Open-access As viagens de Nietzsche: o capítulo Weimar

Nietzsche's Travels: The Weimar Chapter

Resumo

O objetivo principal do presente trabalho consiste em apresentar alguns aspectos, dotados de relevância histórico-filosófica, do capítulo Weimar das viagens de Nietzsche, concentrando-se no caso da relação do filósofo e de sua obra com a cidade de Weimar, enquanto capital do classicismo alemão, assim como com a história do Nietzsche-Archiv.

Palavras-chave:
Cultura; Política; Filosofia; História; Vontade de poder.

Abstract

The main aim of this paper is to present some aspects, endowed with historical and philosophical relevance, of the Weimar chapter of Nietzsche's travels, focusing on the relationship of the philosopher and his work with the city of Weimar, as the capital of German classicism, as well as with the history of the Nietzsche-Archiv.

Keywords
Culture; Politics; Philosophy; History; Will to power.

Algum tempo depois do colapso mental que o acometeu em Turim na passagem do ano de 1888 para 1889, a que se seguiu um período de internamento relativamente curto na clínica psiquiátrica de Iena, a qual ingressou em janeiro de 1889, Nietzsche viveu sob os cuidados intensivos e o devotamento incondicional de sua mãe, que providenciou uma pequena habitação em Iena para estar permanentemente ao lado do filho enfermo. Apesar de manter-se em boa forma física durante o período de internamento na clínica psiquiátrica, o estado de ânimo de Nietzsche nesse tempo foi marcado pela alternância entre breves momentos de aparente lucidez e outros tantos acometimentos de transtornos e insensatez, com alguns episódios de violência. Em fins de março de 1889, Nietzsche deixou a clínica psiquiátrica, tendo passado a viver com a mãe na casa de Iena até 13 de maio desse ano, quando ambos retornam à antiga residência familiar em Naumburg, onde o filósofo vivera grande parte de sua infância.

Nietzsche permaneceu sob os cuidados maternos em Naumburg até morte de Franziska Nietzsche em 1897. Também, ao longo desses anos, repetiu-se quase sempre o drama já vivido em Iena: intensa apatia interrompida por curtos intervalos de lucidez e vivacidade de espírito, com intercorrências preocupantes de violência e comportamentos excêntricos, de modo que, cada vez mais, as ardentes expectativas de uma recuperação da saúde mental nutridas pela mãe e pelos devotados amigos foram sendo progressivamente minadas, até o ponto da resignação, com a certeza da irreversibilidade da doença. Desde então os cuidados de Franziska Nietzsche visavam sobretudo evitar a necessidade de um retorno ao hospital de Iena, com a consequente separação do filho. Estes são os antecedentes imediatos da derradeira viagem de Nietzsche a Weimar.

A partir de 1897 Nietzsche é instalado em Weimar em estado de irreversível alienação mental, com evidente declínio também de suas condições físicas; é então que ele passa a viver sob assistência e tutela da irmã Elisabeth Förster-Nietzsche, na casa da Villa Silberblick, até seu falecimento em 1900. Sendo assim, dentre as “viagens de Nietzsche”, o momento de Weimar é particularmente problemático. Durante os três anos vividos por ele nesta cidade Nietzsche esteve privado de racionalidade, tendo permanecido mentalmente embotado, ensombrecido pelas trevas da enfermidade, de modo que, em certo sentido, tratar do capítulo weimariano de suas “viagens” é discorrer mais sobre o que foi feito com ele durante esse tempo de adoecimento. Trata-se antes mais de discorrer sobre os avatares da fundação do Nietzsche-Archiv, sobre o extraordinário empreendedorismo de sua irmã Elisabeth Förster-Nietzsche - do que propriamente da atividade filosófica e produção intelectual, das vivências e experiências em primeira pessoa, às quais ele atribuiu tão elevado valor.

Weimar foi e ainda hoje é considerada a capital do classicismo alemão. Desde os meados do século XVIII lá viveram e produziram grande parte de suas obras as figuras mais ilustres da era literária do classicismo, como Johann Wolfgang von Goethe, Friedrich Schiller, Christoph Martin Wieland e Johann Gottfried Herder. Na atmosfera espiritual de Weimar foram criadas algumas das mais influentes e prestigiosas peças da literatura universal, como, por exemplo, o Fausto de Goethe e a trilogia de dramas Wallenstein de Schiller. Ao tempo de Nietzsche, Weimar era - e ainda hoje permanece - a cidade que representa o epicentro cultura clássica alemã, modelo de cultivo e elevação do espírito, a consagração de valores supremos da civilização ocidental, incorporados nos ideais de beleza, justiça, humanidade e solidariedade, herdados da antiguidade.

É nesse cenário privilegiado, ao lado dos máximos expoentes da cultura alemã e universal, que Elisabeth Föster-Nietzsche se empenhou obstinadamente para abrir e garantir um espaço de acolhimento para seu irmão, e consolidar para o autor de Assim Falou Zaratustra o penhor de uma glória imorredoura. Entre outras razões, foi por isso que ela perseverou, com enorme esforço e sacrifício pessoal, em seus planos para aquisição do terreno e construção da casa, que, além da residência que abrigaria o filosofo, fora projetada também para tornar-se a sede do Nietzsche-Archiv - fundado, institucionalmente estabelecido e gerido por ela durante toda sua vida.

