RESUMO
Este artigo analisa como intelectuais do ISEB - como Roland Corbisier, Nelson Werneck Sodré, Álvaro Vieira Pinto, Alberto Guerreiro Ramos e Roberto Campos - abordaram os conceitos de cultura, alienação e imperialismo em suas agendas de pesquisa entre os anos de 1954 e 1960. Com base em conferências e textos do período, o estudo evidencia interpretações heterogêneas da noção de cultura e suas articulações com o projeto de desenvolvimento nacional. Argumenta-se que o discurso isebiano constitui um sistema radicular diversificado, que combina teoria da modernização, marxismo nacional e crítica pós-colonial em formação, antecipando diagnósticos sobre o que mais tarde seria definido como “imperialismo cultural”.
PALAVRAS-CHAVE:
Imperialismo; cultura; alienação; desenvolvimento; mimetismo; nacionalismo
ABSTRACT
This article analyzes how intellectuals from ISEB - such as Roland Corbisier, Nelson Werneck Sodré, Álvaro Vieira Pinto, Alberto Guerreiro Ramos and Roberto Campos - approached the concepts of culture, alienation and imperialism in their research agendas between 1954 and 1960. Based on conferences and texts from the period, the study highlights heterogeneous interpretations of the notion of culture and its articulations with the national development project. It is argued that ISEB discourse constitutes a diversified root system, which combines modernization theory, national Marxism and postcolonial critique in formation, anticipating diagnoses about what would later be defined as “cultural imperialism”.
KEYWORDS:
Imperialism; culture; alienation; development; mimicry; nationalism
INTRODUÇÃO
“Meu orgulho”, escreveu o filósofo brasileiro Roland Corbisier, “estava em conhecer a produção cultural europeia tão bem ou melhor do que os próprios europeus. Quando um intelectual europeu nos visitava, timbrava em mostrar não só que falava perfeitamente a língua do visitante, mas que estava a par das últimas novidades, dos últimos livros editados em seu país” (Corbisier, 1978, p. 50). Em 1951, quando Corbisier mostrou a cidade de São Paulo para o filósofo francês Gabriel Marcel e organizou duas conferências dedicadas a ele, Corbisier dirigiu-se ao visitante unicamente em francês (Corbisier, 1978, p. 77). Contudo, nove anos depois, quando Jean-Paul Sartre ministrou uma palestra sobre colonialismo para um auditório lotado no Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB), no Rio de Janeiro, Corbisier introduziu Sartre ao público não em francês, mas em português (Corbisier, 1978, p. 99-100). Durante os nove anos que separaram as visitas de Marcel e Sartre ao Brasil, o desejo de falar a própria língua como “demonstração de autonomia” havia substituído o anseio por impressionar visitantes com seu conhecimento da língua e da cultura francesas (Corbisier, 1978, p. 100).
A história de Corbisier pode ser lida como uma analogia às concepções de cultura e desenvolvimento que emergiram do ISEB na segunda metade dos anos 1950. Nas palavras do então presidente Juscelino Kubitschek (1956-1961), a criação do ISEB teve como objetivo formar “uma mentalidade, um espírito e uma atmosfera de inteligência para o desenvolvimento”, por meio da formulação de uma ideologia nacional-desenvolvimentista (Pécaut, 1990, p. 110; Toledo, 1978, p. 32). Assim, até que a ditadura civil-militar encerrou as atividades do ISEB, em 1964, diversos intelectuais se uniram para elaborar e ministrar aulas e conferências e para publicar artigos científicos sobre os caminhos do desenvolvimento industrial e capitalista do Brasil. Os isebianos que se propuseram a examinar o papel da cultura no desenvolvimento nacional perceberam, de um lado, que o desenvolvimento cultural poderia ser tido como dispositivo essencial para o desenvolvimento econômico e, de outro, que a década de 1950 foi um momento único para a libertação cultural brasileira.
Neste artigo, focamos na maneira como Roland Corbisier, Nelson Werneck Sodré, Álvaro Vieira Pinto, Guerreiro Ramos e Roberto Campos lidaram com as noções de cultura, alienação, mimetismo e imperialismo, entre os anos de 1954 e 1960. Esses intelectuais, que foram extremamente influentes na história intelectual e das ideias no Brasil (com obras que ressoaram no estrangeiro), compartilharam entre si o rótulo de “nacionalistas”; mas suas visões sobre os problemas relacionados à nação brasileira e o desenvolvimento nacional, juntamente com os pressupostos que os sustentavam, não podem ser tidos como homogêneas. Roland Corbisier, filósofo de formação e primeiro diretor do ISEB, documentou sua jornada do tomismo ao marxismo-leninismo e do intelectual de poltrona ao intelectual público em Autobiografia filosófica: das ideologias à teoria da práxis (1978), influenciando gerações de movimentos estudantis com sua escrita sincera e eloquente sobre cultura. Álvaro Vieira Pinto, que substituiu Corbisier em 1960, era um católico devoto que havia estudado medicina e ciências antes de se tornar filósofo, passando por diferentes matizes teóricos, do hegelianismo ao marxismo; o trabalho de Vieira Pinto sobre ideologia e desenvolvimento delineou os princípios do nacional-desenvolvimentismo brasileiro para uma geração de estudiosos. Já Guerreiro Ramos, sociólogo e político, era um crítico do marxismo-leninismo, considerando-se um pós-marxista; Ramos foi influente não apenas na formação do campo sociológico, mas também no mundo da política, integrando o quadro do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e, por um curto período, no Congresso Nacional. Nelson Werneck Sodré, um oficial militar ativo, não era apenas um teórico marxista, mas um comunista; Sodré escreveu mais de trinta livros sobre a história, formação nacional e desenvolvimento capitalista do Brasil. Roberto Campos, por fim, filho do primeiro Ministro da Educação do Brasil, Francisco Campos, foi um diplomata de carreira e ficou conhecido por trabalhar em estreita colaboração com o governo dos Estados Unidos naquele período e, depois, durante a ditadura brasileira - ocupando vários cargos governamentais, desde embaixador até senador, e apoiando a privatização, o não intervencionismo do Estado e a economia de livre mercado.
O ISEB tem sido comparado com grupos empresariais, agências internacionais para o desenvolvimento, com o Partido Comunista Brasileiro (PCB) e com a Escola Livre de Sociologia e Política de São Paulo (Bresser-Pereira, 2006; Toledo, 1998; Trevisan, 1987-1988). Em razão de sua atuação, o instituto tem sido estudado, às vezes, como uma fábrica de ideologias e um grupo de interesses especiais, ao mesmo tempo que é acusado de “alienar” o povo à medida que fala por ele, ou seja, de ter sido uma instituição oficial cujo propósito era representar as ideias que já circulavam na sociedade; outras vezes, ambivalentemente, o ISEB tem sido acusado de falar em nome dos centros de poder político e econômico ou de não obter apoio suficiente desses mesmos centros de poder (Abreu, 1975; Gaylord, 1991; Toledo, 1978, 2005). Neste artigo, não pretendemos criticar as reivindicações ou ações do ISEB, mas sim entender a maneira como alguns integrantes do instituto exploraram a correlação entre cultura e desenvolvimento, bem como as influências e alcance de suas ideias.
