jornada do Rio se configurou em certo empoderamento da juventude católica institucionalizada frente ao crescimento da adesão juvenil ao campo evangélico pentecostal. Portanto, as jornadas se colocam como um momento de expressiva busca de abertura da Igreja católica para o mundo. Talvez seja a campanha de comunicação mais bem sucedida da Santa Sé, com uma estratégia de publicidade, visibilidade e, principalmente, de articulação das igrejas locais em todo o mundo (arquidioceses, dioceses, paróquias, comunidades, congregações, comunidades de vida, pastorais e movimentos eclesiais etc.) para a recuperação ou pelo menos tentativa de diminuição do ritmo de perda de fiéis.

Como demonstram os dados do Censo de 2022, houve um refreamento da diminuição de fiéis no catolicismo do país, cuja atuação entre os jovens tem sido marca na disputa dos catolicismos no concorrido mercado de bens de salvação. Conforme os números apresentados no início deste artigo, com o histórico dos recenciamentos das últimas décadas, entendemos que há a manutenção de certa estabilidade na diminuição do percentual de decrescimento católico: entre 1990 e 2000, diminuindo 8,4%; entre 2000 e 2010, 9,8%; e entre 2010 e 2022, com diminuição também de 8,4%. Além disso, no caso evangélico, os números apontam para uma desaceleração do crescimento: entre 1990 e 2000, de 6,4%; 2000 e 2010, de 6,2%; e 2010 e 2022, de 5,2%.

Em confluência com os dados censitários sobre religião, a pesquisa realizada na Jornada do Rio aponta, portanto, para uma realidade intrigante:

Com essas reflexões somadas à concepção de um catolicismo brasileiro mais voltado para festas, e com menor vinculação à prática institucional (missa), poderíamos supor que os jovens católicos brasileiros da JMJ não seriam muito praticantes, ou seriam menos do que os estrangeiros. No entanto, os dados que foram coletados no survey que analisamos nos surpreenderam: os jovens católicos brasileiros que estavam na JMJ se declaravam bem mais praticantes do que os de outras partes do mundo. A grande maioria dizia frequentar a Igreja mais de uma vez na semana, ou seja, além da missa semanal esses jovens participam de outras atividades relacionadas à Igreja (Mariz, Mesquita, et al., 2019, p. 416).

Diante do exposto, nosso entendimento é o de que tanto o culto mariano quanto a devoção juvenil contribuem para a desaceleração do crescimento evangélico e estabilização da perda de fiéis no campo católico.

Conclusão

Como se sabe, há nas ciências sociais da religião uma grande quantidade de estudos voltados à redução católica como contraface da expansão evangélica, sendo a sociologia da religião, neste e em muitos outros países, uma “sociologia do catolicismo em declínio” (Pierucci, 2004, p. 19). O presente artigo, porém, se voltou para dois fatores de força do segmento católico brasileiro na efetivação de determinada resistência ao crescimento evangélico, sem os quais o catolicismo seria, hoje, menor do que é. O primeiro e mais importante é o culto mariano a Aparecida, ela que prossegue sendo muito popular. Uma expressão disso é a grande quantidade de suas imagens em estabelecimentos comerciais diversos, a despeito do robusto contingente de evangélicos que compõe a clientela dessas empresas. Em certa medida, a devoção à padroeira do Brasil extrapola os limites do catolicismo, abrangendo parte dos adeptos de outras religiões, como a umbanda e o espiritismo, que têm Maria como destacado “guia” ou “espírito de luz”. As diversificadas romarias ao Santuário Nacional e as apresentações musicais nele de renomados cantores, como Roberto Carlos, contribuem para que este trunfo do catolicismo brasileiro prossiga bastante relevante.

Tem expressiva importância a sua basílica, que gerou contraofensiva pentecostal também com a edificação de grandes templos, e é objeto de intenso turismo religioso. Localizado no Vale do Paraíba, região de ocupação populacional antiga e, por conseguinte, marcada pela resistência da devoção católica (Gracino Júnior, 2012) o Santuário Nacional constitui um grande local de memória religiosa, além de relevante patrimônio cultural-arquitetônico do país. Trata-se do centro do circuito turístico próprio do catolicismo, havendo expressões parecidas em outros lugares, sobremaneira no Nordeste (Alves, 2009), e cujo ápice, em termos de festas e celebrações, se dá em 12 de outubro, de modo a propiciar amalgamento entre consumo, entretenimento e devoção católica enquanto um traço importante da identidade brasileira. Aparecida se caracteriza, efetivamente, como um trunfo católico devido à dificuldade de muitas pessoas abandonarem o culto mariano para se tornarem evangélicas. Permanece ela com força política, mobilizando mandatários e candidatos a importantes cargos públicos, perpassando diferentes classes sociais e sendo reivindicada pelo movimento negro em face da sua tão simbólica cor preta.

O outro fator de força católica contemplado neste artigo é a devoção juvenil, cuja face da Jornada Mundial da Juventude demonstra como a Igreja Católica ainda possui poder de mobilização das novas gerações. Isso não ocorre na igreja sem a negociação devida com os jovens da adesão aos princípios católicos, possibilitando a ressignificação de sua participação nos espaços institucionais. Há uma gama de culturas juvenis, evidenciadas na Jornada do Rio em 2013, que compõem o campo católico no país. Dentre elas, o papel de movimentos de conversão e reavivamento da fé católica tem sido significativo para a recuperação da adesão e do pertencimento juvenil no interior da instituição católica.

