RESUMO
Introdução: Este artigo apresenta o relato de uma experiência docente vivenciada no curso de Biblioteconomia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), durante o segundo semestre de 2024, na disciplina “A Biblioteca Escolar e os Usuários Especiais". Ao longo do semestre, foram desenvolvidas diversas atividades práticas, como seminários, fóruns de discussão, visita técnica e projetos de intervenção, que incentivaram a participação ativa dos estudantes e a construção colaborativa do conhecimento.
Objetivo: Relatar a experiência docente na disciplina onde foram utilizadas metodologias ativas e avaliação formativa como estratégias para promover o engajamento discente, a aprendizagem significativa e a permanência estudantil.
Metodologia: O relato caracterizou-se como uma pesquisa de abordagem qualitativa e natureza descritiva. Foram descritas as características, etapas, recursos utilizados e a condução da prática docente na disciplina. Além disso, considerou-se o feedback dos estudantes, obtido por meio de um questionário de avaliação da disciplina.
Resultados: A experiência evidenciou que a utilização de práticas pedagógicas dinâmicas, baseadas em desafios reais, contribuiu para a reflexão crítica, o fortalecimento do trabalho em equipe e a ampliação do interesse dos alunos pelos temas abordados.
Conclusão: Conclui-se que pequenas mudanças metodológicas podem evidenciar grandes impactos no empenho dos discentes e espera-se que este relato inspire outras iniciativas semelhantes, contribuindo para o aprimoramento das práticas de ensino no contexto do ensino superior.
PALAVRAS-CHAVE:
Metodologias ativas; Avaliação formativa; Ensino superior; Relato de experiência
ABSTRACT
Introduction: This article presents a report on a teaching experience in the Library Science program at the Federal University of Minas Gerais (UFMG), during the second semester of 2024 in the course "The School Library and Special Users." Throughout the semester, various practical activities were carried out, such as seminars, discussion forums, technical visits, and intervention projects, which encouraged active student participation and collaborative knowledge construction.
Objective: To report the teaching experience in a course that adopted active methodologies and formative assessment as strategies to promote student engagement, meaningful learning, and student retention.
Methodology: The report is characterized as a qualitative and descriptive study. It describes the characteristics, stages, resources used, and the teaching practices implemented in the course. Additionally, student feedback was considered, obtained through a course evaluation questionnaire.
Results: The experience showed that the use of dynamic pedagogical practices based on challenges contributed to critical thinking, the strengthening of teamwork, and increased student interest in the topics addressed.
Conclusion: It is concluded that small methodological changes can have a significant impact on student commitment, and it is hoped that this report will inspire similar initiatives, contributing to the improvement of teaching practices in higher education.
KEYWORDS:
Active methodologies; Formative assessment; Higher education; Experience report
1 INTRODUÇÃO
No Brasil, o ensino superior enfrenta desafios constantes para garantir a permanência e o sucesso acadêmico dos estudantes. Nesse contexto, as metodologias ativas e avaliação formativa despontam como estratégias promissoras para contribuir na redução da evasão escolar. As metodologias ativas compreendem abordagens pedagógicas que colocam o estudante no centro do processo de ensino-aprendizagem, incentivando sua participação ativa na construção do conhecimento. Por sua vez, Machado et al. (2021) ressalta o caráter formativo da avaliação, destacando sua função de monitoramento e orientação do aprendizado ao longo do curso. Essa perspectiva entende a avaliação como um processo contínuo de construção do conhecimento, possibilitando ajustes no ensino, sempre que necessário. Nesse sentido, a avaliação no ensino superior não deve se limitar à mensuração de resultados, mas sim atuar como um mecanismo de acompanhamento e aperfeiçoamento da aprendizagem em uma perspectiva mais qualitativa, reflexiva e alinhada ao desenvolvimento dos alunos, bem como à melhoria contínua das práticas pedagógicas.
Assim, a avaliação no ensino superior deve atuar como um instrumento de acompanhamento e aprimoramento da aprendizagem, sob uma ótica mais qualitativa, reflexiva e alinhada ao desenvolvimento dos alunos, além de contribuir para o aperfeiçoamento das práticas pedagógicas. A crescente diversidade de perfis estudantis exige abordagens que promovam a participação ativa dos alunos e uma aprendizagem mais significativa. Nesse cenário, metodologias ativas e avaliação formativa revelam-se estratégias essenciais para transformar a experiência educacional, tornando-a mais dinâmica e centrada no estudante.
As metodologias ativas representam, portanto, uma mudança de paradigma no ensino, ao deslocar o foco da mera transmissão de conteúdos para um processo de construção do conhecimento, em que os alunos assumem papel protagonista no processo de ensino-aprendizagem (Paiva, 2016). Entre essas metodologias, destacam-se práticas como a Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP), grupos reflexivos e discussões colaborativas, que estimulam o pensamento crítico e a autonomia dos estudantes. A avaliação formativa, por sua vez, complementa esse processo, ao possibilitar o acompanhamento contínuo do desenvolvimento acadêmico, fornecendo feedbacks que orientam e qualificam a trajetória de aprendizagem.
Diante dessas premissas, este artigo tem como objetivo relatar a experiência docente envolvendo a aplicação de metodologias ativas e avaliação formativa na disciplina “A Biblioteca Escolar e os Usuários Especiais”. A intenção é compartilhar aprendizados e reflexões que contribuam para a qualificação das práticas docentes e a promoção de uma educação superior mais significativa, autônoma e reflexiva.
2 CONTEXTO DA EXPERIÊNCIA
A disciplina foi ofertada no 7º período do curso de Biblioteconomia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com aulas realizadas às terças-feiras, das 07h30min às 11h10min, totalizando uma carga horária de 60 horas. As atividades ocorreram entre 24 de setembro de 2024 e 14 de janeiro de 2025, considerando ajustes no calendário acadêmico devido ao encerramento da greve dos servidores técnicos e docentes da universidade.
A estrutura da disciplina contemplou 15 encontros, sendo 12 presenciais na sala “BIBLIOT 2” da biblioteca da Escola de Ciência da Informação (ECI), uma visita técnica ao Laboratório de Análise Crítica da Prática Pedagógica Inclusiva (LACPPI) e à biblioteca escolar do Centro Pedagógico (CP), além de dois fóruns de discussão assíncronos, voltados ao debate de temas não abordados nos seminários presenciais. A turma contou, inicialmente, com 10 alunos matriculados. Destes, dois trancaram a disciplina logo no início do semestre e um outro desistiu durante o curso. Assim, sete alunos participaram ativamente das atividades propostas, até o final.
