Open-access MEDIDAS DE IMITÂNCIA ACÚSTICA EM IDOSOS*

Acoustics immittance measurements in Agedelderly

RESUMO

Objetivo:  verificar as medidas de volume da orelha externa, compliância e gradiente, em relação às variáveis: lado da orelha, sexo e idade.

Métodos:  foram avaliados 91 indivíduos idosos, com idade igual ou superior a 65 anos, sendo 40 do sexo masculino e 51 do sexo feminino. Os indivíduos foram submetidos a uma avaliação otorrinolaringológica e as medidas de imitáncia acústica, realizadas na clínica particular AUDIOLAVRAS, na cidade de Lavras, Minas Gerais.

Resultados:  os valores médios de volume da orelha externa obtidos nos idosos foram de 1 cm] para orelha esquerda e 1 , 89 crnJ para orelha direita; Os valores médios da compliáncia nos idosos foram de 0,75cc para o orelha esquerda e 0,71c.z para orelha direita; Os valores médios do gradiente na população de idosos estudada foram de 0,31 para orelha esquerda e 0,30 para orelha direita;

Conclusão:  Náo houveram diferenças estatisticamente significantes dos valores de volume da orelha externa, compliáncia e gradiente com relação as variáveis sexo, idade e lado da orelha, na população de idosos

DESCRITORES:
Testes de impedância acústica; Orelha externa/iisiologia; Orelha média]fisiologia; Idoso

ABSTRACT

Purpose:  Verify the external ear volume, compliance, and gradient measurements, in relation With the earside, sex and age.

Methods:  91 aged people, with age equal to and above 65 years, being400f masculine sex and 51 of the feminine sex were evaluated. The individuals have had been submitted to an otorrinolaryngological evaluation and the acoustics Immittance Measurements, performed in AUDIOIAVRAS clinic, in the Lavras city, Minas Gerais.

Results:  the averageof the values of external ear volume obtained in the aged People hasd been of 1.,91 cmJ for the left ear, and 1. cm] for the right ear. ; the average compliance values have d been of 0.,75cc for the left ear and O, ,71cc for the right ear; the average gradient values in the studied population of aged People have d been of 0.,31 for the left ear and 0.,30 for the right ear.

Conclusions:  There Were not any significant statistical diferences of the external ear volume, compliance and gradient values, with relation to the sex, age and ear side variables, in this study.

KEYWORD:
Acoustic impedance tests, Ear; external/physiology, Ear; middle/physiology; Aged

INTRODUÇÃO

As medidas de imitância acústica sáo procedimentos de rotina na avaliação audiológica de crianças e adultos possuindo um importante papel no diagnóstico de patologias que atingem a orelha. A bateria de testes da imitância acústica consiste de três medições distintas: timpanometria, medida da éompliâãncia estática e medida da intensidade em que ocorre o reflexo acústico.

A timpanometria consiste na medida da variação da imitância do sistema auditivo, em função da variação de pressáo introduzida no meato acústico externo. Para a o%tenção desta medida, uma certa quantidade de energia acústica ( geralmente com um tom de 220Hz ) é introduzida no meato acústico externo, um sistema de pressáo faz variar a pressão de ar dentro do meato acústico externo de tal forma que correm mudanças na mobilidade da membrana timpânica. Estas alterações na mobilidade da membrana timpânica provocam variação na absorçáo do som introduzido, sendo um indicativo da quantidade de energia sonora que consegue transpor a membrana timpânica e atingir a orelha média. A representaçáo gráfica dos resultados é denominada timpanograrna(1).

A compliáncia estática é a medida da mobilidade da orelha média em termos de volume equivalente em centímetros cúbicos (cc). Essa medida revela rigidez ou flacidez do conjunto tímpano-ossicular, representando o volume da orelha média(2). Esta medida sofre influência das variáveis como idade, sexo e patologia(3)

O reflexo acústico é caracterizado pela contração involuntária do músculo estapédio em resposta a um estímulo de intensidade elevada(1). O limiar deste reflexo é definido como a menor intensidade possível necessária para desencadear a contraçáo muscular. Na orelha normal o reflexo acústico 'é observado mediante a estimulação por sons de 70 a 90 dBNS(4).

