Open-access Des/moralizando a fé: teologias e grupos cristãos indecentes1

De/moralizing faith: indecent Christian theologies and groups

De/moralizando la fe: teologías y grupos cristianos indecentes

Resumo:

A emergência de teologias, igrejas e grupos cristãos LGBTQIAPN+ ou “inclusivas” pode ser localizada na segunda metade do século XX no contexto de diversas transformações políticas e sociais. Desde então, tais discursos e práticas passaram por transformações que tensionaram tanto o campo cristão hegemônico quanto o campo “inclusivo”. Este artigo apresenta um panorama do surgimento e desenvolvimento das teologias e dos grupos cristãos LGBQIAPN+ a partir da categoria “indecência”, refletindo sobre o potencial de des/moralização da fé representada pelos cristianismos hegemônicos que as diferentes práticas ensejam. Esse panorama apresenta um quadro de resistência e subversão diante do fortalecimento de grupos políticos de extrema direita e seu ataque às questões de diversidade sexual e de gênero.

Palavras-chave:
indecência; teologia queer; igrejas inclusivas; religião e diversidade sexual.

Abstract:

The emergence of LGBTQIAPN+ or “inclusive” Christian theologies, churches and groups can be situated in the second half of the 20th century in the context of several political and social transformations. Since then, such discourses and practices went through transformations that tensioned the hegemonic Christian, as well as the “inclusive” fields. This article presents an overview of the emergence and development of the LGBQIAPN+ Christian theologies and groups from the category of “indecency”, reflecting on the potential of the de/moralizing of faith represented by hegemonic Christianisms that the different practices promote. This overview presents a reality of resistance and subversion in face of the strengthening of extreme-right political groups and their attack on issues of sexual and gender diversity.

Keywords:
indecency; queer theology; inclusive churches; religions and sexual diversity

Resumen:

La emergencia de teologías, iglesias y grupos cristianos LGBTQIAPN+ o inclusivas puede ser situada en la segunda mitad del siglo 20 en el contexto de diversas transformaciones políticas y sociales. Desde entonces, tales discursos y practicas pasaron por transformaciones que tensionaran el campo hegemónico cristiano, así como el campo “inclusivo”. Ese artículo presenta un panorama de la emergencia y desarrollo de las teologías y grupos cristianos LGBTQIAPN+ desde la categoría de la “indecencia”, reflexionando sobre el potencial de/moralizador de la fe representada por cristianismos hegemónicos que los distintos grupos promueven. Ese panorama presenta la realidad de resistencia y subversión delante del fortalecimiento de grupos políticos de extrema derecha e su ataque en cuestiones de diversidad sexual y de género.

Palabras clave:
indecencia; teología queer; iglesias inclusivas; religions y diversidad sexual

Introdução

Religião, gênero e sexualidade se entrecruzam na vida das pessoas, nas expressões simbólicas, nas relações sociais e na forma como as instituições se estruturam e funcionam para organizar os grupos sociais e as sociedades. Esses processos e suas múltiplas camadas se dão no contexto de disputas e agenciamentos de poder, estabelecendo normas e regulações que diferenciam os sujeitos e grupos e criando padrões aceitáveis e permitidos. Daí resultam modelos hegemônicos e dominantes que, por meio de distintas formas de violência, transformam diferenças em desigualdades que se manifestam como injustiças, criando uma hierarquia com diversos níveis de opressão e exclusão.

Assim, da mesma forma que religião, gênero e sexualidade se constituem como linguagens que expressam as vivências e as relações estabelecidas a partir delas e podem ser sequestradas por poderes e sistemas opressores, também se configuram como espaço de resistência e criação de alternativas. No agenciamento cotidiano é que surgem as dissidências (sexuais e religiosas) que configuram diferentes modos de ser, tensionam as relações e as estruturas sociais e ensejam realidades que transitam entre as margens e os centros, perturbando as ordens estabelecidas. É nesse movimento que se situam o que estou chamando de teologias e grupos cristãos indecentes.

A categoria indecente é emprestada de Marcella Althaus-Reid (2001), que define “decência” como “a organização sexual dos espaços públicos e privados da sociedade” (Althaus-Reid 2001:1), e “indecência” como “um gesto social extremamente político e erótico, e [que] se relaciona com a construção da identidade do sujeito através da subversão das identidades econômicas, religiosas e políticas” (Althaus-Reid 2001:169). Nesse sentido, ao refletir sobre “moralidades”, propõe-se “des/moralizar” a fé, como uma forma de desautorizar discursos e práticas religiosas hegemônicas e suas morais conservadoras e fundamentalistas, criando (ou podendo criar) diferentes moralidades em relação a gênero e sexualidade no campo religioso. O ponto de partida são as trajetórias religiosas coletivas materializadas em teologias, igrejas e grupos cristãos LGBTQIAPN+ ou “inclusivas” ou queer em diálogo com a minha própria trajetória nesses espaços.2