O principal objetivo da disciplina foi capacitar os alunos para compreender e aplicar conceitos relacionados à inclusão de pessoas com deficiência nas bibliotecas escolares, em consonância com as diretrizes legais e as boas práticas da área. Conforme previsto em sua ementa, o conteúdo foi organizado de forma integrada, contemplando temas fundamentais para o entendimento e aprimoramento da biblioteca escolar, com ênfase nas dimensões da inclusão e acessibilidade.
Inicialmente, foram explorados o conceito e as características da biblioteca escolar, analisando seu papel na formação e no desenvolvimento dos alunos. A compreensão dos usuários desta biblioteca, suas necessidades específicas e o contexto em que estão inseridos foi outro ponto essencial do programa. A disciplina também se dedicou ao estudo da pessoa com deficiência, abordando suas diferentes tipologias e características, com o intuito de sensibilizar os alunos quanto à importância de uma biblioteca escolar verdadeiramente inclusiva. Os objetivos centrais da disciplina estavam bem definido: compreender as especificidades da biblioteca escolar e da sua comunidade de usuários; reconhecer a relevância da inclusão para garantir o acesso universal à informação e ao conhecimento; estudar as diversas formas de deficiência e suas implicações para o cotidiano escolar; conhecer a legislação nacional voltada para a proteção e os direitos das pessoas com deficiência; identificar as barreiras que os usuários enfrentam e, finalmente, reconhecer os recursos que podem ser implementados para garantir a inclusão efetiva de todos os alunos.
Nessa perspectiva, a disciplina foi organizada em três unidades temáticas, cada uma com 20 horas de conteúdo, distribuídas de forma equilibrada ao longo do curso. A primeira unidade abordou o conceito e as características da biblioteca escolar, incluindo o estudo da comunidade de usuários. A segunda foi dedicada ao tema da pessoa com deficiência, contemplando suas definições, tipologias e características. A terceira e última tratou da inclusão escolar, com ênfase na legislação, nas barreiras e nos recursos inclusivos aplicáveis às bibliotecas escolares.
A abordagem pedagógica combinou aulas expositivas dialogadas, nas quais os conceitos foram discutidos de forma dinâmica, com metodologias ativas que estimularam o debate, a construção coletiva do conhecimento e as discussões em grupo, permitindo que os alunos se envolvessem de maneira reflexiva e crítica com os conteúdos. Essa combinação favoreceu o envolvimento reflexivo e crítico dos alunos com os conteúdos trabalhados.
Como suporte, foram utilizados recursos digitais por meio do Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) Moodle, o que facilitou a interação entre os participantes, a comunicação com a docente e o compartilhamento de materiais relevantes, além da realização de fóruns de discussão. Essa proposta pedagógica teve como objetivo promover a compreensão da importância das bibliotecas escolares inclusivas, fornecendo aos estudantes subsídios para reconhecer que todos os alunos, independentemente de suas condições, devem ter pleno acesso ao conhecimento e à informação. A avaliação dos discentes considerou não apenas a assimilação do conteúdo teórico, mas também a competências como análise crítica, criatividade, argumentação e trabalho em equipe. Foram propostas atividades individuais e em grupo, incluindo seminários e a elaboração de um projeto final. Nesse sentido, a experiência relatada evidencia o impacto positivo das metodologias ativas e da avaliação formativa na formação dos alunos, favorecendo um aprendizado mais participativo e significativo, bem como a reflexão crítica sobre a inclusão e acessibilidade nas bibliotecas escolares.
A disciplina foi ministrada por uma aluna de mestrado, em estágio docente, no Programa de Pós-Graduação em Gestão e Organização do Conhecimento, conduzida com apoio do seu orientador e sob supervisão da professora responsável pela disciplina ofertada.
Durante o semestre, foram enfrentadas algumas situações atípicas que impactaram diretamente a frequência e a participação dos alunos. Um discente precisou se ausentar por um período considerável devido a problemas graves de saúde de sua mãe, que, infelizmente, veio a falecer. Outro esteve afastado por duas semanas em razão de uma cirurgia. Além disso, dois estudantes não compareceram às aulas nem realizaram as atividades ao longo de todo o semestre letivo. Esse conjunto de dificuldades representou um dos momentos mais delicados do estágio docente, exigindo sensibilidade para lidar com questões pessoais dos alunos, sem perder de vista o compromisso com o andamento da disciplina.
Particularmente desafiadora foi a situação de outra discente, que enfrentava sérios problemas familiares e, até a décima aula, não havia conseguido entregar nenhuma das atividades propostas. Diante desse cenário, e após diálogo com a supervisora do estágio docente, optou-se por uma estratégia avaliativa mais empática, alinhada aos princípios da avaliação formativa. Foi sugerido que a aluna apresentasse seu seminário como parte de uma atividade de recuperação e desenvolvesse um projeto de pesquisa voltado para intervenções pedagógicas e culturais em bibliotecas escolares inclusivas.
A proposta buscava oferecer uma oportunidade concreta para que ela superasse as dificuldades sem ser penalizada por fatores alheios ao ambiente acadêmico, por meio de um trabalho prático, reflexivo e coerente com os objetivos da disciplina. Apesar das adaptações, a aluna optou por desistir da disciplina, o que evidenciou, ainda assim, a importância de se repensar os modelos avaliativos convencionais, muitas vezes excludentes e desmotivadores, especialmente para estudantes em situação de vulnerabilidade.
Diante desse cenário, o processo avaliativo foi ajustado para garantir maior flexibilidade e justiça. Em lugar das atividades inicialmente previstas, propôs-se um projeto mais abrangente, voltado para intervenções pedagógicas e culturais em bibliotecas escolares, alinhado à perspectiva das metodologias ativas, especialmente à aprendizagem baseada em projetos. Embora o aluno em situação de luto tenha optado por desistir da disciplina, a avaliação foi conduzida com base em referenciais do ensino superior que valorizam formas avaliativas mais flexíveis e centradas no processo de aprendizagem, em vez da simples entrega de tarefas. A intenção foi promover uma avaliação formativa, capaz de acompanhar o desenvolvimento dos alunos e acolher suas dificuldades ao longo do percurso. A experiência demonstrou que práticas avaliativas contínuas, sensíveis às trajetórias individuais e articuladas às metodologias ativas, podem se constituir em estratégias potentes para o engajamento estudantil e a redução da evasão no ensino superior. Avaliar de forma humana e processual - mais do que classificar - é um passo fundamental para a construção de uma universidade verdadeiramente inclusiva, comprometida com a formação integral dos seus estudantes.
