O artigo analisa as campanhas antigênero na América Latina, mostrando como, a partir de raízes históricas patriarcais, estas se transformam num movimento organizado e transnacional que articula atores religiosos, políticos e seculares. Sob o rótulo de “ideologia de gênero”, essas narrativas funcionam como uma “cola simbólica” que aglutina medos sociais em torno da família, da sexualidade e da infância, adotando uma linguagem beligerante de cruzada. As redes sociais e a figura do influenciador potenciam a sua expansão, com eventos massivos como o Derecha Fest. O movimento combina argumentos seculares, religiosos e pseudocientíficos para construir um inimigo total. Este fenômeno desafia direitos já conquistados e constitui um processo de desdemocratização que ameaça o caráter plural da vida democrática.
Palavras-chave:
antigênero; feminismo; neopentecostalismo, desdemocratização