Superando muitas e enormes dificuldades - inclusive de ordem financeira, além daquelas estritamente pessoais - Elisabeth Förster-Nietzsche conseguiu providenciar não apenas as condições necessárias para a aquisição do terreno, mas também projetar e levar a cabo as medidas arquitetônicas, os trabalhos de edificação da casa, assim como reunir o material e o grupo de colaboradores indispensável para a fundação do projetado arquivo. Um trabalho que incluiu espinhosas negociações a respeito dos direitos autorais sobre as obras do irmão, a reunião, a concentração e classificação dos escritos inéditos e das publicações que tinham se dispersado, em boa medida em consequência do estilo de vida nômade de Nietzsche.

A partir deste esforço, Elisabeth Förster-Nietzsche conseguiu também e sobretudo liderar um grupo de intelectuais altamente qualificados - literatos, filólogos e filósofos - que, sob efetiva supervisão e permanente coordenação dela mesma - que sempre avocou para si a responsabilidade pela realização dos trabalhos - se empenharam na tarefa de organização sistemática, para fins de edição e publicação, do conjunto completo das obras de Friedrich Nietzsche - uma longa e tormentosa epopeia de feitos, assinalada por grandes méritos e não menores traumatismos.

Um dos mais infaustos desses acontecimentos traumáticos foi justamente a aproximação - estimulada por Elisabeth Föster-Nietzsche - entre a filosofia de seu irmão, e o nacionalismo alemão exacerbado, então em plena efervescência, em ligação com o não menos intolerante antissemitismo, com a ideologia e as instituições nazifascistas - uma trágica ironia histórica, singular fatalidade justo para Nietzsche, que, como que premonitoriamente tinha escrito em seu Crepúsculo dos Ídolos considerava tais fenômenos um sintoma de indigência do espírito:

Paga-se caro por chegar ao poder: o poder imbeciliza...Os alemães - já foram chamados de povo de pensadores: ainda pensam atualmente? - Os alemães agora se entediam com o espírito, eles agora desconfiam do espírito, a política devora toda seriedade perante coisas realmente espirituais. ‘Alemanha, Alemanha acima de tudo’ - este foi, receio, o fim da filosofia alemã... ‘Existem filósofos alemães? Existem poetas alemães? Existem bons livros alemães?, perguntam-me na Europa. Eu enrubesço, mas, com a valentia que me é própria mesmo em casos desesperados, respondo: ‘Sim, Bismarck!’. - Deveria eu também confessar que livros são lidos atualmente?... Maldito instinto de mediocridade! -” (Nietzsche 2006, p. 57).

Figura 1
Hitler, Föster-Nietzsche e Emge na Villa Silberblick

Figura 2
Friedrich Nietzsche e Elizabeth Föster-Nietzsche em Weimar

Assim escreve Hollingdale

Desamparado após seu colapso, ele caiu nas mãos de Elizabeth -que era então mais Förster do que Nietzsche-e, subsequentemente de toda a tribo de fabricantes de mitos teutônicos. Na era nazista, a busca por ‘boa ancestralidade’, estendida ao campo cultural e ideológico, recaiu sobre o ‘solitário de Sils-Maria’ com mais facilidade, pois Elizabeth já o havia preparado para a deificação; e a estrutura ninivita erguida em Weimar para abrigar o Arquivo Nietzsche foi um tributo não apenas à sua obra, mas ao silêncio e conivência da maior parte do mundo acadêmico alemão. Com tudo isso, o próprio Nietzsche não tinha, é claro, nada a ver: faz parte da história, não de sua vida, mas de sua morte (Hollingdale, 1965, p. 290).

Adolf Hitler garantiu uma subvenção de 50 000 marcos (a moeda em vigor no III Reich) para a edificação dos fundamentos de uma construção denominada Nietzsche-Gedenkhalle, um dos grandes projetos arquitetônicos para a encenação de um culto-Nietzsche em Weimar. O arquiteto encarregado da execução do projeto era o diretor da Escola Superior de Arquitetura de Weimar, dr. Paul Schultze-Naumburg, que só pode realizar parcialmente o projeto de salão/memorial, situado ao lado da Nietzsche-Villa em Weimar.

Em tais condições, um culto-Nietzsche em Weimar, mantido graças a intensivos tratamentos e cuidados médicos, sob supervisão da irmã, fomentado pela extraordinária capacidade dela para produzir e administrar encenações, para mover-se com rara habilidade e sucesso nos círculos sociais e políticos de maior poder e influência, constituiu um dos fatores instrumentalizados para garantir a presença de Nietzsche na clássica Weimar. Mas também para criar e estimular a aura de um profeta emudecido, em contato silencioso fontes abscônditas de sabedoria sobre-humana, que teria confiado exclusivamente à própria irmã os segredos mais velados de sua derradeira filosofia, sobretudo a chave de compreensão do conteúdo essencial de sua projetada obra capital, que seria o coroamento sistemático de sua filosofia. Este foi o cenário do qual emergiu a figura de um Nietzsche fortemente nacionalista e apologeta da ideologia totalitária.

