No artigo são analisadas as representações de violência contra mulheres em cinco livros didáticos de História, aprovados no PNLD de 2018 para o Ensino Médio. Trata-se de uma abordagem discursiva das representações, atenta à historicidade de suas elaborações, discursos, valores, sentidos e modos de funcionamento no conhecimento histórico a ser ensinado e aprendido nas escolas. A ordem discursiva e epistêmica em que se inscrevem tais representações promove modos de subjetivação e maneiras ver, pensar, sentir e tratar essa violência no tempo presente. Baseando-se em estudos feministas interseccionais, propõe leituras e abordagens possíveis das narrativas didáticas em sala de aula, tendo em vista um ensino de História para o combate à violência contra mulheres.
Palavras-chave:
violência; mulheres; interseccionalidades; livro didático; ensino de História
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#PraCegoVer A Figura 1 retrata, de modo caricatural, um acontecimento de violência contra mulheres no espaço doméstico de uma família inglesa no século XIX. Na primeira cena, um homem aparece ao centro, sentado na mesa de jantar e com uma garrafa na mão, em conversa com duas mulheres que estão de pé, ao lado da mesa. Duas crianças aparecem também brincando no cenário da sala. Na segunda cena, este mesmo homem aparece embriagado e prostrado em uma cadeira, enquanto as mulheres parecem em atividade. Na terceira cena, este homem agarra com uma das mãos o pescoço de uma das mulheres, dirigindo-lhe um olhar agressivo e apontando a outra mão em punho na direção do rosto dela. Uma moça e uma criança tentam segurá-lo, enquanto outra mulher ingressa pela porta em socorro. A mesa e a cadeira estão reviradas no chão.
#PraCegoVer A figura 2 revela duas mulheres indígenas nuas que, acompanhadas por quatro crianças indígenas, são conduzidas para a escravidão, acorrentadas no meio da selva, por três homens portadores de armas de fogo.
#PraCegoVer A Figura 3 traz uma legenda intitulada Barbaridades das Índias Ocidentais. Esta caricatura antiescravagista mostra um homem branco cozinhando o corpo de uma mulher negra/escravizada em um tanque com caldo de cana-de-açúcar.