Open-access ANTES DE A JUSTIFICAÇÃO: MEU ENCONTRO COM LAURENT THÉVENOT*

BEFORE ON JUSTIFICATION: ME AND LAURENT THÉVENOT

Resumo

O objetivo deste texto é reconstituir uma trajetória de trabalho conjunto entre mim e Laurent Thévenot, a partir dos interesses independentes que nos uniram no final dos anos 1970 e o começo da década de 1980 e se consubstanciaram na publicação de A justificação em 1991 (a edição brasileira é de 2020). Com isso, explora-se a maneira como Thévenot contribuiu para a sociologia pragmática em específico e à sociologia de maneira geral: sua capacidade de interpretação e reutilização criativa de aportes de várias disciplinas a ele externas (como a filosofia e as ciências cognitivas) e de promover diálogo entre suas áreas de origem, a estatística e a economia - nas quais apresenta contribuições revolucionárias elas próprias, com, na primeira, a discussão sobre suas construções de categorias, e, na outra, com a chamada economia das convenções - e a sociologia (pela qual se encantou e na qual se alistou a partir dali e segue até hoje), além de sua enorme disposição para promoção de encontros entre pessoas, foram fatores essenciais para uma importante renovação das ciências sociais.

Palavras-chave:
Laurent Thévenot; Sociologia Pragmática; Economia das convenções

Abstract

This paper aims to review the history of joint work between me and Laurent Thévenot, based on independent interests that united us between the late 1970s and the early 1980s and built up to the publication of On justification in 1991 (English edition in 2006). I describe how Thévenot contributes to pragmatic sociology in specific and to sociology in general: his ability to interpret and creatively reuse elements of various disciplines to which he is an outsider (such as philosophy and cognitive sciences) and to promote dialogue between his originary fields, statistics and economics - in which they present revolutionary contributions of their own, with, in the first, the discussion on its construction of categories, and, in the other, as the so-called economics of conventions - and sociology (in which he is enlisted ever since and remains to this day), in addition to his enormous willingness to promote dialogues between people, were essential factors for an important renewal of the social sciences.

Keywords:
Laurent Thévenot; Pragmatic Sociology; Economics of Conventions

Ao longo de muitos anos, meu pensamento e o de Laurent Thévenot, embora permanecessem independentes em muitos aspectos, efetivamente se uniram a ponto de, por vezes, quase se fundirem, e isso precisamente porque permaneceram independentes. Cada um acolheu e absorveu o que o outro trazia, e acredito que isso sempre se deu em benefício do trabalho comum. Mas essa criação a dois foi sustentada por um arcabouço mais amplo, em processo de formação, composto por pesquisadores das ciências sociais que seguiam um caminho paralelo e nos inspiravam, e por alguns jovens, em geral mestrandos ou doutorandos, cujo entusiasmo estimulou o que nos parecia ser uma mudança de perspectiva, até mesmo uma ruptura. Revisemos esse percurso.

ENTRE ESTATÍSTICOS E SOCIÓLOGOS: A QUESTÃO DAS CATEGORIAS

Nesse círculo a que aludi, alguém foi particularmente importante, para mim e, creio, também para Laurent: Alain Desrosières1. Foi por meio dele que Laurent e eu nos conhecemos e fomos progressivamente nos direcionando para um trabalho conjunto. Alain, que nos deixou há mais de dez anos [ele morreu em 15 de fevereiro de 2013, aos 72 anos], prematuramente e ainda no auge de sua criatividade, foi uma personalidade formidável, tanto intelectual quanto simplesmente em termos humanos. Foi em grande parte ele quem, tirando proveito dos cursos oferecidos por Pierre Bourdieu na École Nationale de la Statistique et de l’Administration Économique (Ensae), a prestigiosa escola em que eram formados os estatísticos do Institut National de la Statistique et des Études Économiques (Insee)2, deu início a uma historiografia dos usos sociais da estatística, do papel que desempenharam tanto na administração dos estados europeus quanto no desenvolvimento das ciências sociais. E se tratava de um homem de uma generosidade absolutamente extraordinária. Ele não guardava nada para si, oferecendo a todos tanto suas mais brilhantes ideias quanto seus conhecimentos, em ambos os sentidos do termo: no de conhecimento e no de relações. Ele conhecia bem a arte de aproximar, de colocar em contato: as correntes intelectuais, as disciplinas e as pessoas.

Naquela época (final dos anos 1970), eu ainda estava no laboratório dirigido por Bourdieu, o Centro de Sociologia Europeia (CSE)3, no qual ingressei ainda estudante, após frequentar seus cursos na Sorbonne, e onde aprendi praticamente tudo o que sabia sobre sociologia4. Desrosières, que tinha frequentado os seminários de Bourdieu, estava naquele momento participando mais ativamente dos trabalhos do laboratório. Bourdieu, que vinha da filosofia e da antropologia social, havia chamado a atenção dos estatísticos para uma dimensão de sua atividade a cuja importância esses matemáticos tendiam a não dar atenção: o papel desempenhado pelos processos de categorização na construção de resultados estatísticos - se se preferir, a importância não apenas dos números, mas também das palavras que designavam as categorias entre as quais os números eram distribuídos. Eu mesmo havia publicado, algum tempo antes, na Revue Française de Sociologie, um artigo crítico (Boltanski, 1970) sobre a maneira como os estatísticos do Insee apresentavam estatísticas de consumo alimentar em função da categoria socioprofissional sem levar em conta as categorias implementadas por membros de diferentes classes sociais para representar e classificar os alimentos e para os descrever em termos de como eles poderiam ser desejáveis ou, ao contrário, mais ou menos repulsivos. Para demonstrá-lo, lancei mão de uma pesquisa sobre a relação com o corpo de acordo com a classe social (Boltanski, 1971). Esse artigo circulou entre estatísticos e foi durante uma discussão sobre o assunto que me aproximei de Desrosières.