Elisabeth não apenas alimentava a lenda segundo a qual ela cuidava pessoalmente do irmão, como também o expunha de tempos em tempos à visitação por parte de uma seleta corte de admiradores e admiradoras. Entre os quais figuras de proa do Estado nacional-socialista.

Figura 3
Inauguração do Nietzsche-Gedenkhalle

A foto acima mostra a cerimônia de inauguração do Nietzsche-Gedenkhalle (Pavilhão Memorial de Nietzsche), a que compareceram os líderes nazistas Fritz Sauckel, plenipotenciário geral para o emprego de trabalhadores do III Reich e Joseph Goebbels, ministro da propaganda. Lê-se na inscrição: “Em Memória de Friedrich Nietzsche - Edificado sob Adolf Hitler - VI. Ano do III Reich Alemão”. Depois da morte de Elisabeth Förster Nietzsche, a Gedächtnishalle tornou-se um local de sacralização da herança intelectual de Nietzsche.

Ainda antes do colapso mental que o acometeu na passagem de 1888 para 1889, Nietzsche estava em entendimentos com seu editor Carl George Naumann, com vistas a uma nova publicação de suas obras, incluindo a quarta parte de Assim Falou Zaratustra - que Nietzsche tinha concluído em 1885 e publicado inicialmente em separado, numa tiragem reduzida de quarenta exemplares. Os planos tinham como objetivo a organização filologicamente adequada de seus textos ainda inéditos, para fins de inclusão e publicação numa edição de obras completas. Com a doença de Nietzsche e as várias espécies de dificuldades que a ela se seguiram, tais negociações foram interrompidas, tendo sido retomadas mais tarde, a partir de 1892, imediatamente depois do retorno à Alemanha da irmã do filósofo, que se tornou a responsável pelas negociações e pela gestão dos direitos autorais sobre os escritos de Nietzsche.

No plano editorial Förster-Nietzsche, conseguiu a colaboração para os Nietzsche-Archiv de alguns especialistas dotados de grande talento e competência, além do dileto amigo de Nietzsche, o músico Heinrich Köselitz (cujo apelido, conferido por Nietzsche, era Peter Gast) que se tornou seu colaborador mais próximo. Datam dessa época os primórdios do Nietzsche-Archiv, criado originariamente em formato modesto em Naumburg por Elisabeth Förster-Nietzsche e, mais tarde, - em 1896 - reinstalado, sob condições totalmente novas, na cidade de Weimar. A equipe de especialistas do arquivo se encarregou dos trabalhos de edição e publicação de diferentes versões da obra nietzschiana. Entre os intelectuais que frequentavam o Arquivo Nietzsche em Weimar contavam-se personalidades filosóficas ilustres como Martin Heidegger, Rudolf Steiner e Karl Schlechta. O Nietzsche-Archiv, em funcionamento até hoje em Weimar, continua a ser um centro de pesquisa e atividades culturais encarregado de manter vivo o legado espiritual de Friedrich Nietzsche.

Por iniciativa de outro devotado amigo de Nietzsche, o teólogo Franz Overbeck em colaboração com Heinrich Köselitz, já estava então em curso uma edição das obras de Nietzsche, que reunia também produções mais antigas, distribuídas entre diferentes editores, e farto material inédito. Em setembro de 1893, logo em seguida ao seu definitivo retorno à Alemanha, Elisabeth Förster-Nietzsche interrompeu e cancelou a publicação dessa edição, com vistas a uma nova edição de obras completas - feita sob sua supervisão pessoal. A partir de então, sob patronato do Nietzsche-Archiv, várias edições foram publicadas nos anos subsequentes, por diferentes editores, caracterizadas por desigual qualidade crítico-filológica, mas, no geral, de questionável qualificação científica - de acordo com a avaliação da pesquisa-Nietzsche contemporânea.

A história das edições das obras completas do filósofo Friedrich Nietzsche sempre se apresentou como uma grande sucessão de dificuldades e problemas. Pouco antes de seu ensombrecimento mental, Nietzsche tinha desenvolvido - variando como títulos possíveis, um projeto de livro que se tornou a obra apócrifa intitulada A Vontade de Poder - como resultado de uma compilação de textos provenientes de diferentes manuscritos, anotações e apontamentos, organizados com base em planos que o próprio filósofo tinha concebido para a realização de uma projetada obra filosófica.

A respeito do título da programada obra - que Nietzsche anunciou sob diferentes formas e várias vezes, inclusive em alguns de seus livros publicados - ele hesitou entre: Transvaloração dos Valores simplesmente; Transvaloração de Todos os Valores e A Vontade de Poder (como título principal) - Transvaloração de Todos os valores (com subtítulo) - como se pode constatar pelas transcrições abaixo1.

