Neste artigo, pretende-se partir do conceito de “crise”, amplamente usado pela historiografia para analisar qualquer época, com o intuito específico de observar até que ponto sua carga histórica afeta nosso conhecimento sobre a construção de memórias do passado relativamente a acontecimentos/períodos/processos considerados traumáticos. O foco incidirá sobre os embates e disputas que atingiram o noroeste da Península Ibérica entre o final do séc. XI e começos do XII, registrados na Historia Compostellana. O exercício analítico que propomos considera o conceito clássico de “crise” e seu campo semântico nas narrativas de memória produzidas na Idade Média, mas também a transformação de seu significado depois da Revolução Francesa, que afeta a análise historiográfica.
Palavras-chave
Crise; fronteiras medievais;
Historia Compostellana
; Galícia Medieval; Portugal Medieval