Embora não existissem organizações feministas no Uruguai do final dos anos sessenta, toda subversão às normas de gênero foi entendida como uma ameaça pelo projeto patriarcal da ditadura. A violência física e psicológica exercida contra as mulheres foi acompanhada de um discurso que atribuía às jovens desobedientes a responsabilidade pela violência e pelo desentendimento social. Um discurso que apontava que aquelas que renunciavam ao bom comportamento não faziam outra coisa senão gerar discórdia. Este artigo analisa as marcas patriarcais da ditadura a partir de testemunhos e de arquivos de imprensa, sob uma perspectiva que busca abordar o terrorismo de Estado de uma forma feminista, uma perspectiva pouco desenvolvida na produção historiográfica, mesmo na mais atual, sobre o passado recente.
Palavras-chave:
ditadura patriarcal; disciplinamento de gênero; reação conservadora; antifeminismo