Nosso argumento é que o discurso do ISEB sobre cultura e desenvolvimento na década de 1950 expressa uma busca pelo equilíbrio entre a teoria da modernização, o marxismo nacional e o pensamento pós-colonial em crescimento à época. Carlos Guilherme Mota (1977, p. 195) afirma que a década de 1950 foi um período de “consolidação de um sistema ideológico” inspirado na década anterior, enquanto a década de 1960 constituiu um período de “desintegração desse sistema ideológico”. Toledo (1978, p. 182), por sua vez, argumenta que os isebianos, “presos a ideologias de cunho humanista, nada mais fizeram que reproduzir certa euforia desenvolvimentista que contagiou uma ponderável parcela da intelectualidade latino-americana [...] durante a década de 1950”. Nosso argumento não se opõe diretamente a nenhuma dessas afirmações, uma vez que não acreditamos que a retórica do ISEB tenha sido inteiramente excepcional no espaço e no tempo. Contudo, esta análise destoa da proposta por Mota e Toledo por um motivo específico: embora enfatizemos que as reflexões do ISEB sobre cultura e desenvolvimento carreguem um sistema radicular profundo e extensivo, também defendemos de que foi esse mesmo sistema que o tornou excepcional, oferecendo uma janela valiosa para o sentimento nacional e internacional sobre cultura e desenvolvimento na década de 1950 - e que persistiu por algum tempo.
Circundado por mudanças de poder global decorrentes da Segunda Guerra Mundial, um crescente entusiasmo com a possibilidade de independência de países africanos e com a Revolução Cubana, em vez de simplesmente reproduzir e consolidar o pensamento social da geração de 1930-45 sobre cultura brasileira, o ISEB logrou combinar retórica nacionalista com o discurso dos movimentos de independência africana, o marxismo nacionalista com a teoria da modernização. Os intelectuais do ISEB se aproveitaram de uma interrupção na ordem colonial gerada pela Segunda Guerra Mundial para pensar as possibilidades de uma cultura e uma economia brasileiras autônomas. Assim como na história de Corbisier mencionada no início deste texto, esses intelectuais visavam a autonomia cultural por intermédio da criação de uma cultura brasileira autêntica. Eles procuraram desvendar uma cultura anteriormente suprimida e alienada que libertaria a nação brasileira e guiaria o país a seu desenvolvimento econômico. Para tanto, os isebianos aplicaram conceitos de imperialismo, libertação e desenvolvimento à arena cultural, produzindo estudos vanguardistas sobre o fenômeno do “imperialismo cultural”.
1. DA CEPAL AO ISEB
A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe das Nações Unidas (CEPAL), criada em 1948, reunia vários economistas, de toda a América Latina, para estudar a economia latino-americana e as possibilidades de seu desenvolvimento. A CEPAL, sob a supervisão de Raúl Prebisch, tornou-se “a fonte do pensamento econômico estruturalista latino-americano”, inicialmente incentivando a industrialização doméstica para substituir a importação de bens industrializados (Bresser-Pereira, 2006, p. 421).
Segundo Joseph Love (2005, p. 116), o “entendimento da CEPAL sobre a substituição de importações (ISI), de início, era uma resposta às perturbações externas inesperadas no cenário econômico”, especialmente a Grande Depressão e a Segunda Guerra Mundial. Celso Furtado se tornaria o maior defensor do modelo ISI no Brasil, ao passo que Roberto Campos serviria como uma das pessoas que melhor transitaria ente a CEPAL e o ISEB (Love, 2005, p. 116-118). No Brasil, o estruturalismo da CEPAL e a ênfase na industrialização se fundiram com outros grupos que buscavam o desenvolvimento nacional no início dos anos 1950, como a Comissão Mista Brasil-Estados Unidos (1950-1953), o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (CIESP, fundado em 1928) e o Fórum Roberto Simonsen (ativo desde 1955), que se tornaria o Instituto Roberto Simonsen em 1965, um desdobramento do CIESP (Love, 1996; Love, 2006; Bresser-Pereira, 2006; Trevisan, 1987-1988).
Dentro desse espaço múltiplo e dinâmico, um grupo de intelectuais referido como o Grupo Itatiaia - nomeado assim pela localização de suas reuniões -, liderado pelo cientista político Hélio Jaguaribe, em 1953, obteve permissão do Ministro da Educação, Cândido Mota Filho, para formar o Instituto Brasileiro de Economia, Sociologia e Política (IBESP), constituído com o propósito de enfrentar, nas palavras de Caio Navarro de Toledo (1978, p. 184), “todas aquelas tarefas e matérias que o moderno Estado capitalista é hoje incumbido de realizar”. No entanto, o IBESP tinha recursos e alcance de ação limitados, o que levou à articulação de um projeto maior sob o Ministério da Educação e Cultura (MEC). O Decreto 37.608, então, formou o ISEB, em 14 de julho de 1955, sob a breve administração interina do Presidente João Café Filho. Rapidamente, ele se tornou o think-tank governamental responsável por desenvolver uma ideologia nacional-desenvolvimentista na administração do Presidente Juscelino Kubitschek. Fundado quase simultaneamente com a CEPAL, é possível dizer que o ISEB serviu como seu paralelo político. Segundo Luiz Carlos Bresser-Pereira, o ISEB e a CEPAL “se relacionaram entre si”, com o ISEB preenchendo os elementos políticos (e, poderíamos acrescentar, culturais) do estruturalismo econômico da CEPAL.
A estrutura do ISEB, conformada a partir da Escola Superior de Guerra, visava maximizar a disseminação da pesquisa do instituto sobre desenvolvimento nacional. Como tal, o ISEB funcionava como uma faculdade, um centro de pesquisas, um espaço para conferências e uma editora de obras originais e traduzidas. Um Conselho Curador de oito membros que serviam mandatos de quatro anos liderava a organização administrativa do instituto e era responsável pelas decisões referentes a funcionários e recursos. O Conselho Consultivo, subordinado ao Conselho Curador, era composto por 50 membros com mandatos de dois anos. Este conselho, que incluía nomes como Sérgio Buarque de Holanda, Candido Motta Filho, Gilberto Freyre e Heitor Villa-Lobos, nunca se reuniu oficialmente, mas em teoria deveria assessorar o Conselho Curador.
A escola permitia a admissão de estudantes em tempo integral e parcial. Os governadores dos estados nomeavam os estudantes em tempo integral, enquanto os estudantes em tempo parcial eram compostos de funcionários públicos nomeados diretamente pela agência ou organização para a qual trabalhavam. Os estudantes tinham que demonstrar que realizavam uma atividade profissional relacionada à questão nacional e que tinham uma formação universitária. A escola incluía departamentos de Economia, Sociologia, Política, Filosofia e História. Os alunos dedicavam-se, na primeira metade do curso, à formação teórica, enquanto a segunda focava discussões sobre questões concretas enfrentadas pela nação brasileira e seu desenvolvimento à época. Ao final do curso, os alunos escreviam uma tese abordando uma dessas questões. Além das disciplinas regulares, o ISEB também realizava conferências e cursos de curta duração destinados a um público mais amplo (Abreu, 1975, p. 106-116).