“Transvaloração dos Valores

Livro 1: O Anticristo

Livro 2: O Misosofo (der Misosoph)

Livro 3: O Imoralista

Livro 4: Dionysos.”2

“A Vontade de Poder

Tentativa de Transvaloração de Todos os Valores

Primeiro Livro:

O Niilismo como Consequência Final dos Supremos Valores de até agora

Segundo Livro

Crítica dos Supremos Valores de até agora, insight naquilo que por meio deles disse Sim e Não

Livro Terceiro

A Auto-Superação do Niilismo, tentativa de dizer Sim a tudo que até agora foi negado

Quarto Livro

O Superador e o Superado

Uma Predição”3

Transvaloração de Todos os Valores

Primeiro Livro: O Anticristo. Tentativa de uma Crítica do Cristianismo.

Segundo Livro: O Espírito Livre: Crítica da Filosofia como Movimento Niilista.

Terceiro Livro: O Imoralista: Crítica da mais fatal espécie de ignorância (Unwissenheit), a Moral.

Quarto Livro: Dionysos: Filosofia do Eterno Retorno.”4

De acordo com os planos editoriais de Nietzsche, a Transvaloração de Todos os Valores, ou então A Vontade de Poder deveria conter o essencial de sua filosofia, numa versão amadurecida e plenamente realizada. Grande e variada quantidade de material, planos, disposições e esboços foram coligidos e organizados por Nietzsche desde 1882 até 1888, em anotações e desenvolvimentos escritos que permaneceram inéditos, embora o projeto editorial tenha sido publicamente anunciado por Nietzsche algumas vezes. Elisabeth Föster-Nietzsche e Heinrich Köselitz elegeram um desses esboços ou planos para organizar o livro apócrifo, a saber, o seguinte:

“[+ + + ] de todos os Valores

Primeiro Livro

O niilismo europeu

Segundo Livro

Crítica dos supremos valores

Terceiro Livro

Princípio de uma nova valoração

Quaro Livro

Domesticação (Zucht) e cultivo (Züchtung)

Esboçado em 17 de março de 1887, Nizza”

I. Toda instituição de valores puramente moral (p. ex. a budista) termina com Nihilismu: esperar isto para a Europa! Acredita-se que um moralismo sem substrato religioso seria o bastante: mas com isso o caminho para o Nihilismus é necessário. Na religião falta a coerção para considerarmos a nós como instituidores de valor”. 5

Já a grande quantidade e variedade de registros, apontamentos, planos, esboços e disposições constitui o melhor argumento contra a escolha de um desses ensaios como base suficiente para uma compilação, sobretudo se esta sustenta uma pretensão à consistência histórico-crítico-filológica e filosófica. Essa insanável fragilidade é apontada enfaticamente no juízo abalizado e insuspeito de Mazzino Montinari:

“Que a compilação ‘A Vontade de Poder’, que desde então marcou época, era cientificamente insustentável como principal obra ‘filosófica’ de Nietzsche foi demonstrado em 1906/7 por Ernst e August Horneffer, e 50 anos depois por Karl Schlechta. Já apontei em outro lugar a notável resistência dos seguidores e pesquisadores de Nietzsche ao próprio tema em questão. Aqui, gostaria apenas de enfatizar mais uma vez que esta percepção - ou seja, que Nietzsche não havia escrito uma obra com esse título, nem jamais pretendera - era uma conclusão inevitável” (Montinari 1980, p. 16).

Para elucidar as razões desse julgamento, é necessário levar em consideração ainda algumas ponderações históricas elencadas por Mazzino Montinari como determinantes na organização de sua própria edição histórico-crítico-filológica dos escritos de Nietzsche, que se firma atualmente como uma referência incontornável da pesquisa internacional sobre a obra do filósofo:

Que, o mais tardar em 20 de novembro de 1888, Nietzsche considerasse seu Anticristo a Transvaloração completa, de modo que o título principal, ‘Transvaloração de Todos os Valores’, se tornasse o subtítulo, como escreveu explicitamente a Paul Deussen (26 de novembro de 1888: ‘Minha Transvaloração de Todos os Valores, com o título principal, O Anticristo, está concluída.’), e que, no final de dezembro, ele também tenha alterado o subtítulo (agora era: ‘Maldição ao Cristianismo’): tudo isso, juntamente com a história de sua autobiografia, Ecce Homo, os Ditirambos de Dionísio e o breve ensaio ‘Nietzsche contra Wagner’, bem como suas proclamações políticas contra a Alemanha do jovem Kaiser Guilherme II, pertence à conclusão aparentemente desconcertante da obra de Nietzsche, que marcou o fim de seu espírito. A catástrofe de Turim ocorreu quando Nietzsche literalmente havia acabado com tudo (Montinari 1980, p. 18).

Essa tragédia biográfica do autor, e uma curiosa expectativa em torno de seu anúncio, criaram uma atmosfera propícia para uma apropriação indevida de seu espólio filosófico para fins de manipulação ideológico-política, numa funesta deturpação, cujo exemplo superlativo é representado justamente pela obra apócrifa A Vontade de Poder. Tendo sobretudo esse livro como base, gestou-se uma falaciosa interpretação do pensamento de Nietzsche como legitimação filosófica de regimes políticos totalitários, como justificação teórica avant la lettre do nazifascismo, figurando seu conceito de Além-do-Homem como fonte de inspiração para delírios de onipotência e supremacia racial - um livro tão problemático, a ponto de poder-se afirmar hoje, sem nenhuma dúvida, que sua autoria não pode ser fundamentadamente atribuída a Nietzsche.

