Este artigo investiga os sentidos com que a denúncia social do romance O moleque Ricardo, de José Lins do Rego, foi recepcionada pela crítica especializada da época. Parte dela, ao se deparar com uma obra que tinha como pano de fundo a questão social no Recife do início do século XX, relacionou-a à estética proletária. Outros intérpretes perceberam nela reivindicações por direitos sociais. Ainda havia quem notava uma mera exposição desengajada das condições vida na cidade. Analisando as críticas literárias veiculadas logo após a publicação de O moleque Ricardo, observa-se que a mentalidade tradicionalista e ruralista pela qual Rego é reconhecido atualmente ainda escapava das análises, panorama que mudaria com a publicação de Usina. Conclui-se que, por aproximadamente um ano, O moleque Ricardo foi desvinculado do tradicionalismo de seu autor, sendo apropriado com diversos sentidos.
PALAVRAS-CHAVE
O moleque Ricardo
; José Lins do Rego; pensamento social brasileiro