Objetivo: As queimaduras graves prejudicam significativamente o sistema imunológico e comprometem a barreira natural de proteção da pele, aumentando a probabilidade de infecções relacionadas à assistência à saúde (IRAS) e elevando o risco de mortalidade.
Métodos: Com base nos critérios do CDC, este estudo analisa retrospectivamente a incidência de IRAS em pacientes vítimas de queimaduras internados em um hospital universitário em São Paulo, Brasil, entre 2018 e 2022.
Resultados: 536 pacientes foram tratados durante este período, com 130 IRAS registradas em 88 indivíduos. A média de idade dos pacientes foi de 41 anos e de superfície corporal total queimada (SCQ) de 20,4%. As principais causas de queimaduras foram líquidos inflamáveis (39,7%), trauma elétrico (25%) e líquidos aquecidos (14,8%). As infecções mais frequentes foram infecções de área queimada (51,5%), infecções na corrente sanguínea (13,8%), infecções do trato urinário (13,1%) e pneumonia associada à ventilação mecânica (10,7%). Em relação aos achados microbiológicos, 141 microrganismos foram isolados, com bactérias gram-negativas representando 71,6% do total, bactérias gram-positivas 21,2% e fungos 7,1%. Em três casos, nenhum microrganismo foi identificado. A taxa de mortalidade entre esses pacientes foi de 13,6%.
Conclusão: Destaca-se a predominância de bactérias gram-negativas nesta população, responsáveis pela maioria das infecções, o que contrasta com achados de outros estudos. Esses resultados ressaltam a importância do controle de infecções para reduzir a morbidade e mortalidade nesta população vulnerável.
Palavras-chave:
Queimaduras; Infecções Bacterianas; Transmissão de Doença Infecciosa do Profissional para o Paciente
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