Open-access Prevenção da hipotermia no período intraoperatório: estudo descritivo-exploratório*

Objetivo: analisar as medidas implementadas na prática para a prevenção da hipotermia, no período intraoperatório, em hospitais públicos e privados.

Método: estudo quantitativo, descritivo-exploratório. A amostra foi composta por 201 enfermeiros, convidados via redes sociais, Facebook e Instagram e correio eletrônico. A coleta de dados foi realizada por meio de formulário online criado na plataforma virtual Survey Monkey®. Para análise, estatística descritiva e testes de associação foram aplicados para investigar as diferenças entre os grupos delimitados em relação às variáveis do estudo.

Resultados: em ambos os tipos de instituições, a maioria dos participantes era do sexo feminino e casada/união estável. Houve diferença significante entre os tipos de hospitais no controle da temperatura da sala de operação (p<0,001), monitoramento da temperatura corporal do paciente (p=0,027) e uso de método ativo de aquecimento cutâneo (p=0,009).

Conclusão: o sistema de ar forçado aquecido foi o método ativo que obteve frequência maior e, a enfermagem, a categoria profissional mais indicada como responsável pela implementação do pré-aquecimento e uso de método ativo, nos tipos de instituições investigadas. Ainda existe a necessidade de incrementar a realização diária de medidas para a prevenção da hipotermia, apontando aos gestores a exigência de investimentos e qualificação de recursos humanos.

Descritores:
Enfermagem Perioperatória; Hipotermia; Período Intraoperatório; Temperatura Corporal; Hospitais; Segurança do Paciente


Destaques:

(1) Hipotermia perioperatória é evento comum que pode acometer o paciente cirúrgico. (2) A prevenção de hipotermia é prática desafiadora para toda a equipe perioperatória. (3) A mensuração da temperatura corporal é prática recomendada no período intraoperatório. (4) O pré-aquecimento é medida relevante para a manutenção da normotermia. (5) O sistema de ar forçado aquecido é medida efetiva para prevenção de hipotermia.

Objective: to analyze the measures implemented in practice for the prevention of hypothermia during the intraoperative period in public and private hospitals.

Method: quantitative, descriptive-exploratory study. The sample consisted of 201 nurses, invited via social media, Facebook, Instagram, and email. Data collection was performed using an online form created on the Survey Monkey® virtual platform. For analysis, descriptive statistics and association tests were applied to investigate the differences between the defined groups in relation to the study variables.

Results: in both types of institutions, most participants were female and married/in a stable relationship. There was a significant difference between the types of hospitals in terms of operating room temperature control (p<0.001), patient body temperature monitoring (p=0.027), and use of active skin warming methods (p=0.009).

Conclusion: the forced-air warming was the active method most frequently used, and nursing staff were the professional category most often indicated as responsible for implementing prewarming and using active methods in the types of institutions investigated. There is still a need to increase the daily implementation of measures to prevent hypothermia, pointing out to managers the need for investment and training of human resources.

Descriptors:
Perioperative Nursing; Hypothermia; Intraoperative Period; Body Temperature; Hospitals; Patient Safety


Highlights:

(1) Intraoperative hypothermia is a common event that can affect surgical patients. (2) Preventing hypothermia is a challenging practice for the entire intraoperative team. (3) Measuring body temperature is a recommended practice during the intraoperative period. (4) Prewarming is an important measure for maintaining normothermia.(5) The forced-air warming is an effective measure for preventing hypothermia.

Objetivo: analizar las medidas implementadas en la práctica para la prevención de la hipotermia durante el periodo intraoperatorio en hospitales públicos y privados.

Método: estudio cuantitativo, descriptivo-exploratorio. La muestra estuvo compuesta por 201 enfermeros, invitados por intermedio de redes sociales, Facebook e Instagram, y correo electrónico. La recolección de datos se realizó mediante un formulario en línea creado en la plataforma virtual Survey Monkey®. Para el análisis se aplicaron estadística descriptiva y pruebas de asociación con el fin de investigar las diferencias entre los grupos delimitados en relación con las variables del estudio.

Resultados:. en ambos tipos de instituciones, la mayoría de los participantes era de sexo femenino y estaba casada o en unión estable. Se observó una diferencia significativa entre los tipos de hospitales en el control de la temperatura del quirófano (p<0,001), el monitoreo de la temperatura corporal del paciente (p=0,027) y el uso de un método activo de calentamiento cutáneo (p=0,009)

Conclusión: el sistema de aire forzado calentado fue el método activo con mayor frecuencia de uso, y la enfermería fue la categoría profesional más señalada como responsable de la implementación del precalentamiento y del método activo en los tipos de instituciones investigadas. Aún es necesario incrementar la ejecución diaria de medidas para la prevención de la hipotermia, lo que señala a los gestores la necesidad de invertir en recursos y en la capacitación del personal.

