Open-access O cotidiano de mulheres agricultoras familiares no noroeste do estado do Rio Grande do Sul: interface entre gênero, trabalho e saúde

Resumo

Objetivo  Compreender como se expressam as intersecções entre gênero, trabalho e saúde no cotidiano de mulheres agricultoras familiares no Rio Grande do Sul.

Métodos  Estudo com abordagem qualitativa realizado com 35 mulheres agricultoras familiares de Barra Funda/RS. A coleta de dados foi realizada por meio de entrevistas individuais semiestruturadas. Os dados foram analisados com base na técnica de análise de conteúdo.

Resultados  Os resultados mostram que o trabalho feminino é marcado pelo acúmulo de funções produtivas, domésticas e de cuidado, configurando dupla ou tripla jornada e reforçando a invisibilidade do trabalho reprodutivo. Mesmo participando ativamente da produção agrícola, suas atividades são frequentemente classificadas como “ajuda”, o que reduz o reconhecimento social e econômico. A sobrecarga laboral esteve associada a queixas físicas, especialmente distúrbios osteomusculares, e a sofrimento psíquico, com relatos de estresse, ansiedade e tristeza. O autocuidado é frequentemente adiado devido à falta de tempo, cansaço e ausência de suporte adequado.

Conclusão  Gênero, trabalho e saúde estão profundamente interligados, indicando a necessidade de políticas públicas sensíveis às desigualdades de gênero no contexto da agricultura familiar.

Palavras-chave:
Agricultura; Mulheres; Perspectiva de Gênero; Saúde do Trabalhador; Pesquisa Qualitativa

Abstract

Objective  To understand how the intersections between gender, work, and health are manifested in the daily lives of female family farmers in Rio Grande do Sul.

Methods  A qualitative study was conducted with 35 female family farmers from Barra Funda, Rio Grande do Sul. Data was collected through individual semi-structured interviews and analyzed using content analysis.

Results  The findings show that women’s work is characterized by the accumulation of productive, domestic, and care-related activities, resulting in double or triple workloads and reinforcing the invisibility of reproductive labor. Even when actively engaged in agricultural production, their activities are often classified as “help,” which reduces social and economic recognition. Work overload was associated with physical complaints, especially musculoskeletal disorders, and psychological distress, including reports of stress, anxiety, and sadness. Self-care is frequently postponed due to lack of time, fatigue, and insufficient support.

Conclusion  Gender, work, and health are deeply interconnected, indicating the need for public policies that are sensitive to gender inequalities in the context of family farming.

Keywords:
Agriculture; Women; Gender Perspective; Occupational Health; Qualitative Research

Introdução

A agricultura familiar caracteriza-se como uma forma de organização da produção agrícola na qual a família constitui, simultaneamente, a unidade de trabalho, gestão e tomada de decisões. Nesse contexto, a atividade produtiva não se limita apenas à geração de renda, envolvendo também a reprodução social e a manutenção da família no meio rural1.

No mundo, existem mais de 550 milhões de propriedades rurais, das quais cerca de 90% pertencem à agricultura familiar2. No Brasil, representam 77% do total dos empreendimentos agropecuários. No estado do Rio Grande do Sul, de um total de 365.052 estabelecimentos da agricultura familiar, apenas 43.893 eram administrados por mulheres, segundo dados do último censo agropecuário realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)3, o que evidencia desigualdades persistentes nas relações de gênero no meio rural.

Gênero é uma categoria analítica que se refere à ideia de que o masculino e o feminino extrapolam o sexo biológico. Compreende construções sociais acerca dos papéis adequados aos homens e às mulheres na sociedade, origens sociais de suas identidades e subjetividades, e sua organização em uma relação de poder4.

A divisão sexual do trabalho, fruto dessas construções sociais, representa um tipo de relação hierárquica, atribuindo a homens e mulheres papéis previamente definidos, com cargas valorativas distintas. Na sociedade capitalista, historicamente, os homens foram vinculados ao trabalho produtivo, desempenhado na esfera pública, remunerado e socialmente valorizado, o que os consolidou como provedores5,6.

O patriarcado é entendido como um regime de dominação e subordinação em que o homem, geralmente o pai, patriarca, mantenedor e provedor, ocupa a posição de centralidade na família7. Esse sistema naturalizou a percepção de que as mulheres são as principais responsáveis pelo trabalho reprodutivo ou de cuidado, não remunerado, confinado ao espaço privado, como o lar, e relacionado às tarefas de manutenção da vida e da reprodução social5,6.

Ao voltar o olhar para o meio rural, onde a cultura tende a ser mais conservadora, as desigualdades de gênero são ainda mais evidentes e incorporadas no viver de muitas famílias agricultoras8.