A disciplina foi organizada em três unidades, em consonância com a ementa e o referencial teórico estabelecido para o conteúdo. Como bibliografia principal, destacaram-se as obras Biblioteca escolar hoje: recurso estratégico para a escola, de Glória Durban Roca (2012, Editora Porto Alegre), e Biblioteca escolar: conhecimentos que sustentam a prática, de Bernardete Campello (2012, Editora Autêntica). Complementaram a base teórica uma seleção de livros e artigos voltados à temática da biblioteca escolar, aos usuários com necessidades específicas e aos desafios da inclusão nesse contexto.
3 METODOLOGIA APLICADA À EXPERIÊNCIA
Este relato de experiência docente, de abordagem qualitativa, teve como objetivo analisar a aplicação de metodologias ativas e técnicas avaliativas como estratégias pedagógicas para mitigar a evasão no ensino superior. A experiência foi conduzida com uma turma do 7º período do curso de Biblioteconomia da UFMG, na disciplina optativa "Tópicos em Serviços e Comunidades Específicas D: A Biblioteca Escolar e os Usuários Especiais" (código OTI 107), no segundo semestre de 2024. O método qualitativo narra detalhadamente uma experiência vivida, com foco na descrição clara e objetiva dos acontecimentos, ações, desafios e resultados. Conforme Creswell (2010), os métodos qualitativos são orientados por uma abordagem interpretativa, focando na compreensão dos significados atribuídos pelos indivíduos aos fenômenos em seu contexto natural, envolvendo os participantes na coleta de dados. Durante esse processo, surgem categorias de análise e demandas teóricas e metodológicas, permitindo que os pesquisadores elaborem suas interpretações sobre o fenômeno de maneira mais profunda, reflexiva e reconhecendo seus próprios vieses (Creswell, 2010).
Nesse contexto, a condução da disciplina foi estruturada com base nas MAs, considerando seu potencial de promover uma aprendizagem mais crítica, participativa e alinhada às demandas contemporâneas do ensino superior. Conforme afirmam Cunha et al. (2024, p. 2), “As Metodologias Ativas (MAs) são um conjunto de alternativas pedagógicas que visam facilitar a aprendizagem dos estudantes e/ou proporcionar uma educação crítica e problematizadora da realidade a partir do redirecionamento do estudante para o centro do processo de construção do conhecimento”. Essa perspectiva ancorou o planejamento das atividades realizadas, pautadas pelo protagonismo discente e pela valorização da reflexão sobre a própria aprendizagem.
Em síntese, ao investigar o fenômeno em sua totalidade, a abordagem qualitativa contribui para a criação de uma lógica interna que facilita a compreensão e explicação dos processos, os quais devem ser analisados com base nas evidências coletadas e nas teorias existentes (Minayo, 2012).
4 RESULTADOS
Os resultados obtidos indicam que a implementação de metodologias ativas e a avaliação formativa na disciplina “A Biblioteca Escolar e os Usuários Especiais” promoveram um ambiente de aprendizagem mais participativo e crítico, favorecendo o comprometimento dos discentes e o desenvolvimento de competências essenciais para a formação profissional. A proposta foi estruturada com o propósito de aplicar essas metodologias e estratégias com o intuito de contribuir para a redução dos índices de evasão no ensino superior.
Durante o semestre, enfrentamos desafios significativos relacionados à permanência estudantil, uma vez que quatro alunos manifestaram risco de desistência devido a questões pessoais e de saúde - incluindo a realização de cirurgia, participação limitada por motivos médicos e o falecimento de um familiar próximo. A adoção de métodos avaliativos específicos e flexíveis, ajustados às necessidades individuais desses discentes, possibilitou que ao menos um deles concluísse a disciplina com êxito, evidenciando o impacto positivo de práticas pedagógicas empáticas e individualizadas. Assim, a experiência demonstra que, mesmo mudanças pedagógicas relativamente simples, quando planejadas e executadas de forma intencional, podem gerar impactos significativos na qualidade do ensino e na motivação dos alunos. Os resultados descritos a seguir contemplam os principais aspectos vivenciados pelos estudantes ao longo do semestre, incluindo atividades formativas, avaliações diferenciadas, espaços de participação e reflexão, bem como os efeitos observados no processo de aprendizagem. Com isso, espera-se que este relato contribua para o debate e a adoção de práticas de avaliação formativa contínua no ensino superior, especialmente em cursos voltados à formação em Biblioteconomia e áreas afins.
Dessa forma, as subseções a seguir apresentam, em ordem cronológica e temática, os desdobramentos da experiência, iniciando pelas referências que fundamentaram a construção da proposta, passando pelas visitas técnicas, palestras e fóruns, até os instrumentos de avaliação e a análise das devolutivas discentes ao final do curso. Cada etapa é discutida de modo articulado com a literatura, buscando compreender seus impactos na formação crítica inclusiva dos futuros bibliotecários.
4.1 Desenvolvimento da Experiência: Atividades e Metodologias Implementadas
No contexto atual, Machado et al. (2021) destaca que as tendências pedagógicas desempenham um papel fundamental no processo de ensino-aprendizagem e nas práticas avaliativas. Gil (2008) enfatiza que a avaliação é um recurso essencial para assegurar o direito à aprendizagem, embora reconheça os desafios e possíveis injustiças inerentes a esse processo.
Quando conduzida com rigor científico, a avaliação tem o potencial de promover a autonomia e o crescimento dos estudantes. No entanto, embora existam propostas avaliativas inovadoras que se diferenciam dos métodos tradicionais e conservadores, a implementação dessas práticas no Ensino Superior ainda enfrenta desafios (Machado et al., 2021, p. 8).
Em resumo, a avaliação no ensino superior deve ser dinâmica e flexível, não se limitando apenas a medir o conhecimento dos alunos, mas também a promover o aprendizado contínuo. Como indicado pelos textos estudados, é fundamental que os professores adotem uma abordagem integrada, que combine diferentes estratégias avaliativas e se ajuste às necessidades individuais dos alunos. A avaliação, portanto, deve ser uma ferramenta voltada ao desenvolvimento das habilidades teóricas e práticas dos discentes, com foco na melhoria contínua do processo de ensino-aprendizagem.
