Objetivos Avaliar o tempo para diagnóstico do câncer de colo uterino no Brasil e identificar os fatores sociodemográficos e clínicos associados no período 2016-2020.
Métodos Tratou-se de estudo transversal de neoplasias de colo uterino diagnosticadas entre 2016 e 2020, por meio de dados coletados do Registro Hospitalar de Câncer. Aplicou-se o modelo de regressão logística para o cálculo das razões de chances (odds ratio, OR) e dos intervalos de confiança de 95% (IC95%). As estimativas foram convertidas em razões de prevalências (RP). O nível de significância de 5% foi adotado para todas as análises.
Resultados Avaliaram-se 23.548 casos. A prevalência de atraso do diagnóstico de câncer de colo uterino foi maior em mulheres com nenhuma escolaridade (RP 1,40; IC95% 1,19; 1,65), raça/cor da pele preta ou parda (RP 1,15; IC95% 1,06; 1,25), residentes na região Norte (RP 1,37; IC95% 1,21; 1,55), encaminhadas pelo Sistema Único de Saúde (RP 1,29; IC95% 1,18; 1,41) e com diagnóstico estabelecido em 2020 (RP 1,29; IC95% 1,16; 1,43). O atraso no diagnóstico foi menos frequente entre mulheres com doença nos estágios III (RP 0,31; IC95% 0,28; 0,35) e IV (RP 0,37; IC95% 0,32; 0,42).
Conclusão O atraso no diagnóstico do câncer do colo do útero está associado a desigualdades sociodemográficas e desafios no Sistema Único de Saúde. Mulheres negras, com menor escolaridade e da região Norte apresentaram maior prevalência de diagnóstico tardio. Os resultados reforçam a necessidade de fortalecer a linha de cuidado e qualificar os processos de confirmação diagnóstica, especialmente para populações socialmente vulneráveis.
Palavras-chave
Neoplasias do Colo do Útero; Diagnóstico Tardio; Fatores Socioeconômicos; Assistência Integral à Saúde; Estudos Transversais
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