Quando reproduzidas de geração para geração, essas desigualdades se expressam na desvalorização e discriminação do trabalho exercido pelas mulheres. Também se manifestam no acesso limitado a recursos produtivos e políticas públicas, na restrição à tomada de decisões e nos processos de sucessão rural, impactando seu desempenho na agricultura8.

As normas e as relações de gênero também influenciam a saúde e o bem-estar físico, mental e social9. A VIII Conferência Nacional de Saúde (1986) propôs uma compreensão ampliada de saúde, entendendo-a como resultado das condições de alimentação, habitação, educação, renda, meio ambiente, trabalho, acesso à terra e aos serviços de saúde10. A Comissão Nacional sobre os Determinantes Sociais da Saúde (CNDSS) reforça que fatores sociais, econômicos e culturais influenciam diretamente os processos de adoecimento11.

Assim, o trabalho e o gênero, enquanto determinantes sociais, são fundamentais para compreender como a saúde das mulheres em contextos rurais é impactada. São limitados os estudos que exploram, a partir da experiência das próprias mulheres agricultoras, como se articulam trabalho produtivo, trabalho reprodutivo e condições de saúde no cotidiano rural. Ao desvelar o sentido atribuído ao trabalho realizado pelas mulheres agricultoras familiares, o estudo pode contribuir para o debate e para a formulação de políticas públicas intersetoriais, com potencial para fortalecer o trabalho rural e promover melhores condições de vida e saúde dessas mulheres.

Nesse sentido, este artigo tem como objetivo compreender como se expressam as intersecções entre gênero, trabalho e saúde no cotidiano de mulheres agricultoras familiares no Rio Grande do Sul.

Métodos

Desenho do estudo e fundamentação teórica

Trata-se de pesquisa descritivo-exploratória, de abordagem qualitativa. A perspectiva epistemológica adotada foi a hermenêutica, segundo a qual o todo é compreendido como “horizonte” indeterminado, sujeito a múltiplas interpretações. Nessa abordagem, a verdade não é alcançada por métodos objetivantes, mas se revela progressivamente na história, à medida que o sujeito se aproxima de sua essência12. A elaboração e o relato do estudo seguiram os critérios do Consolidated Criteria for Reporting Qualitative Research (COREQ)13.

Equipe de pesquisa

As entrevistas foram conduzidas por uma pesquisadora do estudo, responsável pela coleta de dados, que, à época da pesquisa, era mestranda no Programa de Pós-Graduação em Saúde e Ruralidade, sendo atualmente mestre na área. Atuava como Extensionista Rural Social na Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio Grande do Sul – Associação Sulina de Crédito e Assistência Rural (EMATER/RS-Ascar), no município do estudo. Identifica-se como do gênero feminino e possui experiência com agricultura familiar e treinamento em pesquisa qualitativa.

Havia relação prévia entre a pesquisadora e as participantes, decorrente de sua atuação profissional no município, o que facilitou o acesso e contribuiu para a construção de confiança, aspecto relevante para a coleta de dados. As participantes tinham conhecimento sobre a sua profissão e os objetivos do estudo, o que favoreceu uma interlocução mais aberta.

Reconhece-se, no entanto, que essa proximidade pode influenciar a coleta e a interpretação dos dados; assim, adotou-se uma postura reflexiva ao longo do estudo, buscando identificar e minimizar possíveis vieses e garantir o rigor metodológico.

Contexto do estudo

Local

O estudo foi realizado na zona rural de Barra Funda, município de pequeno porte da mesorregião Noroeste do Rio Grande do Sul, Brasil, com 2.498 habitantes. A agricultura familiar é a base da economia local: dos 234 estabelecimentos rurais, 210 pertencem a esse modelo, reforçando sua importância para a economia e o sustento das famílias3-14.

Amostra

A amostragem foi intencional, orientada pela pertinência das participantes ao fenômeno investigado e pela possibilidade de aprofundamento compreensivo, coerente com a perspectiva hermenêutica adotada. Foram elegíveis 153 agricultoras familiares com Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF) ou Declaração de Aptidão ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (DAP), vinculadas ao Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA)15, residentes em comunidades rurais do município e participantes de ações da EMATER/RS-Ascar entre 2021 e 2023.

Participantes

A inclusão ocorreu até o alcance da saturação teórica, quando o material empírico passou a apresentar recorrência de sentidos e não gerou novos códigos ou temas, conforme referencial de saturação em pesquisa qualitativa16. Ao final, participaram 35 mulheres.

Os critérios de exclusão foram as limitações cognitivas ou as dificuldades de comunicação que comprometessem a compreensão ou as respostas. Nenhuma participante apresentou essas condições.