Descriptores:
Enfermería Perioperatoria; Hipotermia; Periodo Intraoperatorio; Temperatura Corporal; Hospitales; Seguridad del Paciente


Destacados:

(1) La hipotermia perioperatoria es un evento común que puede afectar al paciente quirúrgico. (2) La prevención de la hipotermia es una práctica desafiante para todo el equipo perioperatorio. (3) La medición de la temperatura corporal es una práctica recomendada durante el periodo intraoperatorio. (4) El precalentamiento es una medida relevante para el mantenimiento de la normotermia. (5) El sistema de aire forzado calentado es una medida eficaz para la prevención de la hipotermia.

Introdução

A hipotermia perioperatória é comumente definida como temperatura corporal abaixo de 36°C e está relacionada, principalmente, ao uso de agentes anestésicos que acarretam alterações na regulação hipotalâmica da temperatura e na redistribuição de calor corporal. Outros fatores que podem contribuir para tal evento incluem a baixa temperatura ambiente, exposição de órgãos ou tecidos do paciente, temperatura ambiente de soluções endovenosas e de fluidos de irrigação ( 1 - 3 ).

Na literatura, existe corpo de evidências indicando que a hipotermia perioperatória está associada a eventos cardíacos, infecção de sítio cirúrgico, aumento de perda sanguínea e da necessidade de transfusão, diminuição do metabolismo de medicamentos, desconforto térmico, aumento da permanência na sala de recuperação pós-anestésica e dos custos hospitalares ( 1 - 5 ).

Na prática clínica, a ocorrência desta complicação é comum. Nos Estados Unidos da América, no perioperatório, a incidência da hipotermia variou entre 20% e 70% ( 3 ) e, na Austrália, a incidência foi de 42% ( 4 ). No Brasil, a sua prevalência foi de 56,7% ( 6 ).

Em revisão sistemática com metanálise, os autores investigaram os fatores de risco para hipotermia no período intraoperatório, em pacientes adultos. A amostra foi composta de 12 pesquisas envolvendo 15.010 pacientes. A idade, o Índice de Massa Corporal, a temperatura ambiente, pressão arterial sistólica e frequência cardíaca (no período pré-operatório), duração longa da anestesia (> 2 horas) e administração de soluções endovenosas (> 1.000 ml) foram apontados como fatores de risco ( 7 ).

As principais recomendações para a prevenção da hipotermia perioperatória estão direcionadas para a monitorização e documentação da temperatura corporal do paciente no perioperatório, o uso de métodos ativos para a manutenção da normotermia (por exemplo, o sistema de ar forçado aquecido), inclusive para a implementação do pré-aquecimento, antes da indução anestésica, quando a temperatura do paciente estiver abaixo de 36oC. A combinação de métodos passivos (por exemplo, o uso de lençol de algodão aquecido) com ativos também é recomendada, bem como avaliar os fatores específicos relacionados ao paciente (por exemplo, a idade) e aqueles relacionados ao procedimento anestésico cirúrgico (por exemplo, tipo e duração da cirurgia e da anestesia). Além disso, minimizar a exposição do paciente ao ambiente frio é uma abordagem para reduzir a perda de calor. Outro aspecto relevante é manter a temperatura ambiente, sendo recomendado pelo menos a 21oC ( 2 , 5 ).

Apesar da relevância da prevenção da hipotermia perioperatória apontada pela literatura, na prática clínica há problemas no reconhecimento da importância deste evento pelos profissionais de saúde e gestores de instituições de saúde, monitoramento da temperatura corporal do paciente e na implementação de métodos ativos. Além disso, o conhecimento e a prática dos enfermeiros sobre a problemática são inadequados na comparação com as diretrizes clínicas (guidelines) de sociedades científicas ( 8 - 10 ).

Diante do exposto, a presente pesquisa foi conduzida para gerar corpo de evidências para subsidiar a prática clínica, uma vez que a manutenção da temperatura corporal do paciente e a implementação de medidas efetivas para a prevenção da hipotermia, no perioperatório, são desafios atuais enfrentados pela equipe de profissionais de saúde envolvida no cuidado do paciente cirúrgico, em especial o enfermeiro. Além disso, ressalta-se a escassez de estudos sobre a problemática no cenário nacional, com destaque para instituições com natureza jurídica diferente. Assim, o objetivo delimitado foi analisar as medidas implementadas na prática para a prevenção da hipotermia, no período intraoperatório, em hospitais públicos e privados.

Método

Delineamento do estudo

Trata-se de estudo quantitativo, descritivo-exploratório.

Local

O local de coleta de dados não foi determinado por se tratar de pesquisa realizada em ambiente virtual cujos potenciais participantes poderiam ser inseridos no estudo independentemente da sua localização física no território nacional.