Novos movimentos religiosos

As teologias e os grupos cristãos indecentes fazem parte de um movimento que já tem uma larga trajetória e produção. Esse movimento não é linear e não é consensual, mas vai construindo respostas possíveis dentro de contextos adversos distintos. É difícil unificá-lo em categorias fechadas e estáticas, mas, mesmo assim, constitui-se como uma força questionadora e subversiva. De modo geral, tal movimento desafia não somente as estruturas vigentes, mas os próprios processos de repressão e invisibilização por parte de quem o vê como uma ameaça, assim como de desconfiança e deslegitimação por parte de quem poderiam ser suas aliadas e seus aliados. Justamente por isso, ele se caracteriza por um processo de des/moralização da fé (compreendida provisoriamente como discursos religiosos hegemônicos), questionando moralidades dominantes e excludentes e materializando outras formas de compreender a relação entre religião, gênero e sexualidade.

Entendo que aquilo que estou chamando de teologias e grupos cristãos indecentes se localiza dentro do que algumas pessoas definem como “novos movimentos religiosos”.3 Embora fosse possível questionar o quanto tais movimentos são “novos”, uma vez que se colocam, dialogam e emprestam elementos de tradições subversivas muito antigas, é possível afirmar o seu caráter “inovador” em relação às diferentes questões que os contextos recentes colocam e as condições de possibilidade para sua emergência e seu desenvolvimento. Em 2022, ministrei um componente curricular no Programa de Pós-Graduação em Ciência da Religião da Universidade Federal de Juiz de Fora dentro dessa perspectiva, propondo a seguinte ementa:

Desde os anos de 1970, no mundo inteiro, emergiram grupos, movimentos, organizações e instituições religiosas formadas em torno da defesa da diversidade sexual e de gênero. Alguns deles se formam e se constituem dentro ou vinculadas a instituições religiosas existentes, outros de maneira autônoma e independente. Seus formatos específicos e suas formas de atuação são diversas, assim como sua relação com as diferentes tradições religiosas. Em alguns casos busca-se preservar a tradição religiosa de onde emergem, em outros fazem uma releitura e reconfiguração de determinada tradição e, ainda em outros, constituem novas formas de religiosidade. Geralmente denominadas de igrejas ou religiões “inclusivas”, elas já constituem um novo tipo de tradição religiosa que ultrapassa a simples adaptação de práticas religiosas à perspectiva da diversidade sexual e de gênero e, embora relativamente pouco estudadas, compõem um fenômeno religioso na contemporaneidade. Nesse sentido, a proposta desse componente curricular é apresentar, analisar e discutir a constituição desse campo religioso diverso, tanto em relação às diversas tradições religiosas quanto em sua configuração enquanto fenômeno religioso particular desde uma perspectiva histórica, em termos de forma e funcionamento e considerando suas linguagens e práticas religiosas (Musskopf 2022b).

Nesse componente curricular, foram abordadas as seguintes temáticas: diversidade sexual e de gênero nas religiões, formação de igrejas e religiões inclusivas, grupos denominacionais e diversidade sexual e de gênero, igrejas inclusivas na América Latina e no Brasil, organização e prática das igrejas inclusivas, teologias e diversidade sexual e de gênero, experiências LGBTI+ e religiosidades. Parte do que apresento aqui reflete o exercício de sistematização realizado para esse componente curricular, revisando caminhos já percorridos, fazendo avaliações em relação às mudanças ocorridas e refletindo sobre desafios e perspectivas para o futuro (resultados desse trabalho estão publicados em Musskopf 2021 e Musskopf 2022a).

Categorias e temporalidades

O meu envolvimento com teologias e grupos cristãos indecentes se deu a partir de minha própria participação nesse movimento. O tema entrou na minha trajetória pessoal e acadêmica no final da década de 1990 e, em 2001, defendi o trabalho de conclusão de curso do Bacharelado em Teologia da então Escola Superior de Teologia (hoje Faculdades EST), Uma brecha no armário: propostas para uma teologia gay, publicado pela primeira vez em 2002 e atualmente com três edições (Musskopf 2002, 2005b, 2015). Enquanto o próprio trabalho já lida com as questões teológicas, foi sua publicação que, de certa forma, me introduziu no universo dos grupos cristãos. Minha pesquisa de Mestrado em Teologia, Talar Rosa: homossexuais e o ministério na igreja (Musskopf 2005a), tratou de um tema específico - ordenação eclesiástica -, mas aprofundou a questão teórica, aproximando-me dos estudos e teologias queer. A expressão desse envolvimento está presente na minha Tese de Doutorado em Teologia, Via(da)gens teológicas: itinerários para uma teologia queer no Brasil (Musskopf 2012), para a qual eu segui os rastros dessa atuação e produção na América Latina por meio de coleta e análise de documentos e, principalmente, de entrevistas.