Coleta de dados

A coleta de dados ocorreu nos meses de março e abril de 2024, por meio de entrevistas semiestruturadas. Os contatos foram obtidos junto à EMATER/RS-Ascar municipal, e o convite foi realizado por telefone ou aplicativo de mensagens, com agendamento prévio. Das 35 participantes, 32 foram entrevistadas em suas residências, seguindo a orientação de que estivessem sozinhas durante a conversa, enquanto três entrevistas ocorreram no escritório da EMATER/RS-Ascar, conforme a preferência das entrevistadas. As entrevistas tiveram duração média de 30 minutos, foram gravadas em áudio e transcritas integralmente. Para garantir o anonimato, foram utilizados codinomes compostos pela letra “M” seguida de número sequencial.

O roteiro da entrevista abordou temas relacionados à ocupação, às atividades desenvolvidas na propriedade, à divisão das tarefas produtivas e reprodutivas e à participação na produção comercial (disponível no Apêndice A).

Análise dos dados

O corpus analítico foi composto por 35 entrevistas transcritas integralmente, totalizando 256 páginas. As transcrições foram devolvidas às participantes para validação, possibilitando a confirmação e, quando necessária, a complementação das informações; as versões validadas compuseram o corpus final submetido à análise. Os dados foram analisados por meio de análise de conteúdo temática, operacionalizada conforme a sistematização descrita por Minayo17.

O processo envolveu pré-análise, exploração do material e interpretação. Na pré-análise, foram realizadas a organização do corpus e as leituras flutuantes, para aproximação global do conteúdo. Na sequência, procedeu-se à leitura exaustiva, com identificação e codificação realizadas manualmente, com marcações visuais. Os códigos foram agrupados por similaridade temática, formando núcleos de sentido, sendo depois articulados em categorias analíticas interpretativas. Neste estudo, apresentam-se as categorias: “Múltiplas tarefas: o trabalho das mulheres agricultoras familiares” e “A sobrecarga do trabalho, as consequências na saúde e o (des)cuido de si”.

Considerações éticas

A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Universidade Federal de Santa Maria, sob parecer consubstanciado nº 6.613.542 e CAAE 76518423.5.0000.5346, em 15 de janeiro de 2024. Todas as participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), e todos os aspectos éticos das pesquisas com seres humanos foram respeitados.

Resultados e discussão

Das 35 agricultoras familiares do estudo, 14 tinham entre 50 e 59 anos e 12 tinham 60 anos ou mais. As mais jovens representavam uma parcela menor, com cinco mulheres entre 30 e 39 anos e quatro entre 40 e 49 anos. Quanto à escolaridade, 16 tinham ensino fundamental incompleto, quatro o concluíram, 11 completaram o ensino médio, três não o concluíram e uma tinha ensino superior. A maioria se autodeclarou branca (n = 30) e casada (n = 27).

O casamento tinha papel central na transmissão da terra, sendo comum o acesso à propriedade pelo matrimônio, com muitas mulheres residindo e trabalhando em terras herdadas do marido ou dos sogros. A maioria das propriedades tinha menos de 20 hectares, com mão de obra predominantemente do casal (mulher e marido/companheiro). As principais fontes de renda eram a produção de grãos e a bovinocultura de leite.

Essas características já indicaram que a organização do trabalho nas unidades familiares esteve atravessada por relações de gênero, herança e conjugalidade, elementos que influenciaram tanto a inserção produtiva quanto a sobrecarga reprodutiva feminina.

Múltiplas tarefas: o trabalho das mulheres agricultoras familiares

O cotidiano de trabalho das mulheres agricultoras familiares foi caracterizado por uma diversidade de tarefas, que se estendiam da esfera produtiva, reprodutiva à de cuidado. As expressões “pouco de tudo” ou “de tudo um pouco” foram mencionadas pelas participantes ao descreverem rotinas que envolviam desde o manejo de animais e atividades agrícolas até os cuidados com a casa e a família.

Um pouco de tudo [eu faço na propriedade]. Dona de casa é: lavar roupa, fazer almoço e cuidar das coisas da casa. Às vezes, eu ajudo ele [marido] também, quando precisar ir plantar, eu vou, porque agora ficamos sozinhos. Onde tiver que ir, eu vou com ele, porque a gente é parceiro (M33).

De tudo um pouco [é a minha rotina na propriedade]. De manhã no caso, eu ajudo o [marido] a tirar leite e de noite, quando ele não tá ali, eu tiro o leite sozinha. E daí, vai no pasto tocar as vacas e ajudo ele a plantar, fazer cerca e de tudo um pouquinho (M22).

Apesar do envolvimento direto em atividades produtivas, como o cuidado diário dos animais e o trabalho na lavoura, essas ações foram descritas como “ajuda” ao marido, vistas como complementares ao trabalho do homem, considerado economicamente mais relevante. Esse padrão é consistente com outros estudos18-20.

Esse padrão não representou apenas uma forma de linguagem, mas um mecanismo de invisibilização do trabalho produtivo feminino. A classificação como ajuda reduziu o reconhecimento econômico e simbólico dessas atividades e contribuiu para sua exclusão das esferas de decisão e de valorização social.