Nesse período, distanciei-me um pouco do funcionamento e da vida coletiva do CSE, bem como da revista Actes de la Recherche en Sciences Sociales5, que me ocupara enormemente nos anos anteriores, e comecei a escrever um livro, que se tornaria Les cadres (Boltanski, 1982), sobre os processos que levaram à formação de uma nova categoria social na França: a dos gestores ou quadros executivos (cadres). Ora, a formação das categorias de classes sociais e ocupacionais, ou mais precisamente, para usar a linguagem do Insee, das categorias socioprofissionais (CSPs), era precisamente a área em que Desrosières se colocava a trabalhar. Ele fazia uma historiografia da formação das categorias socioprofissionais (Desrosières & Thévenot, 1988).

Alain [que se tornaria diretor do órgão] ainda havia sido incumbido pela direção do Insee de liderar um grupo de trabalho para revisar o quadro oficial das CSPs, concebido no imediato pós-guerra, a fim de alinhá-lo a um mundo do trabalho que havia mudado consideravelmente desde então. Na época, ele trabalhava nesse projeto sobre as categorias socioprofissionais com um jovem oriundo da École Polytechnique, Laurent Thévenot. Alain tinha a minha idade e Laurent era nove anos mais novo. Ele o levou para o seminário no CSE e foi assim que o conheci. Desrosières era um pouco mentor de Thévenot nos temas em que trabalhávamos na época, mas nutria uma grande admiração por sua inventividade e inteligência, que imediatamente quis que eu partilhasse.

Rapidamente formamos um pequeno grupo de trabalho e de amizade em torno de questões localizadas no cruzamento entre problemas estatísticos, problemas de classificação/categorização/nomenclatura e questões relacionadas a classes sociais e a sua formação. Foi algo denso e ultrapassou as relações profissionais para ter continuidade nos fins de semana, no rinque de patinação com as crianças etc. E muito embora nós três estivéssemos ancorados na esquerda, ou mesmo na extrema-esquerda, nos opúnhamos ao marxismo dogmático então em voga, que pensava as classes por derivação de uma análise formal das relações de produção etc. Mas também nos distanciamos da noção de habitus, que desempenha um papel central na construção bourdieusiana. Nos parecia que ela não conseguia dar conta da relação, central e complexa na sociologia, entre, por um lado, as abordagens micro, que analisam as relações interpessoais, e, por outro, as totalidades, designadas pelo termo sociedade. Esse é, como sabemos, um dos grandes problemas talvez não resolvidos da sociologia. Por vezes temos a impressão de haver duas sociologias diferentes, uma partindo das interações entre pessoas em pequenos grupos e outra partindo das totalidades, que agregam muitos seres e instituições. E temos ainda a impressão de ser muito difícil interligar essas duas sociologias.

Nossa abordagem consistiu em observar empiricamente e analisar a maneira como as classes sociais e, de modo mais geral, os grupos, eram representados ou se representavam, a maneira como se formavam fusões associando grupos supostamente diferentes ou, inversamente, distinções conduzindo à dissolução de grupos aparentemente consistentes. Ao fazê-lo, nos engajamos em um caminho que perseguiríamos posteriormente, por vezes de maneiras distintas, consistindo em perceber que as operações de conhecimento e representação, supostamente realizadas pelo sociólogo, munido de recursos de sua ciência, eram, na verdade, incessantemente realizadas pelos próprios atores sociais comuns. Nessa medida, a tarefa do sociólogo tornou-se a de compreender, descrever e, possivelmente, modelizar uma competência social, aquela segundo a qual os atores não cessam de performar o social. Esse caminho se aproximava daquele seguido na mesma época por sociólogos voltados para a etnometodologia e por pesquisadores então relativamente isolados, como Bruno Latour (1983, 1989; Latour & Strum, 1986; Latour & Woolgar, 1988) ou Jeanne Favret-Saada (1968, 1977).

No decorrer do trabalho sobre a formação da categoria quadros executivos, decidi, um pouco ao sabor de onde a pesquisa ia levando, por um lado coletar todas as pesquisas disponíveis sobre os cadres, realizadas por instituições públicas ou por organizações privadas, e comparar as distribuições de acordo com as categorias implementadas e a forma como a amostra havia sido definida. Encontrei variações muito significativas entre as pesquisas, particularmente no que diz respeito a executivos autodidatas, ou seja, aqueles sem diploma universitário, o que variava consideravelmente de uma pesquisa para outra (Boltanski, 1978).