No entanto, a despeito de tudo, esse livro passou a fazer parte integrante da fortuna crítica, da história da recepção de sua obra, constituindo-se, portanto, num evento que não pode ser um elidido capítulo dessa história - o que justifica, assim, que seja incluído como um momento relevante das “viagens de Nietzsche“ em Weimar. Dado o final abrupto da carreira filosófica de Nietzsche, a abundância do material inédito deixado por ele em diversos formatos, em face ainda da multiplicidade de perspectivas e do caráter não sistemático de seu pensamento, gerou-se a lenda (e o mito nela baseado) de uma obra capital, sistematicamente organizada, que encerraria, em formato definitivo seu conteúdo autêntico e integral, e que se teria perdido, extraviado ou mesmo sido dolosamente subtraído.

Essa aura de mistério acalentou fantasias que ajudaram a fortalecer a crença de que a irmã de Nietzsche, Elisabeth Förster-Nietzsche, seria a intérprete privilegiada de seu pensamento, pois que obtivera a posse dos escritos inéditos, juntamente com os direitos autorais sobre a obra publicada, além da curadoria de seu irmão doente ainda vivo. E foi com base nessa ‘mitologia’ que foram organizadas as duas edições de A Vontade de Poder, com as manipulações e adulterações que assinalam a história desse livro.

Como fica demonstrado pelo trabalho editorial de Giorgio Colli e Mazzino Montinari, também A Vontade de Poder faz parte da legenda e do mito. Os textos que foram reunidos nas diferentes edições dessa obra foram retirados de seus contextos temáticos, dos manuscritos originais, dispostos e arranjados a partir de critérios histórico-filológicos completamente arbitrários, além de que algumas passagens - tanto de obras como do epistolário de Nietzsche foram comprovadamente adulteradas. À vista do que ocorreu com a obra apócrifa, torna-se oportuno e pertinente esclarecer alguns aspectos da história das edições levadas a efeito sob a responsabilidade e patronato do Nietzsche-Archiv em Weimar.

A esse respeito, particularmente digna de menção é a chamada edição completa em oitavo maior Gesamtausgabe (GA), que foi publicada de 1894 a 1913, inicialmente em Leipzig por C.G. Naumann, posteriormente por Alfred Kröner Verlag, em 19 volumes; um volume de Register foi adicionado em 1926. Essa edição, conhecida como edição em oitavo maior - Großoktav-Ausgabe (GAK)-, também foi interrompida em 1897 (após oito volumes de obras e quatro volumes de artigos) devido a divergências entre Elisabeth Förster-Nietzsche e o editor, o escritor e filólogo Fritz Koegel. Numa nova impressão, em 1899, os volumes do espólio foram recompilados, contendo (embora novamente em versões diferentes) a célebre coletânea Der Wille zur Macht.

Paralelamente a essas publicações, o Nietzsche-Archiv promoveu uma edição em oitavo menor (1895-1904) de obras de Nietzsche, e várias edições de bolso, todas mais ou menos baseadas na edição em oitavo maior. De 1920 a 1929, é publicada em Munique a assim chamada ‘edição monumental’ a Musarion-Ausgabe, em 23 volumes (MusA) -, com o propósito de ser uma edição de colecionador. Em termos de conteúdo, porém, essa edição não foi muito além da edição em oitavo maior.

Desde o início, porém, o trabalho editorial do Nietzsche-Archiv foi objeto de severas objeções por parte da pesquisa especializada, em alguns casos até mesmo por ex-funcionários do arquivo. Os críticos mais importantes foram os filólogos Ernst e August Horneffer, o historiador da filosofia Charles Andler, mas também Josef Hofmiller, Erich F. Podach. Fritz Koegel e Rudolf Steiner, funcionários do Nietzsche-Archiv durante algum tempo, que já tinham se manifestado a respeito dos questionáveis métodos editoriais do Nietzsche-Archiv. No entanto, essa crítica era desconhecida ou indiferente a um público mais amplo. De todo modo, a grande maioria dos pesquisadores, e especialmente o público, utilizaram as edições de Weimar, a despeito das críticas. Em oposição à interpretação de Weimar, sua congênere da Basileia concentrou-se em torno de Carl Albrecht Bernoulli, que se via como o sucessor de Franz Overbeck.

A Vontade de Poder. Ensaio de uma Transvaloração de Todos os Valores. Publicado em 1901, tem como editores Ernst Horneffer, August Horneffer e Heinrich Köselitz. Elisabeth Förster-Nietzsche prefacia a compilação, que nessa edição é composta por 483 pretensos aforismos de Nietzsche.