A “ajuda” feminina ocorre em momentos específicos, como plantio e colheita, quando há maior demanda de mão de obra. Nesses períodos, elas assumem tarefas como operar tratores, manobrar equipamentos, cuidar da plantadeira e transportar a produção para armazenamento ou comercialização. Algumas também mencionam apoio indireto, com preparo de refeições ou levando comida e água à lavoura. Os trechos das entrevistas relatam esses fatos:

O meu marido [se envolve na lavoura], isso é com ele e o [filho]. Eu também vou para ajudar, mas são eles. Eu ajudo a cuidar da plantadeira na época do plantio, a erguer as bolsas. E agora na colheita também, eu ajudo a cuidar da máquina que não quebra alguma coisa, se está botando fora a soja, essas coisinhas (M5).

Na lavoura eu não vou... é tudo mecanizado. Então [as mulheres vão na lavoura] alguma vez ou outra para buscar, trazer ou levar alguma coisa... Ontem o [marido] ligou: “traz água pra mim aqui na roça”, essas coisas [...]. É mais ali na parte da ordenha e na casa [que as mulheres ficam] (M19).

Esses relatos evidenciam a invisibilidade do trabalho produtivo das mulheres e a divisão tradicional de papéis, em que a esfera produtiva é atribuída aos homens. Maridos e filhos são apontados como principais responsáveis pelas atividades da lavoura, da compra de insumos à comercialização da produção. Mesmo quando operam máquinas ou desempenham tarefas-chave na propriedade, as mulheres raramente se reconhecem como protagonistas, assumindo o papel de “ajudantes”.

O estudo de Herrera et al.21 reforça essa perspectiva, ao observar que, desde a infância até a vida adulta, o trabalho das agricultoras é frequentemente classificado como “ajuda”. Esse padrão também foi identificado na Ásia, onde as mulheres eram designadas como “ajudantes”, enquanto os homens eram reconhecidos como “fazendeiros”22.

A participação da família no trabalho diário sobrepôs as esferas produtiva e reprodutiva, pois homens e mulheres permanecem nos mesmos espaços onde vivem e trabalham, compartilhando, de forma desigual, diferentes atividades. Em alguns casos, as mulheres não se deslocam do domicílio para realizar atividades produtivas. Nesse contexto, Herrera et al.21 destacam que a organização do trabalho das mulheres envolve ações além do produtivo, incluindo atividades reprodutivas e outras tarefas cotidianas difíceis de classificar na dicotomia produtivo/reprodutivo.

Nessa dinâmica, conforme Paulilo20, a mulher, ao realizar atividades cotidianas, frequentemente não percebia seu trabalho como parte do universo produtivo. Embora o trabalho doméstico e de cuidado não gerasse remuneração direta, tinha custo e valor econômico sob a perspectiva administrativa e de manutenção da unidade produtiva familiar, sustentando as condições necessárias à continuidade da produção e da vida no meio rural.

Uma das atividades produtivas com maior participação feminina foi a bovinocultura de leite, destacada pela forte presença das mulheres. Elas relataram realizar ordenha, alimentação, higienização e manejo do rebanho. Culturalmente, é vista como “trabalho de mulher”, pois, em muitos contextos rurais, ao se casarem, as filhas recebiam uma vaca como dote. O conhecimento das técnicas era transmitido de mãe para filha desde a infância, preparando-as para essa atividade23.

Mesmo com transformações no meio rural, a ordenha permanece, na maioria das propriedades, como responsabilidade feminina, refletindo a atribuição tradicional da mulher ao espaço privado, que inclui a sala de ordenha. A divisão sexual do trabalho é evidente na bovinocultura: tarefas internas, como limpeza e higienização, têm maior participação feminina, enquanto atividades externas, como cursos de qualificação técnica, são realizadas principalmente por homens24.

Essa desigualdade também se manifesta na transição da produção manual para a mecanizada: quando a produção de leite é pequena, voltada principalmente ao consumo familiar, as mulheres assumem a maior parte das tarefas. À medida que a produção se expande e mecaniza, com ordenhadeiras e outras tecnologias, o trabalho torna-se majoritariamente masculino, e o homem passa a controlar a comercialização e a renda gerada25. Assim, a valorização econômica redefine a percepção social do trabalho, reforçando desigualdades de gênero e evidenciando a invisibilidade do trabalho feminino quando este não está diretamente associado à geração de renda.

A participação das mulheres na esfera pública e produtiva também é limitada na tomada de decisão nas propriedades rurais. Os relatos revelaram uma separação entre os espaços produtivo e reprodutivo: as mulheres decidiam sobre assuntos domésticos, como a compra de eletrodomésticos, enquanto decisões sobre a lavoura, insumos e investimentos continuavam sob responsabilidade dos homens, conforme observa-se nos trechos abaixo:

Geralmente o investimento é com eles [marido e pai]. Eles sentam e resolvem. O único que a gente pode resolver é alguma coisa que a gente compra de casa, um forno elétrico. Mas, senão compra de equipamentos [para a lavoura], alguma coisa assim, geralmente é eles que lidam (M15).