Nesse último trabalho, ensaiei pela primeira vez uma tipologia desse tipo de atuação e produção, particularmente pensando na reflexão teológica, expressa no seguinte quadro:

Quadro 1.
Movimentos - Estudos - Teologias

Parte do esforço foi não apenas evidenciar a existência de uma reflexão teológica específica, mas, também, mostrar como ela se articula com as mudanças no âmbito dos movimentos sociais, dos estudos acadêmicos e, mais importante, como essas três dimensões se interpenetram e se retroalimentam. As fontes utilizadas para essa tipologia (e seus contextos históricos) foram fundamentalmente materiais produzidos em países de fala inglesa. Ainda que também nesses contextos não seja possível delimitar uma reflexão teológica ou grupo específico a uma dessas categorias, sendo que elas convivem e se relacionam de distintos modos, no contexto brasileiro e latino-americano, outras particularidades tornam difícil a categorização nesses “modelos ideais”. Questões contextuais (políticas, culturais, religiosas, econômicas) específicas determinam as condições de possibilidade para que discursos (teologias) e práticas (grupos) se configurem de um modo ou de outro, nem sempre guardando relação com o contexto mais amplo, mas respondendo a dinâmicas locais. Isso está expresso nas entrevistas e na análise de documentação revisadas e publicadas posteriormente como Fazemos a teologia que podemos: igrejas e grupos cristãos LGBT nas décadas de 1980 e 1990 na América Latina (Musskopf 2023a).

No entanto, ainda que diferindo cronologicamente, tais categorias também se evidenciam em outros estudos relacionados ao contexto brasileiro e latino-americano. Regina Facchini (2018), por exemplo, reflete sobre os movimentos LGBT no Brasil a partir das seguintes categorias, que ela nomeia como atos: “Ato I. Centramento: da disputa entre ser ou estar homossexual à orientação sexual” (em referência às décadas de 1970 e 1980); “Ato II. Cidadanização e descentramento: do combate à homofobia ao combate à LGBTfobia” - o que a autora também chama de mainstreaming (referindo-se às décadas 1990 e 2000); e “Ato III. Multiplicação de campos: o combate à LGBTfobia e a ênfase na experiência” - o que a autora também chama de sidestreaming (referindo-se ao período posterior a 2010) (Facchini 2018:316-318).

Embora não se refira especificamente a períodos históricos, outra autora que busca articular uma tipologia, nesse caso em relação aos grupos e igrejas situadas nessa discussão, é Ana Ester Pádua Freire (2021). Em sua proposta para uma eclesiologia queer, ela identifica três tipos de organizações: Igreja Receptiva (welcoming churches); Igreja Inclusiva (insclusive churches); e Igreja Afirmativa das Diferenças (affirming church). Em certo sentido, cada um desses tipos pode ser relacionado com aqueles identificados no quadro anterior, caracterizados por um caráter mais “apologético” ou “defensivo”, “ofensivo” e “desde um lugar social específico” ou “indecente” (Musskopf 2023c:24-32; categorias usadas para falar de diferentes tipos de hermenêutica bíblica) em relação às questões da diversidade sexual e de gênero, seja do ponto de vista político, do ponto de vista teológico ou do ponto de vista da vida e organização eclesial.

Não é o objetivo aqui discutir cada uma dessas categorias, os pressupostos de cada uma dessas tipologias e suas aplicações temporais. Como dito, de modo geral, nenhuma delas será encontrada “puramente” em nenhum contexto. Sua função é apenas ajudar a refletir sobre movimentos e processos em curso. Da mesma forma, é assim que são apresentadas aqui: como uma forma de dar visibilidade a esse movimento que se apresenta como des/moralizador da fé.

O movimento é sexy

É difícil definir inícios e origens, especialmente quando se trata de temas que, de uma forma ou de outra, estão sempre presentes nas experiências humanas - como a relação entre religião, gênero e sexualidade. Como já dito, diferentes formas de controle (moralização), assim como formas de subversão e resistência em relação a questões de gênero e sexualidade, são parte de todas as tradições religiosas e, em nosso contexto, também no interior do cristianismo em suas múltiplas correntes e formas históricas. Para essa reflexão, tomaremos como ponto de partida as categorias e os tipos identificados anteriormente. Apesar de suas limitações e múltiplos sentidos, eles ajudam a perceber mudanças e as condições de possibilidade que tornaram tais mudanças possíveis.

Assim, se pensarmos em processos e vivências que de alguma forma assumem e tomam essas categorias como elementos definidores, é possível identificar práticas no campo religioso que articulam as questões de diversidade sexual e de gênero utilizando-as como referência. Heather Rachel White (2008), por exemplo, identifica as “raízes históricas da organização religiosa LGBT” no período de 1946 a 1976 nos Estados Unidos da América, em diálogo com os movimentos sociais e estudos acadêmicos como mencionado anteriormente. A partir de sua leitura, as teologias e grupos cristãos indecentes emergem nesse contexto, majoritariamente, no interior das denominações cristãs constituídas, especialmente no catolicismo romano. Da mesma forma, Cris Serra (2020) elenca quatro desses grupos que, embora já como resultado de experiências e articulações anteriores em nível mais local, ganham um contexto mais amplo. A autora identifica quatro grupos principais e, em grande medida, contemporâneos: Dignity (formado por pessoas vinculadas à tradição católica romana em 1969); Integrity (formado por pessoas vinculadas à tradição episcopal anglicana em 1974); Lutherans Concerned (formado por pessoas vinculadas à tradição luterana, também em 1974); e Affirmation (formado por pessoas vinculadas à tradição metodista em 1975).