Ultimamente, o gradiente recebeu um interesse renovado como parâmetro timpanométrico clinicamente útil, podendo ser utilizado para complementar a avaliação do volume do meato acústico externo, da pressão para o pico de admitância e da admitância estática(5). Pesquisadores encontraram no gradiente timpanométrico uma forma de se obter uma descrição quantitativa da forma do timpanograma na região vizinha ao pico, com o objetivo de fornecer informações diagnósticas adi• cionais sobre o timpanograma. O gradiente timpanométrico define-se pela mudança no valor da imitáncia do pico em relação aos valores de imitancia obtidos, no intervalo de 50daPa, em cada lado do pico. Os equipamentos que fazem estas medidas automaticamente calculam o gradiente como sendo a média dos valores de admitância ente + ou - 50daPa distante do pico(1).

Segundo Brooks (1969) o gradiente varia de a 1 Valores iguais ou acima de 0,2 traduzem timpanograma normal(1).

Estudos sugerem que o envelhecimento provoca alterações em todo o sistema auditivo. O pavilhão auricular enrigece diminui a elasticidade do tecido muscular, ocorre calcificação dos ligamentos, ossificação ou degeneração dos ossículos, aumento de pêlos e aumento na produção de cerúmen(6-7). A bateria de testes de imitancia administrada para avaliar a integridade do sistema da orelha média em idosos geralmente in. clui os testes de timpanometria, admitância estática e reflexo acústico. Devido àa importância destes resultados no diagnóstico diferencial, é apropriado que o audiologista considere os efeitos da idade na interpretação das medidas de imitància acústica.

Os volumes do meato acústico externo variam significativamente em função da idade. Para os recém-nascidos os volumesdo meato acústico externo são inferiores a 0,50cm3(8). Em estudos realizados percebe-se que a parede do meato acústico externo e a mobilidade da orelha média, bem como as características timpanométricas modificam-se durante os primeiros quatro meses de vida, demonstrando assim que o diâmetro do meato acústico se modifica em resposta á estimulaçáo pneumática, e que esta mudança diminui uniformemente com a idade até aproximadamente os 56 dias de vida(9)

Os volumes do meato acústico estão na faixa de 0,30 a 1,00cm3 em crianças e de 0,65 a 1,75cm3 nos adultos. Os volumes em geral sáo menores nas mulheres do que nos homens(9-12)

Em um trabalho da década de setenta foram pesquisados os efeitos das variáveis; idade e sexo nos valores da compliancia estática em 336 pacientes com audição normal ou perda neurossensorial.

Constatou-se que os adultos do sexo masculino BI a 40 anos) apresentavam valores da compliância estática maiores (0,67 cc) do que os jovens (6 a 20 anos), que apresentavam compliancia em 0,48 cc.

Ainda se observou que com o aumento da idade, os vajores de compliância estática diminuíram para menos 0,41cc no grupo mais idoso, principalmente após os 60 anos. Nas mulheres os valores de compliância estática foram invariáveis até os 40 anos, mas no grupo mais idoso (71 a 91 anos) houve uma diminuíçáo para(12)

Não há diferenças interaurais na compliância estática, ou seja, em um grupo de indivíduos normais o desempenho da orelha direita e da orelha esquerda é semelhante. Os valores médios da compliància acima dos 70 anos de idade aproxi• mam-se do limite mais baixo da faixa de normalidade (0,30 cm3(13).

Em uma pesquisa realizada com 107 indivíduos idosos encontrou-se que os valores médios do volume da orelha média foram discretamente superiores nos homens em relação aos obtidos para as mulheres(14).

No idoso as alterações auditivas estudadas relacionam-se mais a processos degenerativos da orelha interna, no entanto verifica-se que as diversas alterações estruturais da orelha média acarretam em diminuição da acuidade auditiva que passam desapercebidas quando relacionadas a patologias da orelha média em idosos(14).

Há evidências que nos fazem sugerir a timpanometria como um teste útil em triagens para perdas passíveis de tratamento nos idosos. Em diversas pesquisas constatou-se alta prevalência de presbiacusia sendo que 30% dos idosos avaliados apresentavam anormalidades de orelha média e orelha externa variando de excesso de cerúmen à colesteatoma(15)

Assim sendo, este trabalho tem por objetivo verificar as medidas de volume da orelha externa, compliância e gradiente em indíviduos idosos, em relaçáo as variáveis: lado da orelha, sexo e idade.

MÉTODOS

A amostra do presente estudo foi constituída por 91 indivíduos idosos, todos com idade igual ou superior a 65 anos, sendo 40 do sexo masculino e 51 do sexo feminino.