O negócio [investimento] para casa é as mulheres [eu, minha sogra e cunhada] que decidem e lá na lavoura e nos galpões é com os homens, os três [marido, cunhado e sogro] juntos, normalmente. A gente [mulheres] não dá muito pitaco porque [a gente] não sabe. E [os cuidados] aqui para casa é nosso (M19).

Esses achados corroboram um estudo realizado em Portugal26, que identificou essa dicotomia entre espaços público e privado, especialmente na tomada de decisão, em que as esferas formais e públicas são dominadas por homens. Outro estudo22 também observou a liderança masculina nas decisões agrícolas, resultado de normas e papéis de gênero que atuam como barreira estrutural ao acesso das mulheres ao conhecimento técnico, limitando sua participação nas decisões produtivas.

O protagonismo das mulheres na esfera privada ficou evidente nos relatos ao descreverem o trabalho diário, centrado em funções reprodutivas, como atividades domésticas e de cuidado. Limpar, lavar, passar, cozinhar e manter a casa organizada compõem grande parte da rotina diária.

Além das tarefas domésticas, o cotidiano de trabalho das mulheres na agricultura familiar é marcado pelo cuidado. As entrevistadas relatam cuidar da casa, animais, horta, jardim e familiares. Esse cuidar se estende também à alimentação da família, não apenas por meio do preparo das refeições, mas pela produção dos alimentos, a partir do cultivo de hortas e da criação de animais para o autoconsumo. Esses achados corroboram o estudo21 que aponta que, no meio rural, as atividades de cuidado se integram de forma natural ao cotidiano das agricultoras familiares, contribuindo para o bem-estar e saúde dos familiares.

Embora frequentemente justificada por características consideradas naturais aos sexos, a atribuição do trabalho doméstico e de cuidado às mulheres retrata uma construção social de gênero, e não uma determinação biológica27. Essa construção naturalizou o trabalho doméstico como um atributo pertencente à psique e personalidade feminina, definindo-o como uma necessidade intrínseca ou aspiração decorrente de sua suposta “natureza”28. Essa força de trabalho é mascarada como um serviço realizado em nome do amor e do casamento, criando a expectativa de que as mulheres o desempenhem naturalmente, gostem disso e não se recusem a fazê-lo29.

Adicionalmente, os resultados indicam que algumas agricultoras familiares buscavam complementar sua renda por meio de atividades não agrícolas, caracterizando o fenômeno da pluriatividade. Esse termo refere-se à escolha, por parte dos membros das famílias rurais, de desempenhar diferentes atividades, inclusive não agrícolas, enquanto mantêm sua residência no campo e uma ligação produtiva, com a agricultura e a vida no rural30. Destacam-se a produção e venda de alimentos caseiros, como pães, doces, queijos e salgados, além do artesanato, comércio de itens e prestação de serviços como manicure e faxina, conforme as entrevistas:

[...] faço as minhas coisas pra vender: bolacha, cuca, grostoli, pão. Esse é um extra que eu ganho (M11).

[...] Eu trabalho com docinho para festa. É um ganho também (M17).

Com certeza [o trabalho que desenvolve é importante para a renda]. Tanto faz dos peixes, como dos meus salgados. Tanto é que, dos meus salgados, eu comprei muita coisa: o note da [filha], roupeiro, cama, mesa. Muita coisa! Um filtro, que não é barato. De quatro anos pra cá, eu comprei muita coisa (M13).

Estudos nacionais e internacionais confirmam esse padrão, evidenciando a importância econômica das atividades não agrícolas e sua associação com o trabalho feminino31-33. Embora relevantes na geração de renda, essas atividades têm origem em um contexto cultural, transmitidas de mãe para filha ao longo das gerações, e permanecem associadas ao trabalho reprodutivo, sem reconhecimento formal, reforçando a ideia de que o trabalho principal é o masculino.

Contudo, a geração de renda extra confere autonomia econômica às mulheres, permitindo-lhes adquirir bens para o lar e para os filhos, muitas vezes itens que, segundo a lógica da divisão sexual do trabalho tradicional, caberia ao marido, responsável pelo gerenciamento do dinheiro familiar, mas que não são priorizados. Essa autonomia também possibilita a compra de bens pessoais, reduzindo situações de dependência ou constrangimento.

Entretanto, a ampliação da participação econômica não modifica a responsabilização feminina pela organização do cotidiano doméstico. A atenção que as mulheres dedicam às demandas do espaço da casa não resulta de uma predisposição natural, como se apenas mães ou esposas fossem capazes de identificar e atender às necessidades da família. Trata-se de um processo social de atribuição desigual de responsabilidades, no qual elas são treinadas, desde a infância, para administrar múltiplas tarefas simultaneamente, consolidando a crença de que apenas elas possuem tal competência34.