2. A POSSIBILIDADE DA CULTURA BRASILEIRA
Sodré, Corbisier, Campos, Vieira Pinto e Guerreiro Ramos foram os principais responsáveis pela articulação das noções isebianas de “cultura brasileira”. Aqui examinamos três artigos que Sodré, Corbisier e Campos apresentaram sobre “Situações e alternativas da cultura brasileira”, no curso extraordinário, que depois foi publicado na forma de livro homônimo, Introdução aos problemas do Brasil (1955). Também serão objetos desta análise o livro de Álvaro Vieira Pinto, Consciência e realidade nacional (1960), e a obra de Guerreiro Ramos, O problema nacional do Brasil (1960), bem como a apresentação de Roland Corbisier “Situação e alternativas da cultura brasileira”, publicada em Formação e problema da cultura brasileira (1959). O artigo de Guerreiro Ramos (1954) “O tema da transplantação e as enteléquias na interpretação sociológica no Brasil”, publicado na Revista de Serviço Social pouco antes da formação do ISEB também será examinado, pois fornece pressupostos interessantes para os debates sobre mimetismo cultural. Esses textos, quando vistos em conjunto, oferecem interpretações heterogêneas da própria ideia de cultura, permitindo uma análise da amplitude do desenvolvimentismo nacional brasileiro.
Em conferências realizadas em 1955 e 1956, Roland Corbisier entendia a cultura como abrangendo “a totalidade das manifestações vitais que, em seu conjunto, caracterizam e definem o povo brasileiro”1. Essa explicação enfatiza os elementos históricos do repertório cultural da nação. Como afirma Corbisier, a “formação da cultura brasileira” é também a “formação histórica do povo brasileiro” (1959, p. 13 e 54). A cultura, então, constituiria um processo histórico em si, não devendo ser confundida com um momento no tempo ou um conjunto específico de produtos artístico-culturais. Sodré (1956, p. 160) também expressou uma definição processual de cultura, enquadrando-a como “o desenvolvimento de ideias”; no entanto, na definição de Guerreiro Ramos, a cultura é produzida por processo histórico, mas também pela prática social. Como explica Ramos (1960, p. 241-242), a cultura inclui “produtos materiais e não materiais resultantes da atividade transformadora dos povos, mediante os quais se exprime uma ideia interpretativa do homem e do mundo”. Essa ampla conceituação permitiu que, em suas respectivas definições de cultura, Roberto Campos (1956, p. 222) incluísse “formas de comportamento” e Nelson Werneck Sodré (1956, p. 160), artes, ensino e ideias políticas. Também tornou possível uma definição de cultura que, para Guerreiro Ramos (1960, p. 241), não se limitando à erudição ou classe, seria “isenta de conotação valorativa”.
O conceito de alienação também foi central para os argumentos apresentados por Ramos, Corbisier, Sodré e Vieira Pinto. Segundo os autores, a formação da cultura brasileira, que inicialmente teria ocorrido dentro de um contexto colonial, constituiu um processo de alienação que só poderia produzir uma cultura alienada. Sodré, em “Estudo histórico-sociológico da cultura brasileira”, analisa a evolução da cultura brasileira, demonstrando que desde o início do projeto colonial e escravocrata o povo foi separado dos intelectuais e os intelectuais cada vez mais apartados da cultura que buscavam apresentar. Essa primeira relação já aparece com os jesuítas no Brasil, considerados como os únicos “elementos dotados de dimensão intelectual” (Sodré, 1956, p. 165). À medida que os jesuítas nada fizeram para perturbar a estrutura colonial e foram diretamente responsáveis pela educação brasileira, Sodré identifica uma “justaposição”, em vez de uma “fusão”, entre intelectual e meio social, levando a uma erudição excessivamente teórica da classe intelectual (Sodré, 1956, p. 165). Posteriormente, a Revolução Industrial abriu o Brasil para o livre-comércio, rompendo “a rígida estrutura da clausura e do monopólio” (Sodré, 1956, p. 167). No entanto, quando a independência política aconteceu, “a transformação das antigas colônias em nações autônomas devia processar-se com mínimo de alterações internas, mantida a ossatura do regime econômico existente, assegurada a permanência do sistema de produção” (Sodré, 1956, p. 168). À medida que as profissões antes fornecidas pela metrópole se tornaram necessárias na antiga colônia, a necessidade de educação aumentou, produzindo os primeiros intelectuais seculares do Brasil. Segundo Sodré, naquele período, emergiram duas perspectivas: havia aqueles que buscavam soluções para o Brasil “na cópia pura e simples de modelos externos” e havia aqueles que buscavam “uma visão objetiva e realista para os problemas brasileiros” (Sodré, 1956, p. 175).
Os temas do mimetismo e da transplantação de repertórios estrangeiros se repetem ao longo da literatura do ISEB sobre cultura. Álvaro Vieira Pinto (1960, p. 504), no segundo volume de Consciência e realidade nacional, por exemplo, caracteriza a “alienação do saber” que o Brasil sofre como um processo que se manifesta através de “mimetismo, transplantação, horror aos problemas brasileiros, modismo metropolitano”. Roberto Campos (1956, p. 231), por sua vez, destaca o “hábito de exibir fórmulas antes aceitas, em vez de repensá-las” e a capacidade de “imitar formas de consumo, sem igual capacidade de copiar hábitos de produção” (Campos, 1956, p. 230).
Enquanto outros intelectuais brasileiros criticavam esses processos miméticos, esses autores ligados ao ISEB viam a imitação como um efeito inevitável do sistema colonial. Guerreiro Ramos (1954, p. 76) argumenta que o colonialismo, seja português, espanhol, francês ou holandês, inevitavelmente leva ao mimetismo cultural até que as condições locais estejam maduras o suficiente para o desenvolvimento nacional. O mimetismo em si não era o problema, mas o sintoma mais visível do processo de alienação cultural gerado no âmago do colonialismo. Como a cultura de uma nação colonizada não progride a partir de sua própria história, e como seu objetivo ou “destino” é satisfazer as necessidades de outro, a colônia não possuiu seu próprio “ser” ou existência; sua ontologia é vazia, sem essência. A colônia, então, se torna alienada de seu direito à cultura autêntica, de sua própria existência, de seu destino e de sua liberdade. Os brasileiros exportavam matérias-primas e consumiam produtos culturais metropolitanos, incluindo ideias e teorias que, segundo Corbisier (1959, p. 39), eram recebidas “prontas e acabadas, como os produtos industriais”. “Se eram ingleses os sapatos e as fazendas das roupas que vestíamos”, explica Corbisier (1959, p. 40), “franceses [sic] eram os livros que líamos e as ideias de que nos utilizávamos.”
Esse mimetismo constituía um sintoma inevitável de alienação, mas também o fator que a promovia. Para Corbisier (1959, p. 69), “importar o produto acabado é importar o ser, a forma que encarna e reflete a cosmovisão daqueles que a produziram”. Importar produtos acabados significa importar “um complexo de valores e condutas implicados nesses produtos”.