A Vontade de Poder, em segunda e revista edição, publicada em 1906, é de autoria editorial de Elisabeth Förster-Nietzsche e Heinrich Köselitz. Nessa versão, o livro contém 1.067 pretensos aforismos, distribuídos em quatro livros. Essa é a chamada edição canônica de A Vontade de Poder. Em 1911 esse texto foi incorporado à edição em oitavo maior (Großoktavausgabe), acrescida de um aparato crítico. O próprio aparato crítico, por certo involuntariamente, deixava entrever a extensão e gravidade das intervenções falsificadoras; ele foi retirado em reimpressões e edições posteriores (na Musarionausgabe de 1922; na edição por Alfred Baeumler, pela Editora Kröner em 1930).

A Vontade de Poder: Uma Interpretação de todo Acontecer, editado em 1917 por Max Brahn, na assim chamada “Klassiker-Ausgabe“ (1919/1921) contém 696 pretensos aforismos de Nietzsche. A Vontade de Poder, edição de August Messer, publicada em 1930, nos marcos da “Obras em Dois Volumes“, da Editora Kröner, contém 491 pretensos aforismos, tendo conhecido sucessivas reimpressões. La Volonté de Puissance, ed. Friedrich Würzbach, publicada em Paris, em 1935 pela Editora Gallimard contém 2.397 pretensos aforismos, sendo largamente utilizada na França, pelo menos até o surgimento da edição histórico-crítico-filológica por G. Colli e M. Montinari.

A edição por Karl Schlechta das obras de Nietzsche (Werke in drei Bänden. München: Carl Hanser Verlag, 1954 ss.) merece destaque especial: sob o título “Do Espólio Filosófico dos Anos Oitenta”, ela contém o mesmo material da segunda edição de A Vontade de Poder (1906), mas sem títulos intermediários e em ordenação supostamente cronológica. No entanto, a ordem não é rigorosamente cronológica, e não foram evitados erros de decifração, rearranjos, combinações etc. De acordo com a avaliação da pesquisa atual sobre a obra de Nietzsche, a edição Schlechta tem o mérito de ter abalado a lenda relativa à existência de uma ‘obra principal em prosa’, mas não pode ser utilizada como edição fidedigna do espólio filológico-filosófico de Nietzsche.

A Edição Crítica das Obras Completas de Nietzsche (KGW), iniciada por Giorgio Colli e Mazzino Montinari, encontra-se ainda em vias de finalização, contando atualmente com mais de 40 volumes publicados. Tendo por base essa edição, em 1980 vem a público pela primeira vez a Edição Crítica de Estudos da obra de Nietzsche, conhecida como Kritische Studienausgabe (KSA), também simultaneamente publicada por de Walter Gruter, Deutscher Taschenbuch Verlag (DTV), Gallimard e Adelphi, em 15 volumes, contendo as obras publicadas durante a vida de Nietzsche e um conjunto de materiais inéditos, extraídos do espólio, com datação a partir de 1869, acompanhado de importante aparato histórico-crítico-filológico - reduzido, é certo, em comparação com a KGW, mas suficiente para finalidades de estudos e pesquisa.

Em associação com a KGW e também com a KSA, começaram a ser publicados os Nietzsche-Studien, anuário de que Mazzino Montinari foi cofundador, bem como os volumes da revista Nietzsche-Forschung; esses periódicos publicam o que há de mais relevante na pesquisa mundial sobre a obra de Nietzsche.

Dadas as condições atuais desta pesquisa - e sobre o pano de fundo da história de Nietzsche em Weimar - é indispensável a menção à publicação da Seção IX da Edição Histórico-Crítico-Filológica das obras de Nietzsche - conhecida pela sigla KGW IX, um dos episódios mais atuais e relevantes da recepção da filosofia de Nietzsche. Muito recentemente concluída, a Seção IX da KGW é composta por 14 volumes.

Em 2001, inicialmente sob responsabilidade Marie-Luise Haase e Michael Kohlenbach, em copatrocínio com a Academia de Ciências de Berlim-Brandemburgo, iniciou-se a publicação da hoje já célebre seção IX da KGW - um feito editorial e filológico ímpar na história das edições críticas de obras filosóficas. Nela são reproduzidos fiel e integralmente os manuscritos e fragmentos, contendo mapas, apontamentos, anotações, cadernos de trabalho e outros documentos, acompanhados por esclarecimentos editoriais acerca do tipo e estilo específico de escrita praticado por Nietzsche no material de elaboração literária de seu trabalho.

Tais anotações e apontamentos integrantes do espólio filosófico tardio de Nietzsche (de 1885 a 1889) são de decifração extremamente dificultosa, mas são também filosoficamente indispensáveis, dada a prodigiosa riqueza de seu conteúdo, a importância que adquiriram na história da recepção e interpretação da obra de Nietzsche, bem como pela frequência com que a eles recorre a pesquisa especializada. Ao editá-las em todos os seus estágios, níveis e etapas de proveniência e elaboração, com todas as suas constantes modificações e variantes, a seção IX da KGW modifica o entendimento até agora consolidado a respeito do que se poderia considerar uma base textual segura e confiável, proveniente do espólio nietzscheano.