Nesse contexto, as atividades complementares de geração de renda não substituem nem reduzem o trabalho doméstico e de cuidado; somam-se às demais responsabilidades cotidianas, ampliando a sobrecarga feminina ao se articularem ao trabalho doméstico, de cuidado e produtivo nas unidades familiares. Assim, a autonomia financeira conquistada convive com a intensificação da jornada de trabalho e com a permanência das desigualdades na divisão sexual do trabalho.

A sobrecarga do trabalho, as consequências na saúde e o (des)cuido de si

A conciliação entre trabalho produtivo, doméstico e de cuidado estrutura o cotidiano das mulheres agricultoras familiares e revela a permanência da divisão sexual do trabalho como princípio organizador das relações sociais no meio rural. A dupla ou tripla jornada não constitui uma sobreposição ocasional de tarefas, mas expressa uma lógica estrutural que atribui às mulheres a responsabilidade prioritária pelo cuidado e reprodução social, mesmo quando estas participam ativamente da produção agrícola. Essa organização desigual do trabalho repercute diretamente na saúde e bem-estar.

Como consequência da sobrecarga de trabalho, além dos impactos físicos, emergem sentimentos de tristeza, angústia e exaustão. O desempenho simultâneo de múltiplas jornadas impõe às mulheres pressões e expectativas no âmbito familiar, gerando tensões emocionais que, muitas vezes, se traduzem em sofrimento psíquico35. Essas manifestações revelam a tensão entre as expectativas socialmente construídas em torno do papel feminino e os limites corporais e subjetivos das mulheres, evidenciando como as desigualdades de gênero também se expressam na saúde mental.

A saúde mental das agricultoras é atravessada por essa organização generificada do trabalho. Depressão, ansiedade e estresse, citados pelas entrevistadas, dialogam com achados que apontam maior vulnerabilidade psíquica entre mulheres rurais expostas à sobrecarga e à baixa valorização social do seu trabalho36. Assim, o adoecimento mental deve ser compreendido à luz da determinação social da saúde, na qual gênero atua como eixo estruturante das desigualdades.

No plano físico, os distúrbios osteomusculares recorrentes entre as participantes evidenciam como o corpo feminino se torna o principal instrumento de sustentação da reprodução familiar e da produção agrícola. Dores na coluna, hérnias, artroses e lesões nos joelhos associam-se a jornadas prolongadas, levantamento de peso, posturas inadequadas e ausência de tecnologias adaptadas36,37. Estudo realizado na Índia identificou elevada prevalência de dor lombar (68,78%), além de desconfortos em pescoço, ombros, cotovelos e mãos, associados a movimentos repetitivos e ergonomia precária37.

Esse cenário revela que a organização do trabalho agrícola, historicamente pensada a partir de parâmetros masculinos, tende a invisibilizar as especificidades corporais das mulheres, ampliando sua exposição a riscos ocupacionais.

[...] Essas articulações e essas coisas que eu tenho, tudo de ter trabalhado bastante. [O trabalho com] as vacas é muito sofrido, a gente trabalhou mais de 20 anos era tudo manual, não tinha nada de instalação e não tinha estrebaria adequada [...] E daí, isso me judiou muito, de erguer peso, não me cuidar, trabalhar direto, eu não tinha um feriado e não tinha nada (M30).

Ah sim [o trabalho influenciou na saúde]: dor nas pernas, no joelho. Nós [mulher e marido] tínhamos o resfriador de água, eu tirava o leite, eu tinha 12 vacas, tirava o leite, daí eu levantava o tarro pra encher o outro lá dentro, e meu joelho acabou (M6).

A maior frequência de distúrbios osteomusculares entre mulheres com mais de 50 anos revela um desgaste cumulativo ao longo do curso de vida. Embora o envelhecimento implique alterações fisiológicas, é necessário reconhecer que a idade avançada também representa maior tempo de exposição a condições laborais marcadas por sobrecarga e precariedade. O adoecimento, portanto, não pode ser reduzido ao envelhecimento biológico, mas deve ser interpretado como resultado de trajetórias laborais atravessadas por desigualdades de gênero.

A desigual divisão sexual do trabalho aparece de forma explícita nos relatos que descrevem a multiplicidade de papéis assumidos: agricultoras, cuidadoras, educadoras, gestoras do lar e responsáveis pelo cuidado intergeracional. Essa acumulação de responsabilidades evidencia que o trabalho reprodutivo permanece sob domínio feminino, mesmo quando há inserção na produção agrícola, implicando a intensificação da jornada e ampliação da sobrecarga.

Não é só cuidar da casa, tem as coisas da propriedade, tem os filhos, que às vezes a gente é professora, tem sogro, sogra, tem pai e mãe que já têm idade, tem horas que a gente é cuidadora (M2).

