Este artigo tem como objetivo demonstrar a operatividade de uma perspetiva teórica. Defende-se que, na sociedade medieval, a ecclesia, no seu sentido triplo (a comunidade dos fiéis, os edifícios de culto e as hierarquias eclesiásticas) desempenhava um papel ordenador de relações sociais de diferentes tipos, imbricadas entre si. Assim, esse papel tem necessariamente de ser tido em conta para compreender a reprodução dos grupos dominantes, sendo imperativo conceber a sua organização através da ecclesia. Neste artigo, usa-se o caso da aristocracia portuguesa. Procede-se à síntese da produção historiográfica das últimas décadas em diferentes temáticas, organizando-a de acordo com aquela perspetiva teórica, procurando evidenciar a operatividade e as vias que ela permite forjar para uma compreensão mais fundamentada da dinâmica social medieval.
Palavras-chave:
Aristocracia; Nobreza; Igreja; Ecclesia; Dominium