RESUMO
Objetivo: Validar semanticamente uma tecnologia educacional com o cuidador da criança e adolescente em tratamento quimioterápico.
Método: Estudo metodológico, de abordagem quantitativa, norteado pelo referencial teórico da psicometria, desenvolvido entre março e abril de 2022, com nove cuidadores de crianças e adolescentes em tratamento quimioterápico. A tecnologia educacional é um filme de animação digital sobre o processo de tratamento quimioterápico pediátrico, utilizada como ferramenta para educação em saúde.
Resultados: Na avaliação da confiabilidade, o Coeficiente de Correlação Intraclasse foi de 0,936 [IC95% 0,868-0,984] com p < 0,05 e alfa de Cronbach de 0,943, demonstrando uma consistência interna satisfatória. Em relação à análise semântica, os domínios relacionados aos objetivos, organização, linguagem, aparência e motivação apresentaram índice de concordância superior a 80%.
Conclusão: A tecnologia educacional apresentou índices satisfatórios, demonstrando ser um instrumento válido, confiável e importante para ser utilizado pelos cuidadores de crianças e adolescentes em tratamento quimioterápico.
Descritores:
Tecnologia Educacional; Cuidadores; Neoplasias; Criança; Adolescente.
ABSTRACT
Objective: Semantically validate an educational technology with the caregiver of children and adolescents undergoing chemotherapy.
Method: Methodological study, with a quantitative approach, guided by the theoretical framework of psychometry, developed between March and April 2022, with nine caregivers of children and adolescents undergoing chemotherapy. Educational technology is a digital animation film about the pediatric chemotherapy treatment process, used as a tool for health education.
Results: In the reliability assessment, the Intraclass Correlation Coefficient was 0.936 [95%CI 0.868-0.984] with p < 0.05 and Cronbach’s alpha of 0.943, demonstrating satisfactory internal consistency. Regarding the semantic analysis, the domains related to objectives, organization, language, appearance, and motivation showed an agreement rate above 80%.
Conclusion: Educational technology showed satisfactory rates, proving to be a valid, reliable, and important instrument to be used by caregivers of children and adolescents undergoing chemotherapy.
Descriptors:
Educational Technology; Caregiver; Neoplasms; Child; Adolescent.
RESUMEN
Objetivo: Validar semánticamente una tecnología educacional con el cuidador del niño y adolescente en tratamiento quimioterápico.
Método: Estudio metodológico, abordaje cuantitativo, norteado por el referencial teórico de la psicometría, desarrollado entre marzo y abril de 2022, con nueve cuidadores de niños y adolescentes en tratamiento quimioterápico. La tecnología educacional es una película de animación digital sobre el proceso de tratamento quimioterápico pediátrico, utilizada como herramienta para educación en salud.
Resultados: En la evaluación de confiabilidad, el Coeficiente de Correlación Intraclase fue 0,936 [IC 95% 0,868-0,984] con p < 0,05 y alfa de Cronbach de 0,943, demostrando una consistencia interna satisfactoria. En relación al análisis semántico, los dominios relacionados a objetivos, organización, lenguaje, apariencia y motivación presentaron índice de concordancia superior a 80%.
Conclusión: La tecnología educacional presentó índices satisfactorios, demostrando ser un instrumento válido, confiable e importante para utilizarse por los cuidadores de niños y adolescentes en tratamento quimioterápico.
Descriptores:
Tecnología Educacional; Cuidadores; Neoplasias; Niño; Adolescente.
INTRODUÇÃO
As tecnologias educacionais consideradas como ferramentas facilitadoras do processo ensino-aprendizagem estão sendo inseridas na prática de educação em saúde em diversas áreas de atuação profissional, contribuindo para a melhoria da qualidade da assistência(1).
Dessa forma, com a evolução da sociedade contemporânea, a cada dia os profissionais de saúde se deparam com novos recursos tecnológicos que podem ser usados em benefícios do paciente(2). Nesse patamar, destaca-se a inserção das tecnologias educacionais no cenário da oncologia pediátrica, as quais contribuem para educação em saúde da criança/adolescente e cuidador. Ademais, elas proporcionam a adesão ao tratamento e fortalecem a comunicação entre os profissionais e pacientes(3).
Vale ressaltar que o câncer infantojuvenil acomete crianças e adolescentes de 0 a 19 anos, os quais, pela idade, estão em maior contato com o universo de aparatos tecnológicos. Sendo assim, os profissionais devem pensar formas de integrar as inovações em prol dos pacientes e de seu cuidador(4).