População e critérios de elegibilidade da amostra

A população-alvo do estudo era composta por enfermeiros que atuavam em centros cirúrgicos de hospitais brasileiros, públicos e privados. Uma amostra não probabilística foi formada por 201 enfermeiros que atenderam aos seguintes critérios de elegibilidade: ter vínculo trabalhista ativo como enfermeiro, estar atuando no centro cirúrgico (CC) da instituição hospitalar há, no mínimo, seis meses, sem distinção do tipo de atividades desempenhadas, acessar o formulário online no período de janeiro até agosto de 2022. Sete enfermeiros que preencheram integralmente o formulário não compuseram a amostra final por atuarem como perfusionistas (três) e na central de material esterilizado (dois), bem como dois cursavam residência em clínica cirúrgica. Um técnico de enfermagem respondeu à pesquisa e também não foi considerado.

Coleta de dados

Para o recrutamento online dos potenciais participantes, diferentes estratégias nas redes sociais Facebook e Instagram foram empregadas. No Facebook, o grupo de “Enfermagem em centro cirúrgico e centro de material esterilizado” foi identificado, possuindo 1,8 mil membros. No referido grupo, os potenciais participantes foram identificados, ou seja, enfermeiros que atuavam em CC, e o pesquisador principal impulsionou um post para as pessoas selecionadas por meio de direcionamentos, tais como: local de atuação no trabalho; pessoas que curtiram a página do pesquisador, bem como amigos dessas e públicos personalizados definidos anteriormente.

Ao consultar o Instagram da Associação Brasileira de Enfermeiros de Centro Cirúrgico, Recuperação Anestésica e Centro de Material e Esterilização (SOBECC), para aquelas pessoas que discriminaram no seu perfil formação superior em enfermagem com atuação em CC, o pesquisador principal encaminhou um convite no perfil de cada profissional identificado nesta rede social.

A SOBECC tem um banco de e-mails de enfermeiros que atuam no cuidado do paciente no perioperatório. Após aprovação pela diretoria da organização, no uso deste banco, o pesquisador principal encaminhou, para os membros cadastrados, o link eletrônico gerado pela plataforma virtual Survey Monkey®. Devido à adesão baixa dos participantes, duas tentativas foram realizadas no emprego dessa estratégia de coleta de dados.

Aos potenciais participantes identificados, disponibilizou-se um link eletrônico que permitia o acesso, no período de janeiro a agosto de 2022, ao convite da pesquisa, ao Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) e ao formulário de coleta de dados.

Formulário de coleta de dados e variáveis do estudo

Um formulário online foi criado na plataforma virtual Survey Monkey®, contendo 28 questões, divididas em três seções: nove para caracterização dos enfermeiros, 16 sobre as medidas para a prevenção de hipotermia no período intraoperatório e três sobre as dificuldades para a prevenção desta complicação. As questões foram elaboradas pautadas na literatura ( 2 , 11 ) e na produção intelectual dos autores da presente pesquisa sobre a problemática investigada.

A variável dependente foi “tipo de instituição de saúde” (pública ou privada). As variáveis independentes foram agrupadas por temas, a saber: caracterização sociodemográfica (por exemplo: sexo, idade, estado civil) e de formação dos enfermeiros (por exemplo: tipo de formação complementar), medidas para a prevenção da hipotermia (por exemplo: uso de pré-aquecimento, métodos ativos e passivos) e dificuldades para a prevenção desse evento no período intraoperatório (por exemplo: motivos para não realizar a monitorização da temperatura corporal do paciente e a disponibilidade de dispositivos médicos).

Tratamento e análise dos dados

Os dados foram armazenados em planilhas eletrônicas no formato Excel e, posteriormente, transferidos para o software IBM®SPSS®Statistics versão 25.

Para a apresentação dos dados, os participantes foram divididos em dois grupos, a saber: enfermeiros com atuação no CC de hospitais públicos e aqueles com atuação em instituições privadas. As variáveis qualitativas foram descritas pela frequência (absoluta e relativa) de distribuição dos participantes entre as categorias delimitadas e as variáveis quantitativas foram avaliadas quanto à medida de posição (média) e dispersão (desvio-padrão). Os testes de associação (teste Qui-quadrado de Pearson ou teste exato de Fisher) foram aplicados para investigar as diferenças entres os grupos delimitados em relação às variáveis medidas de pré-aquecimento, medidas para prevenção da hipotermia e as dificuldades para prevenção deste evento no período intraoperatório. Para todas as análises, o nível de significância considerado foi de 5% (α=0,05).

Aspectos éticos

O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa local, sob Parecer CAAE: 43126521.5.0000.5393. Todos os participantes concederam o TCLE pela modalidade online, por meio da seleção da opção “Eu aceito participar da pesquisa”. Todos os preceitos éticos estabelecidos na legislação foram atendidos.

Resultados

Na Tabela 1, as variáveis sociodemográficas e de formação dos participantes do estudo foram apresentadas. Em ambos os tipos de hospital, a maioria dos participantes era do sexo feminino, casada/união estável, com especialização e um único vínculo empregatício.

