O artigo tem por objetivo analisar a atuação do movimento feminista negro de Belo Horizonte, abordando seus repertórios de ação coletiva e de interação com o governo local e sua influência nas políticas públicas, a partir da perspectiva de seis ativistas. Trata-se de uma pesquisa qualitativa e exploratória cuja metodologia contemplou, além da revisão de literatura, levantamentos documentais, entrevistas em profundidade e análise de conteúdo. Foram mapeados os seguintes repertórios de ação coletiva: a) protestos e ação direta, b) participação institucionalizada em conselhos, conferências e orçamento participativo, c) ocupação de cargos na burocracia por ativistas e d) ocupação política, por meio de cargo eletivo de vereadora. A partir desses repertórios, o movimento feminista negro tem incidido nas políticas municipais, na perspectiva interseccional.
Palavras-chave:
movimentos sociais; repertórios de ação coletiva; movimento negro; feminismo negro; interseccionalidade; políticas públicas
Thumbnail
Fonte: Elaboração própria, a partir dos dados coletados nas entrevistas#PraTodoMundoVer: Tabela com duas colunas e sete linhas descrevendo o perfil das mulheres negras representantes do movimento feminista negro de Belo Horizonte, entrevistadas nesta pesquisa. Na coluna à esquerda, estão listadas e numeradas as entrevistadas de um a seis. Na coluna da direita está descrito o detalhamento do perfil de cada uma delas, sendo: Entrevistada 1: 35 anos, graduada em Serviço Social. Ocupou o cargo de Diretora de Política para Mulheres em Belo Horizonte de 2017 a 2020. Iniciou sua trajetória ativista no movimento estudantil; Entrevistada 2: 39 anos, graduada em Serviço Social e mestranda em Ciência Política. Ocupou os cargos de presidenta do Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial, no mandato de 2019 a 2021, na representação da sociedade civil. Tem atuação ativista nos movimentos feminista e negro; Entrevistada 3: 52 anos, graduada em Pedagogia. Militante do movimento feminista negro há 40 anos, tem vasta trajetória na atuação na gestão pública, na liderança de organização de mulheres negras e como consultora em temas referentes a gênero e raça; Entrevistada 4: 58 anos, designer de moda africana. Ocupa o cargo de Diretora de Políticas de Reparação e Promoção da Igualdade Racial de Belo Horizonte. Militante do movimento feminista negro desde a década de 1980, atuou em vários órgãos de política para a população negra em âmbitos federal, estadual e municipal; Entrevistada 5: 59 anos, pedagoga, coordenadora de um órgão municipal ligado à política ambiental e coordenadora do Movimento Negro Unificado em Belo Horizonte; Entrevistada 6: 28 anos, metroviária, egressa da Universidade Federal de Minas Gerais. Ocupa o cargo de vereadora eleita pelo PSOL. Iniciou a trajetória militante no movimento estudantil