É importante levar em consideração que o câncer infantojuvenil, a cada ano, ocorre em mais de 300 mil crianças em todo o mundo; e, no Brasil, para o período de 2020-2022, é estimado 8.460 casos novos de câncer em crianças abaixo de 19 anos. Outro fato importante é que o diagnóstico envolve grandes desafios, por não haver fatores de riscos específicos que possam contribuir para prevenção; e pelo fato de os sinais e sintomas poderem ser confundidos com outras patologias(5).
Nessa perspectiva, o diagnóstico surge de forma repentina, transformando a vida não só da criança/adolescente, mas de seu cuidador que é responsável pela tomada de decisão em relação ao tratamento. Dentre os principais tipos de abordagem terapêutica, está a quimioterapia, a qual pode ser realizada de forma isolada ou associada à radioterapia e cirurgia. Ressalta-se que o tratamento quimioterápico ainda é marcado por estigmas relacionados principalmente aos efeitos colaterais, sendo necessário informar sobre a prática de autocuidado e medidas para minimização desses efeitos(6).
Nesse contexto, o primeiro contato do cuidador com a oncologia pediátrica, na maioria das vezes, é marcado por medo e inseguranças em relação ao diagnóstico e tratamento, o que pode dificultar a compreensão sobre o processo oncológico da criança(7-8).
Ademais, é preciso levar em consideração que o cuidador pode não ter a formação suficiente para compreender termos técnicos, sendo necessário facilitar a comunicação com uso de uma linguagem acessível a todos, que seja esclarecedora, simples e objetiva(9). Dessa forma, para efetividade do tratamento, é essencial a atuação da equipe multiprofissional, em especial do enfermeiro, que possui um papel importante no processo de educação em saúde, acolhendo as dúvidas e construindo estratégias que permitam o entendimento da família e paciente(10).
Sob esse prisma, a educação em saúde na oncologia pediátrica se constitui como um processo contínuo que proporciona aos cuidadores e às crianças/adolescentes maior aproximação com a equipe. As tecnologias educacionais, como cartilhas, manuais, vídeos, podem contribuir no fortalecimento do conhecimento da criança/adolescente e cuidador, além de serem acessíveis para quando surge alguma dúvida, auxiliando na tomada de decisão(11-12).
No entanto, para que a tecnologia seja efetiva, é preciso que atenda às necessidades do público a que se destina; para isso, a validação do instrumento é essencial à confiabilidade da tecnologia. Vale dizer que a construção e validação de uma tecnologia envolvem diversas etapas de desenvolvimento e testagem que permitem a adequação do instrumento(13).
Dentre as etapas, está a validação semântica com o público-alvo, que se constitui como fundamental para reformulações da linguagem, imagens, som e escrita, possibilitando um material de fácil compreensão para a realidade de cada público(14-15). A validação semântica tem como objetivo avaliar se os itens de um instrumento são compreensíveis para o público a que a tecnologia se destina, levando em consideração o estrato mais baixo (nível de escolaridade) da população(16).
Sendo assim, levando em consideração a importância da validação com o público-alvo, o estudo se justifica devido à necessidade de utilizar uma tecnologia educativa para cuidadores de crianças e adolescentes com câncer que possa ser confiável e eficaz, com ênfase na validação mediante referenciais metodológicos adequados.
OBJETIVO
Validar semanticamente uma tecnologia educacional com o cuidador da criança e adolescente em tratamento quimioterápico.
MÉTODOS
Aspectos éticos
O estudo seguiu as recomendações da Resolução 466/12 do Conselho Nacional de Saúde, referentes às pesquisas relacionadas a seres humanos, sendo avaliado e aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Para garantir a autonomia e direito de recusa dos participantes, foi utilizado o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, contendo informações sobre a natureza, duração, metodologia, riscos e benefícios do estudo, sendo assinado pela pesquisadora principal e cuidador da criança e adolescente em tratamento quimioterápico. Foi explicado o direito de abandonar a pesquisa a qualquer momento. Ademais, foi garantida a confidencialidade e anonimato dos dados.
Desenho, período e local do estudo
Trata-se de um estudo metodológico, de abordagem quantitativa, norteado pelo referencial teórico da psicometria(16). Foi desenvolvido como estudo-piloto de um projeto maior intitulado “Estratégia multimídia para aquisição de conhecimento e redução de ansiedade de cuidadores de crianças e adolescentes em quimioterapia: ensaio clínico randomizado”. Este utiliza uma tecnologia educacional para avaliar a eficácia no que se refere à aquisição de conhecimento e redução de ansiedade de cuidadores de crianças e adolescentes recém-diagnosticados com câncer e que vão ser tratados com quimioterapia.