Tabela 1-
Variáveis sociodemográficas e de formação dos enfermeiros atuantes em centro cirúrgico de hospitais públicos e privados. Ribeirão Preto, SP, Brasil, 2022

Nos hospitais públicos, a idade dos enfermeiros variou entre 23 e 74 anos, com uma média de 40,9 anos (desvio-padrão=9,6), concentrando-se na faixa entre 30 e 49 anos (76,2%), com tempo de formação de zero (seis meses) até 46 anos (mediana 12 anos), e de trabalho em centro cirúrgico entre zero (seis meses) e 40 anos (mediana de oito anos). Nos hospitais privados, a idade dos participantes variou entre 23 e 72 anos, média de 39,2 anos (desvio-padrão=10,9), a maioria estava na faixa de 30 a 49 anos (59,7%), entre um e 40 anos de formatura (mediana de 10 anos) e de trabalho em centro cirúrgico de zero (seis meses) até 30 anos (mediana seis anos e seis meses) (dados não apresentados em tabela).

No período intraoperatório, com relação ao controle da temperatura da sala de operação, os resultados evidenciaram que tal prática era mais frequente nos hospitais privados (88,7%) na comparação com os públicos (58,3%), sendo a diferença significante (p<0,001). O monitoramento da temperatura corporal do paciente também era a prática mais frequente nas instituições privadas (35,4%) em comparação com as públicas (29,4%) (p=0,027).

O termômetro axilar foi o dispositivo mais utilizado para mensurar a temperatura corporal nas instituições públicas (53,5%) e o esofágico (34,5%) nas privadas, p=0,003. O anestesista foi o profissional mais indicado como responsável pelo monitoramento da temperatura corporal do paciente, em ambos os tipos de hospitais, p=0,014.

Na Tabela 2, os dados sobre o pré-aquecimento como medida para a prevenção da hipotermia foram apresentados.

Na Tabela 3, as medidas para a prevenção de hipotermia foram apresentadas. O aumento da temperatura da sala de operação foi uma medida cujos resultados apresentaram diferença significante entre os tipos de hospitais (p=0,003), sendo que tal prática era realizada com frequência maior nos hospitais públicos. Com relação ao uso de método ativo de aquecimento cutâneo entre os tipos de instituições, os resultados apresentaram diferença significante (p=0,009). O sistema de ar forçado aquecido foi o método ativo indicado com frequência maior em ambos os tipos de instituições.

A enfermagem foi a categoria profissional indicada com frequência maior para a implementação de método ativo de aquecimento cutâneo, 59,7% nos hospitais públicos e 75,8% nos privados, sendo a diferença significante (p=0,027).

Na Tabela 4, as dificuldades para a prevenção da hipotermia foram apresentadas.

Tabela 2-
Pré-aquecimento do paciente antes da indução anestésica, informado pelos enfermeiros de centro cirúrgico de hospitais públicos e privados. Ribeirão Preto, SP, Brasil, 2022
Tabela 3-
Medidas para a prevenção da hipotermia, no período intraoperatório, informadas pelos enfermeiros de centro cirúrgico de hospitais públicos e privados. Ribeirão Preto, SP, Brasil, 2022
Tabela 4-
Dificuldades para a prevenção de hipotermia, no período intraoperatório, informadas pelos enfermeiros de centro cirúrgico de hospitais públicos e privados. Ribeirão Preto, SP, Brasil, 2022

Discussão

Conforme já mencionado, a hipotermia perioperatória está associada a diferentes complicações. Na literatura existem corpo de evidências e diretrizes clínicas de diferentes sociedades científicas, indicando a relevância na implementação de medidas para a prevenção desse evento, entretanto, na prática clínica, a ocorrência de hipotermia ainda é alta ( 12 - 13 ).

No presente estudo, o controle da temperatura na sala de operação e o monitoramento da temperatura corporal do paciente foram práticas mais frequentes nos hospitais privados. Além disso, o termômetro axilar foi o dispositivo mais utilizado para mensurar a temperatura corporal nas instituições públicas e o esofágico em instituições privadas (todos os resultados com diferença estatística).

A temperatura da sala de operação é considerada como fator de risco para hipotermia perioperatória. Atualmente, o parâmetro recomendável é ≥ 21°C ( 7 , 10 , 14 ). No perioperatório, em dois estudos observacionais, os autores investigaram práticas de monitoramento da temperatura corporal, sendo que em uma pesquisa (n=1.690 pacientes), o padrão de monitoramento foi baixo (n=687; 40,7%); no período pré-operatório (dentro de uma hora antes do paciente ser transferido para a sala de operação) e no período intraoperatório, somente 22,4% (n=379) dos participantes tiveram a temperatura monitorada ≥ uma vez, enquanto 94% (n=1.515) foram avaliados na admissão para os cuidados no pós-operatório. Os termômetros para o canal auditivo (infravermelho) e cavidade oral foram os mais frequentemente utilizados em todas as fases ( 15 ).

