O artigo apresenta evidências sobre os determinantes da evolução da Dívida Bruta do Governo em Geral (DBGG) e da Dívida Pública Mobiliária Federal (DPMFi), principal componente da (DBGG), entre 2011 e 2019. Essa dinâmica ocorreu predominantemente pela incorporação do serviço de juros mesmo quando o resgate de títulos foi superior à emissão de títulos e se obteve superávit primário. Paradoxalmente, o crescimento do estoque da DPMFi ocorreu conjuntamente com a expansão contínua das disponibilidades da Conta Única do Tesouro no Banco Central. Essa expansão se deu independentemente do resultado primário apurado no período considerado. As evidências sugerem ainda que o uso dessas disponibilidades para acelerar o resgate de DPMFi foi limitado pelo controle da liquidez necessário para manter a taxa Selic num patamar estruturalmente elevado para a obtenção da meta de inflação. Isso implicou na expansão das operações compromissadas que, por sua vez, também elevavam o serviço de juros. As relações entre a gestão da dívida pública e o controle da liquidez sugerem que o atual arranjo institucional apresenta complementariedades que ampliam o custo fiscal para o Tesouro Nacional.
Palavras-Chave:
Dívida pública; taxa de juros; sustentabilidade fiscal