Se isso era verdade para objetos produzidos em outros lugares, então era ainda mais verdadeiro para ideias acabadas. Os brasileiros, segundo Corbisier, se mostravam incapazes de “transformar e assimilar” essas ideias, “simplesmente porque nos falta o órgão que permitiria essa transformação” e, por isso, se tornavam “o invólucro vazio de um conteúdo que não é nosso porque é alheio” (Corbisier, 1959, p. 69-70). Nessa medida, o Brasil havia herdado uma cultura vazia, oca e alienada que não detinha seu próprio objetivo, tampouco seu destino.
A adoção de ideias e perspectivas estrangeiras foi responsável pelo aspecto mais prejudicial do processo de alienação cultural: os brasileiros, tendo apenas copiado critérios e ferramentas analíticas do exterior, não podiam ver, analisar ou criticar de forma autêntica a si mesmos ou a sua cultura. Adotando o ponto de vista metropolitano, os brasileiros viam sua própria realidade “através de interpretações importadas” (Ramos, 1960, p. 43), reproduzindo “a ideia que convinha aos colonizadores que tivéssemos, a ideia que coincidia com os interesses da exploração e os justificava” (Ramos, 1960, p. 41). Essa perspectiva incluía preconceitos raciais copiados das nações “imperialistas” e operacionalizados para justificar a inferioridade brasileira. Segundo Sodré (1956, p. 180), “o preconceito de raça e cor do europeu é, pois, o mesmo do senhor de terras brasileiro”.
Os brasileiros, portanto, além de terem uma cultura alienada, tinham também uma história e uma identidade alienadas. Nas palavras de Corbisier: “Éramos estranhos em nossa terra” (1959, p. 47), com uma história que era apenas a de “Portugal na América” (1959, p. 63). No entanto, se a alienação despontava como uma inevitabilidade da estrutura colonial, e considerando que a independência brasileira não tinha sequer perturbado a estrutura colonial e escravocrata, mas mantido o país “economicamente e culturalmente [ainda] uma colônia”, como os isebianos mesmos poderiam possuir as ferramentas, critérios e perspectivas para realizar sua análise? (Corbisier, 1959, p. 39).
3. A TOMADA DE CONSCIÊNCIA
Corbisier explica que, para que um país dependente dentro de uma estrutura colonial rompa com a inevitabilidade da alienação e com seus sintomas - como o mimetismo -, a nação deve passar por um despertar ou algum tipo de epifania cultural. Esse despertar não seria impulsionado pelo “capricho de indivíduos ou grupos isolados, mas seria um fenômeno histórico que implicaria e assinalaria a ruptura do complexo colonial” (Corbisier, 1959, p. 41). Corbisier fornece uma lista de fatores que poderiam causar essa ruptura na consciência nacional. O primeiro deles é a guerra. Corbisier observa que, embora as guerras acentuem a dependência, elas também podem forçar uma maior independência, uma vez que os produtos que a colônia geralmente consome, mas não pode produzir por si mesma, tornam-se mais difíceis (ou impossíveis) de serem obtidos. Essa falta repentina força a nação a tomar consciência de sua função instrumental como colônia. Corbisier (1959, p. 42) observa que “os dois surtos industriais no Brasil coincidem com as duas guerras mundiais”.
Mais importante ainda, pelo menos para esta análise, é a sua ênfase na “crise mundial de cultura” - um termo que Corbisier atribui ao estudioso uruguaio Alberto Zum Felde -, resultante da Segunda Guerra Mundial. Em El problema de la cultura americana, Felde (1943, p. 51) explica que, a França, por muito tempo, ocupou a posição de nação com a cultura mais universal e cosmopolita de todas. Porém, a França agora havia deixado países latino-americanos “sozinhos e desamparados” e os ingleses e norte-americanos não possuíam a universalidade da cultura e a sofisticação intelectual que a França um dia havia exibido (Felde, 1943, p. 52). Para Corbisier (1959, p. 43), “é talvez o momento de tentarmos andar com os próprios pés”.
Crises internas também podem provocar um avanço na consciência crítica, sejam elas causadas por forças domésticas ou internacionais, como a crise econômica internacional de 1929 e a Revolução de 1930. Além disso, Corbisier (1959, p. 43-44) explica que a importação de instituições políticas, como o sufrágio universal ou partidos políticos nacionais, em país que contém “todas as épocas da cultura [...] primitiva, [...] arcaica, [...] e moderna” pode levar a crises dos “limites de tolerância à alienação”.
Por último, na lista de fatores causais de Corbisier, chegamos ao papel do ISEB. Corbisier revela que uma nação pode adquirir consciência de si por meio de novas relações culturais e econômicas forjadas. No caso brasileiro, esse fator corresponde à criação de uma “inteligentsia” nacional, de um movimento trabalhista nacional, de um movimento de libertação nacional e de um processo de conscientização popular (Corbisier, 1959, p. 43-44). Somente nesse momento de transição, de acordo com ele, “começam a surgir as condições reais que nos permitirão lançar as bases de um pensamento nacional autêntico” (Corbisier, 1959, p. 86). É interessante observar que, mesmo usando a linguagem mais entusiasta possível em suas descrições, Corbisier não estava sozinho em perceber um momento único, na década de 1950, para reivindicar uma “cultura brasileira autêntica”. Vieira Pinto (1960, p. 505), por exemplo, vê esse momento como marcado por um “intenso desenvolvimento” que, por sua vez, inspira “uma era de existência original”. Guerreiro Ramos (1960, p. 242-243), por sua vez, afirma que o Brasil estava em pleno processo de mudança na sua “articulação com a história universal” e “com o mundo” por meio de transformações no sistema econômico.
4. DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E CULTURAL
Os textos isebianos aqui analisados reconhecem uma relação dialética entre o desenvolvimento econômico e o desenvolvimento cultural. A economia afeta a cultura, na medida em que “um povo economicamente colonial ou dependente também será dependente e colonial do ponto de vista da cultura” (Corbisier, 1959, p. 32). Corbisier, ao explicar o funcionamento dessa dialética, baseia-se na interpretação de Jean-Paul Sartre sobre o colonialismo enquanto sistema. Em “Le colonialisme est un système”, Sartre (1956) critica a surpresa francesa em relação à violência cometida pelos argelinos contra eles. Ele afirma que “o problema argelino é, antes de mais nada, econômico”, mas também social, psicológico e político. Sartre afirma que a “liberação da Argélia e da França só pode ocorrer com o colapso do colonialismo”, demonstrando que o colonialismo é um sistema completo que integra e restringe não apenas a colônia, mas também o próprio poder colonial. Corbisier também se refere frequentemente a um artigo escrito por Georges Balandier (1952), que oferece uma série de definições conceituais e uma interpretação estrutural das fases do colonialismo, dos mecanismos culturais que o acompanham e dos fatores que podem levar a uma “consciência crítica”. Corbisier evita, no entanto, estabelecer qualquer relação causal estrita entre cultura e economia, afirmando que ambas dependem uma da outra; ele descreve essa relação como uma “implicação dialética”, onde mudanças em uma “provocam ou tendem a provocar transformações análogas na outra” (Corbisier, 1959, p. 83).