No outro estudo, com a participação da equipe perioperatória (enfermeiros, anestesistas e pessoal técnico da anestesia), os resultados evidenciaram que a admissão para a cirurgia (n=384, 76%) consistiu na fase mais rotineira para monitorização da temperatura; no período intraoperatório, 56% dos entrevistados (n=281) responderam que o monitoramento da temperatura era realizado continuamente em seu local de trabalho e 93% (n=472) relataram o monitoramento da temperatura na chegada à sala de recuperação pós-anestésica. Os entrevistados identificaram que os dispositivos de canal auditivo são os mais utilizados tanto no pré-operatório (n=239, 47%) quanto no pós-operatório (n=286, 57%). No período intraoperatório, os dispositivos nasofaríngeos foram identificados como os mais frequentemente utilizados (n=331, 66%), seguido pelos esofágicos (n=229, 45%) e da bexiga urinária (n=202, 40%) ( 12 ).

Em estudo longitudinal nacional, no período intraoperatório, os autores investigaram a confiabilidade das medições de temperatura corporal por meio de três métodos (termômetro temporal infravermelho periférico, termômetro cutâneo central, Zero-Heat-Flux, e termômetro esofágico ou nasofaríngeo). A amostra foi composta de 99 pacientes submetidos a cirurgias eletivas de câncer abdominal. Pautados nos resultados, os pesquisadores não recomendaram o uso de termômetro temporal infravermelho para mensurar a temperatura corporal. Os dois termômetros centrais testados foram equivalentes na detecção de hipotermia ( 16 ).

Frente ao exposto, o uso do termômetro axilar para mensurar a temperatura corporal do paciente consiste em prática que deve ser repensada, principalmente nas instituições públicas.

O pré-aquecimento como medida para prevenção da hipotermia também era executado com frequência maior nos hospitais privados (resultados com diferença significante). Na literatura existe corpo de evidências que comprova a efetividade dessa medida para manter a normotermia do paciente cirúrgico. Em ensaio clínico randomizado, o objetivo delimitado foi avaliar o efeito de diferentes períodos de pré-aquecimento na temperatura corporal em pacientes submetidos à ressecção transuretral da bexiga ou próstata com anestesia geral. A amostra foi composta de 297 pacientes aleatorizadas em quatro grupos, a saber: grupo controle (n=76), grupo intervenção 15 minutos (n=74), grupo intervenção 30 minutos (n=73) e grupo intervenção 45 minutos (n=74). O pré-aquecimento foi realizado na sala pré-anestésica com o uso do sistema de ar forçado aquecido. No período intraoperatório, todos os participantes do estudo foram aquecidos também com o sistema de ar forçado aquecido. A temperatura central foi significativamente maior nos grupos de intervenção 15 e 30 minutos (36,8°C, p=0,004; 36,7°C, p=0,041, respectivamente). Além disso, no final da cirurgia, a temperatura corporal foi significativamente menor no grupo controle (35,8°C) do que nos três grupos que receberam o pré-aquecimento (p<0,001) ( 17 ).

Em outro ensaio clínico randomizado, os autores investigaram o efeito do pré-aquecimento na temperatura corporal de pacientes submetidos à cirurgia abdominal (abordagem cirúrgica aberta) e o nível de conforto térmico. Os pacientes foram aleatorizados em três grupos: grupo controle (n=33; pré-aquecimento com cobertor e lençol de algodão); grupo intervenção 1 (n=33, pré-aquecimento com sistema de ar forçado aquecido por 20 minutos) e grupo intervenção 2 (n=33, pré-aquecimento com sistema de ar forçado aquecido por 30 minutos). No período intraoperatório, todos os pacientes foram aquecidos por meio do uso do sistema de ar forçado, além do aquecimento de fluidos de infusão e irrigação por equipamento específico. O conforto térmico foi determinado por meio de autorrelato do paciente nos períodos pré e pós-anestésico. A intervenção 2 apresentou os resultados melhores em relação à temperatura, com a média menor de episódios de temperatura abaixo de 36°C durante o período intraoperatório e conforto térmico maior relatado pelos pacientes ( 18 ).

Em revisão sistemática com metanálise, os autores investigaram o efeito do pré-aquecimento (antes da indução anestésica) na temperatura corporal, com a inclusão de 27 ensaios clínicos randomizados. O tamanho da amostra dos estudos variou de 16 a 416 pacientes. Diferentes métodos ativos de aquecimento cutâneo foram empregados nos estudos (por exemplo, sistema de ar forçado aquecido, a cobertura elétrica, cobertura de fibra de carbono, entre outros), bem como diferentes tempos de aquecimento (10 a 120 minutos). Os resultados evidenciaram que o pré-aquecimento é medida efetiva para manutenção da normotermia perioperatória ( 3 ).