Os nomes dos grupos já indicam questões relacionadas à sua compreensão sobre o lugar e o desafio das compreensões sobre diversidade sexual e de gênero no interior de suas próprias denominações, alguns, inclusive, usando a denominação religiosa como identificador do grupo. Ainda que eles se identifiquem e atuem em relação a denominações específicas, existem articulações, troca de experiências e apoio mútuo que acabam por formar redes e relações que ultrapassem as identidades denominacionais (com suas teologias, práticas pastorais e comunitárias e normas particulares). Muitas dessas experiências também assumiram um caráter transnacional, estabelecendo redes e conexões com grupos semelhantes em outros países, dando apoio a pessoas de suas denominações em contextos menos favoráveis e criando frentes de luta que questionam também as igrejas de mesma denominação presentes em diferentes contextos.

No caso do Dignity, ele assumirá a identificação geográfica Dignity USA (2025), sendo replicado em outros países com sua identificação própria. No Brasil, por exemplo, surgiu uma organização envolvendo pessoas de tradição católica romana que passou a denominar-se Diversidade Católica.4 Mais recentemente, foi criada a Rede Nacional de Grupos Católicos LGBT (2025), que busca articular grupos de diversas origens e formação no contexto dessa denominação. E, em termos globais, foi criada a organização Global Network of Rainbow Catholics (2025), que busca ser uma plataforma de incidência maior na própria instituição, haja vista a estrutura organizacional dessa denominação, constituída por um poder central representado pela figura do Papa e por todo o aparato reunido no Vaticano (Serra 2019, 2024; Lima 2021).

O grupo Integrity passou por um processo semelhante e foi identificado pelo seu país de origem,5 justamente porque surgiram grupos da mesma denominação em outros lugares. Formado no contexto e em relação ao anglicanismo, no Brasil não chegou a se constituir como grupo formal, embora tenha havido uma articulação em torno das mesmas questões e inserindo-se no mesmo movimento no âmbito da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil. Esse grupo organizou Consultas Nacionais sobre Sexualidade. A primeira ocorreu em 2002, e, como resultado, foi construída e divulgada uma Declaração da I Consulta Nacional (Centro de Estudos Anglicanos 2014). No mesmo ano, a revista Inclusividade publicou seu segundo número destinado ao mesmo tema e com diversas reflexões sobre a temática geral e sobre o contexto específico da Comunhão Anglicana (Centro de Estudos Anglicanos 2002). Mais recentemente, no contexto dessa Igreja, realizou-se um processo denominado Indabas, criando espaços de discussão sobre “famílias e diversidade sexual” em todas as dioceses (Centro de Estudos Anglicanos 2014). Esse processo de diálogos resultou, em grande medida, na autorização da celebração de casamentos entre pessoas do mesmo sexo na Igreja.

Também no caso de luteranas e luteranos, Lutherans Concerned adicionou o identificador North America, indicando sua articulação não apenas nos Estados Unidos da América (em relação com a Evangelical Lutheran Church in America/ELCA), mas também no Canadá (em relação com a Evangelical Lutheran Church in Canada/ELCC). Grande parte da movimentação inicial desse grupo girava em torno da eliminação do dispositivo que impedia a ordenação de homossexuais ao ministério eclesiástico, ao não permitir o acesso de “homossexuais praticantes” (Musskopf 2005b; Senger 2014). Um dos projetos associados a essa questão foi o Extraordinary Candidacy Program, que buscava comunidades que aceitassem pastoras e pastores homossexuais para o exercício do ministério. Várias outras temáticas e ações foram sendo incluídas ao longo das décadas e, com a aprovação da ordenação de pessoas homossexuais, o trabalho da organização passou a estar mais centrado na construção de Welcoming and Affirming Congregations (comunidades acolhedoras e afirmativas) através do slogan Reconciling Works.6 Por muito tempo, a organização publicou a revista The Concord, com discussões teológicas, práticas litúrgicas, notícias, relatos de experiência e formas de articulação.