Destaca-se que o estudo-piloto vem sendo elaborado pelos pesquisadores antes do estudo propriamente dito, contribuindo para o fortalecimento das estratégias metodológicas e validação do instrumento de pesquisa(17).
Foi desenvolvido entre março e abril de 2022, em um hospital filantrópico referência no tratamento do câncer infantil no estado do Rio Grande do Norte (RN), localizado na capital, Natal.
População, critérios de inclusão e exclusão
A amostra do estudo foi não probabilística, levando em consideração o referencial de Pasquali (2010), que recomenda um mínimo de seis participantes no processo de validação semântica com o público-alvo. Além disso, estes devem ter diferentes níveis de escolaridade (fundamental, médio e superior)(16). Dessa forma, a amostra foi constituída pelos nove primeiros cuidadores de crianças e adolescentes recém-diagnosticados com câncer e em iniciação ao tratamento quimioterápico, tendo o grupo 1 três cuidadores do nível fundamental; o grupo 2, quatro cuidadores do nível médio; e o grupo 3, dois cuidadores do ensino superior. Eles foram recrutados mediante admissão da criança/adolescente no setor de oncologia para início do tratamento quimioterápico durante os meses de março e abril de 2022.
Como critérios de inclusão, foram adotados: ter idade igual ou maior que 18 anos e ser o cuidador principal da criança/adolescente que iniciará o tratamento quimioterápico. Foram excluídos do estudo os participantes que apresentaram as seguintes condições: distúrbio que incapacite a compreensão e participação da pesquisa; cuidadores de crianças e adolescentes que estão iniciando tratamento quimioterápico com recidiva da doença; cuidadores que já tiveram experiência no cuidado com pacientes em tratamento quimioterápico, pessoas com déficit visual ou auditivo.
Destaca-se que, na maioria dos estudos, o processo de validação semântica tem sido desenvolvido como teste-piloto na população a ser analisada, com uma amostra pequena de pessoas(18).
Protocolo do estudo
O estudo metodológico faz parte da primeira etapa de desenvolvimento de um projeto maior, que utiliza como tecnologia educacional um filme de animação digital sobre o processo de tratamento quimioterápico pediátrico. Esse recurso foi desenvolvido por Pinheiro et al. (2020)(19), foi validado por especialistas na área e autorizado para realização do estudo. Todavia foi vista a necessidade de se executar o teste-piloto com o intuito de realizar a análise semântica do filme, validando com o público-alvo, para posterior utilização em um ensaio clínico randomizado.
O filme de animação digital foi desenvolvido a fim de atuar como instrumento estratégico para educação em saúde no contexto da oncologia pediátrica, abordando o processo de tratamento quimioterápico pediátrico. O filme destaca a importância da terapêutica para o câncer em crianças e adolescentes, demonstrando o que é a quimioterapia e os cuidados necessários durante o tratamento. O filme tem duração de 12 minutos e 22 segundos.
Para avaliação do filme de animação digital, foi utilizado um questionário adaptado do estudo de Oliveira (2006)(20), que, na primeira parte, aborda dados de identificação dos participantes. Já a segunda parte do questionário avalia os objetivos, organização, linguagem, aparência e motivação da tecnologia, adaptada da Suitability Assessment of Materials (SAM)(21). Os itens do questionário seguem valoração em uma escala tipo Likert: 4 = Totalmente Adequado (TA); 3 = Adequado (A); 2 = Parcialmente Adequado (PA); e 1 = Inadequado (I).
Análise dos resultados
Em relação à análise estatística, foi levado em consideração o índice de concordância semântica (ICS), o qual aponta a proporção dos participantes em concordância sobre determinado aspecto do instrumento. Recomenda-se um ICS de, no mínimo, 70% (0,70). Os dados obtidos foram organizados, processados e analisados pelo programa Statistical Package for the Social Sciences (SPSS), versão 20.0.
Para avaliar a confiabilidade do instrumento de avaliação do filme de animação digital, foi calculado o Coeficiente de Correlação Intraclasse (ICC)(22) e o alfa de Cronbach(23) para verificar a consistência interna. Os valores considerados no estudo estão apresentados na Tabela 1.
Valores do Coeficiente de Correlação Intraclasse e alfa de Cronbach, Natal, Rio Grande do Norte, Brasil, 2022
RESULTADOS
Em relação aos dados sociodemográficos (Tabela 2), houve predominância de cuidadores do sexo feminino (88,9%), média de idade de 31,2 anos (DP = 8,33), 55,5% apresentaram estado civil casado, e 44,4 % possuíam renda familiar entre um e dois salários mínimos.