Na presente pesquisa, nos dois tipos de hospitais, o sistema de ar forçado aquecido foi o método ativo indicado com frequência maior. Em revisão sistemática com metanálise, os autores investigaram a efetividade de diferentes sistemas de aquecimento ativo (sistema de ar forçado aquecido, sistema de circulação de água aquecida e cobertura elétrica) na prevenção da hipotermia e dos tremores quando aplicados em áreas específicas do corpo humano. Na revisão foram incluídos 24 ensaios clínicos randomizados, com a participação de 1.119 pacientes adultos submetidos a cirurgias abdominais. Os pacientes do grupo controle foram submetidos a métodos passivos de aquecimento. O desfecho primário mensurado foi a temperatura corporal central aos 60 e 120 minutos após a indução anestésica. Os diferentes dispositivos descartáveis (membros superiores, membros inferiores ou corpo todo colocado sobre a mesa de operação) do sistema de ar forçado foram investigados. Os resultados da metanálise em rede evidenciaram que o sistema de ar forçado (dispositivo corpo todo) efetivamente elevou a temperatura corporal central e evitou tremores dos pacientes em recuperação ( 13 ).

Em outra revisão sistemática com metanálise, os pesquisadores também analisaram o efeito no uso do sistema de ar forçado aquecido e o uso de fluidos intravenosos aquecidos (estratégia combinada) em pacientes submetidas à cesárea com anestesia regional. Na revisão foram avaliados nove ensaios clínicos randomizados, com a participação de 595 mulheres. A estratégia combinada reduziu a incidência de hipotermia e tremores, com melhora no escore de conforto materno (resultados com diferença significante) ( 19 ).

Em ensaio clínico randomizado, os autores investigaram o efeito do sistema de ar forçado aquecido, colocado em diferentes partes do corpo. Assim, 537 pacientes submetidos à cirurgia abdominal aberta foram randomizados nos grupos A (dispositivo descartável em membros superiores), B (membros inferiores) e C (corpo todo colocado sobre a mesa de operação). A hipotermia intraoperatória ocorreu em 51,4% dos pacientes do grupo B; 37,6% do grupo A e 34,1% do grupo C (p=0,002). Os resultados evidenciaram que o uso do sistema de ar forçado aquecido, colocado nos membros superiores ou corpo todo diminuiu a hipotermia e prolongou o tempo de manutenção da temperatura central acima de 36°C antes da instalação do evento ( 20 ).

A enfermagem foi a categoria profissional responsável com frequência maior para a implementação do pré-aquecimento e de método ativo de aquecimento, em ambos os tipos de hospitais (resultados com diferença significante). O enfermeiro desempenha papel importante na prevenção de complicações do paciente cirúrgico, inclusive na prevenção de hipotermia, entretanto, a manutenção da normotermia é prática de responsabilidade de toda equipe perioperatória (cirurgiões, anestesistas e equipe de enfermagem) ( 10 , 21 ).

Na presente pesquisa, entre os motivos para não realizar a monitorização da temperatura corporal, no período intraoperatório, apenas houve diferença significante entre os hospitais públicos e privados, o motivo foi que os dispositivos médicos necessários não são suficientes para a adoção da prática.

Em estudo qualitativo, os pesquisadores aplicaram um questionário online, para identificar os principais fatores que impedem os anestesistas na realização de manejo adequado da temperatura corporal. A amostra foi composta com 195 participantes, sendo que 81% (n=158) responderam que não conheciam as diretrizes clínicas para o monitoramento da temperatura corporal e, 95,4% (n=186) afirmaram às vezes negligenciar a realização de medidas para a prevenção da hipotermia, principalmente, durante cirurgia de emergência e transferências de pacientes. Duas categorias (ambiental e insuficiência de recursos) que dificultavam o monitoramento da temperatura foram relatadas por 99% (n=193) dos anestesistas. Apenas 12,8% (n=25) relataram que monitoravam frequentemente a temperatura corporal e realizavam isso como rotina diária ( 22 ).

Em outro estudo qualitativo, o objetivo delimitado foi revelar as percepções de enfermeiros de centro cirúrgico (n=17) sobre a hipotermia perioperatória, bem como as experiências e recomendações para sua prevenção. A ausência de equipamentos, especificamente do sistema de ar forçado aquecido, devido à disponibilidade inadequada também foi uma barreira apontada no manejo deste evento. Os enfermeiros relataram que, na observação do paciente com frio, medidas alternativas foram implementadas como o uso de aquecedor de calor radiante e cobertura elétrica, a elevação da temperatura do ambiente ou o emprego de cobertura adicional (por exemplo, lençol de algodão aquecido). Além disso, o aquecimento de fluidos de irrigação e intravenosos, bem como sangue e hemoderivados também foram medidas relatadas pelos participantes da pesquisa. Os autores concluíram que as diferentes medidas mencionadas se devem à falta de padronização institucional, à inadequação do quantitativo de sistema ativo de aquecimento e à falta de protocolos de cuidados para orientar os enfermeiros no planejamento e na implementação de medidas para a prevenção da hipotermia ( 23 ).