Às vezes, sim, [me sinto sobrecarregada] quando acumula as coisas, não é fácil (M5).

Ah, a gente cansa, meu Deus, às vezes, quando tem o leite, toda a casa e às vezes, quando eu tenho as minhas encomendas é bastante pesado (M11).

Essa configuração impacta diretamente o tempo disponível para o autocuidado. O cuidado de si tende a ser postergado em favor das demandas familiares e produtivas, evidenciando que o tempo feminino é socialmente apropriado pelas necessidades de terceiros. Esse acúmulo de funções compromete a disponibilidade e disposição dessas mulheres, revelando como a organização generificada do trabalho estrutura também o uso do tempo. Assim, elas tendem a postergar o cuidado de si e a dedicar tempo e energia às demandas urgentes, em detrimento de ações benéficas para sua vida, como alimentação saudável, atividade física, descanso e lazer35,38.

Na medida do possível, a gente se cuida, mas, que nem a gente diz, é bastante coisa que a gente acaba, às vezes, não se cuidando da gente (M9).

Já faz um ano que estou protelando uma entrada numa academia, mas ainda não achei tempo (M2).

Esses relatos revelam uma contradição: mulheres socialmente responsabilizadas pelo cuidado de tudo e de todos, mas que raramente são alvo de cuidado. A negligência do autocuidado não decorre, necessariamente, de desinteresse individual, mas de barreiras estruturais que atravessam as relações entre gênero, trabalho e saúde e dificultam sua priorização no cotidiano rural. Estudos internacionais apontam obstáculos como a falta de tempo em razão das responsabilidades familiares e cansaço acumulado, além de ausência de apoio social de serviços formais, como creches ou babás39.

Quanto ao apoio social, é fundamental compreender que ele não se restringe à existência de equipamentos públicos ou serviços institucionais, mas abrange redes de suporte familiar e comunitário capazes de redistribuir responsabilidades e, consequentemente, liberar tempo para o autocuidado. Contudo, entre as mulheres agricultoras familiares, tais redes frequentemente se estruturaram de maneira generificada: quando o apoio se concretizava, geralmente era oferecido por outras mulheres, mães, avós, sogras ou filhas mais velhas, evidenciando a permanência do trabalho de cuidado no interior do próprio universo feminino. Embora relevante, o suporte social nem sempre promove redistribuição efetiva das tarefas entre homens e mulheres; pode, ao contrário, reforçar a divisão sexual do trabalho e a centralidade feminina na sustentação da vida cotidiana.

Os desafios nas relações entre saúde, trabalho e gênero vividas por essas mulheres evidenciam a necessidade de fortalecer e ampliar políticas públicas de trabalho e saúde que enfrentem desigualdades de gênero e sejam mais acessíveis a seus contextos de vida. Nesse sentido, a Política Nacional de Saúde Integral das Populações do Campo, da Floresta e das Águas representa um avanço ao reconhecer as especificidades territoriais, sociais e culturais das populações do campo e ao propor a ampliação do acesso às ações e aos serviços de saúde40.

Uma das limitações do estudo refere-se à dificuldade inicial de acesso às mulheres participantes, superada com o apoio da EMATER/RS-Ascar, o que foi fundamental para viabilizar a realização da pesquisa no território.

Conclusão

Este estudo analisou como gênero, trabalho e saúde se entrelaçam na vida de mulheres agricultoras familiares no Rio Grande do Sul. Os resultados evidenciam que a vida dessas mulheres é marcada pelas condições do meio rural e pelas desigualdades de gênero que atravessam e estruturam seu cotidiano.

Apesar de sua importante participação nas atividades agrícolas, o trabalho feminino ainda é visto como “ajuda”, perpetuando uma lógica patriarcal que relega às mulheres um papel secundário na agricultura familiar. A divisão sexual do trabalho persiste, associando às mulheres o espaço doméstico e de cuidado, enquanto o espaço produtivo permanece simbolicamente masculino, o que contribui para a invisibilidade do trabalho por elas desenvolvido.

A multiplicidade de tarefas nas esferas reprodutiva, produtiva e de cuidado gera sobrecarga que compromete a saúde e o autocuidado dessas mulheres, evidenciando como as desigualdades de gênero se inscrevem concretamente nas experiências de adoecimento. Nesse contexto, é fundamental fortalecer políticas públicas de trabalho e saúde que incorporem a perspectiva de gênero e enfrentem as iniquidades que atravessam as inter-relações entre trabalho e saúde no meio rural.

Recomenda-se, ainda, uma atuação compartilhada entre a EMATER/RS-Ascar, a Secretaria Municipal de Saúde e a Universidade, por meio de práticas coletivas reflexivas que possibilitem às mulheres ressignificar o trabalho, fortalecer sua autonomia e promover a saúde em seus cotidianos.

