Objetivo: identificar os processos interacionais que permitem às famílias sobreviventes enfrentarem a morte por suicídio de um de seus membros, se reestruturarem como unidade e transformarem a experiência em aprendizado.
Método: estudo qualitativo, exploratório, orientado pelo conceito de Resiliência Familiar, no qual participaram oito famílias, que vivenciaram o suicídio de um de seus membros. A coleta de dados foi conduzida por meio de entrevistas semiestruturadas e os dados foram submetidos à análise temática.
Resultados: apresentados em quatro núcleos temáticos, mostram as reações de pesar, desespero e perplexidade dos familiares que não conseguem entender as razões para um ato tão radical; os sentimentos de dor pela perda, sobrepostos com raiva, alívio e culpa, este último partilhado com outras pessoas e os serviços sociais e de saúde; e os ensinamentos que a experiência propicia
Conclusão: os enfermeiros e demais profissionais da saúde podem auxiliar as famílias sobreviventes a se reestruturarem após o suicídio de um de seus membros com ações de cuidado planejadas a partir de avaliações repetidas da repercussão do suicídio na família na totalidade e sobre seus membros individualmente; da identificação das dimensões da vida familiar mais comprometidas; das necessidades individuais e familiares; e dos processos de resiliência familiar.
Descritores:
Família; Suicídio Consumado; Resiliência Psicológica; Atenção Primária à Saúde; Enfermagem Familiar; Saúde da Família
(1) A experiência do suicídio na família desencadeia uma gama de sentimentos sobrepostos. (2) Os ensinamentos ajudam a família (re)criar uma forma de se relacionar com a perda. (3) Profissionais da saúde devem definir o cuidado a partir de avaliações constantes.