Ao mesmo tempo, conduzia uma pesquisa historiográfica sobre a formação da categoria, em torno das grandes greves de 19366, e sobre as reflexões e disputas que acompanharam a definição e a formação dessa tipologia supostamente nova, acompanhadas por uma série de inclusões e exclusões. O que encontrei não se assemelhava a nada do estabelecido: nem à repentina consciência da própria posição nas relações de produção evocadas pelos marxistas, nem às afinidades produzidas no decurso da vida cotidiana pela longa atuação do habitus, nem ainda a um horizonte histórico habitado pela perspectiva de uma revolução ou uma contrarrevolução. Em vez disso, indicava uma situação de profunda incerteza, na qual diferentes grupos se encontravam impelidos a se definir de maneira a, especialmente, se tornarem capazes de interlocução com o Estado. Esse ainda era o caso na época, na década de 1970, quando conduzi minha pesquisa. Quando perguntei aos líderes de organizações que reuniam esses cadres (um nome de categoria especificamente francês e desconhecido no mundo anglo-saxão) o que significava esse título, eles geralmente respondiam que não sabiam muito bem e me encaminhavam para os sociólogos do trabalho que, como Alain Touraine7 ou Michel Crozier8, haviam trabalhado no assunto.

A PRESENÇA INOVADORA DE LAURENT THÉVENOT

Naquela pequena equipe, Thévenot rapidamente se destacou e demonstrou vantagens em relação aos interesses dos mais velhos. Isso, sem dúvida, em parte ocorreu porque sendo, como disse, quase dez anos mais novo que nós, e tendo permanecido próximo dos oriundos da École Polytechnique de sua geração, ele conseguiu, com muito mais facilidade do que Desrosières ou eu, distanciar-se das problemáticas de orientação marxista ou daquelas baseadas em uma concepção substancialista das estruturas sociais, tratadas como se tivessem agência própria, e que eram dominantes em nosso meio. E, com isso, ele pôde voltar seu interesse para os seres com os quais as pesquisas nos colocavam em contato, não como “agentes” cujo “comportamento” era dominado por sua posição nas “estruturas”, mas como atores, que desenvolviam - por meio de um trabalho cognitivo bastante próximo daquele implementado pelos próprios sociólogos - uma interpretação do mundo social, do lugar que nele ocupavam e, consequentemente, também de sua própria identidade. Além disso, Thévenot, naquela época, embora apaixonado pela sociologia, definia-se mais como economista, e foi também um dos pesquisadores que, em nível global, mais contribuiu para a aproximação entre economia e sociologia, notadamente por meio da economia das convenções9, desenvolvida por um coletivo que incluía economistas como Olivier Favereau, André Orléan, François Eymard Duvernay10 etc., entre os quais Thévenot desempenhou, a meu ver, um papel decisivo, pois também contava com grande capacidade de compartilhar seus objetivos e de organizar pesquisas coletivas. De modo mais geral, Laurent, intelectualmente muito ativo e curioso e, de certa forma, por natureza, transdisciplinar, enriqueceu nosso pensamento com muitas contribuições, por exemplo, da filosofia política e moral ou das ciências cognitivas, que se desenvolviam particularmente no contexto do Centre de Recherche d’Épistémologie Appliquée (Crea), que Jean-Pierre Dupuy11 acabara de fundar, e que Laurent frequentava assiduamente desde sua criação. Eram elementos de conhecimento desconhecidos, até mesmo rejeitados, no ambiente que era até então o meu, onde era preciso praticamente se esconder debaixo de lençóis para ler Hannah Arendt ou Paul Ricœur. Não conheci ninguém como Laurent capaz de sintetizar contribuições de horizontes tão diversos e distantes quanto os do CSE de Pierre Bourdieu e os do Crea de Dupuy. Thévenot. Na época em que começamos a trabalhar juntos tinha, então, por assim dizer, duas famílias, que não se comunicavam de forma alguma sem passar por dele, e que ele não hesitava em fazer se comunicar. De um lado, havia pesquisadores bastante bourdieusianos, vindos mais de uma esquerda social, concentrados em temas como relações classe e mais sociólogos. De outro, os pesquisadores do Crea, mais próximos da lógica e das ciências cognitivas. Essas duas famílias eram um pouco como a École Normale Supérieure (onde Bourdieu se formou) e a École Polytechnique (onde se formou Thévenot), uma oposição muito estruturante na vida intelectual francesa. François Dosse (1995) foi o primeiro a descrever, em um livro publicado alguns anos depois, o ocorrido entre as décadas de 1980 e 1990 nas ciências sociais francesas. Foi uma renovação lenta das ciências sociais, sem um grande líder ou um manifesto ruidoso, mas que criou um movimento verdadeiramente inovador, que mais tarde seria vinculado ao pragmatismo americano, embora as fontes desse movimento fossem muito mais diversas12. Mas para realmente entender o que se deu naquele período, acredito ser necessário retornar aos anos seguintes aos eventos de maio de 1968, cujos efeitos foram profundamente ambíguos, marcados por duas inflexões ao mesmo tempo opostas e complementares. Por um lado, um ressurgimento do marxismo, impulsionado pelas correntes maoístas; e, por outro, um gradual abandono das explicações deterministas associadas às grandes filosofias da história, sendo esta última tendência ligada, a meu ver, ao início da crise das ideias de progresso e evolução que haviam sustentado a sociologia e, talvez de forma mais geral, as ciências sociais, na França, pelo menos desde Auguste Comte. Ora, essas ideias foram colocadas em questão pela descolonização, por um lado, e pela ecologia política, por outro, sem mencionar a crescente conscientização sobre a ameaça de uma guerra nuclear, reavivada pelos movimentos contra a Guerra do Vietnã, muito ativos nas décadas de 1960 e 1970.

