Open-access Repercussões do fenômeno produtivismo acadêmico nas práticas científicas e no bem-estar subjetivo dos bolsistas de produtividade em pesquisa

RESUMO

Introdução:  O produtivismo acadêmico é considerado um fenômeno proveniente dos processos de avaliação da pós-graduação, sendo caracterizado pela excessiva ênfase na quantidade da produção científica.

Objetivo:  Neste sentido, a presente pesquisa tem como objetivo analisar o fenômeno produtivismo acadêmico na prática científica dos bolsistas de produtividade PQ do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico na área da Ciência da Informação. Para tanto, contempla os bolsistas de produtividade vinculados aos Programas de Pós-Graduação em Ciência da Informação com oferta nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Para tal, descreve o perfil dos bolsistas, o entendimento sobre o produtivismo acadêmico e, em seguida, identifica, na perspectiva deste grupo, o impacto do produtivismo acadêmico em suas práticas científicas, com adensamento ao bem-estar subjetivo. Metodologia: Do ponto de vista metodológico, a pesquisa, sob abordagem qualitativa com aporte quantitativo, é de natureza bibliográfica, documental e descritiva. Os resultados são tratados por meio da análise de conteúdo por categorias temáticas.

Resultados:  Evidencia que os bolsistas de produtividade entendem que estão submetidos e que são fortemente atravessados pelo fenômeno do produtivismo acadêmico em suas atividades, sobretudo quando avaliados, quantitativamente, em termos de publicações, para concessão de recurso para pesquisas. Os bolsistas de produtividade apontam que o produtivismo acadêmico, associado à sociedade do cansaço e/ou desempenho, intervém no bem-estar subjetivo.

Conclusão:  Conclui que os bolsistas de produtividade consideram que devem ser produtivos, mas não produtivistas, comprometendo-se em contribuir com as áreas de conhecimento e com uma ciência cidadã por meio de estímulos “saudáveis” e não imposições.

PALAVRAS-CHAVE
Produtivismo acadêmico; Ciência da Informação; Bolsistas de produtividade em pesquisa; Sociedade do cansaço; Bem-estar subjetivo.

ABSTRACT

Introduction:  Academic productivism is a phenomenon that stems from postgraduate assessment processes and is characterized by an excessive emphasis on the quantity of scientific output. In this sense, this research aims to analyze the phenomenon of academic productivism in the scientific practice of PQ productivity scholarship holders from the National Council for Scientific and Technological Development in the field of Information Science.

Objective:  To this end, it examines productivity fellows linked to Postgraduate Programs in Information Science offered in the North, Northeast, and Central-West regions. It describes the fellows' profile and their understanding of academic productivism. Then it identifies, from this group's perspective, the impact of academic productivism on their scientific practices, with an emphasis on subjective well-being. Methodology: From a methodological perspective, the research is bibliographical, documentary, and descriptive, using a qualitative approach with quantitative input. The results were analyzed using content analysis using thematic categories.

Results:  The results show that the productivity scholarship holders understand that they are subject to and strongly affected by academic productivism in their activities, especially when they are assessed quantitatively in terms of publications to be granted research funding. The research indicates that academic productivism undermines their subjective well-being.

Conclusion:  Productivity fellows consider themselves productive but not productivist, committing themselves to contributing to areas of knowledge and citizen science through "healthy" stimuli rather than impositions.

KEYWORDS
Academic productivism; Information Science; Research productivity fellows-the burnout society; Subjective well-being.

1 INTRODUÇÃO

O produtivismo acadêmico é um tema que vem sendo explorado tanto por pesquisadores brasileiros como por pesquisadores internacionais (Machado; Bianchetti, 2011; Bianchetti; Valle, 2014; Patrus; Dantas; Shigaku, 2015), sobretudo nas áreas de Administração (Patrus; Dantas; Shigaku, 2015; Andrade; Cassundé; Barbosa, 2019), de Educação (Bosi, 2007), de Educação Física (Kunz, 2012), de Bioética, Ética Aplicada e Saúde Coletiva (Esteves, 2017), dentre outras. E, certamente, o tema também, é discutido na Ciência da Informação por Costa (2021), Costa e Barbosa Filho (2021, 2022, 2023), autores que, para além do fenômeno em si, agregaram aos seus estudos questões como a pandemia de COVID-19, a sociedade do cansaço de Byung-Chul Han (2015) e o bem-estar subjetivo.

Para reflexão, é comum que os termos produtivismo acadêmico e produção científica (referindo-se à produtividade) sejam percebidos como semelhantes. Todavia, convém esclarecer que aludem a questões distintas, como bem elucidaram Costa et al. (2023), a partir da distinção entre o que é produtivismo acadêmico e o que é produtividade, reconhecendo uma linha tênue entre ambos.

