No bojo de investimentos recentes sobre o populismo de direita no Brasil e a noção de pessoa envolvida na sua aceitação e difusão, examino o valor “família” como eixo de uma representação “conservadora” da ordem social hegemônica nos “meios populares”. Essa “família” engloba o gênero e a sexualidade e se afirma por um sistema de atitudes baseado no “respeito” e na “autoridade”. No contexto político atual, ela é reafirmada como uma revolta explícita contra o modelo moderno da autonomia de gênero e sexualidade em relação à família - e suas implicações morais mais amplas. Busco discutir o sentido dessa combinada e aparentemente contraditória reiteração do modelo hierárquico e da “família nuclear” nos meios populares contemporâneos (contra a família extensa).
Palavras-chave:
família; religião; classes populares; populismo; pessoa