Enquanto as edições anteriores das obras completas de Nietzsche, com o objetivo de propiciar uma leitura aplainada e corrente, dividiam as anotações e apontamentos inéditos em materiais preparatórios (Vorstufen) e fragmentos póstumos (Nachlassfragmente), sem reconstituí-los em sua autêntica materialidade, a seção IX da KGW, diferentemente disso, conserva o formato, o aspecto original e a datação dos escritos, reconstruindo a configuração topológica dos manuscritos, sua ordenação espacial, com todas as inserções, rasuras, alterações, riscos e traços de correção empreendidos por Nietzsche, e sobretudo dispondo-os em rigorosa sucessão cronológica.

A impressão gráfica é feita em cinco cores diferentes, para que o leitor possa acompanhar adequadamente as diversas camadas dos originais, os traços, os sublinhamentos/destaques e riscos, correções, modificações e cancelamentos feitos por Nietzsche nos cadernos e manuscritos. Tanto quanto possível, a seção IX resgata, em formato impresso, com detalhe e rigor, as inúmeras retranscrições, inserções marginais, adendos feitos acima e abaixo da linha original, interpolações, correções, destaques e riscos de cancelamento, direcionamento da escrita, da direita para a esquerda e vice-versa.

Os volumes publicados da seção IX são acompanhados por dispositivos de CD-ROM, que exibem reproduções digitalizadas e facsimilares dos manuscritos, cadernos e “mapas”, ensejando a pesquisadores e pesquisadoras a possibilidade de novos projetos de investigação, como, por exemplo, uma reconstrução da história de proveniência de obras de Nietzsche, ou uma análise do desenvolvimento de seu pensamento filosófico ao fio condutor de seus cadernos de notas, criteriosamente reconstituídos em seu formato original.

Nesse mesmo contexto, torna-se imperiosa a menção à plataforma digital intitulada Nietzsche Source (http://www.nietzschesource.org/). A quase totalidade do espólio filosófico de Nietzsche foi digitalizada e tornou-se acessível na Internet pela plataforma Nietzsche Source. Com base nos trabalhos realizados na Seção IX da Edição Histórico-Crítico-Filológica da obra de Nietzsche (KGW), nas demais seções da KGW e na KSA, os leitores e leitoras contemporâneos tem acesso também à edição completa digital-facsimilar (DFGA) dos escritos de Friedrich Nietzsche, organizada pelo filósofo Paolo D’Iorio, publicada no sítio Nietzsche Source da Internet, que disponibiliza, pela primeira vez, uma reprodução digital de todo o espólio literário de Nietzsche (primeiras edições de obras, manuscritos, cartas e documentos biográficos, num trabalho ainda em curso).

A edição completa digital-facsimilar (DFGA) oferece acesso às fontes primárias para pesquisas sobre a vida e a obra de Nietzsche, disponibilizando fac-símiles coloridos e altamente elucidativos, que, com o auxílio de procedimentos informáticos, podem ser lidos, aumentados, impressos e arquivados por pesquisadoras e pesquisadores interessados. Para tanto, a DFGA tem por base um exato sistema digital de classificação, que designa cada página singular com um endereço de internet inequívoco e estável. No estabelecimento desse sistema de classificação, a meta da DFGA foi almejar uma elevada medida de compatibilidade com a edição crítica standard (KGW), assim como o material de pesquisa já existente. A DFGA completa e aperfeiçoa a classificação já existente, corrigindo erros e preenchendo lacunas de numeração. As siglas utilizadas nos URLs correspondem às abreviações constantes dessa classificação, seguidas a cada vez por números de páginas.

Com isso, a DFGA torna-se, para a citação acadêmica e o referenciamento, uma das primeiras edições eletrônicas de assegurado valor e facilmente utilizável. No futuro, uma concordância produzirá sua compatibilidade com todas as classificações dos manuscritos precoces de Nietzsche, como também com a edição KGW e KSA. O resultado será uma identificação e localização exata das páginas dos manuscritos, que na edição Colli-Montinari (KGW e KSA) foram classificados como “fragmentos póstumos”.

Com a DFGA e projeto do novo Dicionário-Nietzsche (Nietzsche-Wörterbuch), a cargo do grupo de pesquisa liderado na Holanda Paul van Tongeren (Nijmegen) e Herman Siemens (Leiden), cujo primeiro volume, denso e alentado, já foi publicado em 2004 pela editora Walter De Gruyter), novos dispositivos e recursos, de imenso valor filológico e histórico-crítico-filosófico, são postos à disposição de uma pesquisa mundial sempre florescente e inovadora tendo por objeto a obra de Friedrich Nietzsche, um pensador seminal também para nosso tempo.

O espólio filosófico, literário e pessoal de Nietzsche está sob gestão dos Arquivos-Nietzsche (Nietzsche-Archiv) e atualmente faz parte integrante do Friedrich Nietzsche Kolleg (Colégio Friedrich Nietzsche) em Weimar - um centro internacional de estudos e atividades culturais mantido sob a égide institucional da célebre Klassik Stiftung Weimar. Como se percebe, as “viagens“ de Nietzsche a Weimar continuam a gestar seus extraordinários frutos.