Os indivíduos foram selecionados em consulta otorrinolaringológica realizada na clínica particular AUDIOLAVRAS localizada na cidade de Lavras, MG, obedecendo aos seguintes critérios de inclusão:

  • 1) Ausência de cerúmen obstruindo o meato acústico ex-

  • 2) Otoscopia normal sem evidência de comprometimento de orelha média;

  • 3) Ausência de doenças que comprometem o sistema auditivo não relacionadas ao envelhecimento, tais como: otospongiose, Doença de Meniére, tumores (neurinoma), entre outras.

Após a consulta médica, os indivíduos foram submetidos às Medidas de:

Imitáncia Acústica, por meio da timpanometria, da medida da compliáncia e da pesquisa do reflexo acústico utilizando-se o analisador de orelha média Amplaid modelo 775. A presença de reflexo acústico em pelo menos uma frequência também foi critério de inclusão no estudo para afastar alguma alteração de orelha média.

Os valores do volume da orelha externa, compliância e gradiente foram comparados em relação as variáveis sexo, idade e lado da orelha.

Para verificar diferenças entre os lados foi utilizado teste normal pareado. Para detectar diferença das orelhas em relaçáo ao sexo foi utilizado uma Anova (análise de variância) com um fator fixo (sexo). Para detectar variação do volume da ore. lha externa em relação à idade foi utilizada uma Anova de regressão.

Ética: este trabalho foi avaliado pelo Comité de Ética em Pesquisa do CEFAC - Centro de Especialização em Fonoaudiologia Clínica tendo sido aprovado com o no 028/01

RESULTADOS

Os resultados da pesquisa seráo descritos a seguir divididos em três partes;

  • Parte l: Estudo do volume da orelha externa;

  • Parte II: Estudo da compliância;

  • Parte III: Estudo do gradiente.

Parte l: Estudo do volume da orelha externa

a) Comparação do volume da orelha externa com relação aos lados:

Primeiramente procurou-se observar se o volume da orelha externa diferia entre os lados da orelha (lado direito e lado esquerdo). Para tanto se obteve a média e o erro padrão dos valores apresentados na tabela 1. O resultado da análise estatística (Teste Anova) encontra-se descrito na parte inferior das tabelas.

Tabela 1
Volume da orelha com aos lados

Aplicando-se o teste Anova náo foi detectada diferença estatisticamente significante entre as orelhas direita e esquerda

b) Comparação do volume da orelha externa com relação ao sexo:

Para verificarmos se haviam diferenças estatisticamente significantes entre os valores do volume da orelha média no sexo feminino e no sexo masculino obteve-se a média e o erro padrão dos valores (tabelas 2 e 3) Realizou-se também uma análise inferencial para compararmos o volume com a variável sexo.

Tabela 2
Volume da orelha esquerda com relaçâo ao sexo
Tabela 3
Volume da orelha direita com relação ao sexo

Na análise inferencial ao testarmos a influência do sexo sobre o volume do ouvido direito e esquerdo tivemos uma significância de 0.105 para o lado direito e 0.137 para o esquerdo, ou seja, São valores acima de 5% (0.05). Assim não podemos afirmar a hipótese que o volume médio varie em relação ao sexo.

c) Comparação do volume da orelha externa com relação ao lado e sexo:

Para verificarmos se ocorreu alguma relação entre volume, lado da orelha e o sexo apresenta-se o gráfico 6 onde aparecem essas variáveis simultaneamente. Percebe-se que ocorre uma correlação positiva entre a orelha direita e a orelha esquerda tanto dos homens como das mulheres.

Gráfico 1
Volume da orelha em relação ao lado e o sexo.

d) Comparação do volume externa com relação à idade:

Para sabermos se existe relação entre o volume da orelha externa e a idade da população estudada obtivemos os volumes médios para cada faixa etária descritos nas tabelas 4 e 5.

Tabela 4
Valores do volume da orelha direita em relação a idade
Tabela 5
Valores do volume da orelha esquerda em relação a idade

Parte II: Estudo da compliancia:

a) Comparaçáo da compliância com relação ao lado:

Para analisarmos se havia diferenças significantes dos valores da compliáncia entre cada lado da orelha obtivemos os valores médios e erro padrão para cada lado (tabela 6). Verificamos náo haver diferenças significantes entre a compliância e os lados da orelha. (teste estátistico: Anova).

Tabela 6
Valores da compliância com relação aos lados

b) Comparação da compliância com relação ao sexo:

Com o objetivo de verificar se havia diferenças entre Os sexos feminino e masculino quanto aos valores da compliância estabelecemos os valores médios para a orelha esquerda (tabela 7) e direita (tabela 8).