Um novo modelo de desenvolvimento ofereceria aos brasileiros a possibilidade de criar seu próprio ser, sua própria essência e sua própria cultura; inversamente, a nova consciência nacional, impulsionada por crises e mudanças internas e internacionais, estimularia esse novo modelo de desenvolvimento e alteraria a própria estrutura econômica do país. A independência econômica, embora “necessária” para a “emancipação cultural”, não era “suficiente” para criá-la (Corbisier, 1959, p. 66). Como Vieira Pinto (1960, p. 505) explica:
Será tanto mais rica, extensa e original a cultura do povo quanto mais adiantado o desenvolvimento das suas condições materiais de existência; mas, reciprocamente, quanto mais consciência adquirir da sua personalidade cultural, mais identificado se sentir com os objetos da sua criação científica ou artística, melhores recursos terá para compreender a sua realidade, e portanto mais eficazes instrumentos para nela intervir modificando-a em seu proveito.
Roberto Campos dedica seu artigo da conferência, “Cultura e Desenvolvimento”, a uma discussão sobre essa interdependência entre cultura e desenvolvimento econômico. Campos (1956, p. 223) identifica dois pontos de interseção: a “compatibilidade entre o sistema de valores culturais de uma comunidade e seu desenvolvimento econômico” e o “grau de eficácia dessa cultura na promoção do desenvolvimento”. Baseando-se amplamente nos escritos de Walt Whitman Rostow, Arthur Lewis e Walter Rochs Goldschmidt, e injetando uma série de frases em inglês em suas argumentações, Campos explica que, embora todas as culturas sejam compatíveis com o desenvolvimento econômico, algumas são mais que outras. Uma cultura mais adequada ao desenvolvimento econômico, explica ele, seria:
[...] aquela que, em primeiro lugar, satisfaz as necessidades de bem-estar físico de seus componentes; e que, em segundo, está organizada para continuar satisfazendo, indefinidamente, essas necessidades; e, finalmente, que oferece aos seus componentes as satisfações necessárias para o ajustamento de sua personalidade ao contexto de seu próprio sistema de valores, desde que não explore, física ou psicologicamente, alguma outra população ou segmento da população (Campos, 1956, p. 224).
Segundo Campos (1956, p. 230), um patrimônio tecnológico fraco, a falta de “audácia social” e uma tendência para o mimetismo levaram o Brasil ao subdesenvolvimento.
O vocabulário escolhido para descrever o processo de alienação, mimetismo e libertação pelos isebianos, sobretudo por Corbisier, Vieira Pinto e Ramos, é semelhante ao de outros pensadores do início do pós-colonialismo. No cotejamento que fez entre os escritos de Frantz Fanon e aqueles que emanaram do ISEB, Renato Ortiz (2006, p. 50-67) descobriu que ambas as tradições baseavam suas formulações nos conceitos de alienação e situação colonial, com Balandier provavelmente fornecendo o repertório intercontinental. Tanto os isebianos quanto Fanon reconheciam o complexo de inferioridade colonial (introduzido por Octave Mannoni), mas viam isso como situacional, em vez de inerente, e, portanto, possível de ser suplantado. Para os isebianos, a libertação do complexo de inferioridade causado pela situação colonial viria por meio do desenvolvimento nacional baseado na indústria. Enquanto para Fanon a nação era um ideal utópico, para os isebianos a nação era “um programa de desenvolvimento” (Ortiz, 2006, p. 65).
5. UM PROBLEMA BRASILEIRO
As respectivas responsabilidades diplomáticas e militares de Campos e Sodré inicialmente os impediram de participar integralmente do ISEB. De certa maneira, seus argumentos permanecem relativamente livres da retórica nacional-desenvolvimentista do ISEB. Enquanto Guerreiro Ramos, Álvaro Vieira Pinto e Roland Corbisier expressam um vocabulário compartilhado, que sinaliza o “ser” alienado de uma cultura brasileira dialeticamente conectada à estrutura colonial, Campos não usa os termos “alienação” ou “colonial”. A abordagem direta do artigo de Sodré sugere certo desdém pelos termos “ser” e “essência”. Campos, embora reconheça a importância do bem-estar material da população, sugere que “é mais importante maximizar o ritmo do desenvolvimento econômico do que corrigir as desigualdades sociais”, uma vez que “não temos vocação cultural para endossar um projeto socialista” (Campos, 1956, p. 233). Enquanto isso, Sodré afirma que “só é nacional o que é popular”, enfatizando que só agora o popular poderia prosperar devido ao crescimento da classe média, que neutralizou o poder da classe rural proprietária (Sodré, 1956, p. 183). Enquanto Corbisier se baseia muito em autores franceses, alemães e latino-americanos, Campos faz referência a textos em inglês escritos, basicamente, por dois norte-americanos e um nascido em Saint-Lucien, e Sodré faz referência exclusivamente a autores brasileiros. Enquanto Corbisier encontra apoio em escritores focados na libertação argelina, Campos encontra apoio nos pais da teoria da modernização.
No entanto, Campos e Sodré, dois escritores situados em extremos opostos do debate sobre cultura dentro do ISEB (do economista conservador ao oficial militar marxista), aceitaram muitas das mesmas suposições subjacentes: o Brasil era um país essencialmente subdesenvolvido, esse subdesenvolvimento poderia ser caracterizado por deficiências culturais e pela ausência de um capitalismo industrial; e o início dos anos 1950 conformava o momento mais propício para a transformação cultural e o desenvolvimento industrial da nação. É possível dizer que a maior diferença entre eles era simplesmente quem deveria realizar essa agenda de desenvolvimento. Para Campos, que mais tarde trabalharia em estreita colaboração com tecnocratas dos EUA durante a ditadura civil-militar brasileira, qualquer pessoa com capital era um candidato plausível, ao passo que, para Sodré, apenas o povo brasileiro poderia protagonizar esse processo, por meio da criação de uma cultura legitimamente brasileira capaz de impulsionar o desenvolvimento nacional.
Sodré e Campos representam extremos de uma estrutura de modernização dentro da qual Corbisier e Guerreiro Ramos também se encaixam confortavelmente. Em alguma medida, a crença isebiana no progresso e na modernização levou autores como Guerreiro Ramos até mesmo a aceitar que o colonialismo teria sido um “mal necessário”, porquanto teria permitido que um país antes povoado por populações indígenas saltasse “várias etapas de desenvolvimento” (Ramos, 1954, p. 75). Corbisier (1959, p. 31) também viu o colonialismo como um processo necessário: embora no curto prazo tenha ocasionado alienação, a longo prazo acabou levando a um “processo de libertação econômica e cultural dos povos colonizados”. Claro, esse processo de libertação só poderia começar com um intenso desenvolvimento industrial e com expansão econômica e cultural.
Talvez mais importante ainda é que todos os intelectuais estudados aqui percebiam a cultura brasileira como uma questão nacional. Embora fosse um problema derivado inevitavelmente da antiga estrutura colonial do país, somente o povo brasileiro poderia decidir superar o colonialismo em direção ao desenvolvimento. Se escolheriam criar uma ideologia nacional coerente e autêntica ou se tomariam o caminho do investimento econômico decorrente de fontes nacionais e estrangeiras, a escolha teria que ser feita pelos brasileiros e não poderia ser forçada por influxos de fora. Como afirma Corbisier, “compreendemos, finalmente, que somos nós mesmos e que o Brasil não é exterior a nós, mas está em nós, faz parte do nosso corpo e da nossa alma” (1959, p. 50), e mais tarde, que “podemos desde já concluir que o problema da ‘cultura’ brasileira não nos é ‘exterior’, mas, ao contrário, é um problema próprio, pessoal, de cada um de nós” (1959, p. 70). Para os isebianos, os brasileiros estavam prontos para sair da posição de objetos para sujeitos da história, de ferramentas do colonialismo para portadores do seu próprio ser cultural.