Fundado em 1999, o Kolleg Friedrich Nietzsche é uma instituição que mantém e promove a continuidade do legado cultural do filósofo. O colégio é um espaço de estudos e reflexão filosófica em estreita e permanente interação com vários setores da vida cultural contemporânea. Em consonância com o conceito de Nietzsche de um lugar para “espíritos livres", o Kolleg se oferece como um fórum para filósofos, acadêmicos, artistas e pessoas interessadas em se engajar em debates intelectuais sobre as questões fundamentais de nossa época. Graças às recentes gestões do Friedrich Nietzsche Kolleg, os livros, manuscritos, cartas e cadernos de notas de Nietzsche foram reconhecidos pela UNESCO como pertencentes ao patrimônio histórico da humanidade.

Em sua maior parte, os manuscritos, as cartas, os cadernos de anotações, trabalhos escritos, esboços de textos preparados para publicação e mantidos inéditos, os documentos avulsos, a biblioteca pessoal e outros materiais pessoais pertencentes ao espólio filosófico de Nietzsche encontram-se no acervo bibliográfico do Goetheund Schiller-Archiv, abrigados na Herzogin Anna Amalia Bibliothek, na mesma cidade. Outra parte também se encontra tanto na biblioteca da Universidade de Basileia, no arquivo estatal desta mesma cidade; quanto também na Nietzsche-Haus, em Sils-Maria, na Suíça, cidade que constitui importante referência para a biografia e obra do filósofo.

O Friedrich Nietzsche Kolleg está situado nas dependências do histórico Nietzsche-Archiv, na "Villa Silberblick“, em Burgplatz 4, em Weimar. Foi lá que Nietzsche passou seus últimos anos em estado de declínio mental, mas também foi de lá que sua influência se espalhou para todos os cantos do mundo. Por meio de um programa de bolsas de estudo, diversos eventos e publicações em diversas mídias, o Kolleg aborda tópicos fundamentais da cultura, sociedade, arte e ciência contemporâneas, exercendo grande influência sobre a Nietzsche-Forschung em todo o mundo.

Por conseguinte, pode-se dizer que, do ponto de vista do espírito, a viagem de Nietzsche a Weimar está destinada a não terminar.

  • Como citar:
    GIACOIA JUNIOR, Oswaldo. As viagens de Nietzsche: o capítulo Weimar. Revista de Filosofia Aurora, Curitiba: Editora PUCPRESS, v. 38, e202633728, 2026. DOI: https://doi.org/10.1590/2965-1557.038.e202633728
  • 1
    A história detalhada da compilação A Vontade de Poder, assim como a demonstração de sua insustentabilidade do ponto de vista editorial e filosófico; as diferentes elaborações dadas por Nietzsche ao material que serviria de base para a composição do livro projetado, até a reformulação definitiva de seus planos constituem um capítulo especial do livro de Mazzino Montinari intitulado Nietzsche Lesen, elencado na bibliografia.
  • 2
    Nietzsche, F. Apontamento Inédito nº 11 [416]; novembro de 1887 - março de 1888. In: http://www.nietzschesource.org/#eKGWB/NF-1887,11.
  • 3
    Nietzsche, F. Apontamento Inédito nº 9 [164] do outono de 1887. In: http://www.nietzschesource.org/#eKGWB/NF-1887,9[164]
  • 4
    Nietzsche, F. Apontamento Inédito nº 19[8]; setembro de 1888. In: http://www.nietzschesource.org/#eKGWB/NF-1888,19
  • 5
    Nietzsche, F. Apontamento Inédito nº 7 [64] do final de 1886 - primavera de 1887. In: http://www.nietzschesource.org/#eKGWB/NF-1886,7[64]. A parte superior da folha está rasgada. A lacuna é indicada por [+ + + ]. Texto reproduzido em conformidade com a edição histórico-crítico-filológica dos escritos de Nietzsche por G. Colli e M. Montinari (KGW).

Declaração de disponibilidade de dados

O presente artigo tem como foco principal contribuições de natureza teórica ou metodológica, sem a utilização de conjuntos de dados empíricos. Dessa forma, conforme as diretrizes editoriais da revista, o artigo está isento de depósito no SciELO Data.

Referências

  • HOLLINGDALE, R. J. Nietzsche: the man and his philosophy. Baton Rouge, Louisiana: Louisiana State University Press, 1965.
  • JANZ, C. P. Nietzsche: eine biographie. 2. ed. München: Carl Hanser Verlag, 1993.
  • MONTINARI, M. Nietzsche lesen Berlin: De Gruyter, 1975.
  • NIETZSCHE, F. Crepúsculo dos ídolos: o que falta aos alemães, § 1. Tradução de Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2006.
  • NIETZSCHE, F. Sämtliche Werke: kritische Studienausgabe (KSA) Organizado por G. Colli e M. Montinari. Berlin; New York; München: De Gruyter; DTV, 1980.

Editado por

  • Editores responsáveis:
    Léo Peruzzo Júnior e Jelson Oliveira.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    30 Mar 2026
  • Data do Fascículo
    2026

Histórico

  • Recebido
    05 Nov 2025
  • Aceito
    28 Dez 2025
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