De acordo com Estácio et al. (2019, p. 133), “o produtivismo caracteriza-se como uma pressão e/ou estímulo à produção [...]”. O produtivismo acadêmico também é conhecido como performatividade acadêmica, designando ênfase exacerbada na quantidade da produção científica, como reflexo de demonstração da qualidade (Alcadipani, 2011).

Por sua vez, a produção científica, de acordo com Witter (1989, p. 29), está “relacionada com a atuação dos cursos de pós-graduação, quer pelo seu fazer científico, quer pelo seu papel na formação de professores e pesquisadores [...]”. Ao que Targino (2010, p. 33) refere, ser o “espelho da ciência e da comunidade de cientistas de um país e de uma disciplina, o que, em última instância, significa dizer que é elemento importante na mensuração do processo desenvolvimentista das nações”.

A partir do exposto, a pesquisa foi norteada pela seguinte pergunta: como se constitui o produtivismo acadêmico nas práticas científicas dos Bolsistas de produtividade PQ vinculados aos Programas de Pós-Graduação em Ciência da Informação no Brasil, com recorte para os programas das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste?

Com vistas a responder à questão norteadora, a pesquisa em relato teve como objetivo analisar o fenômeno do produtivismo acadêmico na prática científica dos bolsistas de produtividade PQ do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) na área da Ciência da Informação (CI). Para tanto, centrou-se nos bolsistas de produtividade com atuação nos programas de pós-graduação em CI no Brasil, com recorte para os que têm oferta formativa nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste1, de modo a evidenciar o produtivismo nas práticas científicas deste grupo que é considerado representativo na respectiva área de conhecimento. Assim, justifica-se a opção por este grupo pela sua condição de destaque entre os pares, constituindo a elite da produção científica em sua área, e por se tratar de um grupo detentor de maturidade científica e capacidade de formação contínua, ao que segundo Bufrem e Sobral (2022), estes, são participantes ativos na institucionalização de uma área de conhecimento e influenciam gerações de pesquisadores.

Em termos de estrutura, o presente artigo, a partir desta introdução, compõe-se de um referencial teórico acerca do tema central que é o produtivismo acadêmico, da descrição dos procedimentos metodológicos, dos resultados e, por fim, das considerações finais.

2 REVISÃO DE LITERATURA

Em seu artigo intitulado Produtivismo, pesquisa e comunicação científica: entre o veneno e o remédio, Rego (2014) comenta sobre produtivismo e suas mazelas decorrentes, tratando sob duas perspectivas distintas: os integrados e os apocalípticos. Respectivamente, de um lado está o conformismo, cujo lema se dá por: “publique para existir e seja citado para não morrer”, enquanto do outro está um sentimento de desilusão no fazer da produção científica e tudo que se relaciona a ela. Assim, percebe-se que cada qual busca trazer um tipo de explicação à realidade social e ao conhecimento, por se estruturarem em interesses e visões de mundo divergentes, as diferentes bases teóricas que fundamentam o conhecimento científico se contrariam, se complementam e se sobrepõem (Silva; Silva; Moreira, 2014).

Segundo Bahia (2020), por um lado, o produtivismo se classifica como algo depreciativo pela ótica de produzir apenas por visibilidade de quem publica, ao invés da visibilidade de um conteúdo que se espera que seja inédito e, de fato, contributivo, e, por outro, está relacionado a “mais do mesmo”, ou seja, só para complementar o que já se tinha produzido.

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), enquanto uma das principais agências de fomento à pesquisa no país, contribui para que o conhecimento científico produzido em larga escala por discentes e docentes/pesquisadores de cursos de pós-graduação stricto sensu seja justificativa para a manutenção de programas bem conceituados e, também, razão para fomentar um perfil de pesquisador com alta produtividade, independentemente das condições ofertadas. A Capes é um [...] sistema de avaliação que serve de instrumento para a comunidade universitária na busca de um padrão de excelência acadêmica para os cursos de mestrado e doutorado. Os resultados da avaliação dos programas servem de base para a formulação de políticas para as áreas de pós-graduação, bem como para o dimensionamento das ações de fomento (Brasil, 2017, doc. não paginado), o que leva à classificação de indivíduos a partir do quantitativo do que produzem e da qualidade dos canais de comunicação científica adotados para circulação do conhecimento.

No universo dos bolsistas em produtividade, observa-se que além da necessidade de publicações regulares para a manutenção de suas bolsas, este se concentra na produção de artigos científicos com o objetivo de atingir os critérios de concessão das bolsas. Assim, fica em segundo plano a produção de outros tipos de obras por não estarem diretamente relacionadas a estes critérios (Pinto et al., 2023, p. 16). Tal ação, acredita-se, contribui para o cenário do produtivismo acadêmico, dadas as estratégias das agências de fomento para a concessão das bolsas de produtividade.

