A institucionalização dos processos avaliativos como eixo central de melhoria da atenção primária é um desafio para os sistemas de saúde universais. O Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade instituiu um processo de avaliação baseado no desempenho alcançado na implantação e no desenvolvimento de elementos associados a um padrão de qualidade. Este estudo analisou a compreensão do programa sob a perspectiva dos gestores municipais de saúde na Região de Saúde do Crato, Ceará, Nordeste do Brasil. Os participantes foram secretários municipais de saúde e coordenadores da Atenção Primária à Saúde. Os dados foram coletados por meio de entrevistas semiestruturadas em junho de 2020, e a análise tomou como base os preceitos da análise de conteúdo. Três categorias empíricas foram identificadas: (1) A compreensão do PMAQ como política indutora de ambiência e gratificação; (2) Amplitude do programa na gestão da atenção básica: contribuições e desafios; e (3) O papel dos gestores: comprometimento e integração. Os achados evidenciaram dificuldades do programa em institucionalizar processos de avaliação e gestão das equipes. Foram observadas percepções divergentes sobre a capacidade de reorganizar o trabalho na gestão da atenção primária e sobre o impacto dos processos competitivos, sobrecarregando trabalhadores e causando desgastes psíquicos.
PALAVRAS-CHAVES
Atenção Primária à Saúde; Avaliação em saúde; Programas nacionais de saúde