Objetivos Analisar a prevalência de infecção pelo papilomavírus humano (HPV) de alto risco em mulheres vivendo com HIV/aids e identificar fatores de risco associados e diversidade genotípica por RT-PCR.
Método Tratou-se de estudo transversal com mulheres cisgênero HIV-positivas, atendidas em centro de referência para HIV/aids no Espírito Santo, entre maio de 2021 e maio de 2022. Foram incluídas mulheres entre 18-64 anos, em terapia antirretroviral, sem déficits cognitivos ou clínicos. Para detecção e genotipagem do HPV, realizou-se autocoleta vaginal para reação de cadeia em polimerase em tempo real (RT-PCR). Dados sociodemográficos, comportamentais, laboratoriais e clínicos foram analisados por meio dos testes exato de Fisher e qui-quadrado para verificar as associações com HPV. Para estimar as razões de prevalência (RP) e intervalos de confiança de 95% (IC95%), utilizou-se regressão de Poisson com variância robusta. Foi considerado significativo um p-valor<0,05.
Resultados Das 207 amostras autocoletadas, 100,0% foram válidas para RT-PCR. A prevalência do HPV foi de 60,4%, com os genótipos 58, 68 e 52 sendo os mais comuns. Na análise ajustada, a carga viral detectável do HIV/aids esteve associada ao aumento de 37,0% na probabilidade de infecção por HPV (RP 1,37; IC95% 1,00; 1,88). O HPV-18 esteve associado a cinco vezes mais alterações na citopatologia cervical.
Conclusão Mulheres com HIV/aids apresentaram alta prevalência de HPV de alto risco, predominando o genótipo 58, com maior probabilidade de infecção associada à carga viral detectável. A validade das amostras autocoletadas comprova a eficácia da técnica no rastreamento do HPV, reforçando seu potencial na prevenção do câncer cervical.
Palavras-chave
Papillomavirus Humano; HIV; Genótipos; Lesões Intraepiteliais Escamosas Cervicais; Estudos Transversais
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