Para identificar perspectivas feministas sobre a maternidade, este artigo se baseará em três ferramentas teóricas: uma sociologia das discrepâncias, um modelo ternário do corpo e uma concepção do sistema de gênero. Essas ferramentas permitirão propor perspectivas em três dimensões: biológica, social e espiritual. Enquanto os componentes estritamente biológicos se concentram principalmente na primeira etapa da maternidade, no trabalho reprodutivo envolvido na concepção, as perspectivas feministas sobre a maternidade biológica referem-se à potencial eficácia dos movimentos feministas em minar a pressão normativa que combina o poder médico e a ordem de gênero. No que diz respeito ao componente social, esta contribuição mostra que a evolução da maternidade social é altamente heterogênea. Por um lado, a atuação feminista contribuiu para uma maior visibilidade da maternidade social, permitindo que as mulheres acessem outras posições. Por outro, essa promoção é altamente centrada no social, e o risco reside na exploração de algumas mulheres por outras. Finalmente, as perspectivas feministas sobre a maternidade espiritual, que têm sido pouco estudadas, podem constituir uma aliança entre a busca por batalhas feministas dentro das instituições religiosas e a emergência de novos imaginários sagrados.
Palavras-chave:
Perspectivas feministas; maternidade; corpo; maternidade biológica; maternidade social; maternidade espiritual