Open-access “Vamos ver até quando o corpo aguenta”: precarização do trabalho e precariedade subjetiva em mulheres mães docentes universitárias

Objetivo  Compreender experiências de docentes mulheres mães diante da precarização do trabalho em universidades públicas, buscando investigar relações entre precariedade subjetiva e marcadores sociais de gênero.

Métodos  Em um estudo fenomenológico de tendência empírica, entrevistaram-se sete docentes mães de diferentes faixas etárias, áreas de saber e instituições.

Resultados  Compreendeu-se, principalmente, que elas enfrentavam desafios para conciliar maternidade e trabalho, sobrecarga de atividades, injustiça de gênero e falta de rede de apoio institucional. Diante disso, algumas sentiam-se estagnadas na carreira, frustravam-se e/ou desgastavam-se emocionalmente. Apesar disso, reconheceram a flexibilidade de tempo da profissão como privilégio para dedicação aos filhos, levavam-nos para o ambiente de trabalho, tinham apoio do companheiro/outras mulheres e davam prioridade ao cuidado da família.

Conclusão  A precarização do trabalho dessas docentes é favorecida pelas desigualdades estruturais de gênero, que têm impactos negativos na saúde mental, no bem-estar e na qualidade de vida delas, pois as universidades públicas em que trabalham perpetuam essas desigualdades. Portanto, há necessidade urgente de políticas públicas que mudem o contexto da produção de conhecimento nas universidades brasileiras, no sentido de favorecer essas mulheres com condições de equidade de gênero no trabalho e que promovam saúde.

Palavras-chave
Estudos de Gênero; Mulheres Trabalhadoras; Trabalho Precário; Saúde do Trabalhador; Universidades

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