UMA PRIMEIRA PESQUISA COMPARTILHADA: ‘ENCONTRAR SEU CAMINHO NO ESPAÇO SOCIAL’

Discutir em detalhes tudo que o trabalho com Laurent me ensinou naquela época exigiria um artigo bem mais longo ou mesmo um livro. Mas posso dizer que uma das coisas mais úteis que aprendi com ele foi sem dúvida a importância da modelização, que ele certamente deve a sua familiaridade com matemática e ao seu conhecimento de economia. Fizemos isso juntos ao escrever A justificação (Boltanski & Thévenot, 2020[1991]), que acredito ser um bom exemplo de modelização a partir de uma massa a priori bastante heterogênea de dados empíricos. Agora, olhando para trás deste ponto em minha vida, penso que Thévenot foi uma das duas ou três pessoas que mais me ensinaram. Ele tem a impressionante capacidade de muito rapidamente absorver e reutilizar o que absorveu em sínteses novas e originais. E, com isso, trabalhar com ele acabava por se parecer com uma espécie de jogo, e nos divertíamos muito, ao mesmo tempo que fazíamos coisas muito sérias.

A primeira pesquisa empírica que conduzimos juntos (Boltanski & Thévenot, 1983) se concentrou, então, sobre as categorias socioprofissionais, as classes sociais etc., mas de uma forma, hoje refletindo, bastante original. Um dos objetivos desse trabalho foi colocar à prova o grau em que os atores sociais tinham adotado as CSPs e de alguma forma as integrado a seus sistemas cognitivos, sociais e políticos; buscar compreender até que ponto os indivíduos se apropriaram dessas CSPs, que de origem são uma construção estatística e burocrática com o objetivo de institucionalizar classificações operadas de formas desordenadas ao longo da história e que se tornariam ferramentas básicas do Estado de bem-estar social.

O procedimento utilizado foi o seguinte. A educação continuada em departamentos governamentais e empresas havia crescido consideravelmente nos anos precedentes, e muitas entidades ofereciam cursos de treinamento, mas eles eram geralmente pagos. Entramos em contato com chefias em busca de formação continuada e nos oferecemos para conduzir para seus funcionários sessões de três dias de familiarização com a sociologia e de desenvolvimento de seus “sentidos sociais” - no sentido uma capacidade perceptiva para a vida social, correlata à visão, à audição etc. -, ou de seus “sensos sociais”, se se preferir, e nos oferecemos para fazê-lo gratuitamente. Em troca, solicitamos o direito de utilizar as informações coletadas durante essas sessões de treinamento para nossa pesquisa. Realizamos, então, cerca de 20 sessões com grupos muito diferentes, a cada vez compostos por cerca de 15 pessoas, compreendendo desde quadros executivos de uma empresa pública a desempregados e trabalhadores em formação, funcionários de escritório etc. Cada uma dessas sessões ocorreu da seguinte forma.

Preparamos vários exercícios, apresentados como jogos - e pelo menos alguns desses exercícios tinham um verdadeiro elemento lúdico - que os participantes tinham que enfrentar, individualmente ou em equipes. Esses jogos foram inspirados pela pesquisa realizada por Laurent e Alain Desrosières no Insee, onde se propuseram a observar mais minuciosamente operações centrais para a produção de estatísticas, em que os estatísticos pouco se dignavam a se interessar: as operações de codificação de questionários realizados por funcionários subordinados (Desrosières & Thévenot, 1979).

Essas operações desempenham um papel determinante nos resultados de pesquisas estatísticas e colocam em ação não apenas o bom conhecimento dos operadores sobre categorias/nomenclaturas, mas também, especialmente diante de casos difíceis ou atípicos, seus sensos sociais ordinários, suas compreensões não profissionais e cotidianas de como as coisas são entendidas na vida social comum. Também nos baseamos em pesquisas de antropologia social dedicadas à análise das categorias usadas por membros de diferentes sociedades para estabelecer classes de objetos e as nomear, em vários domínios - parentesco, alimentação, doenças, plantas etc. -, empreendimentos conduzidos no âmbito de uma antropologia cognitiva então em pleno desenvolvimento.

O primeiro exercício consistiu em os participantes serem solicitados a trabalhar em duplas para classificar fichas de registro censitário, nas quais foram anotados nomes de profissões, com a instrução de “colocar junto o que deve estar junto”, ou seja, compor categorias ocupacionais amplas. Em uma segunda etapa, cada equipe anotava no quadro as categorias assim definidas e se iniciava uma discussão geral com o objetivo de produzir uma nomenclatura única a partir dessas diferentes classificações.