Inovar nas estratégias avaliativas, como propõe o estudo de Maculan et al. (2022) sobre Biblioteconomia, é essencial para criar um ambiente que favoreça a reflexão crítica e a participação ativa dos alunos. A integração dessas práticas pode resultar em uma educação superior mais eficaz e alinhada às exigências do mercado de trabalho, das novas demandas sociais e tecnológicas, entre outras. Segundo Machado et al. (2021), a avaliação deve promover reflexão e aprendizagem significativa, contribuindo para a formação de profissionais autônomos e críticos, em vez de se restringir a um simples instrumento de classificação. Além disso, é necessário que a avaliação seja mais integrada, levando em conta as particularidades de cada estudante e a qualidade do ensino.
A visita técnica configura-se como uma metodologia ativa por promover o aprendizado por meio da vivência direta e da interação com o ambiente profissional ou acadêmico, diferenciando-se das abordagens tradicionais centradas na transmissão passiva de conteúdo. Fundamentada nos princípios das metodologias ativas, essa estratégia coloca o aluno no centro do processo de aprendizagem, estimulando sua participação, reflexão crítica e construção autônoma do conhecimento.
Ao permitir que os estudantes observem, em tempo real, a aplicação prática dos conceitos teóricos discutidos em sala, a visita técnica oferece uma experiência imersiva e contextualizada. Em ambientes como bibliotecas, museus ou instituições de ensino, os alunos podem interagir com profissionais, explorar recursos, levantar questões e participar de atividades práticas, desenvolvendo competências como análise crítica, resolução de problemas e trabalho em equipe.
Um exemplo concreto dessa abordagem foi a visita à Biblioteca do Centro Pedagógico (CP) e ao Laboratório de Análise Crítica da Prática Pedagógica Inclusiva (LACPPI), ambos da UFMG. O CP, além de atuar como campo de estágio e pesquisa para a formação de educadores, desenvolve práticas pedagógicas inovadoras voltadas à educação básica. Já o LACPPI destaca-se por sua atuação transdisciplinar na área da educação inclusiva, com foco na formação docente e no desenvolvimento de estratégias e recursos pedagógicos acessíveis (UFMG, 2025). A Biblioteca do CP, integrada ao Sistema de Bibliotecas da UFMG, também exerce papel fundamental no apoio à pesquisa e ao ensino, sendo um ambiente de referência para estudantes e pesquisadores da instituição.
Durante a visita, os alunos puderam compreender não apenas a estrutura e os serviços dessas instituições, mas também as metodologias inovadoras que elas empregam. Essa vivência se traduziu em uma oportunidade concreta de aprendizagem ativa, permitindo que os discentes conectassem teoria e prática de forma significativa.
Além disso, a atividade foi acompanhada por uma proposta de avaliação formativa, que se alinha aos pressupostos das metodologias ativas. Em vez de se limitar à verificação pontual de conhecimentos, essa avaliação buscou acompanhar o desenvolvimento contínuo dos alunos, oferecendo feedbacks ao longo do processo. Conforme Gil (2008) e Machado et al. (2021), esse tipo de avaliação favorece intervenções pedagógicas oportunas e promove o aprofundamento do aprendizado.
Dessa forma, a visita técnica se consolida como uma estratégia de ensino integrada à avaliação formativa, contribuindo para uma educação mais dinâmica, conectada à realidade profissional e atenta às demandas sociais e tecnológicas contemporâneas.
4.2 Palestras: contribuições para a inclusão e acessibilidade nas bibliotecas escolares
As palestras da professora Marília de Abreu Martins de Paiva e da bibliotecária Cleide Fernandes enriqueceram significativamente a disciplina, oferecendo perspectivas complementares sobre o papel da biblioteca escolar na promoção da inclusão e da acessibilidade. Cada exposição contribuiu de forma distinta para aprofundar a compreensão dos alunos sobre as práticas profissionais e os desafios contemporâneos enfrentados nesses espaços, preparando-os para atuar com maior sensibilidade e criticidade.
4.2.1 Palestra - Dra. Marília de Abreu Martins de Paiva
A professora Marília de Abreu Martins de Paiva, docente da Escola de Ciência da Informação da UFMG, apresentou o projeto “Biblioteca Escolar: Formando os Agentes”, uma iniciativa voltada à capacitação de profissionais para atuarem em bibliotecas escolares, com ênfase nas instituições públicas de Minas Gerais. Em sua fala, destacou a biblioteca escolar como um agente pedagógico interdisciplinar, que vai além da função tradicional de armazenamento de livros, articulando-se ao processo de ensino-aprendizagem e à formação das competências informacionais dos estudantes (Paiva e Duarte, 2016).
Com base em dados e experiências do projeto, ressaltou o impacto da biblioteca na promoção da leitura crítica e no combate ao analfabetismo funcional, contribuindo para a formação de cidadãos mais preparados para os desafios do mundo contemporâneo. A palestra também abordou a importância da acessibilidade nesses espaços, enfatizando a necessidade de recursos e diretrizes que garantam ambientes verdadeiramente inclusivos.
4.2.2 Palestra - Cleide Fernandes
A bibliotecária Cleide Fernandes, coordenadora do Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas de Minas Gerais, trouxe uma abordagem prática e inspiradora sobre acessibilidade nas bibliotecas. Ao apresentar exemplos concretos de ações já implementadas em instituições públicas, discutiu estratégias para adaptar bibliotecas escolares às necessidades de alunos com deficiência. Entre os recursos destacados estavam livros em braile, audiolivros e tecnologias assistivas voltadas a pessoas com deficiência visual.
A palestrante também compartilhou experiências bem-sucedidas de projetos inclusivos, demonstrando como a adaptação do acervo e das práticas de atendimento pode ampliar o acesso e a permanência dos alunos nesses espaços. Ao final da palestra, presenteou a turma com o livro Outro livro de perguntas: leitura, inclusão e acessibilidade, de sua coautoria com Julia Daher e Fabíola Farias, aprofundando ainda mais a reflexão sobre o tema.
As duas palestras proporcionaram aos alunos a oportunidade de refletir sobre o papel transformador da biblioteca escolar e o compromisso ético-profissional com a inclusão. Ao promoverem discussões práticas, fundamentadas e conectadas à realidade, ambas se alinharam aos princípios das metodologias ativas, por estimularem o protagonismo discente, a reflexão crítica e a aplicação do conhecimento em situações concretas. Essas contribuições reforçaram o potencial da biblioteca escolar como espaço de formação cidadã e como ferramenta de democratização do acesso à informação, apontando caminhos possíveis para práticas mais inclusivas, colaborativas e socialmente engajadas.