Tabela 7
Valores da compliáncia da orelha esquerda corn relação ao sexo.
Tabela 8
Valores da compliância da orelha direita com relação ao

Nas tabelas apresentadas náo foram detectadas diferenças da compliáncia entre os sexos. Na análise inferencial ao testarrnos o efeito do sexo sobre a compliáncia encontrou-se um nível descritivo de 0,389 para o lado direito e 0,098 para o lado esquerdo. Assim não podemos afirmar a hipótese que a compliáncia média varie em relação ao sexo.

c) Comparação da compliância com relação ao lado e sexo

Para verifica rmos se havia correlação entre as variáveis, sexo e lado em relação a compliância, elaboramos o gráfico 15, que demonstra uma correlação positiva.

Gráfico 2
Compliância da orelha em relação ao lado e sexo.

d) Comparação da compliância Com relação à idade:

Para verificarmos se havia correlação entre os valores da' compliância e as idades, obtivemos a média e erro padrão dcs valores da compliância para cada faixa etária (tabela 9 e 10).

Tabela 9
Valores da cornpliância direita em relação a idade
Tabela 10
Valores da compliância da orelha esquerda em relação à idade

Parte III: Estudo do gradiente:

a) Comparação do gradiente com relação aos lados:

Para observarmos se havia diferenças do valor do gradiente entre os lados obtivemos a média e erro padrão para cada lado (tabela 11).

Tabela 11
Valores do gradiente corn relação aos lados

Por meio das tabelas demonstramos não terem sido encontradas diferenças significantes do gradiente com relaçáo aos lados da orelha.

b) Comparação do gradiente com relação ao sexo:

Para verificar se havia diferenças estatisticamente significantes entre os valores do gradiente e o sexo, obtivemos a média e o erro padrão (tabelas 12 e 13).

Tabela 12
Valores do gradiente da orelha esquerda com relação ao sexo
Tabela 13
Valores do gradiente da orelha direita com relação ao sexo

Nestas tabelas verificamos que não foram encontradas diferenças significantes dos valores do gradiente com relação aos homens e mulheres pesquisados. Na análise inferencial o gradiente também não mostrou possuir diferenças significantes quanto ao sexo.

c) Comparação do gradiente em relação ao lado e sexo:

Para visualizarmos a relação gradiente, sexo e lado da ore• lha mostramos o gráfico 24, onde ocorre uma correlação positiva entre as variáveis.

Gráfico 3
Gradiente da orelha em relação ao sexo e a idade

d) Comparação do gradiente com relação à idade:

Para a comparação do gradiente em relação à idade obtivemos os valores médios para cada faixa etária (tabelas 14 e 15), Náo houve correlaçáo entre os valores do gradiente e a idade.

Tabela 14
Valores do gradiente da orelha direita em relação a idade
Tabela 15
Valores do gradiente esquerda em relaçao à idade

Na análise inferencial Os dados náo nos forneceram evilências que a idade tem influência no volume da orelha exema, na compiiância e no gradiente, mas houve uma correlaáo positiva e significante entre o lado direito e esquerdo da 'relha.

Para verificar diferenças entre os lados foi utilizado teste ,orrnal pareado. Para detectar diferença das orelhas em relaao ao sexo foi utilizado uma anova (análise de variância) com lm fator fixo (sexo). Para detectar variação do volume da oreaa em relação à idade foi utilizada uma anova de regressão.

DISCUSSÃO

A discussão será dividida em três partes seguindo à ordem le apresentação dos resultados.

Parte l: Discussão do volume da orelha externa:

Comparando-se o volume da orelha externa em relação os lados da orelha, não obtivemos diferenças estatisticamene significantes entre o esquerdo e direito, tais achados :oncordam com alguns estudos

Os valores médios de da orelha externa obtidos 'm nossa pesquisa foram de cm para orelha esquerda e crnlpara orelha direita (tabela 1). Além disto houve uma Orrelaçáo positiva entre a orelha direita e esquerda demonsrando similaridade entre os lados.