Em um segundo exercício, demos aos participantes a tarefa de selecionar propriedades para descrever “executivos altamente executivos” e “operários altamente operários”. Esse exercício foi inspirado no trabalho de Eleanor Rosch (1978), uma antropóloga que estava transformando o conceito de taxonomia ao mostrar que operações de classificação concretas eram realizadas a partir de pontos categoriais centrais, ou seja, concentrando-se em casos típicos e atribuindo pouca importância aos casos localizados nas zonas limítrofes entre as categorias.

O terceiro exercício transcorreu da seguinte maneira: (i) cada participante recebeu um conjunto de cartas, como um baralho, cada carta trazendo uma pergunta, retirada de um questionário respondido por uma pessoa real, mas ocultada. E essa pergunta era apresentada sozinha, sem se revelar a resposta; (ii) a cada pergunta era dado um preço, com base no grau em que a resposta a ela estivesse estatisticamente associada a uma categoria profissional; (iii) fornecemos a cada participante uma quantia fictícia de 100 francos - sim, era uma época em que ainda usávamos francos, substituídos posteriormente (em 2002) pelos euros; (iv) os participantes tinham que encontrar a categoria socioprofissional e a profissão específica da pessoa oculta comprando perguntas com esse dinheiro. O vencedor era quem conseguisse dar a resposta correta gastando o mínimo; (v) e por fim solicitamos a cada participante que descrevesse o raciocínio seguido para se chegar a seu resultado.

Esse exercício consistia efetivamente em um jogo, mas nos permitiu estudar o papel desempenhado pelas classificações na implementação do que podemos chamar de sentido ou senso social (mais uma vez, uma faculdade perceptiva/cognitiva) de que cada um de nós lança mão para se orientar no mundo social. Os resultados foram inicialmente bastante surpreendentes. Os piores no jogo foram quadros executivos com alto nível de escolaridade e ocupantes de posições elevadas na hierarquia; os melhores, pessoas que mudavam frequentemente de posição social e naquele momento em situação de fragilidade. De modo geral, as mulheres tiveram um desempenho muito melhor que o dos homens. Mas isso foi nada surpreendente: um homem, que chega a uma posição de poder em um mundo “patriarcal”, não precisa implementar um senso social sofisticado, pois o mundo social se apresenta a ele de forma predefinida. Por outro lado, pessoas em condições instáveis precisam desenvolver grande competência social para sobreviver. Um exemplo desse tipo de competência manifestada no jogo me vem à mente: um homem na casa dos 40 anos, comissário de bordo na indústria da aviação, e que ironicamente se apresentou como “aeromoça”. Eis como ele descreve o raciocínio que seguiu para descobrir a pessoa oculta, uma cabeleireira em um bairro parisiense chique. Ele primeiramente tira do baralho o bairro em que ela trabalha (o 7º arrondissement, onde se localizam a Torre Eiffel, o Champ de Mars, os Invalides e o Museu de Orsay), depois o carro (um Lancia, marca italiana); e disso extrai uma conclusão inicial de que a CSP devia ser a de uma profissão burguesa. Mas, em seguida, ele compra a resposta a uma pergunta sobre os programas de televisão preferidos e, na lista, encontra um programa muito “popular”, portanto desprezado pela burguesia - o que indica que ela não é uma burguesa, logo deve atender a essa classe. E foi assim que chegou à resposta correta: “Deve ser uma cabeleireira”.

A participação nessas sessões poderia ter um efeito desestabilizador sobre as pessoas que haviam concordado em participar desses jogos. No final, entretanto, fazíamos uma boa apresentação, muito positivista, sobre a estrutura social da França, para ajudá-los a restaurar o significado da noção de “sociedade”.

A GRADUAL FORMAÇÃO DO GROUPE DE SOCIOLOGIE POLITIQUE ET MORALE (GSPM)

Infelizmente, essa pesquisa, de natureza exploratória, não foi seguida por outros trabalhos sobre o mesmo tema. Não obstante, publicamos um artigo em inglês na Information sur les Sciences Sociales (Boltanski & Thévenot, 1983), depois passamos a outros assuntos, cada um sob uma perspectiva diferente, antes de voltarmos a nos reunir para escrever A justificação. Laurent retornou à economia e escreveu um artigo muito importante, do qual deriva em grande parte a economia das convenções. Trata-se de “Les investissements de forme” (“Os investimentos de forma”) (Thévenot, 1984), no qual as ações econômicas são analisadas em relação às interações que as tornam possíveis e às convenções que sustentam essas interações. O estabelecimento dessas “formas” convencionais é ele próprio tratado como um investimento (algo portanto dispendioso), essencial para coordenar os atores - pessoas, instituições, coisas - a participarem das transações econômicas.

De minha parte, continuei a pesquisa que conduzia, logo depois de Les cadres, sobre pessoas (muitas vezes, na época, quadros executivos autodidatas levados à demissão) que escreviam a jornais para denunciar as injustiças das quais eram, ou acreditavam ser, vítimas. Quando entrevistadas, essas pessoas falavam dos processos em que se encontravam envolvidas, referindo-se a eles como “casos” (affaires): “Vou lhe contar meu caso”, diziam durante a entrevista, e então iam buscar um enorme dossiê contendo todos os documentos de seu caso, como passagens de ônibus ou notas fiscais de restaurante, que serviam como prova na narrativa de suas histórias.