A partir de uma perspectiva de que quem não publica não é visto ou reconhecido pelos seus pares, quem está inserido no âmbito acadêmico-científico é compelido a publicar por diversos fatores, a exemplo da permanência nos programas de pós-graduação (PPG). A pressão por publicar faz com que, por vezes, os pesquisadores lancem mão de práticas antiéticas para atingir o quantitativo ideal para serem bem qualificados e se manterem “produtivos” (Costa; Barbosa Filho, 2021); mas há quem caminhe na contramão desse sistema, primando pelo amadurecimento da reflexão em produzir um trabalho de qualidade, o qual é, por vezes, visto como improdutivo, podendo ser desligado ou descredenciado do programa (Andrade; Cassundé; Barbosa, 2019).

No que tange à lógica da publicação, esta ancora-se no anseio de que a pesquisa realizada se torne pública, com o objetivo de que o que foi descoberto seja compreendido e aceito de modo a não desperdiçar os investimentos públicos direcionados ao financiamento de pesquisas, e, por consequência, que estas propiciem benefícios à sociedade. Tem-se, também, o intuito e a preocupação de que a pesquisa no Brasil suba nos rankings de padrões internacionais de excelência acadêmica; a pressão e cobranças por produzir são as defesas do modelo quantitativo de avaliação das agências de fomento. Os programas, por sua vez, visando atender aos critérios de credenciamento da CAPES, se apoiam no corpo discente para manter o vínculo, exigindo cada vez mais produtividade dos pesquisadores em formação, o que alimenta o círculo vicioso do produtivismo acadêmico.

Embora a produção científica se configure como mecanismo de grande relevância, pois propicia à sociedade acesso aos avanços, retrocessos e limitações do conhecimento, permitindo que esses sejam questionados, refletidos, reavaliados, como também aplicados em intervenções cotidianas (Silva; Silva; Moreira, 2014), há tanta pressão em publicar, que os pesquisadores podem sentir na pele os efeitos da lógica produtivista e se depararem com diversas consequências como fadiga, cansaço físico/mental, estresse, entre outros. Tais sentimentos e sensações acabam por gerar doenças psicomotoras, emocionais e até mentais, tudo isso pela pressão em se produzir grande quantidade de publicações. O adoecimento é maior do que se imagina, sendo, por vezes, sorrateiro, ofuscado, negado, encoberto, além de estigmatizado e, consequentemente, subnotificado (Ribeiro; Leda; Silva, 2015).

Nessa discussão sobre as consequências do produtivismo acadêmico, é sabido que este fenômeno pode cercear a liberdade produtivo-criativa e o desejo dos atores que compõem a universidade, além de promover intensificação das atividades e precarização do trabalho, contribuindo para o surgimento de sentimentos negativos e vivências de sofrimento no trabalho, que podem evoluir para sintomas físicos e psicoemocionais que afetam a saúde desses profissionais (Andrade; Cassundé; Barbosa, 2019). Fato é que são sintomas cada vez mais em alta nos docentes/pesquisadores e discentes da pós-graduação (Costa; Barbosa, 2021; Costa; Barbosa; Silva, 2022) relacionando o produtivismo acadêmico com a sociedade do cansaço.

Nesse sentido, o produtivismo rege a agenda das atividades acadêmicas, na qual a busca para atender satisfatoriamente às exigências da produtividade institucional em termos de publicações culmina no produtivismo mascarado de produtividade que se dá em meio à reconfiguração do tempo de trabalho, resultando na precarização e intensificação do trabalho docente (Costa et al., 2023).

No Brasil, o produtivismo acadêmico ocorreu no final dos anos 1970 e, de forma institucionalizada, deu-se nos anos 1990 (Godoi; Xavier, 2012), o que Costa e Barbosa Filho (2021) atribuem à histórica “lista dos improdutivos”, que se referia aos docentes da USP que não registraram publicações entre os anos 1985 e 1986, a qual foi publicada no Jornal Folha de São Paulo. A isto, conforme Sampaio (2016), atribuiu-se o olhar para a produção intelectual como pauta de discussão desde então. Na perspectiva de Rego (2014), o produtivismo acadêmico é encarado como a obrigação do pesquisador de publicar, quase que exclusivamente, em periódicos com o objetivo de qualidade e avaliação, já que as publicações em periódicos científicos estão atreladas aos indicadores de qualidade atribuídos aos periódicos (a exemplo do Qualis Periódicos), reconhecendo a inquestionável importância destes canais de comunicação da ciência. Assim, face ao exposto, há a necessidade de reflexão acerca desse fenômeno e suas consequências na atividade docente, sobretudo docentes atuantes na pós-graduação, pois, como destacam Café, Ribeiro e Ponczek (2017, p. 75), “o produtivismo banal se apossou de mentes e corpos na pós-graduação brasileira”.