No Brasil, no início dos anos 2000, constituiu-se o Grupo de Celebração Inclusiva, que mantinha relações com o Lutherans Concerned North America. Esse grupo esteve vinculado à organização não governamental (ONG) Apoio, Solidariedade e Prevenção à AIDS (ASPA), fundada por estudantes e pessoas ligadas à Escola Superior de Teologia (EST) da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB). O grupo não assumiu uma identidade confessional e reunia pessoas de diferentes tradições religiosas. Pelo histórico de ativismo da ONG e das próprias participantes, o grupo participou ativamente das discussões locais em relação à organização das Paradas do Orgulho Gay/LGBT/da diversidade sexual e da aprovação de legislações protetivas da população LGBT na cidade. Além disso, articulou-se com outros grupos na América Latina e, em 2004, hospedou o I Seminário de Lideranças de Grupos GLTTB do Cone Sul, buscando fortalecer os “Encuentros de Grupos Cristianos GLTTB del Cono Sur” (Musskopf 2023d:29-42).

O Grupo de Celebração Ecumênica Inclusiva deixou de existir, e, recentemente, foi criado o Inclusão Luterana, que tem como objetivo:

Ser um grupo que acolhe e anima a vivência evangélica de LGBT+ nos âmbitos pessoal, familiar e comunitário. Defender a garantia de igualdade de direitos, fomentar o diálogo sobre gênero e sexualidade dentro das igrejas luteranas brasileiras visando a superação de todas as formas de preconceito, discriminação e violação de direitos contra pessoas LGBT+ e promover a reflexão coletiva com vistas à construção de comunidades seguras, inclusivas e acolhedoras, para que pessoas de todas as identidades e expressões de gênero e orientações afetivo-sexuais possam viver suas espiritualidades de forma plena (Thonvold 2012).

No âmbito metodista, em 1983, foi criada a Reconciling Ministries Network, que é:

[...] uma organização que busca a inclusão de pessoas de todas as orientações sexuais e identidades de gênero tanto nas políticas quanto nas práticas da United Methodist Church. É uma das muitas organizações de ‘Comunidades Acolhedoras’ [‘Welcoming Congregations’] a emergir no cristianismo [norte] Americano na década de 1980. O ministério tem mais de 1.100 comunidades afiliadas e 42.000 indivíduos afiliados (Reconciling Ministries Network - United Methodist Church 2025).

No Brasil, também recentemente, foi criado o grupo Inclusão Metodista (2025). Já entre batistas, em 1993, foi criada a Association of Welcoming and Affirming Baptists (2025). No Brasil, as controvérsias em torno da presença e da participação de pessoas LGBTQIAPN+ têm emergido em algumas igrejas, tendo em vista o caráter congregacional dessa denominação e a ausência de um corpo decisório central. Destaca-se aqui a Igreja Batista Nazareth, de Salvador, Bahia, excluída da Convenção Brasileira de Batistas já na década de 1970 por conta de suas perspectivas progressistas no campo político e do diálogo interreligioso, que abriga o coletivo Beneditas e tem pastoras e pastores homossexuais em seu colegiado pastoral, tendo realizado ordenações eclesiásticas. Outro caso emblemático é a experiência da Igreja Batista do Pinheiro, de Maceió, Alagoas, outra comunidade com uma tradição progressista e que foi excluída da Convenção Batista Brasileira, especificamente pelo seu posicionamento em relação a pessoas homossexuais (Barros e Nascimento 2019). Juntamente a outras igrejas e pessoas, elas fazem parte da Aliança de Batistas do Brasil, que tem sistematicamente pautado questões de diversidade sexual e de gênero, bem como de outros temas relacionados ao cenário político e aos direitos humanos no Brasil.

Outros exemplos mais antigos e mais recentes são a LGBTQ Ministries, relacionada com a United Church of Christ, nos Estados Unidos da América, criada em 1972,7 e a More Light Presbyterians, criada em 1974.8 Uma organização interdenominacional que se articula com grupos e envolve ativistas de diferentes denominações é a Soulforce (2025), fundada em 1998 por Mel White e seu companheiro, Gary Nixon, figuras de referência nesse campo por sua experiência pessoal (White 1994). Em relação à América Latina e a pessoas latinas nos Estados Unidos da América, a organização abriga um projeto inovador chamado Teología Sin-Verguenza, que, em 2024, realizou seu primeiro encontro presencial na Cidade do México,9 reunindo diversos grupos e lideranças de diferentes países da América Latina e do Caribe.

Mesmo em grupos cristãos que poderiam ser considerados mais refratários a essas questões, há grupos denominacionais organizados, como é o caso do Seventh-Day Adventist Kinship, que se define como:

[...] uma Organização Internacional LGBTIAP+ de apoio e inclusão para membros e ex-membros da Igreja Adventista do Sétimo Dia [não somente]. Nossas comunidades virtuais e presenciais proveem um espaço seguro a fim de permitir a todas, todos e todes participantes uma autêntica expressão de si mesmos, o compartilhamento de histórias pessoais e que questionamentos sejam compartilhados. Atinge, hoje, mais de 80 países (Seventh-Day Adventist Kinship 2025).