Caracterização da população-alvo participante no processo de validação do filme de animação digital, Natal, Rio Grande do Norte, Brasil, 2022
Na análise semântica pelo público-alvo, os domínios relacionados com os objetivos, organização, linguagem, aparência e motivação obtiveram avaliação positiva, atingindo concordância mínima superior a 80% (Quadro 1). As respostas do público-alvo, na maioria, foram contempladas nas alternativas de TA e A com 158 (97,5%) das respostas, enquanto 4 (2,46%) consideraram a opção PA, e nenhum item foi considerado inadequado.
Avaliação do público-alvo quanto aos objetivos, organização, linguagem, aparência e motivação do filme de animação digital, Natal, Rio Grande do Norte, Brasil, 2022
Na avaliação da confiabilidade do instrumento de avaliação do filme de animação digital, observou-se consistência interna total satisfatória, com alfa de Cronbach de 0,943 e ICC total de 0,936 [IC95% 0,868 - 0,984] e valor de p significante (p < 0,05). Contudo, analisando os domínios individualmente, observa-se que o domínio de organização apresentou um alfa de Cronbach de 0,617 e um ICC de 0,597, indicando ajustes para aumentar a confiabilidade do domínio (Tabela 3).
Análise da confiabilidade e consistência interna dos domínios analisados no Instrumento de Validação Semântica do filme de animação digital, Natal, Rio Grande do Norte, Brasil, 2022
Na Tabela 4, é possível observar a análise de confiabilidade para as respostas dos cuidadores sobre as questões de avaliação do filme de animação digital, mediante o alfa de Cronbach.
Resultados do alfa de Cronbach caso o item seja retirado do instrumento de avaliação do filme de animação digital, Natal, Rio Grande do Norte, Brasil, 2022
DISCUSSÃO
Mediante os resultados, evidencia-se a adequação da tecnologia educacional em relação ao público-alvo, apresentando um índice de concordância semântica superior a 80%; sendo assim, ela pode ser utilizada em pesquisas futuras relacionadas com a educação em saúde na oncologia pediátrica.
Nesse contexto, as tecnologias educacionais quando validadas com o público-alvo são estratégias importantes para o processo de educação em saúde, por considerarem as peculiaridades de cada grupo, bem como a faixa etária e grau de escolaridade. Para o processo de validação, é importante que o público participante seja de diferentes níveis de instrução para verificar a acessibilidade da tecnologia(16).
Dessa forma, o estudo contemplou os três níveis de instrução - ensino fundamental, médio e superior -, demonstrando a adequação da tecnologia para todos eles. Ressalta-se que a linguagem clara e de fácil entendimento contribui para o aumento do conhecimento e maior engajamento do público a que a tecnologia se destina(24).
Ademais, a linguagem da tecnologia educacional deve ser acolhedora, simples, objetiva e dialógica, facilitando a aquisição de conhecimento e aproximando o público-alvo dos objetivos pretendidos(25).
Em relação aos domínios avaliados, destaca-se a análise em outras pesquisas nas quais se alcançou a adequação da tecnologia educacional mediante os objetivos, clareza, linguagem e motivação(15). No presente estudo, o domínio relacionado com os objetivos apresentou o maior índice de concordância, demonstrando que a tecnologia é visualizada de modo simples, compreensível, e atinge seu propósito.
Outrossim, as tecnologias educacionais precisam ser avaliadas por indicadores que permitam maior confiabilidade e credibilidade(26). Dessa forma, salienta-se que o teste de alfa de Cronbach para análise de consistência interna do instrumento apresentou um resultado significante (0,943), sendo uma das ferramentas estatísticas mais importantes para validação(27).
Destaca-se que o público participante da pesquisa foi predominantemente do sexo feminino, o que pode está atrelado tanto ao processo histórico da figura da mulher ao cuidar quanto ao seu papel como genitora. Na oncologia pediátrica, a mãe como sendo a única responsável pela criança/adolescente é uma realidade frequente; e a dedicação desvelada pela mãe cuidadora provoca impactos relacionados com a sobrecarga e exaustão. Dessa forma, é preciso que haja uma integração com a família da criança/adolescente com câncer para que os desafios e responsabilidades sejam compartilhados e o processo oncológico possa ser enfrentado de maneira mais leve(28).
Sabe-se que o adoecimento e a hospitalização modificam o cotidiano familiar, ocasionando para o cuidador o exercício de múltiplas tarefas e dificuldades relacionadas aos recursos financeiros: muitos são obrigados a deixar de trabalhar ou adaptar suas funções para conciliar com a rotina de internações requeridas pelo tratamento quimioterápico(29).