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  • Informação sobre trabalho acadêmico:
    Trabalho baseado na dissertação de mestrado de Edinéia Gopinger, intitulada: “Gênero, trabalho e saúde no cotidiano de mulheres agricultoras familiares”, apresentada em 2025 ao Programa de Pós-Graduação em Saúde e Ruralidade da Universidade Federal de Santa Maria, Campus Palmeira das Missões.
  • Disponibilidade de dados:
    Os dados que sustentam os resultados deste estudo – provenientes de entrevistas qualitativas com mulheres – não estão disponíveis publicamente para preservar a confidencialidade e o anonimato das participantes.
  • Declaração sobre uso de Inteligência Artificial:
    Durante a elaboração do artigo foi utilizada a ferramenta de inteligência artificial Chat GPT (openAI) versão GPT-5.3, com o objetivo de revisão de linguagem, apoio à elaboração do resumo e tradução. Os autores declaram que revisaram e validaram todo o conteúdo.
  • Apresentação do estudo em evento científico:
    Os autores informam que o estudo não foi apresentado em evento científico.
  • Financiamento:
    Os autores declaram que o estudo não foi subvencionado.

Roteiro de Entrevista Semiestruturada

1. Perfil sociodemográfico

  • Qual sua idade?

  • Qual sua profissão?

  • Tem filhos? Se sim, quantos?

  • Qual o seu estado civil?

  • Qual a sua escolaridade?

  • Você se autoidentifica com qual cor/raça?

  • Você é aposentada? Se sim, qual o tipo de aposentadoria?

  • Já trabalhou ou trabalha fora da propriedade? Se sim, onde e por quê?

  • Qual a renda familiar mensal aproximada? Recebe algum benefício?

  • Dirige algum veículo? Possui CNH?

2. Características da propriedade

  • Qual a área da propriedade?

  • Como a propriedade foi obtida (compra, herança, viuvez etc.)?

  • Quantas pessoas residem e trabalham na propriedade? Quem são elas?

  • Qual a principal fonte de renda da propriedade?

  • Quais são as principais atividades econômicas desenvolvidas?

3. Rotina e dinâmica familiar de trabalho

  • Qual sua ocupação/trabalho/atividade na propriedade?

Quem realiza e como são realizadas as seguintes tarefas:

  • Atividades domésticas (limpeza, cuidado com roupas, preparo das refeições)?

  • Quem decide o que será preparado na alimentação?

  • Qual sua participação na alimentação da família?

  • Quais alimentos são produzidos para autoconsumo? Quem participa dessa produção?

  • Cuidados com horta e pomar (plantio, limpeza, colheita)?

  • Cuidados com animais (galinhas, vacas, terneiros etc.)?

  • Cuidados com a lavoura (plantio, colheita, adubação, manejo)?

  • Compras no mercado?

  • Compras de insumos, equipamentos e medicamentos para animais?

  • Comercialização da produção?

  • Quem decide sobre investimentos, financiamentos e atividades produtivas?

  • Como você avalia seu envolvimento na produção comercial?

  • Você considera seu trabalho importante para a renda da propriedade? Por quê?

4. Saúde e gênero

  • Como você considera a sua saúde?

  • Você possui algum problema de saúde? Qual?

  • Faz uso de medicamentos contínuos? Quais?

  • Quais cuidados você tem com a sua saúde? Realiza exames de rotina?

  • Você tem acesso aos serviços de saúde? Enfrenta dificuldades?

  • Com que frequência procura atendimento em saúde?

  • Já se sentiu sobrecarregada no trabalho?

  • Quais são suas atividades de lazer?

  • Para você, o que é violência contra as mulheres?

  • Você conhece casos de violência contra a mulher na sua comunidade?

  • Você saberia como ajudar uma mulher em situação de violência?

  • Você conhece a Lei Maria da Penha?

  • Existe diferença entre a violência no meio rural e urbano?

  • Existem espaços para discutir saúde e violência entre mulheres na comunidade?

  • Você considera importante a existência desses espaços?

Opinião sobre as seguintes afirmações:

  • “Em briga de marido e mulher ninguém mete a colher.”

  • “É da natureza do homem ser violento.”

  • “O homem deve ser a cabeça do lar.”

5. Participação social e percepção de gênero

  • Você participa de associação, sindicato, grupo ou coletivo?

  • Como você se sente sendo uma mulher na agricultura familiar?

  • Você acredita que mulheres rurais sofrem preconceito ou discriminação?

Editado por

Disponibilidade de dados

Os dados que sustentam os resultados deste estudo – provenientes de entrevistas qualitativas com mulheres – não estão disponíveis publicamente para preservar a confidencialidade e o anonimato das participantes.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    17 Jul 2026
  • Data do Fascículo
    2026

Histórico

  • Recebido
    31 Jul 2025
  • Revisado
    15 Fev 2026
  • Aceito
    18 Fev 2026
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