A vertente cultural do nacional-desenvolvimentismo isebiano percorreu o país por meio da circulação desses intelectuais e de jornais, difusão que não ficou restrita apenas ao Sul e Sudeste. Em um artigo publicado no jornal Diário do Povo, de Fortaleza, em janeiro de 1959, foi exibida uma entrevista com um estudante cearense que estava estudando na Escola Brasileira de Administração Pública, no Rio de Janeiro. No artigo, o estudante, Ari Leite, explica que “o nacionalismo resulta do repentino despertar da consciência de um povo que, superando as limitações de percepção do mundo, limitações estas decorrentes do seu estágio de subdesenvolvimento, resolve, a qualquer preço, obter a sua autodeterminação, e com isso realiza, com êxito, um plano de desenvolvimento nacional”. Leite acrescenta que o subdesenvolvimento resulta de “uma relação entre potência dominadora e país espoliado” e que “o nacionalismo é uma atitude de defesa contra todos os excessos da dominação estrangeira”. Leite não deixa dúvidas quanto à origem de suas ideias. Quando provocado para citar nomes-chave do pensamento nacionalista no país, ele menciona primeiro Guerreiro Ramos, descrevendo seu papel no ISEB (ou melhor, seu papel na crise que será discutida na seção seguinte), e depois acrescenta Ignacio Rangel e Gilberto Paim, ambos associados ao ISEB. Na semana seguinte, o Diário do Povo publicou a carta de renúncia de Guerreiro Ramos do ISEB2.
No mesmo ano, um artigo de Sodré apareceu em A União nas Artes e nas Letras, em João Pessoa, Paraíba. No texto, Sodré resume sua posição sobre desenvolvimento e cultura nacional para uma audiência geral. Ele define cultura em linguagem não técnica, enfatizando que a liberdade de pensamento é válida apenas quando ampara o desenvolvimento da cultura, e que o desenvolvimento da cultura, por sua vez, é válido apenas quando leva a nação ao progresso. Sodré explica que “a ideia de superar a fase colonial, de realizar nacionalmente o país, ganhou de tal forma a consciência dos brasileiros que se tornou invencível. Ela afeta, hoje, todos os campos, e preside a tarefa de todos os brasileiros”3. O desenvolvimento de uma cultura verdadeiramente nacional, portanto, deveria ser de responsabilidade de todos os brasileiros, não importa onde esses brasileiros lessem os ideários isebianos, no Rio de Janeiro, em Fortaleza ou João Pessoa.
6. O FIM DO ISEB
Um dos mais originais e proeminentes membros do IBESP, e posteriormente do ISEB, causou um racha no instituto em relação à questão dos investimentos estrangeiros e das privatizações no país, ajudando a provocar uma radical mudança de foco do ISEB em seus últimos anos. Em O nacionalismo na atualidade brasileira, Hélio Jaguaribe (1958), membro do conselho do ISEB e diretor do Departamento de Ciência Política, apresentou o nacionalismo como meio para determinado fim, em vez de um fim em si mesmo. Ele sugeriu que a privatização, que poderia levar à possível compra dos recursos de petróleo brasileiros pela Standard Oil, não era necessariamente uma possibilidade negativa, desde que os investidores estrangeiros administrassem esses recursos de forma eficiente (Toledo, 1978, p. 134-135). Além disso, Jaguaribe sugeriu a repressão e a ilegalidade do PCB, assim como a criação de um mecanismo de segurança sul-americano para combater a agitação comunista. Vieira Pinto se opôs fortemente a essa linha de raciocínio, enquanto Guerreiro Ramos sugeriu a expulsão imediata de Jaguaribe do ISEB e, com o apoio de Corbisier, propôs uma mudança na política do ISEB, que deveria ter objetivos menos teóricos e mais militantes. As posições de Jaguaribe provocaram forte reação não apenas entre colegas isebianos, mas também da União Nacional dos Estudantes (UNE), que apoiou as posições de Guerreiro Ramos (Pécaut, 1990, p. 111).
Por fim, essa discordância levou à intervenção do Ministro da Educação e à modificação dos estatutos em relação à organização e orientação do ISEB, abrindo espaço, em 1959, para o pluralismo teórico, substituindo o antigo Conselho de Curadores pelo Conselho de Professores, e sinalizando o início de uma mudança significativa no corpo de professores envolvidos com o instituto. Após a modificação dos estatutos do ISEB, Jaguaribe, Campos e outros três intelectuais renunciaram de suas posições no instituto. Guerreiro Ramos se afastou decididamente de ações mais diretas no ISEB. Em seguida, em 1960, após um ano em que o ISEB esteve dedicado à política eleitoral, Corbisier também deixou o instituto para se tornar deputado estadual pelo estado de Guanabara através do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), deixando assim o ISEB sem um diretor. Após algum debate entre a UNE e o MEC, Vieira Pinto foi escolhido como sucessor de Corbisier, levando a uma fase peculiar de militância do ISEB.
Enquanto setores da imprensa brasileira, notadamente o jornal O Globo, haviam acusado o ISEB de ser dirigido por comunistas há muito tempo, foi somente nesses últimos anos que o instituto se deslocou de fato para a esquerda militante4. Em 1961, sob a administração presidencial de Jânio Quadros, o MEC reduziu consideravelmente o orçamento do ISEB, removendo a possibilidade de publicações contínuas e forçando Vieira Pinto a uma crise administrativa (Freitas, 1998, p. 168). Naquele momento, e especialmente sob a administração presidencial de João Goulart, os intelectuais do ISEB começaram a dedicar sua energia às chamadas “reformas de base”, que constituíam as reformas fundamentais necessárias para levar a cabo a revolução brasileira, como nas áreas de educação, reforma agrária e organização trabalhista (Pécaut, 1990, p. 113). Como fonte de renda complementar, Vieira Pinto coordenou uma coleção chamada Os Cadernos do Povo, a pedido do editor da Civilização Brasileira, Ênio Silveira. Além disso, o ISEB começou a trabalhar junto com o Centro Popular de Cultura (CPC) da UNE (Pécaut, 1990, p. 113). Em 1963, os isebianos estavam entre aqueles que ajudaram a criar o Comando dos Trabalhadores Intelectuais (Toledo, 1998, p. 129). Os intelectuais do ISEB também começaram a rejeitar a ideologia nacional-desenvolvimentista previamente formulada. De acordo com Sodré (1978, p. 62), em janeiro de 1964, o Serviço Secreto dos EUA classificou o ISEB como um “centro de comunistas”. O ISEB, antes um promotor do desenvolvimentismo nacional, passou a opor-se a essa mesma ideologia, buscando transformar fundamentalmente a sociedade brasileira por meio de reformas de base e ativismo político.