3 METODOLOGIA

Considerando o objetivo da pesquisa2, esta se caracterizou como de natureza bibliográfica, documental e descritiva, que assentou numa estratégia qualitativa com aporte quantitativo (Richardson, 1999).

A pesquisa foi ambientada nos PPG em CI no Brasil, o qual em termos quantitativos contabiliza 28 programas. No entanto, nesta pesquisa o recorte foi para os PPG com oferta formativa nas regiões Norte, Nordeste e Centro-oeste. Assim, portanto fizeram parte da pesquisa oito PPG: Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade Federal do Pará (PPGCI/UFPA); Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade Federal da Bahia (PPGCI/UFBA); Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade Federal de Sergipe (PPGCI/UFS); Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade Federal da Paraíba (PPGCI/UFPB); Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade Federal de Alagoas (PPGCI/UFAL); Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade Federal de Pernambuco (PPGCI/UFPE); Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade Federal do Ceará (PPGCI/UFC); Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade de Brasília (PPGCINF/UnB).

Constituíram-se atores da pesquisa os bolsistas de produtividade em pesquisa da área da Ciência da Informação com vinculação aos programas elencados. Os dados relativos à identificação dos bolsistas foram recolhidos por meio do serviço de consulta aberta referente ao pagamento de bolsas a pesquisadores fornecido pelo portal do CNPq. Em seguida, procedeu-se à pesquisa no site dos programas para cruzamento da identificação com a vinculação aos PPG, assim, o universo populacional de bolsistas foi composto por 14 pesquisadores (100%). Já a amostra da pesquisa se configurou pelos bolsistas que responderam ao questionário da pesquisa.

O questionário foi elaborado por meio do Google Forms com perguntas abertas e fechadas de modo a evidenciar o perfil dos bolsistas, o entendimento sobre o produtivismo acadêmico e a perspectiva deste grupo investigado acerca do impacto do produtivismo acadêmico em suas práticas científicas, com adensamento ao bem-estar subjetivo. O referido instrumento de coleta de dados foi enviado no dia 11 de abril de 2024 (reenviado no dia 23 de abril de 2024), ao que se obteve nove respostas, sendo oito destas utilizáveis para fins da pesquisa (57%), visto que um dos bolsistas não deu prosseguimento ao questionário, ou seja, optou por não participar da pesquisa.

A organização e a sistematização dos dados se deram mediante a utilização do software Microsoft Excel. Para o tratamento dos dados e sua apresentação, utilizou-se estatística básica e descritiva por utilização de frequências absolutas e percentuais.

Em posse dos dados, procedeu-se à sua análise e interpretação. A análise é definida como “a tentativa de evidenciar as relações existentes entre o fenômeno estudado e outros fatores” (Lakatos; Marconi, 2017, p. 185). Assim, os resultados foram tratados por meio de análise de conteúdo por categorias temáticas (Bardin, 1979). A utilização da análise de conteúdo requer a criação de categorias relacionadas ao objeto de estudo. Dessa forma, estabeleceram-se três categorias de análise em compasso com o fenômeno investigado, a saber: a) perfil dos bolsistas de produtividade; b) entendimento acerca do produtivismo acadêmico; e c) impactos do produtivismo acadêmico e a relação com o bem-estar subjetivo.

A partir das categorias supracitadas, os resultados e análises foram apresentados e discutidos à luz da literatura científica que aportou à pesquisa.

4 RESULTADOS E ANÁLISES

Nesta seção, descrevem-se os dados obtidos a partir de análises acerca do perfil dos bolsistas de produtividade e do produtivismo acadêmico (entendimento do fenômeno e seus impactos).

4.1 Perfil dos bolsistas de produtividade

Com relação ao perfil dos bolsistas de produtividade, contemplaram-se aspectos sobre faixa etária, maternidade/paternidade, seguidos do tempo de vínculo com a instituição de ensino superior em que atuam e com o PPG.

Quanto à faixa etária, obteve-se que 50% dos bolsistas (F= 4) estão na faixa etária de 41 a 50 anos de idade, 37% (F= 3) estão entre 51 e 60 anos e 13% (F= 1) têm mais de 61 anos, conforme disposto no Gráfico 1.

