Neste artigo, analiso a reflexividade da agência das daimistas nas negociações acerca dos códigos referentes aos corpos femininos no contexto de transnacionalização do Santo Daime. A partir de um lugar de mulher lésbica, daimista e pesquisadora, baseei-me nas entrevistas com mulheres de diferentes regiões do Brasil e do mundo. Uma vez nos fluxos globais, as novas configurações das relações de gênero resultantes dos feminismos e os valores da democracia liberal têm desafiado e ética coletiva dessa religião, especialmente no tocante à sua estrutura de gênero. Argumento, portanto, que as mulheres têm navegado entre diferentes sistemas de valor, de modo que seus corpos, além de meios de experiência, passam a ser espaço de negociação, transformação, produção de sentido e disseminação do Santo Daime.
Palavras-chave:
mulheres; Santo Daime; transnacionalização religiosa; corpo