Objetivo: Avaliar o valor diagnóstico do escore Full Outline of Unresponsiveness (FOUR) e da Escala de Coma de Glasgow (GCS) para predizer a mortalidade em crianças gravemente doentes, com comprometimento não traumático da consciência.
Métodos: Estudo observacional prospectivo, unicêntrico, que inclui crianças de um mês a 12 anos internadas na Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica (UTIP). Os escores FOUR e GCS foram registrados de forma seriada na admissão, na 12a e na 24a hora. Foram excluídas crianças com permanência na UTIP <24 horas, convulsão na última hora, deficiência visual ou motora ou uso de sedativos/relaxantes neuromusculares.
Resultados: Cem crianças gravemente doentes foram incluídas, com idade mediana (intervalo interquartil — IIQ) de 46,0 (10,0–84,0) meses, e 53 evoluíram a óbito durante a internação. As médias da GCS e do escore FOUR foram significativamente maiores entre os sobreviventes (p<0,001). Ambos os escores foram preditores independentes de mortalidade na admissão e na 12a hora; apenas o escore FOUR foi preditor estatisticamente significativo na 24a hora. A razão de chances ajustada (AOR) para mortalidade foi de 0,505 (intervalo de confiança de 95% — IC95% 0,399–0,863) para FOUR24 e de 2,728 (IC 0,932–2,273) para GCS24. Sessenta e três crianças necessitaram de intubação, com duração mediana de 4,0 (1,0–7,0) dias, das quais 69,8% evoluíram a óbito.
Conclusões: Os escores GCS e FOUR apresentam eficácia comparável na previsão de mortalidade na avaliação inicial. Entretanto, o escore FOUR apresentou melhor desempenho na 24a hora e pode, portanto, ser considerado uma ferramenta de prognóstico.
Palavras-chave:
Prognóstico; Unidades de Terapia Intensiva Pediátrica; Mortalidade hospitalar; Coma
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