Gráfico 1
Faixa etária dos bolsistas de produtividade em pesquisa

Constata-se, pelos resultados indicados no Gráfico 1, a não incidência de bolsistas com idade inferior a 40 anos, portanto, um resultado que pode refletir o longo caminho necessário de experiência e maturidade na atuação destes para o alcance da condição de bolsista de produtividade em pesquisa.

Em seguida, em compasso com o movimento Parent in Science (2023), dedicado a ampliar a percepção de outras variáveis na pesquisa científica, o acompanhando e avaliação da distribuição de bolsas de produtividade em pesquisa (PQ) do CNPq, sob o olhar da diversidade de gênero, raça, pessoas com deficiência, parentalidade e regionalidade, abordou-se, nesta pesquisa, a questão da maternidade/paternidade, ao que se obteve como resultado que do total de respondentes, 50% (F=4)) afirmaram ter filhos, enquanto que outros 50% (F=4) afirmaram não ter filhos.

Quanto à identificação da Instituição de Ensino Superior em que os bolsistas atuam, obtivemos que a instituição que concentrou a maioria dos bolsistas de produtividade em pesquisa, respondentes, foi a UnB, com três incidências (38% do total de respostas), seguida da UFC, com duas incidências (25% das respostas). As demais instituições se limitaram a um ou nenhum respondente, conforme o Gráfico 2:

Gráfico 2
Instituição de Ensino Superior em que os respondentes bolsistas atuam

Acerca do tempo de vínculo dos bolsistas com a Instituição de Ensino Superior em que atuam, evidenciou-se que 50% possuem vínculo entre 10 e 15 anos, enquanto que 25% têm entre 16 e 20 anos de atuação, seguidos de 12% que têm entre 21 e 30 anos e outros 12% com mais de 31 anos de atuação. No Gráfico 3 é possível verificar este resultado.

Gráfico 3
Tempo de vínculo com a Instituição de Ensino Superior

Por último, identificou-se o tempo de vínculo com o PPG, ao que se constatou que 50% dos bolsistas de produtividade em pesquisa têm entre 5 e 10 anos de vínculo, seguido de 38% que têm entre 11 e 15 anos e 12% dos bolsistas com vínculo entre 16 e 20 anos.

Por fim, a última questão desta primeira parte visou identificar o tempo de vínculo que os respondentes têm com o PPG em que atuam, onde quatro bolsistas (50%) afirmaram ter vínculo entre cinco e 10 anos, ao passo que três bolsistas (38%) afirmaram atuar entre 11 e 15 anos, e apenas um pesquisador (12%) tem vínculo entre 16 a 20 anos. As duas alternativas disponíveis eram de 21 a 25 anos e mais de 26 anos, porém, não houve incidência de resposta para estas.

4.2 O entendimento dos bolsistas sobre o produtivismo acadêmico

Quanto ao entendimento dos bolsistas de produtividade acerca do produtivismo acadêmico, em que poderiam marcar mais de uma opção, os resultados obtidos nos levaram a constatar que o grupo investigado entende o fenômeno como: valorização excessiva da quantidade da produção científica em detrimento da qualidade (87%); obrigatoriedade imposta pelo sistema de avaliação dos PPG centrada na produção intelectual (87%); lógica que pode prejudicar o trato teórico e a maturação da pesquisa (75%); pressão por produção e publicação de pesquisas em grande quantidade (75%), prática que acentua a competitividade entre os pares (50%) e prática de buscar o aumento da produção como um fim em si mesma (50%).

Em seguida, os bolsistas expuseram como veem o impacto que a lógica produtivista exerce na qualidade de suas práticas científicas, relacionando-o às exigências por parte de agências de fomento e dos PPG, como se vê nas respostas em destaque:

Impacta com profundo desânimo, que se traduz em uma tendência crescente de desinteresse pelo próprio PPG, somada à percepção de que quaisquer ações paralelas às publicações nos periódicos tidos como “recomendados” não são dignas de nenhum interesse acadêmico/científico (BP 4).

[...] como as agências de fomento usam indicadores muito vinculados à quantidade da produção, acaba que isso impacta nas atividades. (BP 6)

Muitos programas têm exigido a publicação em periódicos nos estratos A do Qualis como pré-requisito para qualificação e defesa. Do mesmo modo, ocorre um desestímulo à publicação em revistas que não atingiram a melhor avaliação de acordo com os critérios do Qualis de periódicos. (BP 8)

Além disso, um dos bolsistas evidenciou que a atividade de gestão no âmbito da IES interfere no tempo hábil para produzir. A gestão é uma das atividades em que muitos dos docentes/pesquisadores se veem envolvidos, seja direta ou indiretamente:

Aulas, orientações, avaliações de artigos alimentam a pesquisa e vice-versa, mas no caso da gestão isso não acontece, não utilizo nada que faço na gestão que pode alimentar minhas pesquisas. Nesse contexto, a lógica produtivista é ainda mais massacrante, pois não há tempo hábil para produzir. (BP 1)

Tais resultados convergem com as pesquisas anteriores de Costa e Barbosa Filho (2021), Costa e Barbosa Filho (2022) e Costa, Barbosa Filho e Silva (2022) sobre esse fenômeno entre docentes permanentes e discentes dos PPG em Ciência da Informação no Brasil. Esses estudos delineiam o cenário atual da pesquisa e produção do conhecimento como similar ao modelo fabril, aproximando-o cada vez mais de um status de mercadoria, e seus resultados não diferem dos atestados na presente pesquisa. Apesar de todas problemáticas definidas e da percepção por parte dos pesquisadores sobre este contexto, tal fenômeno já é uma realidade estabelecida, mas que a partir dos estudos que vêm sendo desenvolvidos, pode suscitar mudança, apesar de, conforme Café, Ribeiro e Ponczek (2017, p. 75), já ter se apossado “de mentes e corpos na pós-graduação brasileira”.

4.3 Impactos do produtivismo acadêmico e possíveis estratégias para o bem-estar subjetivo

Para além do cenário produtivista, presente sobretudo nos PPG, outro sintoma do produtivismo acadêmico é a extrapolação da jornada semanal de trabalho dos bolsistas de produtividade, em que, por muitas vezes, faz-se necessário o uso do tempo que deveria ser dedicado ao lazer e convívio social, como fins de semana e férias, para que se possa cumprir prazos e manter-se produtivo, o que pode desencadear transtornos físicos e mentais. Sobre esta reflexão da extrapolação da jornada semanal de trabalho e invasão do tempo dedicado ao lazer, destacam-se:

Dificilmente, não uso boa parte das férias para trabalhar na pesquisa, pois é justamente o tempo que se tem para conseguir pesquisar com tranquilidade e sem a pressão diária de outras atividades. (BP 1).

Não é incomum realizar leituras de trabalhos [...], realizar avaliações e pareceres fora do expediente de trabalho. (BP 2)

Nos últimos anos há um acúmulo de atividades, o que tem obrigado, conforme destacado, o trabalho nos fins de semana, feriados e período noturno. Isso impacta negativamente a qualidade das práticas científicas e a saúde dos pesquisadores. (BP 8)

Diante disso, a pandemia de COVID-19 que assolou a população global entre os anos de 2020 e 2023 obrigou a que as diversas atividades e práticas científicas fossem completamente e estritamente desenvolvidas no ambiente domiciliar, acentuando ainda mais os efeitos do produtivismo acadêmico, uma vez que não havia mais uma separação clara entre os dois ambientes. Quanto a isto, os bolsistas de produtividade nos deram a conhecer os sentimentos referentes ao excesso de trabalho já costumaz acentuado no período pandêmico, que perpassam por cansaço (87%), estresse (87%), preocupação (75%), ansiedade (62%), tristeza (50%), esgotamento (50%), vulnerabilidade (50%), desmotivação (37%), solidão (37%), depressão (12%) e sem esperança (12%). Devido a essas questões, é comum o desenvolvimento de algum tipo de Transtorno Mental Comum (TMC), decorrente de situações de estresse, como, por exemplo, o excesso de trabalho alinhado ao contexto pandêmico que se desenrolava.

Considerando o exposto, os bolsistas de produtividade se colocaram acerca de algum TCM associado ao trabalho, com alinhamento à Sociedade do Desempenho, ao que obtivemos que os respondentes apontaram, como transtorno, a irritabilidade (63%), esquecimento (50%), fadiga (37%), insônia (25%), nervosismo (25%), dificuldade de concentração (25%), queixas somáticas inespecíficas (25%) e não enfrentam nenhum tipo de TMC (25%). O resultado consta do Gráfico 4, em sequência:

Gráfico 4
Transtornos Mentais Comuns associados ao trabalho

Estes resultados confirmam os pensamentos de Araújo e Andrade (2023), que atestaram uma maior tendência ao desenvolvimento de problemáticas relacionadas à saúde mental, durante a pandemia da COVID-19. Apesar da pesquisa em comento se limitar a estudantes em nível de graduação, é evidente a extensão do problema a outras categorias, como os pesquisadores mais experientes. Quanto aos professores universitários - condição do grupo investigado na pesquisa em relato - que lidam com volume de trabalho, que perpassa por ensino (na graduação e na pós-graduação), pesquisa, extensão e gestão (cada um destes aspectos com suas demandas específicas), que é fonte de estresse que contribui para a insatisfação e o adoecimento até mesmo culminando em incapacitação para o trabalho e demanda por serviços de saúde, isso porque, como alertou Carlotto (2010, p. 189), “professores sofrem as consequências de estarem expostos a um aumento de tensão no exercício de seu trabalho, cuja finalidade aumentou, fundamentalmente, pela fragmentação da atividade do professor”.

