Estudo teórico que adota a concepção de cuidado como trabalho de reprodução social em Nancy Fraser como crítica do autodiscurso científico do cuidado como “amor” na enfermagem. Argumentamos que o cuidado como trabalho de reprodução social, ação esforçada que visa atender às necessidades sociais da força de trabalho nas sociedades capitalistas, expõe as fragilidades do “amor” da enfermagem – por desnudar as condições materiais, interseccionais, capitalistas e sócio-históricas que o sustentam, subsidiando práticas contra-hegemônicas. Inicialmente refletimos sobre a contradição entre cuidado e capitalismo. Em seguida, procedemos à crítica imanente do autodiscurso do amor na enfermagem por meio do triedro negativo do cuidar. Na conclusão, recalculamos alternativas para uma rota crítica do trabalho do cuidado na profissão. Propomos a inclusão da perspectiva de gênero e o diálogo com a epistemologia feminista nos currículos da graduação e da pós-graduação, com repercussões nas produções científicas e na prática política da enfermagem. A ciência que produzimos há que problematizar as contradições sociais e de gênero na enfermagem, cujo trabalho tem sido rigidamente domesticado.
DESCRITORES
Estereótipo de Gênero; Enfermagem; Cuidado de Enfermagem; Discurso; Feminismo; Trabalho