Mas, após esses movimentos, chegou um momento em que a direção que Laurent, por um lado, e eu, por outro, havíamos dado a nossos trabalhos não era mais verdadeiramente compatível com nossa participação nas atividades do CSE. Meu trabalho sobre denúncias de injustiça social foi finalmente publicado em Actes de la Recherche… (Boltanski et al., 1984)13, mas Bourdieu se recusou a publicar na revista o artigo de Thévenot sobre os “investimentos de forma”, o que, na minha opinião, foi um erro. De fato, “La dénonciation” foi o último artigo que publiquei no periódico. O fato de ele não ter sido bem recebido no grupo e a recusa em publicar o texto de Laurent marcaram, parece-me, o momento em que tomamos consciência da necessidade de nos tornarmos autônomos e desenvolver nossas atividades independentemente do laboratório - mas ainda mantendo boas relações com o CSE. Isso se tornou possível por volta de meados da década de 1980. Por um lado, eu havia sido nomeado directeur d’études14 da École des Hautes Études en Sciences Sociales (EHESS) e Laurent foi também nomeado logo após15. Por outro lado, em parte por razões administrativas, ligadas a sua nomeação (em 1982) para o Collège de France, Bourdieu não pôde mais liderar o CSE sozinho. Pois a partir do CSE, formaram-se três grupos, que, no entanto, mantiveram vínculos entre si. Laurent e eu assumimos a liderança de um grupo minoritário, um pouco dissidente, juntamente com Michael Pollack, um grande pesquisador e grande amigo que se dedicava ao estudo sociológico dos efeitos da epidemia de aids16 e que, infelizmente, faleceu alguns anos depois (1992, aos 43 anos) dessa doença, o que foi uma grande perda para nós e para a sociologia em geral. Chamamos nosso grupo de Groupe de Sociologie Politique et Morale (Grupo de Sociologia Política e Moral), uma designação que causou certo descontentamento entre os colegas mais marxistas, chocados ao ver o termo moralidade associado ao termo política, mas que nos convinha por suas ressonâncias durkheimianas17 e, sobretudo, por expressar bem a intenção de nossa pesquisa de recolocar no centro do trabalho sociológico a atenção dada às inquietações morais dos atores e às competências por eles mobilizadas para implementar mecanismos políticos capazes de reduzir o nível de incerteza em que a vida social está mergulhada. Nesse desmembramento, tínhamos herdado pouquíssimos recursos, mas o essencial para nós era que cada um contava com seu próprio seminário e alunos cujas dissertações e teses orientávamos. Também realizamos muitos seminários conjuntos, o que muitas vezes era uma ocasião para convidar pesquisadores cujo trabalho ia na mesma direção que o nosso e, particularmente, Bruno Latour.

RUMO À ESCRITA DE A JUSTIFICAÇÃO

Foi nesse contexto que foi concebido e escrito A justificação, publicado em sua forma final em 1991. O livro nasceu na confluência da obra de Laurent, que contribuiu para a renovação da economia, processo no qual a economia das convenções desempenhou um papel importante, e do citado trabalho que eu empreendia sobre a denúncia de injustiças e, de forma mais geral, sobre o significado de justiça (Boltanski, 1990; Boltanski et al., 1984). À primeira vista, esses dois projetos de pesquisa teriam pouco em comum. Mas ambos foram inspirados por uma concepção semelhante de como abordar o mundo social e compreender a maneira como algo como ordens sociais poderia tomar forma, combinando as ações de uma pluralidade de atores, cada um deles dotado de competências, vontade e relativa autonomia.

Entre essas competências, estávamos particularmente interessados nas de ordem moral, que estão inextricavelmente ligadas às competências críticas, o que nos levou a dar atenção especialmente a disputas nas quais as pessoas discutem particularmente sobre suas concepções de bem, e que podem assumir a forma de uma série de críticas e justificativas. Esse modelo tornou possível conceber um mundo social como o cenário de um processo permanente durante o qual os atores, no decurso de suas disputas, implementam seu senso de legitimidade e do ajustamento de certas ações de acordo com a situação em que se encontram (Boltanski & Claverie, 2007) e ao mesmo tempo analisar no âmbito do mesmo quadro acordos e desacordos ou, para mobilizar termos mais tradicionalmente sociológicos, consenso e crítica. Isso nos levou a observar como os atores, dotados de reflexividade, encontravam recursos para desenvolver críticas e a elas responder, capacidades que uma sociologia determinista tendia a reservar para o sociólogo crítico. Esse tratamento, entretanto, como se sabe, contrastava fortemente com um modelo então concorrente, que levava à interpretação de relações sociais antes de tudo em termos de dominação.