Tal grupo também tem presença no Brasil.10 Para além do cristianismo, esse tipo de organização se faz presente em diferentes tradições religiosas, como grupos ligados a instituições formais ou independentes. Há grupos Judeus, Islâmicos, Hinduístas, Budistas, bem como debates mais ou menos formais no contexto de religiões tradicionalmente consideradas “mais inclusivas” em questões de diversidade sexual e de gênero, como tradições pagãs e neopagãs e religiões afro-brasileiras e indígenas. No Brasil, a Rainbow Sangha Brasil (2025) é um exemplo desses grupos não cristãos, que se define como:

Um grupo budista com o objetivo de ser uma representação LGBTQIA+ no Budismo, e ao mesmo tempo uma representação do Budismo para o público LGBTQIA+. Somos formados pela integração de praticantes e clérigos da tradição budista Shin (escola Terra Pura). Nosso propósito é acolher a todos com um projeto unificado demonstrando como o budismo pode contribuir com respostas para as demandas sociais e espirituais mais urgentes desta comunidade. Nossa intensão (sic) é acolher a todos independente de gênero, sexualidade, classe, raça ou idade!

Um caso particular é a denominação Metropolitan Community Churches (MCC).11 Fundada em 1968 pelo Reverendo Troy Perry, trata-se da primeira denominação criada especificamente a partir da dissidência sexual e de gênero. Sua história é marcada por um forte ativismo político materializado na própria figura de Troy Perry, inclusive como um dos organizadores da Primeira Parada do Orgulho Gay em Los Angeles, bem como na figura de Sylvia Mae Rivera, ativista trans que se tornou diácona na MCC em Nova York e teve uma relação próxima com a denominação (Freire 2019). A MCC está presente em várias partes do mundo e tem uma trajetória também no Brasil (Rosseti 2016) e na América Latina (Musskopf 2023d).

Sem pretender abarcar todo o campo de grupos cristãos indecentes, o que foi apresentado aqui revela um amplo espectro de organizações que vão se constituindo e formando um movimento de questionamento de determinadas normas e moralidades construídas a partir da perspectiva religiosa em relação a questões de gênero e sexualidade. Esse “novo movimento religioso”, embora já seja objeto de pesquisas e análises em várias áreas, ainda precisa ser mais bem estudado e entendido, particularmente no contexto atual de disputas sobre essas questões e a instrumentalização e sequestro da religião no campo político.

Teologias e impactos

Não é possível, nem desejável, estabelecer uma relação de anterioridade entre a formação de grupos e a articulação de teologias - entendidas aqui como discursos mais ou menos formais e sistematizados sobre crenças e práticas religiosas. As próprias formas práticas de resistência e organização se sustentam em perspectivas teológicas aprendidas ou desenvolvidas a partir de contextos e experiências particulares - individuais e/ou coletivas. Mas a vivência e a ação nesses grupos e movimentos, sem dúvida, vão dando outros contornos à reflexão teológica.

Já foi apresentada a distinção entre teologias homossexual, gay e queer. Essas categorias ajudam a organizar o desenvolvimento do pensamento e da produção teológica, mas, como dito, não podem ser tomadas como categorias fechadas. Assim, teologias (ou perspectivas teológicas) na América Latina estão presentes em diversos materiais, como panfletos, liturgias, manifestos de igrejas na década de 1980, muitas vezes articuladas no âmbito de ONGs e relacionadas a questões em torno da epidemia de HIV/Aids e aos fortes discursos religiosos reacionários e moralizadores sobre ela e a população LGBTQIAPN+ (Musskopf 2023b).

Com o surgimento das “igrejas inclusivas” nas décadas de 1990 e 2000, sendo eles grupos localizados, independentes ou vinculados a instituições ou redes, começaram a ser organizados espaços de encontro, com produção de materiais e publicações, inclusive com produções acadêmicas por parte de teólogas e teólogos que se autoidentificam como gays, lésbicas ou queer. Os grupos e a sua produção nesse período foram fortemente marcados por um perfil ativista (com fortes vínculos com os movimentos LGBTQIAPN+) e as pautas políticas por direitos, com inspiração na Teologia da Libertação Latino-Americana e, também por isso, com diversas lideranças oriundas do contexto católico-romano, especialmente das Comunidades Eclesiais de Base que serviram de modelo para muitos desses grupos na América Latina (Musskopf 2023a).

A partir da década de 2000, houve um certo “recolhimento” nesse campo. Por um lado, houve um enfraquecimento das “igrejas inclusivas” por diversos motivos, e o surgimento de um perfil ligado à tradição evangélica mais clássica e voltada para questões mais íntimas da vivência da fé e da vida na comunidade religiosa. No campo teológico, embora a pesquisa e a produção mais sistematizadas continuassem acontecendo, as teologias indecentes perderam o pouco de visibilidade que haviam conquistado, muito em função de que temáticas de gênero e sexualidade foram (supostamente) incorporadas nas reflexões de teólogos considerados mais clássicos, mas que ao tematizarem tais questões nem sempre conheciam ou articulavam as questões teóricas e metodológicas já desenvolvidas pelas teologias feministas e indecentes. No campo político, com a emergência de governos considerados progressistas e de esquerda, as pautas do campo religioso de modo geral também perderam força e reconhecimento, ainda mais com relação a grupos e teologias indecentes.