4.3 Seminários
Devido ao número reduzido de estudantes, foi adotado um sistema de numeração aleatória (de 1 a 7) para preservar o anonimato dos discentes durante o processo avaliativo. Essa numeração foi dissociada da ordem da lista de presença, garantindo maior confidencialidade.
Os seminários foram estruturados com base nas metodologias ativas, especialmente na Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP), colocando os alunos no centro do processo de aprendizagem. Cada grupo escolheu um tema relacionado à inclusão e acessibilidade em bibliotecas escolares e desenvolveu um projeto de pesquisa com investigação, análise crítica e proposição de soluções práticas. Essa abordagem promoveu um aprendizado dinâmico, colaborativo e conectado à realidade dos serviços bibliotecários.
Durante os seminários, os alunos exploraram legislações como a Lei Brasileira de Inclusão (LBI), ferramentas digitais e os desafios enfrentados pelas bibliotecas escolares na promoção de ambientes acessíveis. O trabalho em grupo foi essencial para a construção coletiva do conhecimento, incentivando a troca de ideias, o desenvolvimento de habilidades de comunicação e argumentação, além de estimular a reflexão crítica e a aplicação prática dos conceitos aprendidos.
A autonomia dos estudantes foi outro aspecto central: puderam escolher os temas, organizar as apresentações e tomar decisões sobre como apresentar os resultados, fortalecendo o protagonismo estudantil - um dos pilares das metodologias ativas.
Os temas dos seminários foram:
Seminário 1 (TA6): Avaliação e monitoramento de práticas inclusivas nas bibliotecas escolares, com propostas de observações e entrevistas para identificar barreiras e recursos.
Seminário 2 (TA1 e TA5): Acessibilidade e inclusão digital, com destaque para legislações e tecnologias assistivas voltadas à participação de estudantes com deficiência.
Seminário 3 (TA4 e TA2): Políticas públicas e educação inclusiva, analisando desafios na implementação de leis e propondo ações intersetoriais entre educação, saúde e assistência social.
Seminário 4 (TA3 e TA7): Parcerias entre bibliotecas e setores da sociedade, ressaltando colaborações com profissionais como psicólogos e assistentes sociais para promover a inclusão.
Em síntese, os seminários contribuíram significativamente para o aprofundamento das discussões sobre inclusão, possibilitando aos alunos compreenderem os diversos aspectos envolvidos na promoção da acessibilidade em bibliotecas escolares. A atividade proporcionou uma visão abrangente sobre o papel da biblioteca como espaço educacional inclusivo, além de desenvolver competências importantes como investigação crítica, trabalho em equipe e autonomia intelectual.
4.4 Fórum de Discussão Moodle
A estratégia dos fóruns de discussão teve como objetivo, além de promover o debate de temas centrais da disciplina, garantir a participação dos alunos, especialmente diante da situação crítica de frequência de dois discentes que não poderiam acumular mais faltas. As atividades foram programadas para o mês de dezembro, em função dos ajustes no calendário de 2024 da UFMG decorrentes das greves dos servidores técnico-administrativos e docentes. Por serem realizadas de forma assíncrona, o formato de fórum foi escolhido por oferecer flexibilidade e possibilitar que os alunos contribuíssem com reflexões e interações sem comprometer o rendimento acadêmico ou a frequência.
Essa proposta se alinha às metodologias ativas ao incentivar a participação ativa e colaborativa dos alunos na construção do conhecimento. Os fóruns promoveram discussões sobre inclusão e acessibilidade nas bibliotecas escolares, fomentando uma aprendizagem mais dinâmica e interativa. Também contribuíram para a avaliação formativa, permitindo o acompanhamento contínuo do progresso dos alunos, com feedbacks que favoreceram o desenvolvimento de competências ao longo do processo.
A primeira atividade nesse formato foi realizada em 10/12/2024, com o tema “Biblioteca Escolar como Espaço Inclusivo”. Alinhada às metodologias ativas, essa abordagem priorizou o engajamento e a construção coletiva do conhecimento. Todos os estudantes participaram ativamente, compartilhando reflexões e experiências sobre como tornar as bibliotecas escolares mais acessíveis, com foco nas necessidades de alunos com deficiência.
O fórum foi estruturado em três eixos que orientaram as discussões: acessibilidade física e tecnológica, estratégias de inclusão e exemplos práticos de projetos inclusivos. Inicialmente, abordou-se a acessibilidade física, com destaque para adaptações como rampas, sinalização em braile e uso de tecnologias assistivas. Compreendeu-se que uma biblioteca acessível vai além da infraestrutura, exigindo também recursos digitais e materiais adaptados. Em seguida, foram discutidas estratégias de inclusão, como a atuação de mediadores de leitura e a oferta de atividades culturais diversificadas. Destacou-se ainda a importância da capacitação da equipe para garantir um atendimento acolhedor e inclusivo.
Por fim, os alunos compartilharam estudos de caso e experiências práticas, como clubes de leitura adaptados e oficinas de sensibilização, enriquecendo o debate e contribuindo para a elaboração de soluções concretas para os desafios da inclusão nas bibliotecas escolares. Ao adotar o formato de fórum, essa atividade demonstrou o potencial das metodologias ativas ao estimular o protagonismo estudantil e a reflexão crítica sobre temas relevantes da área.
Logo após, em 17/12/2024, foi realizado o segundo fórum de discussão via Moodle, com o tema “Formação de Bibliotecários para a Inclusão”. O debate destacou a importância da formação contínua dos bibliotecários, alinhando-se aos princípios da avaliação formativa, voltada ao desenvolvimento progressivo dos sujeitos envolvidos no processo educativo.
Durante a atividade, os estudantes apresentaram reflexões e sugestões sobre a capacitação necessária para que os bibliotecários atendam de forma efetiva às demandas dos alunos com deficiência, assegurando sua participação plena nas atividades da biblioteca. A formação contínua foi compreendida como essencial para o aprimoramento das competências profissionais, com ênfase no domínio de tecnologias assistivas, na adoção de estratégias de comunicação inclusiva e no desenvolvimento da sensibilidade para lidar com a diversidade dos usuários.
Os discentes também discutiram o impacto positivo que uma formação adequada pode ter no engajamento dos alunos com deficiência nas práticas de leitura e nas ações culturais das bibliotecas escolares. Foram compartilhadas ideias como oficinas de leitura adaptadas, contação de histórias com recursos sensoriais e atividades interativas voltadas à inclusão.