Queríamos tentar entender os meios implementados pelos atores para andaimar, edificar algo ao fim e ao cabo provisório como laços sociais e ordens sociais. Este era, para nós, o cerne da sociologia: a ideia de que ela consiste em uma epistemologia, de modo que aqueles dotados dessa competência - fazer ciência social - são as próprias pessoas quando agem, fazem política, se organizam, falam, trabalham etc., de modo que, como disse, a sociologia poderia ser vista como um tipo de epistemologia com a tarefa de tornar o mais explícita possível o raciocínio e a implementação dessa ciência social, frequentemente manobrada de forma implícita e apressada. A sociologia, assim entendida, apresenta-se como a análise das capacidades implementadas pelos atores para construir algo como ordens sociais. E isso para nós representava também uma maneira de responder à famosa questão do micro e do macro - a das escalas -, do que é do nível das interações entre pessoas e o que diz respeito ao grande nível societal, com a ideia de que esse nível societal é uma das fabricações dos humanos, que se projetaram de alguma forma em seres abstratos, criados por convenção, e lhes dotaram de porta-vozes.

Parte do trabalho empírico por nós utilizado para ilustrar o quadro exposto em A justificação foi realizado no âmbito de pesquisas coletivas ou teses e discutido em seminários conjuntos. Essas pesquisas e os doutorandos que dela participaram foram integrados ao pequeno laboratório que havíamos estabelecido, o GSPM. Contávamos, como disse, com recursos limitados. Mas recebemos apoios, notadamente do Centre d’Etudes de l’Emploi (Centro de Estudos sobre o Emprego), dirigido por François Eymard-Duvernay e do qual Laurent também foi uma das principais lideranças científicas. Esse centro lançava cadernos periódicos, nos quais foram publicados vários dos projetos de pesquisa realizados em torno de A justificação18.

Uma das características distintivas de nosso laboratório era sua natureza transdisciplinar. Ele foi formado pelo acolhimento de pesquisadores de diferentes disciplinas, unidos por preocupações teóricas semelhantes, particularmente pela de se manter afastado do que poderíamos chamar de conservadorismo disciplinar. Para todos, tratava-se de romper com concepções hiperdeterministas do social, que, ao colocar o Social com S maiúsculo (como havia sido o caso da História com H maiúsculo) na condição de sujeito de verbos de ação, permitia não se interrogar o bastante sobre as diferentes maneiras pelas quais esse social é ele próprio construído pela combinação de uma pluralidade de ações realizadas por atores, muitas vezes na tentativa de se libertarem da incerteza e escaparem da contingência. Assim, participaram regularmente do trabalho de nosso grupo, ao lado de sociólogos, pesquisadores da antropologia (como Elisabeth Claverie19), da economia, da filosofia, da ciência política, entre outras áreas.

Esse empreendimento conjunto teve continuidade, após a publicação de A justificação, por mais de 20 anos. Por exemplo, por ocasião da tradução e publicação do livro no Brasil20, em 2020, Laurent Thévenot e eu escrevemos um longo prefácio que retraça a maneira como o trabalho que realizamos juntos, na segunda metade da década de 1980, desempenhou um papel seminal em nossas pesquisas subsequentes. Em cada uma delas, exploramos, por caminhos próprios, mas em paralelo, as perspectivas abertas por aquele trabalho.

Agradecimentos:

Nenhum.

