A partir de resultados de pesquisa quantitativa aplicada com mais de duas mil mães em todo o Brasil, neste artigo, visamos discutir de que maneira a escrita de narrativas pessoais sobre a maternidade e suas respectivas interações nas redes sociais digitais incidem nos processos de subjetivação do papel social das mães que constroem e ressignificam esses discursos. Os objetivos compreendem apresentar o feminismo matricêntrico como base teórica e conceitual; refletir sobre a maternidade e as redes sociais digitais; e analisar os sentidos de maternidade produzidos pelas e nas trocas e interações nas redes sociais digitais. Assim, do tensionamento entre as bases teóricas do feminismo matricêntrico com o material empírico foi possível observar que as práticas discursivas sobre a maternidade nas redes sociais possibilitam a estas mulheres reconhecer e falar sobre desigualdades que experimentam e que conformam seus papéis e identidades.
Palavras-chave:
maternidades; redes sociais digitais; feminismo matricêntrico
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Fonte: Elaborado pelas autoras, com base em O’Reilly (2016).#PraTodoMundoVer A imagem representa uma síntese dos pressupostos ideológicos da maternidade patriarcal, com base em O’Reilly, organizados em dez quadrados de cor azul e laranja, alternadamente. No primeiro quadrado, de cor azul, tem-se o seguinte texto: Essencialização - Posiciona maternidade como fundamento da identidade feminina; no segundo, de cor laranja, Privatização - Situa o trabalho materno exclusivamente nas esferas reprodutiva e doméstica; no terceiro, de cor azul, a Individualização - Transforma a maternagem em um trabalho de responsabilidade individual, centrado unicamente na figura da mãe; no quarto, de cor laranja, a Biologização - Enfatiza laços sanguíneos, posicionando a mãe biológica como a mãe autêntica e “real”; no quinto, de cor laranja, a Naturalização - Pressupõe que a maternidade seja natural para as mulheres, inferindo que todas já nascem sabendo como maternar “naturalmente”; no sexto, de cor azul, a Idealização - Estabelece modelos maternos inatingíveis, os quais reforçam as expectativas das mães sobre si mesmas e da sociedade sobre as mães; no sétimo, de cor laranja, a Especialização - Defende a criação dos filhos orientada por especialistas, demandando as práticas de maternagem em energia, dinheiro e esforços maternos; no oitavo, de cor azul, a Normalização - Restringe as identidades e práticas maternas ao modelo específico da família nuclear, sendo a mãe a principal cuidadora dos filhos e seu marido provedor econômico; no nono, a Intensificação - Defende a criação por métodos centrados nas crianças, intensamente trabalhosos, emocionalmente desgastantes; e, por fim, no último quadrado, de cor azul, a Despolitização - Caracteriza a criação e a educação dos filhos como atividades privadas, sem relações nem implicações sociopolíticas
Fonte: Elaborado pelas autoras#PraTodoMundoVer Na imagem, há um fundo azul, com uma figura colorida na parte superior esquerda e, ao lado, a pergunta: Compartilha sua experiência materna nas redes? Logo abaixo, tem-se as seguintes respostas, dispostas em um gráfico de barras: 56,9% - posto fotos e imagens engraçadas/bonitas do nosso cotidiano; 34,6% - não compartilho situações sobre maternidade/meu filho nas redes; 29% - compartilho situações de aprendizagem da criança; 22,8% - compartilho conteúdos de perfis sobre maternidade que sigo nas redes; 19,7% - compartilho desabafos sobre desafios e dificuldades da maternidade; e 13,4% - compartilho informações sobre cuidado com a criança
Fonte: Elaborado pelas autoras#PraTodoMundoVer A imagem representa um gráfico de barras de cor laranja, com uma imagem ilustrativa no canto superior esquerdo e, do lado direito, o título As redes sociais são espaço para informação e interação sobre maternidade? Abaixo, constam as porcentagens para cada resposta, sendo: 45,4% me informo nas redes com pessoas próximas; 36,4% me informo em contas de produtoras de conteúdo (influencers/pessoas públicas); 33,7% participo de grupos de interação sobre maternidade nas redes (Wapp/Inst/Twi); 23% não me informo, não troco informações sobre maternidade nas redes; 22% interajo (comento/compartilho) nas redes incluindo minha experiência; 18,9% participo de grupo no Facebook sobre maternidade
Fonte: Elaborado pelas autoras#PraTodoMundoVer A imagem representa as respostas sobre as percepções e uso das redes. Sob um fundo azul, o título encontra-se na parte superior esquerda, em cor amarela. Abaixo, há uma figura ilustrativa e, abaixo dela, em um quadrado de cor roxa, há o seguinte texto: 22,5% Importância das redes - as trocas de informações nas redes me ajudaram a reconhecer a importância do debate sobre as dificuldades/desigualdades que passam as mães. Do lado direito da imagem, apresenta-se a continuação das respostas, cada uma delas representada por quadrados de cores diferentes, com um texto descrito em seu interior e suas respectivas porcentagens. O texto de cada quadrado é o seguinte: 7% Espaço inapropriado - eu concordo que as redes sociais não são espaço adequado para falar de questões pessoais/dificuldades da maternidade; 9,4% Posts positivos - procuro não me sentir pressionada, mas acabo postando principalmente situações positivas da maternidade; 12% Uso do humor - compartilho conteúdos sobre as dificuldades da maternidade que têm tom de brincadeira; 12,7% Não se sente à vontade - não me sinto à vontade para postar alguma situação ruim/desconfortável sobre maternidade; 16,7% Positivos e dificuldades - costumo usar as redes para falar de situações positivas, mas também para compartilhar textos sobre situações difíceis e enfrentamentos da maternidade; e 19,7% Curte, não compartilha - eu leio/curto mensagens que falam sobre dificuldades ou cenas da maternidade real, mas não compartilho
Fonte: Elaborado pelas autoras.#PraTodoMundoVer A imagem representa um esquema-síntese de análise sobre os sentidos dos depoimentos acerca das experiências de maternidade. Sob um fundo branco e com o título Tensões entre público e privado, o esquema possui uma esfera de cor azul no seu centro, com o texto idealização da maternidade - pressuposto ideológico da maternidade patriarcal. Dessa esfera saem quatro flechas, as quais remetem aos textos das partes esquerda e direita. Na parte lateral esquerda, tem-se os seguintes textos: as redes são um espaço de troca e partilha dos momentos negativos da maternidade. Há um traço vertical em preto ligando esse texto a outro, a (des) privatização da maternidade, e outro traço vertical preto, relacionando o texto maternidade real. Na parte lateral direita, no canto superior, há o texto as redes são um espaço inadequado para a exposição dos filhos e, abaixo, há um traço vertical de cor preta que se liga ao texto maternidade romântica. Há, ainda, traços de cor preta, na horizontal, que relacionam os textos da parte superior e inferior