Essas discussões, representativas da aplicação das metodologias ativas, promoveram um aprendizado significativo ao envolver os alunos em um processo contínuo de análise crítica e proposição de soluções para situações reais. A atividade evidenciou a relevância da formação permanente dos bibliotecários como estratégia para a construção de ambientes mais acessíveis, acolhedores e participativos.
Em síntese, os dois fóruns proporcionaram ampla participação dos estudantes e favoreceram a troca de experiências, demonstrando o potencial das metodologias ativas e da avaliação formativa na criação de ambientes de aprendizagem mais dinâmicos, colaborativos e inclusivos. As atividades estimularam a reflexão crítica sobre a inclusão nas bibliotecas escolares, incentivando os discentes a propor soluções práticas e a se engajar com os desafios reais enfrentados por esses espaços no atendimento à diversidade.
4.5 Avaliação aplicada no ensino superior: os métodos de avaliação utilizados
A avaliação no ensino superior, tradicionalmente centrada na mensuração de resultados e na atribuição de notas finais, vem sendo progressivamente ressignificada à luz de propostas pedagógicas que priorizam o desenvolvimento contínuo dos estudantes. Nesse contexto, a avaliação formativa tem se destacado como uma abordagem que busca acompanhar o percurso de aprendizagem de forma mais sensível, diagnóstica e orientadora. Conforme Machado et al. (2021), esse modelo não se limita a aferir o desempenho final, mas propõe-se a identificar avanços e dificuldades ao longo do processo, permitindo ajustes e promovendo a autonomia dos discentes.
Além de cumprir uma função pedagógica essencial, a avaliação formativa contribui diretamente para a permanência estudantil, sobretudo quando aplicada com empatia e flexibilidade. A valorização do percurso, em detrimento da centralidade na prova final, favorece o engajamento e reduz os impactos negativos de eventos pessoais, frequentemente ignorados em modelos avaliativos mais rígidos. Essa abordagem se alinha aos pressupostos das metodologias ativas, que atribuem ao aluno um papel protagonista e o incentivam a refletir criticamente sobre sua própria aprendizagem.
A integração entre metodologias ativas e avaliação formativa abre espaço para a construção de ambientes de aprendizagem mais inclusivos, colaborativos e responsivos às particularidades de cada estudante. A partir dessa concepção, foi possível, ao longo do estágio docente, realizar adaptações avaliativas que respondessem às demandas reais dos alunos.
O processo avaliativo da disciplina foi composto por quatro atividades ao longo do semestre, totalizando 100 pontos, conforme detalhado na Tabela 1. Na 2ª semana, os alunos realizaram um relatório de visita, exigindo uma estrutura clara e bem-organizada, incluindo introdução, metodologia, resultados, discussão e conclusão, além de seguir rigorosamente as normas da ABNT. Na 4ª semana, os discentes entregaram uma resenha do texto de Campello, com foco na clareza, coerência, capacidade de síntese e conformidade com as normas acadêmicas.
A 6ª semana marcou o início das apresentações dos seminários em grupo, conforme detalhado na Tabela 2. As apresentações deveriam ser objetivas, respeitar o tempo estipulado e utilizar recursos visuais de forma eficaz, com domínio do tema e conteúdo atualizado. Por fim, na 14ª semana, os alunos entregaram um resumo expandido, com análise crítica, estrutura lógica e referências adequadas, seguindo as normas da ABNT.
Assim sendo, as atividades desenvolvidas, especialmente as apresentações orais em grupo e a elaboração do resumo expandido, configuraram-se como estratégias pedagógicas fundamentais para o aprofundamento teórico e o aperfeiçoamento de habilidades acadêmicas dos discentes. Os temas explorados, como acessibilidade e inclusão digital; políticas públicas e educação inclusiva no contexto das bibliotecas escolares; avaliação e monitoramento de práticas inclusivas; e parcerias entre bibliotecas e outros setores institucionais, favoreceram a articulação entre teoria e prática, ao mesmo tempo em que estimularam a autonomia intelectual, o pensamento crítico e a apropriação metodológica dos conteúdos. Alinhadas aos objetivos formativos do componente curricular, essas ações também refletem a adoção de metodologias ativas de ensino, promovendo o protagonismo do aluno no processo de elaboração do conhecimento e contribuindo para uma formação mais crítica, participativa e reflexiva.
4.5.1. Atividades de Correção
As atividades da disciplina foram avaliadas com base em critérios específicos, definidos conforme os objetivos pedagógicos de cada proposta. No relatório de visita, valorizaram-se a clareza, a estrutura e a presença de dados precisos, bem como a análise crítica e a observância às normas da ABNT. A resenha foi avaliada a partir de critérios como coerência, síntese, clareza e relevância do conteúdo. Para os seminários, consideraram-se o domínio do tema, a qualidade dos recursos visuais utilizados e o respeito ao tempo de apresentação. Já o resumo expandido seguiu critérios semelhantes aos do relatório, acrescido de uma etapa de busca em bases de dados e análise crítica fundamentada. Erros gramaticais, ortográficos ou o descumprimento das normas acadêmicas impactaram as notas atribuídas.
As estratégias de avaliação adotadas ao longo do semestre buscaram promover uma aprendizagem significativa, a partir de uma abordagem formativa e alinhada às metodologias ativas. Ao invés de focar exclusivamente na nota final, procurou-se acompanhar o desenvolvimento dos alunos de forma contínua, por meio de atividades diversificadas - como relatórios, resenhas, seminários em grupo e elaboração de resumos expandidos. Essa abordagem permitiu oferecer feedbacks regulares, favorecendo a autorreflexão, o aprimoramento progressivo e a construção do conhecimento de forma crítica e colaborativa.
Destaca-se, entre essas atividades, o seminário em grupo, que exigiu dos alunos a pesquisa autônoma, a organização coletiva das ideias e a articulação entre teoria e prática. Inserido no contexto da aprendizagem baseada em projetos, esse tipo de avaliação contribuiu para o desenvolvimento de habilidades como argumentação, trabalho em equipe, análise crítica e comunicação - competências essenciais à formação acadêmica e profissional dos discentes.
Dessa forma, os métodos avaliativos empregados não apenas aferiram a aquisição de conhecimentos, mas também estimularam a autonomia e o protagonismo dos estudantes em seu próprio processo de aprendizagem. Ao promover um ambiente formativo, reflexivo e integrador, a disciplina procurou responder às necessidades individuais dos alunos, incentivando o engajamento, a permanência e o fortalecimento de uma cultura avaliativa mais justa, sensível e transformadora.