A partir da década de 2010, houve um novo movimento que se construiu, às vezes no rastro do movimento anterior, às vezes ignorando ou desconhecendo as construções do passado. As temáticas de diversidade sexual e de gênero foram assumidas por grupos e organizações ecumênicas, como Centro de Evangelização Capacitação e Assessoria (CECA), Centro Ecumênico de Serviço à Evangelização e à Educação Popular (Ceseep), Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos (CEBI), Koinonia Presença Ecumênica, Rede Ecumênica de Juventude (REJU), Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic), Conselho Latino-Americano de Igrejas (Clai) e o próprio Conselho Mundial de Igrejas (CMI). Além disso, surgiram novos grupos denominacionais (Diversidade Católica, Inclusão Luterana, Inclusão Metodista) ou interdenominacionais, como Evangélicxs pela Diversidade. Houve, também, uma nova onda de criação de “igrejas inclusivas”, como a Comunidade Cristã Nova Esperança (CCNE) e a Igreja Cristã Contemporânea, algumas delas dissidências de organizações anteriores e outras mais recentes. No conjunto, percebe-se uma certa “pentecostalização” por parte de alguns desses grupos, e, por outro lado, uma nova perspectiva ativista articulando outras pautas na comunidade LGBTQIAPN+ de modo interseccional, teologicamente não tão vinculadas à Teologia da Libertação, mas às próprias teologias indecentes produzidas em períodos anteriores (Musskopf 2021).

A ICM continuou sendo uma força atuante nesse contexto, realizando encontros e retiros que reuniram as diferentes igrejas, mas também passou por diferentes fases no Brasil e na América Latina. Passaram a acontecer eventos que articularam uma produção acadêmica mais consistente com as experiências dos grupos cristãos indecentes e com o ativismo político LGBTQIAPN+. No Departamento Ecuménico de Investigaciones, em 2012, ocorreu o 1er Simpósio de Teología Queer, reunindo teólogas, teólogos, lideranças religiosas e ativistas. Como resultado, foi publicado o livro Teorías queer y teologias... estar em outro lugar (Boehler, Bedurke & Silva 2013). Dez anos depois, em 2012, ocorreu o II Simposio Internacional de Teorías y Teologías Queer. As apresentações desse encontro ajudaram a compor o livro Mysterium liberationis queer (Quero, Díaz, Mesa & Mor 2024).

No âmbito do Congresso Latino-Americano de Gênero e Religião, organizado pelo Núcleo de Pesquisa de Gênero e pelo Programa de Gênero e Religião da Faculdades EST, realizado desde 2004 e retomado em 2015, houve uma presença consistente da discussão sobre teologias indecentes. Isso se deu especialmente por meio da articulação de Grupos de Trabalho. No IV Congresso, em 2015, por exemplo, os Grupos que trataram dessas temáticas apresentaram uma “Declaração” (Grupos de Trabajo sobre Teologías Queer 2015) e, a partir dessa articulação, surgiram a Red de Teologías y Pastorales Queer (2025) e a revista Conexión Queer.12 No VI Congresso de Gênero e Religião, em 2019, ocorreu, como evento preparatório, o Encontro da Rede Interreligiosa Global para Pessoas de todas as Orientações Sexuais, Identidades e Expressões de Gênero (GIN-SOGIE 2025; Global Interfaith Network 2019). Essa rede, criada a partir de articulação realizada no contexto da Conferência Mundial da International Lesbian and Gay Association (ILGA) em 2012, realizou um encontro que definiu sua formalização como organização em 2014, em Joanesburgo, África do Sul.

Essa relação e a inclusão da discussão sobre religião no âmbito das questões da população LGBTQIAPN+ em organizações como a ILGA revelam, por um lado, a organização, a presença e a visibilidade das teologias e dos grupos cristãos (e não cristãos) indecentes, com impacto, por exemplo, em setores e discussões no contexto da Organização das Nações Unidas (ONU). Outra organização importante e que tem dado sustentação a essas questões em âmbito global é o European Forum of LGBTI+ Christian Groups (2025), com presença nos debates do Conselho Mundial de Igrejas, que apresentou, em 2022, por ocasião de sua 11ª Assembleia, o documento Conversations on the Pilgrim way: invitation to journey together on matters of human sexuality (World Council of Churches 2022), produzido pelo Grupo de Referência em Sexualidade Humana (Musskopf 2023d). Na mesma ocasião, foi distribuído a participantes da Assembleia o material Reconciliação a partir das margens: histórias de pessoas LGBTIQ+ de fé (Söderblom, Franke-Coubeaut, Czerniak & Wong 2022), traduzido para vários idiomas e disponibilizado gratuitamente após a Assembleia do CMI.