Igualmente, não houve diferença estatisticamente ignificante entre o volume da orelha externa e o sexo. Apesar Ia distribuição dos valores de volume da orelha externa difeirem no sexo masculino (2,04 para orelha esquerda e 2,01 Yara orelha direita) e no feminino (1 ,81 para orelha esquerda 1,79 para orelha direita), os testes estatísticos aplicados não lemonstraram significancia. Na literatura pesquisada, os volunes da orelha externa geralmente sáo menores nas mulheres Io que nos homens(9-12)

Sabe-se que o volume médio do meato acústico externo crianças está na faixa de 0,30 a cmJe que dos adultos 'aria entre 0,65 a ,75 cm', de acordo com vários estudos(9-12) Portanto os valoresencontrados para idosos, em nossa pesvisa, estáo um pouco acima do limite superior de normalidaIe para adultos, o que Se esperava, pois existem estudos que relatam mudanças significativas no volume do meato acústico externo em função da idade(8).

Parte II: Discussão da compliancia:

Comparando-se os valores da compliância em relação aos lados da orelha não encontramos diferenças estatisticamente significantes entre o lado direito e esquerdo (Tabela 6), o que confere com estudos já realizados(16).

No presente estudo não foram detectadas diferenças estatisticamente significantes da compliáncia entre os sexos. Os valores médios da compliância da orelha média obtidos para o sexo masculino foram de 0,82 cc para a orelha esquerda e 0,74 cc para orelha direita, e para o sexo feminino foram obtidos 0,70 cc para a orelha esquerda e 0,69 cc para orelha direita.

Assim, pode-se observar um discreto aumento dos valores da compliôncia para os homens do que para as mulheres, porém a análise estatística não revelou significância.

Encontramos um estudo, onde os resultados do volume da orelha média para um grupo de idosos do sexo masculino foi entre 0,5 a 1,9 ml, com maior concentração dos valores em 0,6 e 1,0ml(14). No grupo de idosos do sexo feminino, Os valo. res foram entre 0,5 e 1,5 ml com maior concentração em 0,8 e 1,0 ml.

Os valores obtidos no presente estudo assemelham-se a outros estudos onde os valores do volume de orelha média para a orelha esquerda e para a direita são aproximados em indivíduos acima de 60 anos.

Comparando-se os valores da compliância nas faixas etárias de nossa pesquisa (tabela 9 e 1 0) observamos não haver correlação entre a compliáncia e a idade.

Foi constatado que em homens e mulheres os valores da compliância sáo máximos entre 31 e 40 anos (0,67cc) e que diminuem sistematicamente com o aumento da idade, encontrando-se valores de 0,41 cc no grupo do sexo masculino mais velho, principalmente apósos 60 anos(12) Nas mulheres os valores encontrados decresceram de 0,59 cc para 0,46cc acima dos 40 anos e houve uma diminuição para 0,42cc no grupode 71 a 91 anos.

Os valores obtidos no presente estudo foram superiores aos encontrados em outros estudos(12)

Em um estudo realizado no Brasil os valores de compliância para o sexo feminino mostram uma variação de 0,87 a 0,98 ml independentemente da faixa etária dos indivíduos(14) Deste estudo, realizado no Brasil na cidade de Santa Maria Rio Grande do Sul, participaram 107 indivíduos adultos idosos sendo que os valores médios do volume da orelha média situaram-se entre 0,85 ml e 0,97 ml tendo sido discretamente superiores nos indivíduos do sexo masculino com relação aos obtidos para o sexo feminino.

Portanto os achados do presente estudo sáo mais concor• dantes com alguns estudos(14) do que com outros(12).

Parte III: Discussão do gradiente:

Comparando-se os valores do gradiente com as variáveis lado da orelha, sexo e idade náo foram encontradas diferenças estatisticamente significante.

Os valores médios do gradiente obtidos em nosso estudo foram 0,30 para orelha direita e 0,31 para orelha esquerda.

Consultando-se a literatura sobre o assunto não encontramos pesquisas referentes ao gradiente.

CONCLUSÕES

Os resultados da presente pesquisa nos permitiram concluir que:

Náo houve diferenças estatisticamente significantes dos valores de volume da orelha externa, compliância e gradiente com relação as variáveis sexo, idade e lado da orelha, na população de idosos estudada;

Os valores médios de volume da orelha externa obtidos nos idosos foram de 1,91 cm3 para orelha esquerda e 1,89 cm3 para orelha direita:

Os valores médios da compliância nos idosos foram de 0,75cc para a orelha esquerda e 0,71 cc para orelha direita;

Os valores médios do gradiente na população de idosos estudada foram de 0,31 para orelha esquerda e 0,30 para orelha direita.

  • *
    lnstituiçáo de Origem • Universidade Federal de Santa Maria• RS (UFSM)

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    01 Jun 2026
  • Data do Fascículo
    2003

Histórico

  • Recebido
    05 Jan 2003
  • Aceito
    10 Mar 2003
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