REFERÊNCIAS

  • Bogusz, Tania. (2014). “Why (Not) Pragmatism?”. In: Susen, Simon & Turner, Brian S. The Spirit of Luc Boltanski: Essays on the ‘Pragmatic Sociology of Critique’ London: Anthem, p. 129-152.
  • Boltanski, Luc. (1970). “Taxinomies populaires, taxinomies savantes: Les objets de consommation et leur classement”. Revue Française de Sociologie, XI/1, p. 34-44.
  • Boltanski, Luc. (1971). “Les usages sociaux du corps”. Annales: Economies, Sociétés, Civilisations, 26/1, p. 205-233. https://doi.org/10.3406/ahess.1971.422470
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  • *
    Depoimento recolhido em 27 setembro de 2025 em Paris por Frédéric Vandenberghe e transcrito pelo próprio. Traduzido e adaptado por Alexandre Werneck.
  • 1
    Para a principal referência do autor, ver Desrosières (1993).
  • 2
    Órgão estatal francês responsável pela produção de indicadores socioeconômicos oficiais sobre o país, desempenhando papel semelhante ao do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística no Brasil (N.T.)
  • 3
    Atualmente, Centre Européen de Sociologie et de Science Politique (Cessp), a partir da fusão, em 2010, do CSE com o Centre de Recherches Politiques de la Sorbonne (CRPS) (N.T.).
  • 4
    Para uma revisão biográfica sobre esse período da vida de Boltanski, ver Boltanski et al., (2024) (N.T.).
  • 5
    A revista Actes de la Recherche em Sciences Sociales foi criada em 1975 por Pierre Bourdieu e pesquisadores do CNE - com papel central de Boltanski na fundação e operação, até sua saída do CNE (Boltanski et al., 2024). O principal diferencial da publicação, que se tornaria o bastião da sociologia bourdieusiana, era romper de forma libertária com certas exigências científicas consideradas pelo grupo por demais ortodoxas, como a padronização de formato e a avaliação por pares - a decisão de publicação era dos editores, chefiados por Bourdieu (Boltanski, 2009). O periódico permanece ativa até hoje, embora sob uma nova configuração, como uma das mais prestigiosas das ciências sociais (N.T.).
  • 6
    A “grande greve de maio-junho de 1936” consistiu em um conjunto maciço de movimentos grevistas espontâneos que se seguiram à chegada ao poder da chamada Frente Popular, aliança de vários partidos de esquerda no entreguerras. O movimento paralisou de forma quase completa vários setores do país do meio de maio até na verdade a metade de julho (quando foram concluídos os acordos), congelando das indústrias de base e automobilísticas ao comércio, a aviação civil e várias empresas de atuação burocrática (como alguns bancos). Ao final da greve, foram aprovadas medidas como os contratos coletivos de trabalho, as 40h semanais, as leis de férias remuneradas e a presença de sindicatos nas empresas (N.T.).
  • 7
    Ver, por exemplo, entre muitos outros, Touraine (1966) (N.T.).
  • 8
    Ver, por exemplo, entre muitos outros, Crozier e Friedberg (1977) (N.T.).
  • 9
    Sobre isso, ver o texto de Paulo Niederle, neste mesmo dossiê (N.E.).
  • 10
    Para referências sobre os autores, especialmente sobre a economia das convenções e os pontos de contato com a sociologia pragmática, ver: Favereau (1988); Orléan (2011); e Eymard-Duvernay e Marchal (1997) (N.T.).
  • 11
    Para uma referência sobre o autor, ver: Dupuy (1982) (N.T.).
  • 12
    A abordagem empreendida a partir do trabalho de Thévenot e Boltanski foi de imediato (e é até hoje) denominada de sociologia pragmática - embora sua ideia de pragmática pareça ter mais a ver com a linguística do que com a filosofia de Charles Peirce, William James, John Dewey, George Herbert Mead etc., o que é inclusive reconhecido por ambos. No final dos anos 2000, Boltanski (2009) passou a chamá-la de sociologia pragmática da crítica, reforçando seu compromisso com a parcela mais ligada às disputas e controvérsias socais do projeto original, enquanto Thévenot seguiu com o nome sociologia pragmática, mantendo um investimento no problema das categorias e, notadamente, das coordenações, especialmente com seu trabalho sobre regimes de engajamento (Thévenot, 2006). Para um debate crítico sobre as relações imprecisas entre a sociologia pragmática, o pragmatismo filosófico e as sociologias pragmatistas (deste oriundas), ver Breviglieri e Stavo-Debauge (1999), Stavo-Debauge (2012) e Lemieux (2018). Para análises sobre o quão pragmatista pode ser a sociologia pragmática, ver Werneck (2012), Bogusz (2014) e Corôa (2021: 55-90); para uma planta baixa dos elementos de uma sociologia pragmatista e sua inflexão na corrente francesa, ver Vandenberghe (2006) e Corrêa (2014). Para uma sociologia propriamente pragmatista no seio do cenário francês, ver Cefaï e Joseph (2002) (N.T.).
  • 13
    Publicado com a colaboração dos então jovens pesquisadores Yann Darré e Schiltz, Marie-Ange, o texto se tornou capítulo do livro de Boltanski L’amour et la justice comme compétences de 1990 (N.T.).
  • 14
    No caso da EHESS, cargo de professor de contrato permanente e com habilitação para orientar dissertações e teses (N.T.).
  • 15
    E ambos manteriam suas carreiras associada à instituição até hoje, mesmo depois de aposentados (N.T.)
  • 16
    Ver especialmente Pollak (1988, 1990) (N.T.).
  • 17
    De fato, é simbólico que o GSPM tenha funcionado em Paris por toda sua vida (1984-2014) não no prédio central da EHESS, no amplo Boulevard Raspail, mas na Maison Auguste Comte, na estreita Rue du Monsieur Le Prince, e que funciona ainda como museu dedicado ao grande pensador do positivismo e mentor de Durkheim (N.T).
  • 18
    Na série Cahiers du Centre d’Etudes de l’Emploi, das Presses Universitaires de France (PUF). Notadamente, Justesse et justice dans le travail (Boltanski & Thévenot, 1989) e, ainda antes, a primeira versão de A justificação, Les économies de la grandeur (Boltanski & Thévenot, 1987). Justesse et justice…, obra coletiva, conta com as contribuições de, entre outros, Alain Desrosières, François Eymard-Duvernay, Claudette Lafaye, André Wissler, Francis Chateauraynaud, Nicolas Dodier e Philippe Corcuff).
  • 19
    Na época esposa de Boltanski e a quem, juntamente com a estatística e economista Joelle Afichard, esposa de Thévenot, A justificação é dedicado (N.T.).
  • 20
    Sobre a relação de Thévenot com o Brasil, ver o texto de Fabio Mota, neste mesmo dossiê (N.E.).
  • Fonte de financiamento:
    Não se aplica.
  • Aprovação do Comitê de Ética:
    Não se aplica.
  • Disponibilidade de Dados:
    Os dados de pesquisa estão disponíveis no corpo do artigo.

Editado por

  • Editor responsável:
    Andre Bittencourt (UFRJ, Brasil).

Disponibilidade de dados

Os dados de pesquisa estão disponíveis no corpo do artigo.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    20 Abr 2026
  • Data do Fascículo
    2026

Histórico

  • Recebido
    30 Set 2025
  • Aceito
    08 Out 2025
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