4.5.2 Os instrumentos aplicados
Nesta disciplina, utilizamos a abordagem da Problem-Based Learning (PBL), desafiando os alunos a resolverem um problema relacionado à acessibilidade em uma biblioteca escolar. Todos apresentaram propostas voltadas à acessibilidade arquitetônica. A partir disso, foram introduzidas e discutidas outras dimensões igualmente fundamentais, como as acessibilidades atitudinal, metodológica, instrumental, programática, comunicacional e natural. Esse exercício contribuiu para ampliar o entendimento dos estudantes sobre o conceito de acessibilidade e gerou maior engajamento da turma.
Outro instrumento aplicado foi a autoavaliação, com o objetivo de estimular a autorreflexão e a autonomia dos alunos, ajudando-os a se tornarem mais conscientes de seus próprios processos de aprendizagem. No entanto, observou-se que, no início da disciplina, houve certa limitação no fornecimento de feedbacks contínuos, o que poderia ter favorecido ainda mais a reflexão dos alunos sobre seu desempenho e possibilitado ajustes ao longo do percurso formativo.
Além disso, identificou-se que revisões bibliográficas mais aprofundadas seriam importantes para fortalecer a fundamentação teórica da disciplina. Da mesma forma, a inclusão de um número maior de atividades práticas poderia potencializar a articulação entre teoria e prática, tornando a aprendizagem mais dinâmica, aplicada e significativa.
Nesse sentido, a combinação entre metodologias ativas e avaliação formativa revelou-se uma estratégia promissora para enfrentar os desafios do ensino superior, especialmente no que se refere à evasão. Tais abordagens promovem um aprendizado mais envolvente, incentivam a autonomia discente e possibilitam intervenções pedagógicas oportunas, tornando a experiência acadêmica mais motivadora, inclusiva e acessível.
4.5.3 Análise do Questionário de Avaliação da Disciplina: Uma Experiência Pedagógica
A avaliação do desempenho docente, realizada por meio de um questionário aplicado aos alunos, foi um instrumento essencial para a reflexão sobre a prática pedagógica, bem como para o aprimoramento e planejamento do curso. Esta análise se baseia na experiência da docente em formação, que utilizou o questionário como uma ferramenta para entender a percepção dos alunos sobre a disciplina e identificar aspectos passíveis de melhoria.
Os resultados do questionário apresentaram um panorama positivo, destacando a clareza dos objetivos, a qualidade do material bibliográfico e o desempenho da docente. A maioria dos alunos avaliou os objetivos do curso como "excelentes", reconhecendo o alinhamento entre os temas abordados e as metas propostas, o que evidenciou a eficácia do planejamento. A bibliografia e as orientações recebidas também foram bem avaliadas, e a base teórica foi considerada adequada às expectativas. O prazo para entrega das atividades foi classificado como "ótimo", e o equilíbrio entre teoria, prática e carga horária como "bom". Como principal sugestão de melhoria, destacou-se a inclusão de mais atividades práticas, como visitas e experiências de campo.
A autoavaliação teve papel significativo no processo formativo, com a maioria dos alunos classificando seu desempenho como "bom" ou "ótimo", o que reflete alto nível de engajamento com as atividades propostas. A principal sugestão foi a inclusão de mais aulas práticas e visitas, apontada como forma de enriquecer a aprendizagem. O questionário aplicado, alinhado às metodologias ativas, permitiu aos estudantes refletirem continuamente sobre sua participação e construção do conhecimento de forma colaborativa. Tanto a autoavaliação quanto a avaliação formativa contribuíram para o desenvolvimento da autonomia discente e possibilitaram ajustes na abordagem pedagógica, promovendo uma aprendizagem mais responsiva às necessidades dos alunos.
Em resumo, a análise dos dados do questionário forneceu informações valiosas sobre o processo de ensino-aprendizagem, evidenciando a importância de se considerar a percepção dos alunos para o aprimoramento contínuo das práticas pedagógicas. A autoavaliação e a avaliação formativa desempenharam papeis centrais na promoção de uma aprendizagem autônoma, reflexiva e engajada, características essenciais do ensino superior dentro das metodologias ativas.
5 DISCUSSÃO
Nesta seção, analisamos a influência das MAs na disciplina, considerando a participação dos alunos, os desafios enfrentados e as contribuições das estratégias pedagógicas adotadas. A experiência docente analisada evidenciou o potencial dessas metodologias como recursos eficazes para promover a inserção estudantil e favorecer a aprendizagem significativa no ensino superior. Esses fundamentos que orientam o uso de métodos e técnicas pedagógicas centradas no estudante desempenham uma função essencial tanto na participação do estudante quanto na formação do professor em estágio docente. Ao promoverem a atitude proativa do discente, que se mostra aberto ao desenvolvimento, ampliação e ressignificação de saberes, essas abordagens favorecem um aprendizado mais profundo e duradouro. Paralelamente, o professor, ao assumir uma postura de mediador, contribui para que o aluno estabeleça conexões entre os novos conteúdos e seus conhecimentos prévios. Essa dinâmica favorece uma troca formativa entre os sujeitos envolvidos: o estagiário vivencia uma prática docente mais significativa e reflexiva, enquanto os estudantes se envolvem de maneira mais efetiva com a disciplina, ampliando seu interesse e participação no processo de aprendizagem.
Nesse contexto, as estratégias utilizadas, especialmente os seminários temáticos, proporcionaram aos alunos a oportunidade de propor intervenções pedagógicas e culturais para bibliotecas escolares, com base nas realidades locais, favorecendo o protagonismo discente e intensificando a correlação entre teoria e prática. Conforme Hübner e Silva (2020), as Metodologias Ativas representam uma alternativa necessária à renovação do ensino superior, pois rompem com o modelo tradicional de transmissão homogênea de conteúdos e reconhecem o estudante como sujeito central do processo formativo. Fundamentadas na Pedagogia do Ativismo, tais abordagens favorecem a constituição do conhecimento a partir das experiências, dos saberes prévios e do contexto sociocultural dos aprendizes, o que se revela essencial na formação crítica e humanizada dos futuros bibliotecários.