De modo a conter os danos acarretados por questões físicas e mentais, muitas vezes decorrentes do cenário da Sociedade do Desempenho, faz-se necessária a prática de diversas estratégias para manter a qualidade de vida, dentro das possibilidades individuais de cada um. Para compreender melhor estes hábitos, os respondentes expressaram atividades que praticam para se sentirem mais saudáveis nesse contexto, o que evidenciamos: práticas domésticas (cuidar da casa, cozinhar, cuidar das plantas, etc.) e a prática de atividade física, ambas com 75% (F=6), cada. Os bolsistas de produtividade apontaram, ainda, práticas culturais (F=5; 63%) e o estabelecimento de momentos para descanso (F=4; 50%), conforme disposto no Gráfico 5:

Gráfico 5
Estratégias para manter a qualidade de vida, saúde física e mental

Estratégias como as supracitadas podem colaborar com a manutenção da saúde mental, porém não substituem métodos mais assertivos, sejam psicológicos ou psiquiátricos, quando necessários. Sobre isso, evocamos Sena et al. (2023) que destacaram, em seu estudo, o potencial da Terapia Comunitária, estratégia esta que foi avaliada entre docentes universitários e se mostrou eficiente ao promover interações sociais entre o grupo investigado.

A autoavaliação dos bolsistas de produtividade acerca de quão felizes se definem, levando em conta todas as questões pessoais, profissionais e sociais que decorrem nos dias atuais, obtivemos o seguinte resultado: feliz (50%), infeliz (25%), muito feliz (12%), seguido de nem feliz, nem infeliz (12%).

Por sua vez, no tocante à avaliação do bem-estar subjetivo, os resultados giraram em torno de considerações do tipo “estou sempre comprometido e envolvido com o que me é proposto” (25%), “eu quase nunca me sinto descansado” (25%), “sinto a minha mente alerta o tempo todo (12%), “sinto-me sempre muito cansado e esgotado” (12%) e “sinto que possuo muita energia” (12%), ao que percebe-se esses resultados como importantes para sugerir uma reflexão sobre como o produtivismo acadêmico age no pensar e na autorreflexão das pessoas sobre si mesmas, até porque, conforme advertiu Vostal (2015), a velocidade se tornou um componente central da vida acadêmica, intervindo sobremaneira na qualidade do trabalho e no bem-estar em face da percepção acelerada do tempo.

Por fim, os respondentes da pesquisa foram convidados a registrar comentários, reflexões ou críticas acerca do fenômeno do produtivismo acadêmico na vida de um bolsista de produtividade, de modo a entender as opiniões que o grupo investigado tem sobre este contexto, a partir do mote “uma outra ciência [desacelerada] é possível para minimizar os efeitos do produtivismo acadêmico?” Como respostas, constatamos que alegam a necessidade de novos critérios de avaliação das agências de fomento à pesquisa, com foco em critérios qualitativos. Além disso, grande parte destacou a importância de estímulos à produção, porém, de maneira saudável.

Como bolsista produtividade ou não, penso que devemos ser produtivos e não produtivistas, isso em todos os aspectos da nossa vida. No contexto da ciência, produzir significa pensar em contribuições para a área do conhecimento em que se está inserido, assim como para o desenvolvimento da sociedade. (BP 1).

O ser humano, a meu ver, precisa de estímulos à produção. Se não houver estímulos, a produção diminuirá. Mas, o limiar entre a produção "saudável" e o produtivismo não é facilmente demarcado. (BP 3)

Sim, pois o produtivismo acadêmico é, realmente, nocivo tanto à pesquisa como à nossa vida. (BP 7)

Uma ciência cidadã, preocupada com o impacto e a transformação social e não com os índices de produção, deveria ser o ideal a ser atingido. Os comitês de assessoramento deveriam rever os critérios de concessão das bolsas de produtividade, privilegiando critérios qualitativos e o impacto social. (BP 8)