Apesar do corpo de evidências sobre a importância da prevenção da hipotermia perioperatória por meio da implementação de medidas efetivas; ainda existem lacunas entre a produção de conhecimento e a prática clínica. Tal cenário pode ocorrer devido ao conhecimento insuficiente da problemática pelos profissionais de saúde, bem como a baixa adesão destes no uso das diretrizes clínicas de sociedades científicas. Em estudo transversal, com a participação de enfermeiros e técnicos de anestesia (n=219), a pontuação média de conhecimento do profissional de saúde em relação ao manejo da hipotermia foi de 13,78, ou seja, 79,5% dos participantes apresentaram nível moderado (≤10 pontos: baixo; 11-20 pontos: moderado, ≥21 pontos: alto) ( 10 ).

Em estudo tranversal, conduzido na China, o objetivo delimitado foi investigar o conhecimento, atitudes e práticas dos profissionais de saúde sobre a prevenção da hipotermia. A amostra foi composta por 14 cirurgiões, 29 anestesistas e 170 enfermeiros. As pontuações médias para conhecimento, atitudes e práticas foram de 5,36 (pontuação total de 12), 47,54 (pontuação total de 55) e 31,57 (pontuação total de 40), respectivamente. A maioria dos participantes apresentou atitudes positivas e práticas aceitáveis, entretanto, o conhecimento sobre a prevenção desse evento foi inadequado. Os autores destacaram a necessidade de programas de treinamento e protocolos padronizados para melhorar a adesão às diretrizes de prevenção da hipotermia perioperatória ( 24 ).

Em outro estudo transversal, a amostra foi composta somente por enfermeiros (n=413). Os resultados evidenciaram que 59,1% dos participantes apresentaram bom conhecimento e a maioria (50,4%) tinha boas práticas sobre prevenção da hipotermia perioperatória. Os fatores associados ao conhecimento dos enfermeiros incluíram sexo masculino, ser bacharel, ter mestrado e participar de treinamento. Os fatores associados à prática clínica foram: trabalhar na sala de recuperação pós-anestésica ou unidade de terapia intensiva, participar de treinamento, estar satisfeito com o emprego e ter bom conhecimento. Os autores concluíram que os gestores hospitalares devem investir em estratégias (por exemplo, programas de treinamento) para incrementar o conhecimento e a implementação de medidas para a prevenção da hipotermia ( 8 ).

Em estudo descritivo-exploratório nacional, o objetivo delimitado foi avaliar o conhecimento e intervenções da equipe de enfermagem sobre hipotermia perioperatória. Houve a participação de 77 membros da equipe de enfermagem (enfermeiros e técnicos) com atuação em centro cirúrgico e sala de recuperação pós-anestésica. Dos resultados evidenciados, 45,7% dos participantes relataram a importância no monitoramento da temperatura corporal durante o pré, intra e pós-operatório, sendo as seguintes práticas mais conhecidas: uso de aquecedor (35,5%), uso do sistema de ar forçado aquecido (28,3%), soro aquecido (16,9%) e cobertores (15,1%). Aquecer o paciente (58,6%) e administrar soro aquecido (31,5%) foram as duas medidas que obtiveram frequências maiores no centro cirúrgico. Os autores concluíram que ainda existem lacunas no conhecimento e nas práticas para a prevenção da hipotermia, sendo necessário o planejamento de ações educativas para incrementar a qualidade do cuidado prestado ao paciente cirúrgico ( 25 ).

Em estudo descritivo, os pesquisadores também investigaram o conhecimento e práticas para a prevenção de hipotermia. A amostra foi composta de 122 enfermeiros. A elaboração do roteiro de coleta de dados foi pautada nas diretrizes clínicas da Association of Perioperative Registered Nurses; National Institute for Health and Care Excellence; Turkish Society of Anesthesiology and Reanimation Guideline. Os resultados demonstraram que 80,3% dos enfermeiros indicaram o uso de método passivo, 49,1% a utilização de método ativo (ar aquecido) e 36,9% o aquecimento de sangue e fluidos antes da administração. Na conclusão, os autores apontaram que os enfermeiros não utilizavam os métodos preconizados pelas sociedades científicas na prevenção da hipotermia perioperatória ( 9 ).