Sendo assim, no decorrer da disciplina, observou-se que a maioria dos alunos respondeu positivamente às propostas, demonstrando envolvimento ativo nas atividades. Entretanto, também foram enfrentados desafios relevantes, como a evasão de três estudantes e a necessidade de adaptações metodológicas para atender demandas específicas, como afastamentos médicos ou dificuldades pessoais. Essas situações reforçam a importância da flexibilidade pedagógica e da avaliação formativa como mecanismos para promover a permanência e o sucesso acadêmico. A possibilidade de adaptar os conteúdos a projetos práticos, conforme os interesses e as condições dos alunos, refletiu diretamente na continuidade do vínculo com a disciplina e na formulação de atividades contextualizadas. Além de impactarem positivamente a aprendizagem, essas metodologias também demonstraram ser um recurso estratégico para ampliar a articulação entre a biblioteca e a prática educativa. Estudos recentes têm apontado para a necessidade de integrar a biblioteca ao processo de ensino e aprendizagem como parte ativa e colaborativa. Estevão e Silva (2024) identificam, por meio de levantamento nacional, que a biblioteca escolar pode e deve ser um espaço formativo aliado às metodologias ativas, contribuindo para o desenvolvimento da autonomia, da criticidade e do letramento informacional. Entretanto, as autoras também alertam que essa integração ainda acontece de forma incipiente, exigindo maior articulação entre professores, bibliotecários e equipe pedagógica.
No contexto da formação profissional, especialmente em cursos de Biblioteconomia, essas discussões ganham ainda mais relevância. A experiência relatada neste trabalho evidencia que o uso de metodologias ativas pode contribuir para uma formação mais crítica, participativa e alinhada às exigências contemporâneas do campo bibliotecário, favorecendo o desenvolvimento do raciocínio analítico e autônomo, do trabalho em equipe e resolução de problemas. Tais habilidades são valorizadas no Projeto Pedagógico do Curso de Biblioteconomia da Escola de Ciência da Informação (ECI) que fomenta o desenvolvimento de competências essenciais como o pensamento crítico- reflexivo, a capacidade de trabalhar em equipe e a habilidade de resolver problemas de forma colaborativa e criativa. O curso forma profissionais capacitados para atuar de maneira crítica e técnica na organização, tratamento e gestão da informação registrada em diferentes suportes, físicos e digitais. Além disso, sua estrutura curricular promove uma visão interdisciplinar, permitindo a análise do conhecimento em suas diversas dimensões: cultural, econômica, comportamental, social, política e tecnológica. (UFMG, 2008).
Apesar dos avanços observados no desenvolvimento das atividades, a taxa de conclusão da disciplina atingiu apenas 70%, o que evidencia a existência de desafios que ainda precisam ser enfrentados para aumentar a margem para aproveitamento. A resistência de alguns estudantes e a dificuldade de adaptação inicial reforçam a necessidade de intensificar ações de acolhimento, orientação e avaliação diagnóstica desde o início do semestre. Ademais, a criação de espaços permanentes de escuta e troca de experiências entre docentes e discentes pode favorecer a melhoria contínua das práticas pedagógicas, em consonância com os princípios da educação centrada no estudante.
Dessa forma, recomenda-se, para futuras aplicações, estabelecer mecanismos de apoio a alunos com dificuldades pessoais ou acadêmicas, fortalecendo estratégias de permanência. Sendo assim, intensificando a avaliação formativa para promover ajustes constantes ao longo do percurso de aprendizagem e ampliar a flexibilização das atividades, de modo a atender diferentes necessidades, além de criar espaços permanentes para que os alunos compartilhem dificuldades e sugestões, contribuindo para o aprimoramento da prática docente.
6 CONCLUSÃO
A experiência relatada evidenciou que, embora práticas pedagógicas tradicionais ainda estejam consolidadas no ensino superior, as Metodologias Ativas mostraram-se ao mesmo tempo desafiadoras e enriquecedoras. Quando bem aplicadas, essas abordagens ressignificam o papel dos sujeitos envolvidos no processo educacional, assim como a forma de explorar os conteúdos, promovendo maior engajamento e facilitando a concretização de conceitos abstratos.
Os relatos dos alunos reforçaram as concepções predominantes na literatura adotada neste estudo. Ao colocar o estudante no centro do processo de aprendizagem, com o professor atuando como mediador e facilitador, observou-se uma mudança perceptível na postura discente, marcada por maior participação e envolvimento nas atividades propostas.
Outro aspecto relevante foi o desenvolvimento espontâneo do senso de responsabilidade e colaboração entre os estudantes. A adoção de dinâmicas que simulavam desafios e contextos reais estimulou a troca de experiências e fortaleceu o trabalho em equipe, promovendo uma interação mais significativa entre os participantes.
A experiência relatada possibilitou a identificação de alguns aprendizados que podem servir como recomendações para novos docentes, especialmente aqueles em formação inicial ou em estágio docente. A seguir, destacam-se orientações que emergiram da prática vivenciada:
Planeje com flexibilidade: Ter um plano de ensino bem estruturado é fundamental, mas é igualmente importante estar preparado para ajustes. Situações imprevistas, como greves, afastamentos e desistências, exigem sensibilidade e capacidade de adaptação.
Adote metodologias ativas desde o início: Atividades como seminários, fóruns de discussão, visitas técnicas e projetos colaborativos contribuem para o engajamento dos estudantes e para a construção significativa do conhecimento.
Integre avaliação formativa ao processo: Avaliar continuamente, com feedbacks claros e oportunidades de melhoria, fortalece a autonomia dos alunos e favorece sua permanência e desenvolvimento ao longo da disciplina.
Promova a aproximação entre teoria e prática: A inserção de contextos reais de atuação profissional, como visitas a bibliotecas e análise de legislações, torna o aprendizado mais concreto e aplicável.
Valorize o diálogo e a escuta ativa: Estar atento às necessidades e dificuldades dos estudantes, acolhendo suas trajetórias e oferecendo apoio, é essencial para a construção de um ambiente de aprendizagem mais justo e inclusivo.
Reflita sobre sua prática: Registrar o processo vivido e repensar as estratégias adotadas são atitudes que contribuem para a formação contínua do docente, transformando a experiência em conhecimento compartilhável.
Essas recomendações não têm a pretensão de esgotar o tema, mas apontam caminhos possíveis para quem está iniciando sua trajetória como educador no ensino superior. Trata-se de um convite à escuta, à experimentação e à reflexão constante sobre a prática pedagógica.
Reconhecimentos:
Não aplicável.
REFERÊNCIAS
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Financiamento:
Este estudo foi parcialmente financiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) por meio de bolsa de mestrado.
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Aprovação ética:
Não aplicável.
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Disponibilidade de dados e material:
Não aplicável.
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Imagem:
Extraída da Plataforma Lattes.
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JITA:
GH. Education
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ODS:
4. Educação de Qualidade
Editado por
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Editor-chefe:
Gildenir Carolino Santos https://orcid.org/0000-0002-4375-6815
Não aplicável.