Assim, entendemos que tanto a devoção à Aparecida, mobilizadora fundamentalmente das gerações mais velhas, como as estratégias dos catolicismos de articulação dos fiéis jovens, mobilizados, sobremaneira, nas edições da Jornada Mundial da Juventude, configuram-se como dois fatores importantes de manutenção da resistência do catolicismo ao avanço evangélico no Brasil contemporâneo, que poderia ser maior, mas que foi refreado, conforme apontam os resultados do censo demográfico de 2022 (IBGE, 2025). Verifica-se, portanto, que a resistência católica se dá em duas frentes. A primeira, tradicional e ancorada na devoção popular aos santos, especificamente à Aparecida, com toda a sua história e seu patrimônio relacionado a certa identidade nacional católica. Já a segunda é alicerçada na juventude e tem como expressão maior a JMJ, decorrente de chamamento papal em prol do fortalecimento do vínculo católico das novas gerações, em face da realidade marcada pela pluralidade religiosa e cultural. Ambas se complementam na composição de certo vigor atual do catolicismo brasileiro.

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  • TOURINHO, F.; ET AL. Glossário da Diversidade Florianópolis: UFSC/SAAD, 2020.
  • 1
    Caso dos jovens que responderam ao chamado mundial do Papa Francisco, em 2019, pela busca de edificação de uma Economia de Francisco (em alusão a São Francisco de Assis) e formaram uma rede denominada Articulação Brasileira pela Economia de Francisco e Clara (ABEFC), em reverência também a Santa Clara, além de reivindicação de relações equilibradas entre homens e mulheres (Sofiati e Souza, 2021).
  • 2
    Cabe lembrar que seu avô, Dom Pedro I, também visitou a igreja, ainda na condição de príncipe regente e que a primeira basílica veio a ser inaugurada em 1888, mesmo ano da abolição da escravatura (Moreno, 2016). [^3]: O primeiro presidente da República a visitar Aparecida havia sido Rodrigues Alves, em 1902, inaugurando uma série de chefes de Estado que buscaram se identificar publicamente com ela (Pasin, 2015, p. 150).
  • 3
    A construção se deu durante a gestão do presidente Café Filho, mas havia ocorrido durante o segundo governo de Vargas, um ano antes, a doação de 10 milhões de cruzeiros para tal empreitada (Moreno, 2016, p. 94). Cabe dizer ainda que a festa da Padroeira - que antes variava entre os meses de maio, setembro e dezembro - veio a ser fixada no dia 12 de outubro somente em 1953 (Toniol, 2025).
  • 4
    Antes dele, Bento XVI fez uma visita programada entre 12 e 13 de maio de 2007, sendo Aparecida a única cidade brasileira a receber três pontífices (Moreno, 2016, p. 132).
  • 5
    Em termos de festa devocional com grande popularidade, a celebração de Aparecida em 12 de outubro pode ser comparada apenas ao Círio de Nazaré, em Belém do Pará, que ocorre no segundo domingo do mês de outubro, embora este com caráter regional.
  • 6
    Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/poder/2017/10/1926459-aparecida-e-padroeira-de-um-pais-cada-vez-menos-devoto-a-santos.shtml. Acesso em 10/07/ 2025.
  • 7
    Disponível em: https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2025/04/21/francisco-levou-milhoes-a-copacabana-na-1a-viagem-do-papado.ghtml. Acesso em 07/06/ 2025.
  • 8
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  • 9
    Disponível em: https://f5.folha.uol.com.br/celebridades/2025/05/show-de-lady-gaga-bate-recorde-de-publico-no-rio.shtml. Acesso em 07/06/ 2025.
  • 10
    Foram aplicados 974 questionários, sendo 424 com brasileiros (Mariz, Mesquita, et al., 2019, p. 414).
  • 11
    Disponível em: https://www.cnbb.org.br/a-historia-da-jornada-mundial-da-juventude-palavras-imagens-musica-emocoes/. Acesso em 07/06/ 2025.
  • 12
    Disponível em: https://noticias.cancaonova.com/infografico-linha-do-tempo-jmj/. Acesso em 10/07/ 2025.
  • 13
    Sigla que representa a diversidade de gênero e orientação sexual: lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros, queer, intersexo, assexuais, além de outras como, por exemplo, pansexual e não-binário (@ Tourinho e et al., 2020).
  • 14
    Disponível em: https://www.lisboa2023.org/pt. Acesso em 07/06/ 2025.
  • 15
    Disponível em: https://www.usccb.org/topics/world-youth-day. Acesso em 07/06/ 2025.
  • 16
    Disponível em: https://globoplay.globo.com/v/2702205/. Acesso em 10/06/ 2025.
  • Declaração de Disponibilidade de Dados
    Os dados de pesquisa não estão disponíveis.
  • Editoria:
    Eduardo Dimitrov
    Paulo Gracino de Souza Junior
    Mayra Goulart da Silva

Disponibilidade de dados

Os dados de pesquisa não estão disponíveis.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    23 Jan 2026
  • Data do Fascículo
    2025

Histórico

  • Recebido
    15 Jun 2025
  • Aceito
    14 Nov 2025
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