Objetivo: O menor tempo de jejum para cirurgias tem sido associado a melhor recuperação pós-operatória e menor morbimortalidade. No entanto, nem sempre é possível alcançar as recomendações atuais na prática pediátrica. Sendo assim, é essencial conhecer o tempo de jejum e seus fatores associados para elaboração de estratégias assistenciais.
Métodos: Coorte com 284 pacientes pediátricos admitidos para cirurgia entre 2020-2021, no Hospital São Paulo, Brasil. Dados foram obtidos por meio de entrevista e do prontuário médico. Para o estudo das associações foram ajustados modelos de regressão linear e logística simples e múltiplos.
Resultados: Todos pacientes apresentaram jejum pré-operatório prolongado e a maioria reiniciou a dieta após 6 horas do término anestésico. O tempo de jejum pré-operatório para cirurgias eletivas foi menor do que para as de urgências (p=0,025). Os fatores associados ao maior tempo de jejum pré-operatório (minutos) foram: maior idade em anos (β=10; IC95%=5,2-14,8) e ocorrência de cirurgia anterior (β=76,6; IC95%=28,0-125,1). Os fatores associados ao tempo de jejum pós-operatório superior a 6h foram: não realização do pós-operatório imediato na enfermaria cirúrgica (OR=6,05; IC95%=2,25-16,22), presença de complicações durante a cirurgia (OR=3,53; IC95%=1,19-10,47), porte cirúrgico maior (OR=3,85; IC95%=1,49-9,93), cirurgia do tipo abdominal (OR=36,52; IC95%=13,48-98,91) e presença de vômitos nas primeiras 24 horas de pós-operatório (OR=3,44; IC95%=1,54-7,69).
Conclusão: Há fatores potencialmente modificáveis que foram associados ao maior tempo de jejum. Treinamento e organização da equipe assistencial quanto às características dos pacientes, dinâmica do atendimento e intercorrências clínicas podem contribuir com maior adequação do tempo de jejum de pacientes pediátricos internados para procedimentos cirúrgico.
Palavras-chave:
Jejum; Período Pré-Operatório; Cuidados Pós-Operatórios; Procedimentos Cirúrgicos Operatórios; Pediatria