No Brasil e na América Latina, processos semelhantes têm acontecido. Além da presença da temática, de lideranças e pesquisadoras e pesquisadores em diversos espaços e eventos, a organização e publicação do Manual de Cristianismo e LGBTI+ (Cazal e Reis 2021) pelas redes Gay Latino e Aliança Nacional LGBTI+, é um exemplo disso. A elaboração do material reuniu diversas autoras e diversos autores na produção de um material didático e acessível e, ao mesmo tempo, com rigor e profundidade teórica e metodológica que inter-relaciona estudos da diversidade sexual e de gênero com as experiências e os grupos cristãos e as teologias inclusivas e indecentes.

Em termos teológicos, não é possível pensar na construção desse campo sem considerar o trabalho de Marcella Althaus-Reid. Falecida em 2009, a autora deixou uma vasta obra (Musskopf e Freire 2021), que continua impactando a reflexão em todo o mundo (Isherwood, Jordan 2010; Isherwood & Quero 2021; Cooper 2021). Destacam-se as obras Indecent theology: theological perversions in sex, gender and politics (Althaus-Reid 2001) e The queer God (2003), esta última traduzida para o português e para o espanhol (Althaus-Reid 2019, 2022). Com fortes raízes nas teologias da libertação e feminista latino-americanas em diálogo com os estudos pós-coloniais e queer, as reflexões de Marcella são expressão dos movimentos que a precederam, dos quais ela formou parte e os quais ela segue inspirando, em um gesto de des/moralização da fé.

Conclusão

Os materiais e as reflexões apresentados aqui não têm a pretensão de refletir tudo o que tem acontecido ou sido produzido no âmbito das teologias e dos grupos cristãos indecentes. O objetivo central é dar visibilidade a um movimento que, de modo não linear ou homogêneo, vem se constituindo e se consolidando no cenário religioso, político e cultural. Em grande medida, seguimos “Fazendo a teologia que podemos” (Musskopf 2023a) dadas as condições adversas e o fortalecimento de grupos conservadores, fundamentalistas e de extrema direita que seguem utilizando as pautas morais relacionadas a questões de diversidade sexual e de gênero como principal motor para a criação de pânicos morais - como foi/é o caso da campanha contra a “ideologia de gênero” e do Movimento Antigênero.

Alinhando-se à perspectiva “indecente” e “queer” - em termos teóricos e metodológicos -, essa apresentação busca visibilizar um campo que tem perturbado a ordem estabelecida e des/moralizado a fé, criando espaço para vivências, articulações e ações que materializam outras moralidades construídas a partir de trajetórias particulares. Esse campo, ainda pouco estudado, embora com crescente interesse, tem o potencial de grande impacto social e político no cenário contemporâneo e nos desafios colocados para o futuro. As Ciências Sociais, de modo geral, têm se ocupado pouco em entender e potencializar a produção desses grupos e teologias e, quando o fazem, muitas vezes carecem de uma articulação mais orgânica com esse movimento e/ou com discussões realizadas no âmbito da Ciência da Religião e da Teologia. Um diálogo maior entre as diferentes disciplinas poderá ajudar a aprofundar e fortalecer os movimentos de resistência que articulam gênero, religião e sexualidade.

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    » https://www.reconcilingworks.org/news-2012-06-13/
  • 1
    Texto apresentado no I Seminário Nacional Gênero, Religião e Sexualidade (GENERES), de 9 a 11 de dezembro de 2024, na Universidade Federal de Juiz de Fora, MG, na Mesa 3: Moralidade, gênero e sexualidade em trajetórias religiosas.
  • 2
    Utilizo aqui a ideia de “panorama” reunindo diferentes elementos teóricos e metodológicos naquilo que chamei de “itinerários percorridos” em Musskopf (2012), a partir da ideia de “experiências formadoras” (Josso 2004), “fenomenologia pessoal” (Gebara 2000) e “teologias autobiográficas e diaspóricas” (Althaus-Reid 2003).
  • 3
    Para uma discussão sobre a categoria “Novos Movimentos Religiosos”, ver Giumbelli (2002), Guerriero (2006) e Medeiros (2019).
  • 4
    Diversidade Católica (2025).
  • 5
    Integrity USA (2025).
  • 6
    Thonvold (2012).
  • 7
    LGBTQ Ministries - United Church of Christ (2025).
  • 8
    More Light Presbyterians (2025).
  • 9
    Teología Sin-Verguenza (2025).
  • 10
    Gay e Adventista (2025).
  • 11
    Metropolitan Community Churches (2025).
  • 12
    Revista Conexión Queer (2025).
  • Declaração de Disponibilidade de Dados
    Não aplicável

Editado por

  • Editor-Chefe:
    Edilson Pereira
  • Editores convidados:
    Raphael Bispo, Célia Arribas e Oswaldo Zampiroli
  • Editor-Assistente:
    Lucas Bártolo

Disponibilidade de dados

Não aplicável

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    09 Jan 2026
  • Data do Fascículo
    2025

Histórico

  • Recebido
    04 Abr 2025
  • Aceito
    21 Maio 2025
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