Open-access Cinzas de incineração de resíduos biomédicos na produção de concreto: Um estudo de caso sobre a imobilização de materiais perigosos

A gestão inadequada de Resíduos Biomédicos Incinerados (RBI) representa um desafio ambiental e de saúde pública global. Paralelamente, a crescente demanda por recursos naturais na construção civil exige alternativas sustentáveis. Especificamente no contexto de Alagoas, Brasil, onde a geração de resíduos de serviços de saúde tem aumentado e a destinação final exige aterros licenciados, a busca por alternativas se torna um desafio urgente. Este estudo investigou a viabilidade tecnológica e ambiental da incorporação de cinzas de RBI em matrizes de concreto, substituindo parcialmente a areia de rio, visando uma solução mútua para a valorização de resíduos e a conservação de agregados naturais. As cinzas, provenientes de uma incineradora de Alagoas que trata diversos tipos de resíduos de serviços de saúde (exceto o grupo C), foram submetidas a caracterizações detalhadas de granulometria, Fluorescência de Raios X (FRX), Difração de Raios X (DRX) e Termogravimetria (TGA). Para a avaliação de desempenho, foram moldados corpos de prova de concreto com substituição de areia por RBI em composições de 0% (referência), 5%, 10%, 15% e 20% em massa. Os resultados revelaram que as cinzas de RBI possuem granulometria predominantemente na faixa de areia média, com partículas menores otimizando os pontos de contato na matriz cimentícia. A análise química por FRX indicou alta proporção de Cálcio (53,232%) e Ferro (19,658%), e um teor limitado de Silício (5,408%), sugerindo baixa atividade pozolânica. A técnica de DRX confirmou a natureza cristalina com a presença de Calcita e Silicatos de Cálcio. Em termos de desempenho mecânico, o concreto com 5% de substituição de areia por RBI manteve a resistência à compressão significativamente próxima ao traço de referência (15,55 MPa vs. 16,89 MPa aos 28 dias). Contudo, o aumento da proporção de RBI (acima de 5%) resultou em uma redução progressiva da resistência e um aumento da porosidade. Isto foi evidenciado pelos ensaios de absorção de água, que mostraram maior absorção em maiores teores de cinzas. A Microscopia Eletrônica de Varredura (MEV) complementou as análises, confirmando a morfologia e distribuição das partículas. Conclui-se que a incorporação de RBI em baixas proporções é tecnicamente promissora para aplicações não estruturais, fornecendo uma rota viável para a gestão sustentável de resíduos perigosos e a inovação em materiais de construção.

Palavras-chave:
Valorização de resíduos; Economia circular; Imobilização de contaminantes; Remediação ambiental

location_on
Laboratório de Hidrogênio, Coppe - Universidade Federal do Rio de Janeiro, em cooperação com a Associação Brasileira do Hidrogênio, ABH2 Av. Moniz Aragão, 207, 21941-594, Rio de Janeiro, RJ, Brasil, Tel: +55 (21) 3938-8791 - Rio de Janeiro - RJ - Brazil
E-mail: revmateria@gmail.com
rss_feed Acompanhe os números deste periódico no seu leitor de RSS
Ir para o topo Reportar erro