Peer review B
Questionnaire
Does the manuscript contain new and significant information to justify publication? Yes
Does the Abstract (Summary) clearly and accurately describe the content of the article? Yes
Is the problem significant and concisely stated? No
Are the methods described comprehensively? Yes
Are the interpretations and conclusions justified by the results? No
Is adequate reference made to other work in the field? No
Manuscript Structure
Length of article is: Adequate
Number of tables is: Adequate
Number of figures is: Adequate
Please state any conflict(s) of interest that you have in relation to the review of this paper. None
Interest: Excellent
Quality: Average
Originality: Excellent
Overall: Good
Recommendation: Minor Revision
Comments
Trata-se de um tema pertinente e necessário, com potencial para contribuir com reflexões importantes sobre a organização do planejamento em saúde. No entanto, alguns aspectos do manuscrito requerem revisão, visando aprimorar a clareza, ampliar a robustez analítica e favorecer a replicabilidade do estudo em outros contextos de saúde. A seguir, apresento as principais recomendações para revisão e aperfeiçoamento do manuscrito:
INTRODUÇÃO:
A introdução apresenta uma contextualização normativa e histórica consistente sobre a institucionalização do planejamento no Sistema Único de Saúde (SUS), com referência à Lei n.º 8.080/1990. A importância estratégica do planejamento em saúde é bem fundamentada, sobretudo ao destacar sua função de pactuação inter federativa e sua centralidade na organização das ações do SUS. O manuscrito também justifica a pertinência do estudo ao apontar a escassez de investigações voltadas ao perfil dos profissionais que atuam na gestão do planejamento em saúde.
No entanto, observa-se uma delimitação conceitual pouco clara do que se compreende por “força de trabalho da gestão do planejamento”. Recomenda-se que os autores incluam um parágrafo conceitual ou operacional que explicite quem compõe essa força de trabalho, suas atribuições, formação, níveis de inserção e responsabilidades no processo de planejamento.
Além disso, embora o texto mencione a escassez de estudos sobre a temática, seria pertinente aprofundar o estado da arte da literatura existente, apontando quais são os principais achados das pesquisas já realizadas e em que medida o presente estudo avança ou contribui com novas perspectivas.
OBJETIVO
O uso do verbo “investigar” no enunciado do objetivo pode superestimar o escopo do estudo, uma vez que esse termo está geralmente associado a abordagens analíticas, interpretativas ou explicativas. Considerando que o delineamento adotado é de um estudo transversal descritivo, recomenda-se substituir o verbo “investigar” por “descrever”, de modo a alinhar o objetivo à proposta metodológica apresentada no manuscrito.
MÉTODO
Recomenda-se acrescentar o termo “descritivo” ao lado de “transversal” na definição do delineamento do estudo, a fim de tornar mais preciso o enquadramento metodológico. Enquanto o termo “transversal” delimita o recorte temporal (coleta em um único ponto no tempo), “descritivo” explicita que o estudo tem como objetivo principal caracterizar uma população, o que está em consonância com o tipo de análise apresentada no manuscrito.
Na linha 47 da página 3, na subseção “Fonte, mensuração dos dados e controle do viés”, sugere-se substituir a expressão “Quanto à forma de coleta de dados” por “Quanto ao recrutamento e seleção dos participantes”, uma vez que o trecho descreve o processo de engajamento dos participantes, e não propriamente a forma de coleta.
Ainda nessa seção, recomenda-se detalhar as estratégias de controle de viés adotadas no estudo. A informação de que “a coleta de dados foi supervisionada por dois epidemiologistas” e que “a consistência dos dados foi verificada semanalmente” diz respeito ao controle de qualidade da coleta, mas não contempla ações voltadas à mitigação de viéses potenciais.
Por fim, sugere-se que a seção de aspectos éticos inclua uma menção à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD - Lei n.º 13.709/2018), considerando que o estudo envolveu a coleta de dados pessoais e sensíveis (como idade, raça/cor, escolaridade, vínculo empregatício e município de atuação), aplicados por meio de questionários online autoaplicáveis. É fundamental explicitar como os dados foram tratados e armazenados.
RESULTADOS
No trecho “A maioria dos respondentes eram do sexo feminino (52,68% para secretários e 77,26% para trabalhadores)”, sugere-se substituir os termos “secretários” e “trabalhadores” por “secretárias” e “trabalhadoras”, considerando que a análise refere-se ao sexo/gênero dos participantes e não apenas aos cargos ocupados.
Recomenda-se também substituir a expressão “idade média” por “média de idade”, uma vez que o uso da primeira pode gerar ambiguidade, especialmente fora do contexto estatístico, por remeter ao período histórico.
DISCUSSÃO
O trecho “A maioria dos respondentes da presente pesquisa era do sexo feminino…” embora o texto mencione o predomínio de mulheres entre os respondentes, ele não avança na análise das desigualdades de gênero em termos de hierarquia, estabilidade no cargo, poder decisório ou condições de trabalho.
O trecho “...predominantemente da cor de pele autorreferida branca…” mencionado da discussão, embora apresente os dados de cor/raça, trata o tema de forma superficial. Sugiro uma análise crítica das implicações estruturais e institucionais do predomínio de pessoas brancas nesses cargos de decisão no SUS. Ademais, faz-se necessário discutir a interseccionalidade, como cor, gênero e acesso à formação e poder institucional.
A área de formação dos profissionais de gestão e planejamento é um elemento estruturante da qualidade do processo de planejamento em saúde. Explorar criticamente essa variável, ressaltando sobre o que isso significa para a atuação no planejamento em saúde, nem sobre as implicações dessa composição do saber técnico e político.
Recomenda-se aprofundar a discussão sobre a baixa proporção de secretários com experiência prévia em planejamento no SUS (37,05%). Esse dado, além de descritivo, tem implicações relevantes para a qualificação da gestão local e pode refletir limitações do modelo de nomeação política. Uma análise crítica desse aspecto fortaleceria a discussão e ampliaria a contribuição do artigo para o debate sobre a profissionalização da gestão no SUS.
Sugiro que os autores aprofundem a análise das fragilidades estruturais da gestão do planejamento em municípios de pequeno porte, destacadas nos resultados. Essa discussão fortalecerá o caráter propositivo do artigo e ampliará sua contribuição para o aperfeiçoamento das políticas públicas de saúde no nível local.
Incluir, ao final da discussão, um parágrafo com possíveis estratégias de enfrentamento, como investimento em capacitação, indução federal/estadual, valorização da carreira técnica, entre outros.
CONCLUSÃO
Recomenda-se revisar o uso da expressão “conhecer o modus operandi”, uma vez que o estudo não investigou diretamente práticas, processos de trabalho ou rotinas decisórias dos gestores e trabalhadores do planejamento. O termo pressupõe uma abordagem qualitativa ou observacional que não corresponde ao desenho adotado. Sugere-se reformular a frase para indicar que os dados contribuem para compreender aspectos estruturais e contextuais que influenciam a atuação desses atores no SUS.