Entretanto, o mês de abril de 1964 revelou um destino diferente para o ISEB. Em 13 de abril, nas semanas seguintes ao golpe militar, tanto o ISEB quanto a UNE foram fechados à força, seus documentos e publicações apreendidos e queimados (Toledo, 1978, p. 191; Pécaut, 1990, p. 113). O regime militar submeteu alguns intelectuais do ISEB, como Sodré, Corbisier e Vieira Pinto, a interrogatórios. Vieira Pinto deixou o Brasil, retornando apenas no final dos anos 1960 (Gaylord, 1991, p. 294). Tanto Sodré quanto Corbisier perderam seus direitos políticos e foram encarcerados (Gaylord, 1991, p. 204). Guerreiro Ramos também teve seus direitos políticos revogados, deixando o Brasil em 1966 para se tornar professor na Universidade do Sul da Califórnia (Gaylord, 1991, p. 248)5. Campos, contudo, apoiou inicialmente o golpe civil-militar e ocupou vários cargos governamentais nos anos seguintes.
No entanto, as ideias geradas no ISEB sobre cultura e desenvolvimento acabaram reverberando na história do pensamento brasileiro, dos movimentos sociais e até mesmo para além das fronteiras nacionais. É bastante comum encontrar o ISEB ou seu corpo docente estudados ao lado de outras organizações e instituições acadêmicas influentes no país, como a CEPAL, a Escola Livre de Sociologia e Política de São Paulo, o CPC da UNE ou o próprio PCB6. A própria teoria da dependência internacional foi elaborada em resposta direta ao pensamento do ISEB sobre desenvolvimento e imperialismo, contestando a natureza nacional de suas reivindicações (Bresser-Pereira, 2006, p. 423).
De acordo com Renato Ortiz (2006, p. 47), o pensamento isebiano “se popularizou, isto é, tornou-se senso comum e se transformou em ‘religiosidade popular’ nas discussões sobre cultura brasileira”. Embora o CPC da UNE não tenha sido formulado em torno de uma teoria ou metodologia específica, muitos dos artistas envolvidos no projeto afirmaram ser fortemente influenciados, e até mesmo inspirados, pelo texto Formação e problema da cultura brasileira, de Roland Corbisier. Carlos Estevam Martins do CPC da UNE no Rio de janeiro foi assistente de Álvaro Vieira Pinto e trabalhou no ISEB (Ortiz, 2006, p. 48). O CPC da UNE se baseou no Movimento de Cultura Popular (MCP) no Recife (no qual Paulo Freire atuou), que, por sua vez, foi vagamente baseado no movimento francês de educação popular Peuple et Culture. Vanilda Pereira Paiva (1980) percebeu no ISEB as origens teóricas do método pedagógico de Paulo Freire, que posteriormente seria influente em diversos movimentos sociais internacionais. Márcio de Oliveira (2006), por sua vez, encontrou as raízes do projeto de construção de Brasília no ISEB, enquanto Ortiz (2006, p. 48) destacou a impossibilidade de se estudar teatro ou cinema no Brasil sem encontrar vestígios do pensamento isebiano sobre cultura e alienação. Mais tarde, o pensamento latino-americano sobre cultura e imperialismo dos anos 1970, como o clássico Para leer al pato Donald, de Ariel Dorfman e Armand Matterlart (1972), viria a ecoar os debates do ISEB sobre cultura e mimetismo. Em suma, o pensamento do ISEB sobre cultura e desenvolvimento não apenas sobreviveu a mais de meio século de estudos críticos e mudança no cenário político e econômico, mas segue fornecendo uma preciosa visão de cinquenta anos de equilíbrio internacional entre liberalismo e neoliberalismo, marxismo e pós-marxismo, colonialismo e pós-colonialismo, imperialismo e neoimperialismo.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Quando Corbisier conversou com Gabriel Marcel, em 1951, a Segunda Guerra Mundial havia acabado há menos de uma década, a Guerra da Argélia ainda não havia começado e o Presidente Vargas acabara de retornar ao cargo como um populista. Suas conversas com Sartre, por outro lado, ocorreram após a Revolução Cubana, que Sartre, mesmo que completamente envolvido na Guerra da Independência da Argélia, havia acabado de visitar. Refletindo sobre sua escolha de falar com Sartre em português em vez de francês, Corbisier afirmou o seguinte: “Em que língua teria Sartre conversado com Fidel e outros dirigentes da Revolução Cubana? Só poderia ter sido em castelhano ou recorrendo a intérpretes. O complexo de inferioridade estava superado, vencido” (Corbisier, 1978, p. 100). Cuba, ao contrário do Brasil, havia se tornado verdadeiramente independente porque havia alcançado não apenas a liberdade política e econômica, mas também presumivelmente a libertação cultural. É difícil imaginar Campos concordando com Corbisier sobre o status político de Cuba, mas seus argumentos, embora provenientes de uma perspectiva diferente, destacam os mesmos requisitos de autenticidade cultural e confere a mesma ênfase no papel da cultura no desenvolvimento econômico.
Circundado por dois eventos marcantes, entre a Segunda Guerra Mundial e a Revolução Cubana, e escrevendo durante o estruturalismo da era Prebisch e as lutas pela independência africana, o pensamento isebiano sobre cultura brasileira encontrou terreno favorável dentro da teoria da modernização, do marxismo nacionalista e do pensamento pós-colonial7. Os isebianos não estavam simplesmente reagindo a eventos como a Revolução Cubana, a influência dos Estados Unidos ou as lutas pela independência dos países africanos, nem estavam apenas rejeitando o colonialismo europeu. Em vez disso, reconheciam a importância da cultura na independência, no nacionalismo e no desenvolvimento do país. Eles buscavam uma nova formação cultural - seja ela moderna, eficiente, revolucionária ou anti-imperialista -, capaz de transformar o desenvolvimento econômico do Brasil. Eles dissecaram os conceitos de cultura, alienação, mimetismo e imperialismo na esperança de orientar o novo repertório cultural do Estado brasileiro em sua busca pela brasilidade. No final das contas, a própria tomada de consciência do ISEB o libertou até do governo que o havia criado, levando ao seu eventual fechamento. Contudo, as ideias que circulavam através e a partir dessa importante instituição influenciaram gerações de intelectuais dedicados à teoria da cultura e aos estudos do imperialismo, bem como movimentos sociais preocupados com o papel da cultura popular no desenvolvimento nacional e com os efeitos da globalização em toda a América Latina.
DECLARAÇÃO SOBRE DISPONIBILIDADE DE DADOS
Os dados de pesquisa só estão disponíveis mediante solicitação ao pesquisador.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
- Abreu, Alzira Alves de. “Nationalisme et action politique au Brésil: Une étude sur l’ISEB” (Diss. De Doutorado). Université René Descartes, 1975.
- Balandier, Georges. Contribution a une Sociologie de la Dépendance. Cahiers Internationaux de sociologie, n. 12, p. 47-69, 1952.
- Bresser-Pereira, Luiz Carlos. De la Cepal y el Iseb a la teoría de la dependência. Desarrollo Económico, vol. 46, n. 183, p. 419-439, 2006.
- Bresser-Pereira, Luiz Carlos. O conceito de desenvolvimento do ISEB rediscutido. DADOS - Revista de Ciências Sociais, vol. 47, n. 1, p. 49-84, 2004.