Os relatos em destaque coadunam com as reflexões de Freitas (1998), que expõe a necessidade de novos métodos de avaliação e critérios para concessão de bolsas de produtividade mais evidentes, de modo que se busque melhores formas de avaliar a produção científica, limitar o controle e a corrida por quantitativo de publicações, assim, reduzindo as consequências da lógica produtivista, não apenas entre bolsistas de produtividade em pesquisa, mas entre toda a comunidade acadêmica que lida com essa problemática.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A pesquisa em relato teve como objetivo analisar o fenômeno do produtivismo acadêmico na prática científica dos Bolsistas de Produtividade PQ do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) na área da Ciência da Informação, a partir dos PPG em CI no Brasil, com recorte para os programas ofertados nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Os resultados obtidos conduzem à conclusão de que os bolsistas de produtividade entendem o fenômeno do produtivismo acadêmico, com alguns dos respondentes encarando o mesmo como normalidade, ao que se imagina que por estarem há muito tempo inseridos nesse contexto não consideram incomum a existência e manutenção desse fenômeno, ainda que sintam os impactos dele em suas atividades, mas, também em seu bem-estar subjetivo.

Tanto que, com relação ao impacto do produtivismo acadêmico, este perpassa por aspectos de extrapolação da jornada semanal de trabalho dos bolsistas de produtividade, pelo uso do tempo que deveria ser dedicado ao lazer e ao convívio social, pelo cumprimento de deadlines de toda ordem (submissões a eventos, pareceres de artigos, julgamento de processos, participação em bancas de defesa, dentre outras), caracterizando o trabalho material e imaterial. Evidenciou-se, inclusive, a possibilidade de os bolsistas de produtividade, face a este contexto, depararem-se com TMC, decorrente de situações de estresse, cada vez mais provocado pelo volume incessante de trabalho.

Corroborando isto, de modo a minimizar os efeitos dos impactos do produtivismo, associado à natureza da Sociedade do Desempenho, na saúde física e mental, o grupo investigado lança mão de estratégias ou hábitos para manter a qualidade de vida a exemplo de práticas domésticas, de atividade física e culturais, mantendo hábitos muito frequentes desde a erupção e vivência da pandemia de COVID-19.

Constatou-se que os partícipes da pesquisa, os bolsistas de produtividade, considerados a elite de suas áreas de conhecimento, consideram que devem ser produtivos, mas não produtivistas, comprometendo-se em contribuir com as áreas de conhecimento, com a ciência cidadã e com a sociedade, por meio de estímulos “saudáveis” para este fim e que as agências de fomento à pesquisa, de fato, incorporem critérios qualitativos e de impacto social para a concessão de bolsas.

Espera-se que as conclusões apresentadas suscitem, cada vez mais, discussões sobre o fenômeno do produtivismo acadêmico no âmbito da comunidade científica da área da Ciência da Informação e de outras áreas, visto ser uma temática que não se esgota face às normativas das agências de fomento à pesquisa na concessão de bolsas. Que o arcabouço teórico-prático acerca do fenômeno do produtivismo acadêmico propicie que áreas e agências reguladoras levem em consideração as particularidades de cada área de conhecimento e tenham sensibilidade, quando do estabelecimento de critérios e fixação de prazos, para considerar e promover melhores condições de trabalho e desenvolvimento científico aos pesquisadores.

  • 1
    A escolha por investigar o fenômeno produtivismo acadêmico nessas regiões está alinhado ao modus operandi das pesquisas anteriores da autoria, bem como pela descentralização (do eixo Sul e Sudeste) e reconhecimento do potencial de pesquisas no Norte, Nordeste e Centro-Oeste de pesquisadores que vêm contribuindo sobremaneira com a CI, considerando, ainda, a política de investimento em recursos das agências nestas regiões. Destaca-se que continuum desta pesquisa, contemplando os bolsistas de produtividade em pesquisa das regiões Sul e Sudeste, executada no período de setembro de 2024 a julho de 2025.
  • 2
    Submetida ao Comitê de Ética em Pesquisa, a partir da Plataforma Brasil, com aprovação sob número 78884424.5.00005188.
  • Financiamento:
    Este estudo foi financiado pela agência brasileira Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq), código 17728 .
  • Aprovação:
    Submetida ao Comitê de Ética em Pesquisa, a partir da Plataforma Brasil, com aprovação sob número 78884424.5.00005188.
  • Declaração de uso de ferramenta de IA:
    A autora declara que houve uso de ferramentas de IA para a escrita do manuscrito.
  • Imagem:
    Extraída da plataforma Lattes.
  • JITA:
    GL. Academic productivism ODS: 4. Educação de qualidade
  • Artigo submetido ao sistema de similaridade

Agradecimentos:

A autora gostaria de agradecer aos Bolsistas de produtividade.

Disponibilidade de dados e material:

Não aplicável.

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Editado por

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    03 Ago 2026
  • Data do Fascículo
    2026

Histórico

  • Recebido
    17 Nov 2025
  • Aceito
    09 Abr 2026
  • Publicado
    25 Maio 2026
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