Esse dado converge com o encontrado no presente estudo, no qual se observou que a maioria dos participantes tem renda familiar de um a dois salários mínimos. O aspecto financeiro é uma das preocupações do cuidador e influencia seu estado geral, pois, por passar muito tempo no hospital, acaba abdicando de seu trabalho ou altera horários para conciliar com a nova rotina(30).
Associadas a essas modificações, estão as inúmeras informações que são fornecidas aos cuidadores durante o diagnóstico e tratamento da criança/adolescente com câncer, as quais podem interferir no estado emocional do cuidador, gerando angústia e medos, principalmente se forem compartilhadas com uma linguagem difícil, dificultando o entendimento(28).
Dessa forma, o público que cuida da criança e adolescente com câncer necessita do acolhimento dos profissionais, sobretudo dos enfermeiros que estão em contato direto com os primeiros cuidados durante a fase de tratamento do câncer infantojuvenil. Assim, a construção de tecnologias educacionais, como vídeos, aplicativos e filmes, contribui para o repasse de informações de forma lúdica, aproximando o cuidador da oncologia pediátrica(19,28).
Destaca-se que a mediação da comunicação por meio de animações oferece um suporte multissensorial e multidimensional que pode suprir as necessidades de diversos públicos, inclusive de populações mais carentes, proporcionando uma maior integração e participação dos pacientes e familiares(31).
Assim, a tecnologia educacional validada no estudo - filme de animação digital - se insere como um recurso multimídia que transmite informações utilizando de animações com personagens, cenários e áudio sobre o processo de tratamento quimioterápico, proporcionando um ambiente interativo com o público.
Ressalta-se que a educação em saúde com uso de multimídia é eficaz principalmente quando realizada antes de procedimentos terapêuticos, como no caso da administração de quimioterápicos. O conhecimento prévio sobre os cuidados durante o tratamento quimioterápico, como alimentação, higiene, formas de prevenção para riscos relacionados à infecção, faz com que o cuidador se sinta mais preparado para o manejo da criança e adolescente ao longo desse período(32).
Dessa forma, levando em consideração que as tecnologias educacionais são importantes para ampliar o acesso às informações por diversos grupos sociais, compreende-se que o processo de validação é essencial para o contexto local (como em hospitais) e, nesse caso, para a oncologia pediátrica(33). Os estudos de validação com o público-alvo contribuem para o refinamento de instrumentos, pois, mediante sugestões, é possível realizar aproximações com a realidade de cada público. Ademais, o processo de validação permite disseminar informações seguras e confiáveis(34).
Limitações do estudo
Uma das limitações do estudo foi o fato de a validação semântica com cuidadores ter sido realizada em um único hospital. Outra possível se refere ao número reduzido de publicações com tecnologias educacionais validadas para o cuidador da criança/adolescente com câncer.
Contribuições para a área da Enfermagem, Saúde Pública ou Política Pública
O presente trabalho contribui para o fortalecimento das práticas de educação em saúde, destacando a importância do processo de validação para utilização efetiva de uma tecnologia educativa, que pode ser utilizada em pesquisas futuras pelos centros de referência em oncologia pediátrica.
CONCLUSÕES
A tecnologia educacional do presente estudo revelou-se um instrumento válido e importante para ser utilizado pelos cuidadores de crianças e adolescentes em tratamento quimioterápico, demostrando um índice de concordância superior ao recomendado.
O estudo evidencia a necessidade de os profissionais utilizarem tecnologias educacionais validadas que possam contribuir para aquisição de conhecimento e fortalecer a adesão de pacientes e cuidadores ao tratamento oncológico. Ressalta-se que o cuidador bem informado consegue dialogar de forma segura com a criança/adolescente e se aproximar da equipe de profissionais atuantes na oncologia.
A área da oncologia pediátrica mostra-se complexa na medida em que lida com o tratamento de crianças/adolescentes em processo patológico de longa duração, e isso resulta na necessidade de recursos educativos que possam facilitar o processo de comunicação e orientações de forma humanizada.
Sendo assim, a validação com o público-alvo realizada neste estudo é essencial para garantir a confiabilidade da tecnologia educativa e pode ser utilizada pelos profissionais como fonte de orientação no primeiro contato com os cuidadores da criança/adolescente com câncer.
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EDITOR CHEFE: Antonio José de Almeida Filho
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EDITOR ASSOCIADO: Ana Fátima Fernandes