- Campos, Roberto. “Cultura e Desenvolvimento”. In: Ramos, Guerreiro et al. (Orgs.) Introdução aos problemas do Brasil. Rio de Janeiro: Ministério de Educação e Cultura/ISEB, 1956, p. 221-233.
- Corbisier, Roland. Autobiografia filosófica: das ideologias à teoria da práxis. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1978.
- Corbisier, Roland. Formação e problema da cultura brasileira. Rio de Janeiro: Ministério da Educação e Cultura/ISEB, 1959.
- Dorfman, Ariel & Mattelart, Armand. Para leer al pato Donald: comunicación de masa y colonialismo. México DC: Siglo Veintiuno, 1972.
- Fanon, Frantz. “Sobre o pretenso complexo de dependência do colonizado”. In: Pele Negra, Máscaras Brancas. Salvador: EDUFBA, 2008, p. 83-101.
- Felde, Alberto Zum. El problema de la cultura americana. Buenos Aires: Editorial Losada, 1943.
- Freitas, Marcos Cezar de. Álvaro Vieira Pinto: a personagem histórica e sua trama. São Paulo: Cortez, 1998.
- Gaylord, Donald Roderick. “The Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB) and Developmental Nationalism in Brazil, 1955-1964” (Diss. de Doutorado). Tulane University, 1991.
- Jaguaribe, Hélio. O nacionalismo na atualidade brasileira. Rio de Janeiro: ISEB, 1958.
- Love, Joseph L. The Rise and Decline of Economic Structuralism in Latin America: New Dimensions. Latin American Research Review, vol. 40, n. 3, p. 100-125, 2005.
- Love, Joseph. Crafting the Third World: Theorizing Underdevelopment in Rumania and Brazil. Stanford: Stanford University Press, 1996.
- Mota, Carlos Guilherme. Ideologia da Cultura Brasileira (1933-1974). São Paulo: Ática, 1977.
- Oliveira, Márcio de. O ISEB e a construção de Brasília: correspondências míticas. Sociedade & Estado, vol. 21, n. 2, p. 487-512, 2006.
- Ortiz, Renato. Cultura brasileira e identidade nacional. São Paulo: Editora Brasiliense, 2006.
- Paiva, Vanilda Pereira. Paulo Freire e o nacionalismo desenvolvimentista. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira , 1980.
- Pécaut, Daniel. Os intelectuais e a política no Brasil: Entre o povo e a nação. São Paulo: Ática , 1990.
- Pinto, Álvaro Vieira. Consciência e realidade nacional. Vol. 2 - A consciência crítica. Rio de Janeiro: MEC/ISEB, 1960.
- Ramos, Guerreiro. O problema nacional do Brasil. Rio de Janeiro: Editora Saga, 1960.
- Ramos, Guerreiro. O Tema da Transplantação e as Enteléquias na Interpretação Sociológica no Brasil. Revista do Serviço Social, ano XIV, n. 74, p. 72-95, 1954.
- Ramos, Guerreiro et al. (Orgs.) Introdução aos problemas do Brasil. Rio de Janeiro: Ministério da Educação e Cultura/ISEB , 1956.
- Sartre, Jean-Paul. Le Colonialisme est un Système. Les Temps Modernes, n. 123, p. 1371-1386, 1956.
- Sodré, Nelson Werneck. A luta pela cultura. Rio de Janeiro: Editora Bertrand Brasil, 1990.
- Sodré, Nelson Werneck. A verdade sobre o ISEB. Rio de Janeiro: Avenir, 1978.
- Sodré, Nelson Werneck. “Estudo histórico-sociológico da cultura brasileira”. In: Ramos, Guerreiro et al. (Orgs.) Introdução aos problemas do Brasil. Rio de Janeiro: Ministério de Educação e Cultura/ISEB , 1956, p. 159-183.
- Toledo, Caio Navarro de. ISEB: Fábrica de ideologias. São Paulo: Ática , 1978.
- Toledo, Caio Navarro de. ISEB Intellectuals, the Left, and Marxism. Latin American Perspectives, vol. 25, n. 1, p. 109-135, 1998.
- Toledo, Caio Navarro de. (Org.) Intelectuais e política no Brasil: a experiência do ISEB. Rio de Janeiro: Revan, 2005.
- Trevisan, Maria José. Anos 50: os empresários e a produção cultural. Revista Brasileira de História, vol. 8, n. 15, p. 139-156, 1987-1988.
-
1
Ambas as conferências “Situação e alternativas da cultura brasileira” (1955) e “Formação e problema da cultura brasileira” (1956) foram publicadas em Corbisier (1959); a primeira foi também publicada em Ramos et al. (1956, p. 185-218). Os números de página dados nas referências referem-se à coleção publicada em 1959.
-
2
Sobre estas citações, ver: “Jovem estudante da EBAP define nacionalismo”, de Nogueira Carvalho, publicado no Diário do Povo, 8 de janeiro de 1959; “O ISEB que remanesce da crise que todos conhecem é uma entidade de dúbia”, de Guerreiro Ramos, publicado no Diário do Povo, 14 de janeiro de 1959; e “O ISEB que remanesce da crise que todos conhecem é uma entidade de dúbia” (cont.), de Guerreiro Ramos, publicado no Diário do Povo, em 15 de janeiro de 1959. Todos os textos estão disponíveis na Hemeroteca do Instituto do Ceará.
-
3
A citação foi retirada de “Cultura e progresso”, de Sodré, publicado em A União nas Artes e nas Letras, em 9 de julho de 1959, disponível em Obras Raras da Biblioteca Átila Almeida, da UEPB, em Campina Grande.
-
4
Para a interpretação da mídia sobre o ISEB, ver: Pécaut (1990, p. 114), Sodré (1990, p. 175) e Sodré (1978, p. 55).
-
5
Alberto Guerreiro Ramos morreu em Los Angeles, em 1982.
- 6
-
7
Aliás, é Renato Ortiz (2006) quem enfatiza as conexões dos escritos do ISEB sobre alienação e cultura com o MCP e o CPC da UNE.
-
*
Este trabalho foi publicado originalmente em inglês na Luso-Brazilian Review (v.51, n.1, p.157-181, 2014), e posteriormente traduzido e reduzido. Parte da pesquisa foi financiada pela Fundação Andrew W. Mellon, por meio de uma IIE Graduate Fellowship for International Study. Agradeço a William Caferro, Lauren Clay, Marshall C. Eakin e Jim Epstein, da Vanderbilt University, pelas sugestões nos rascunhos do manuscrito. O texto também se beneficiou das críticas recebidas no Encontro às Quintas do PPGHCS/COC/Fiocruz, organizado por Marcos Chor Maio, com destaque para os comentários de Luís Otávio Ferreira e Robert Wegner. Sou grato a Flávio Henrique Albert Brayner (UFPE) por me apresentar aos estudos do ISEB. Por fim, agradeço a Lucas Amaral de Oliveira (UFBA) pela cuidadosa tradução e edição do texto para o português. Uma ideia que nasceu na forma de uma tradução para fins didáticos acabou se transformando em um material pronto para publicação.
-
JEL Classification:
N46.
