Objetivo: Analisar a tendência temporal e os fatores associados à incapacidade física da hanseníase no Brasil no período de 2014 a 2023.
Métodos: Estudo de série temporal subdividido em análise dos indicadores operacionais e dos fatores associados ao grau de incapacidade da hanseníase no Brasil. Os dados foram extraídos do Sistema de Informação de Agravos de Notificação. Foi calculada a taxa de incidência de hanseníase com incapacidade física grau 2 por 1 milhão de habitantes. Os fatores associados foram medidos pela regressão logística, que gera a razão de chances (odds ratio, OR), a tendência pela regressão de Prais-Winsten e a variação percentual anual.
Resultados: Foram analisados 228.577 casos de hanseníase no Brasil entre 2014 e 2023. As regiões Centro-Oeste e Norte apresentaram taxa de 19,61/1 milhão e 19,12/1 milhão, respectivamente. A variação percentual anual foi de 6,0 (intervalo de confiança de 95% - IC95% 5,1; 6,9) para os casos novos com grau 2 de incapacidade no Brasil. Os fatores associados ao grau de incapacidade 1 foram: ≥60 anos (OR 3,36; IC95% 1,03; 3,15), forma tuberculoide (OR 0,95; IC95% 0,89; 1,04) e baixa escolaridade (OR 1,50; IC95% 1,03; 1,41). Para o grau 2, os fatores associados foram sexo masculino (OR 1,56; IC95% 1,02; 1,51), gestação (OR 1,11; IC95% 0,86; 1,13) e forma multibacilar (OR 1,99; IC95% 1,14; 1,54).
Conclusão: Em suma, menores chances de apresentar incapacidades físicas de grau 1 ou grau 2 associadas ao sexo feminino, à forma clínica tuberculoide, à residência nas regiões Sudeste e Sul e à condição de nível superior.
Palavras-chave:
Hanseníase Multibacilar; Hanseníase Tuberculoide;
Mycobacterium leprae
; Estudos de Séries Temporais; Estudos Transversais.