Atualmente, na literatura existem recomendações gerais, pautadas em evidências, as quais podem nortear a construção e implementação de protocolos de cuidados para a prevenção de hipotermia perioperatória. Para todas as fases do perioperatório (pré, intra e pós), os principais princípios são a monitorização da temperatura corporal central, o aquecimento do paciente por método ativo e a redução da exposição ao frio. A monitorização da temperatura deve ser realizada para todos os pacientes e sempre que possível de forma contínua. O uso de método ativo de aquecimento deve ser adotado para manter a temperatura do paciente acima de 36oC e o seu conforto térmico (o sistema de ar forçado é recomendado). A exposição ao frio deve ser minimizada, mantendo sempre que possível o paciente coberto, evitando a perda de calor por radiação, condução, convecção e evaporação. No período intraoperatório, a temperatura da sala deve ser mantida em pelo menos 21oC, bem como implementar o uso de aquecimento de fluidos intravenosos ( 5 , 26 ).

No perioperatório, a elaboração de um protocolo de cuidados para a prevenção da hipotermia pode auxiliar os profissionais de saúde na tomada de decisão sobre as melhores práticas para a monitorização da temperatura corporal e a implementação de medidas efetivas para a redução dessa complicação na prática clínica. Entretanto, a construção do protocolo deve estar em consonância com a compreensão das principais dificuldades vivenciadas no serviço de saúde para a manutenção da normotermia do paciente, por exemplo, considerando o quantitativo insuficiente de dispositivos tanto para a monitorização da temperatura corporal quanto para o uso de sistema ativo de aquecimento cutâneo. Além disso, a sensibilização reduzida dos gestores sobre a problemática pode inviabilizar os investimentos financeiros necessários em tecnologias ( 4 - 5 , 10 , 27 ).

Frente aos resultados evidenciados, pode-se inferir que as medidas relatadas pelos enfermeiros para a prevenção da hipotermia estão em consonância com o que é preconizado na literatura. Em contrapartida, ainda existe a necessidade de incrementar a realização diária dessas medidas, principalmente nos hospitais públicos, uma vez que os percentuais relativos ao monitoramento da temperatura corporal do paciente, realização do pré-aquecimento e uso de método ativo de aquecimento cutâneo foram maiores nas instituições privadas (resultados com diferença significante). Além disso, há uma demanda de investimentos e qualificação de recursos humanos para o manejo efetivo deste evento comum no período intraoperatório.

A condução do estudo gerou corpo de evidências que pode subsidiar a prática clínica e auxiliar a tomada de decisão dos profissionais de saúde envolvidos no cuidado do paciente cirúrgico, em especial o enfermeiro perioperatório. A prevenção da hipotermia pode reduzir as complicações associadas a este evento, melhorar os resultados para o paciente e, principalmente, incrementar as boas práticas na saúde.

Com relação às limitações da pesquisa, salienta-se uma que se refere ao tipo de estudo, ou seja, os dados apresentados e discutidos foram relatados pelos participantes. Apesar de o pesquisador principal impulsionar sistematicamente o convite para os enfermeiros, via redes sociais e correio eletrônico, o tamanho da amostra poderia ser maior, o que pode ser caracterizado como baixa adesão dos respondentes.

Conclusão

O sistema de ar forçado aquecido foi o método ativo que obteve frequência maior e a enfermagem, a categoria profissional mais indicada como responsável pela implementação do pré-aquecimento e uso de método ativo, em hospitais públicos e privados.

No período intraoperatório, manter a normotermia do paciente ainda é um desafio, pois exige trabalho conjunto entre cirurgiões, anestesistas e equipe de enfermagem. Acrescido a esta situação, as instituições de saúde precisam investir na capacitação dos profissionais de saúde envolvidos no cuidado do paciente cirúrgico, na aquisição de dispositivos médicos adequados para a monitorização da temperatura corporal e na compra de equipamentos efetivos de aquecimento cutâneo.

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  • *
    Artigo extraído da tese de doutorado “Prevenção da hipotermia no período intraoperatório: estudo survey”, apresentada à Universidade de São Paulo, Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Centro Colaborador da OPAS/OMS para o Desenvolvimento da Pesquisa em Enfermagem, Ribeirão Preto, SP, Brasil.
  • Como citar este artigo
    Oliveira LB, Poveda VB, Dantas RAS, Ribeiro JC, Galvão CM. Prevention of intraoperative hypothermia: a descriptive-exploratory study. Rev. Latino-Am. Enfermagem. 2025;33:e4728 [cited]. Available from: . https://doi.org/10.1590/1518-8345.7694.4728
  • Declaração de Disponibilidade de Dados
    O conjunto de dados que dá suporte aos resultados deste estudo não está disponível publicamente.

Editado por

  • Editor Associado:
    Ricardo Alexandre Arcêncio

Disponibilidade de dados

O conjunto de dados que dá suporte aos resultados deste estudo não está disponível publicamente.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    10 Nov 2025
  • Data do Fascículo
    2025

Histórico

  • Recebido
    09 Set 2024
  • Aceito
    04 Jul 2025
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